Por que Janot poupou o jaburu-da-mala?

É grave o que diz o procurador Celso Três em entrevista a Daniel Haidar para o jornal El País. Segundo ele, o procurador Rodrigo Janot teria como abrir investigação contra o jaburu-da-mala, quando era vice de Dilma.
Janot preferiu esperar, porque acreditava que teria um terceiro mandato na Procuradoria-Geral.
Conheço Celso Três, com quem conversei várias vezes no tempo do caso Banestado. O procurador fala o que acha que deve falar. Espera-se que Janot ofereça alguma explicação.
Vejam o que Três afirmou:
“Está provado hoje que Janot sabia, sim, da gravação da JBS. O ex-procurador Marcello Miller deu a entender que o procurador-geral da República sabia disso. Mas, ainda assim, o que é a segunda denúncia? Janot imputou a Temer obstrução de Justiça e (chefia de) organização criminosa. Mas ele cita atos de corrupção que são anteriores ao mandato presidencial. Isso que é grave contra Janot. Enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff estava no poder, Janot sequer abriu investigação contra Temer. Tinha gente processada e até presa com elementos que Temer já apresentava, como o caso da Engevix. Isso é inexplicável. Aí quando ele vai fazer? Quando ele se convence que não conseguiria um terceiro mandato”.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/10/politica/1510338596_866594.html

 

A derrota da Globo

O grande debate interno na Globo não é sobre a audiência das novelas. É sobre o fracasso do esforço global para derrubar o jaburu-da-mala e Aécio.

As esquerdas quase que desistiram de discutir a inconsequência dos seus discursos e das suas tentativas de ação. As esquerdas não derrubam nem síndico. Mas a Globo deve estar debatendo todos dias a incapacidade de derrubar o jaburu.

Por que a Globo bate todos dias de forma implacável no jaburu e no Quadrilhão e não consegue derrubar os golpistas que eram seus aliados? Por que a Globo fez todos os esforços nos últimos dias para acabar com Aécio e não conseguiu?

As esquerdas falharam, os estudantes se recolheram, a classe média se encaramujou e o povo está hibernando, mas porque a Globo falha?

Será que o povo, de quem a Globo também depende para levar adiante seu plano, sabe que a Globo está armando o próximo golpe com Rodrigo Maia, ou com Henrique Meirelles, ou com qualquer um que impeça a realização de eleição em 2018?

O que se sabe é que a direita organizada, a direita dos raposões do PMDB e do PSDB, com a ajuda do baixo clero do Congresso, desplugou-se da casa dos Marinho. Essa direita salvou Aécio para salvar o jaburu amanhã.

A Globo perderá de novo na votação da segunda denúncia contra o jaburu. E a goleada será maior do que na primeira votação no início de agosto. A Globo já não governa como antes.

Moro deveria examinar grampo do jaburu

A conversa gravada do repórter do Globo com o jaburu-da-mala deveria ser enviada ao juiz Sergio Moro, especialista em grampos de presidente da República.
O grampo precisa ser submetido à perícia, para se saber se uma informação é verdadeira.
É o trecho em que o jaburu, depois de dizer que “não, não é daqui”, afirma que tem mais de 10 mil alunos espalhados pelo Brasil. Dez mil alunos!!!!
Primeiro, Moro poderia dizer se é dali mesmo. E depois poderia esclarecer a questão dos estudantes, pedindo recibos ao jaburu.
Nem Matusalém, que viveu 969 anos, teve tantos alunos. Mas Sérgio Moro, que já processou mais de 10 mil tucanos, certamente poderá esclarecer. Sergio Moro esclarece tudo.

