17 DE MAIO

José Dirceu pode ser preso de novo no mesmo dia em que, há um ano, muitos acharam (eu inclusive) que o jaburu seria derrubado e o golpe chegaria ao fim.
No dia 17 de maio do ano passado, milhares saíram às ruas, depois da divulgação da gravação de Joesley Batista com o chefe do Quadrilhão.
Foi a última grande manifestação contra a quadrilha e o golpe. Em Porto Alegre, 40 mil pessoas desceram a Borges. Eu desci junto.
O jaburu resistiu e no dia seguinte era como se nada tivesse acontecido. Meia dúzia apareceu na Esquina Democrática. Vi Olívio Dutra por lá. Meu amigo Heitor Schmidt, minha amiga Marta Magadan. Foi triste.
Saímos dali e fomos beber no Tutti Giorni, o bar do Nani na escadaria da Borges. Nunca mais tivemos uma manifestação de rua do tamanho daquela de 17 de maio. Teremos outra chance?
O jaburu, Aécio, Serra, Alckmin, Paulo Preto e os integrantes das quadrilhas e dos quadrilhões estão soltos e impunes. Todos os tucanos corruptos estão livres. Todos.
Lula está preso. E José Dirceu pode ser encarcerado mais uma vez. E exatamente no dia 17 de maio. O golpe não brinca com simbolismos.

SERÁ QUE PARARAM?

É sensacional a argumentação do juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, ao negar o pedido de prisão preventiva contra o advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima Filho, os amigões mafiosos do jaburu.
Ao pedir as prisões, o Ministério Público argumentou que os dois (que já são réus no processo do Quadrilhão) fazem parte de um esquema que deve ser interrompido, considerando-se inclusive que, com a candidatura do jaburu à presidência, tudo o que eles querem é continuar roubando.
Mas o juiz decidiu que não precisa prender, porque não há nenhum indício de que os dois e os demais integrantes do Quadrilhão estejam mesmo dispostos a continuar os roubos. Os indícios talvez sejam de que eles pararam de roubar. Mas isso o juiz não esclarece.

O PAÍS EM SURTO

Não são apenas os procuradores em jejum que parecem ter entrado em surto. Parte das esquerdas também está em delírio. O delírio do momento é o que recomenda cautela com o jaburu, porque o jaburu seria o fiador da democracia.
O delírio adverte que o cerco ao jaburu, que todo mundo pedia, é um plano diabólico para colocar Cármen Lúcia no poder. Textos com esta tese se espalham pelo FaceBook com um alerta: se isso acontecer, adiós tia Chica. Nada mais terá salvação.
Essa esquerda prega, com ares de ciência, a manutenção do jaburu, em nome da ameaça da perpetuação de Cármen Lúcia (e do Judiciário) no poder. Como se tudo isso tivesse sido combinado com os russos.
Essa é uma alternativa posta a circular há quase dois anos. Cármen Lúcia é um dos sonhos de uma certa direita. Mas quem imagina que possa governar, se não consegue expressar nem mesmo um voto (aquele em favor de Aécio), sem a ajuda da tradução de Celso de Mello. Como se Cármen Lúcia tivesse pulso e condições de assumir, sem nenhum lastro político, um poder esfacelado pelo golpe.
Menos, menos. Não fiquem atirando a esmo para dizer depois que acertaram. Quem atira a esmo são os inimigos fascistas de Lula e da democracia.

Extrato

Seu Mércio me telefona e conta que recebeu hoje à tarde uma daquelas ligações em que aparece no celular um número com prefixo de São Paulo.
Dizem que essas ligações são pilantragens. Quadrilhas tentam furtar os dados armazenados no telefone.
Pois seu Mércio conta que atendeu, depois de se prevenir e colocar nos seus arquivos de imagens, como isca, uma série de números com esta informação: extratos bancários do jaburu, que serão encaminhados ao ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo.
Ele disse que atendeu, mas quem estava do outro lado não se manifestou e desligou. Dois minutos depois, recebeu um torpedo: esses extratos não servem pra nada.

O JANTAR DE R$ 10 MILHÕES

Finalmente vão investigar o jaburu-da-mala no famoso caso do jantar de maio de 2014 em que Marcelo Odebrecht acerta a ‘doação’ por fora de R$ 10 milhões que seriam para o PMDB. Não seria propina, seria doação.
O jaburu era vice-presidente da República e presidente do PMDB. R$ 6 milhões seriam encaminhados para a campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo. Os outros R$ 4 milhões ficariam aos cuidados de Padilha.
Sempre que a história desse jantar no Palácio do Jaburu aparece na imprensa é lembrado que Marcelo Odebrecht, ao delatar o caso, diz que o jaburu ausentou-se da mesa do jantar na hora do acerto da dinheirama.
O jaburu afasta-se entre a sobremesa e o cafezinho (e vai para o banheiro ou circula entre as emas nos jardins?). Ficam ali Marcelo, mais Claudio Melo Filho, diretor da empreiteira, e Padilha, então deputado federal.
Marcelo diz que o jaburu sabia de tratativas, mas decidiu afastar-se no momento da negociação.
Melo Filho já conta diferente, diz que o jaburu foi quem pediu o dinheiro ao empreiteiro, já no começo da conversa, sem muitos rodeios.
O desencontro aqui parece envolver um detalhe: na versão de Marcelo, o jaburu não teria ficado sabendo que R$ 6 milhões iriam para Skaf e que R$ 4 milhões iriam para Padilha. E Melo Filho compromete o jaburu.
Por que esse desencontro? Para que Marcelo livre a cara do jaburu sobre detalhes da partilha do dinheiro, já que R$ 4 milhões seriam da cota deles, do jaburu e de Padilha?
O que importa é que agora o ministro Edson Fachin atendeu a pedido da procuradora-geral, Raquel Dodge, e autorizou a investigação.
Até aqui, o jaburu estava sob a proteção de uma interpretação da Constituição, segundo a qual o presidente não pode ser responsabilizado por ato cometido que seja alheio ao