O modelo de Curitiba

O juiz Sergio Moro ficou com a parte pobre da Lava-Jato, com os tesoureiros do PT e com Lula e os pedalinhos e a reforma da cozinha do Guarujá. Até Marcelo Odebrecht ficou pobrezinho perto dos irmãos Batista e das malas do Geddel.
Sergio Moro é juiz para pegar um Lucio Funaro e suas conexões jaburianas. Este sim, como se vê agora na sua delação, é mafioso de verdade. Se pegasse Funaro, Moro pegaria Cunha, Padilha, Geddel, Moreira Franco e o jaburu. O Quadrilhão seria todo de Moro.
Mas Sergio Moro só lida com gente sem foro privilegiado. Ele só avança em gente com foro se for para grampear Dilma. Quando foi para grampear Dilma (ilegalmente) e mandar o grampo (ilegalmente) para a Globo, aí não teve a desculpa do foro.
Moro deve ter sido o único juiz de primeira instância de todos os tempos, em qualquer parte do mundo e sob uma democracia, mesmo que capenga, que grampeou (com a desculpa de que foi sem querer) o telefone da mais alta autoridade do país. E deu publicidade ao seu delito, como se fosse repórter dos Marinho.
Um dia os professores de Direito ainda falarão desse episódio como uma das maiores aberrações da Justiça. Hoje, poucos falam, porque o Direito absoluto a ser imitado é o do modelo das prisões preventivas intermináveis e das delações saídas das masmorras de Curitiba.
(Para que não fique dúvida: o ministro Teori Zavascki considerou ilegal a divulgação do grampo pelo juiz, porque o próprio grampo também foi, é claro, um ato ilegal. Mas Teori está morto.)

Os direitos do Quadrilhão

Estou aqui tomando meu mate com carqueja e pensando. No golpe contra Dilma, a direita do Congresso declarou voto pela família, por Deus e por Eduardo Cunha. Foi um voto pelos costumes e pela ‘moral’ religiosa.
Já na votação da denúncia contra o jaburu-da-mala, o argumento pró-jaburu foi o da defesa da estabilidade econômica. Foi um voto pela segurança do povo.
A piada da primeira votação ficou pior na segunda. Agora, a denúncia a ser votada pega o jaburu, Padilha e Moreira Franco. Fica mais complicado arranjar um argumento para todos.
Estava pensando num pretexto possível e até ofereço essa ideia de graça a eles. Os golpistas poderão manter a sinceridade e votar em defesa do direito de formação de quadrilha, que é do que trata uma das denúncias do Ministério Público.

AS DOENÇAS

No intervalo de uma das reuniões na ONU, Moreira Franco bateu na porta da suíte onde estavam o jaburu-da-mala e seus assessores. Moreira Franco pediu licença e entrou:

– Cumpre informar que o juiz não autorizou o tratamento para a cura do Padilha.

– Podemos falar disso depois? – indagou e ordenou o jaburu, alegando que precisava preparar uma proposta de paz entre Trump e o gordinho da Coreia e que esse plano seria decisivo para evitar a guerra.

Moreira Franco insistiu:

– Padilha deve ser curado logo.

– O que ele tem é saudade do Geddel – disse o jaburu.

Moreira Franco argumentou:

– E saudade é doença. Mas recorremos a um juiz de Brasília, o mesmo que disse que os gays são doentes, e ele disse que Padilha deve lutar para esquecer o Geddel. Ele não reconhece um homem saudoso como doente. Que Padilha é um homem sadio.

– E o Gilmar?

– Ainda não recorremos ao Gilmar.

– Pois faça-o. O Gilmar decide o que é doença, do resfriado às pestes medievais. Se for preciso, Gilmar prende as doenças e solta as doenças – disse o jaburu.

Quando Moreira Franco estava deixando a suíte, chegou Padilha.

– Saudade é doença, sim – disse Padilha.

– Mas o Geddel sairá logo – falou o jaburu, com a voz baixa, aquela voz em ponto morto que parece que não é dele, em tom de quem consola.

Padilha jogou-se na cama presidencial, agarrou-se ao travesseiro e começou a chorar.

– Mas e as malas? E as malas?

Padilha dava socos no travesseiro. O jaburu chamou Moreira Franco e fez um sinal com a mãozinha:

– Psss… Deixa ele quieto.

E virou-se para o assessor e continuou ditando, fazendo círculos com o dedo indicador no ar:

“Como eu estava dizendo, todavia, o Brasil oferece-se, no entanto, como potência mundial, a tratar a doença que acomete o mundo e que pode de inopino afastar-nos dos trilhos da paz, da bonanza…(com z mesmo)…”

O MOUCO E AS REDES SOCIAIS

Li agora que o marqueteiro Elsinho Mouco será fortalecido nos esforços do jaburu-da-mala para melhorar a imagem do governo que quer vender até a Casa da Moeda.
Mouco é o encarregado de ouvir as vozes das redes sociais e fazer a interpretação dessas informações no governo do jaburu.
Mouco sabe tudo sobre redes sociais e pode estar lendo agora isso que escrevi a seu respeito.
O sobrenome é adequado a um governo como este. Segundo o Dicionário Houaiss, esta é a definição de mouco: “Aquele que não ouve ou ouve muito pouco; amouco.”

Sem condições

Se o Brasil não fosse um país moralmente degradado, a futura procuradora-geral não assumiria o cargo, depois do encontro noturno e secreto com o chefe da gangue do jaburu, denunciado por corrupção pela própria PGR.
Os procuradores que a indicaram deveriam agora tomar a iniciativa de desfazer a escolha. Mas é esperar demais de um país que se achinelou e se acovardou.
Raquel Dodge conseguiu pisotear e desmoralizar uma instituição e toda a Lava-Jato antes de assumir seu comando.

O golpe segue em frente

O que vai acontecer quando o jaburu cair e Maia, O Pequeno, subir ao poder em eleição indireta com o seu PFL, a Globo e o pato da Fiesp?

A economia se apruma um pouco, porque uma hora tem que se aprumar, renovam-se as expectativas, a Globo passa a dar notícias boas, a Lava-Jato reflui, os amigos do Ministério Público e do Judiciário colaboram e estará consumado o pacto à direita.

O golpe terá cumprido, em um ano, o roteiro que parte da direita imagina ser o ideal, para que as reformas sigam em frente. E o PFL, nascido de uma costela da Arena, terá conseguido o máximo: chegar ao governo sem votos.

Mais adiante, com o país sob o entusiasmo de um governo com um sujeito simpático, com as bochechas rosadas e a fala mansa, é provável até que aconteça o que o que muitos temem.

É provável, sim, que o golpe continue e se inicie então a articulação de um arranjo para que Maia continue no poder, sem eleição para presidente em 2018.

Impossível? O povo vai deixar? O povo deixou o jaburu e sua turma em paz. O povo se contenta com o que estiver à mão. Como se resignou com o FGTS.

Maia não vai depender do povo. Ele será refém apenas dos humores da própria direita, que faz o que bem entende.

A direita golpeou Dilma, depois abandonou Eduardo Cunha, agora está golpeando o jaburu, sem qualquer interferência das ruas ou das esquerdas.

A direita tem o controle do país, desde antes do golpe de agosto do ano passado. A direita, se quiser, pode até derrubar Maia mais adiante e escolher um novo capataz.

O Brasil é a grande fazenda da direita. A democracia brasileira retroagiu ao século 19.

E ainda debocha

Para quem seria a primeira grande entrevista do jaburu-rei na beira do penhasco? Para a Folha, claro.
O jornal mobilizou três repórteres para ouvir o homem debochar de quem acha que ele renuncia.
O tom é sempre de ironia e desafio para o confronto. “Se quiserem, que me derrubem”.
Na parte mais vergonhosa da entrevista, ele diz que fica porque a Folha comprovou que as gravações com o mafioso da JBS foram adulteradas. E que a mesma Folha disse que o delator foi treinado pelo Ministério Público.
É o jornalismo embarcado em grande momento.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886163-se-quiserem-me-derrubem-afirma-temer-ao-negar-de-novo-a-renuncia.shtml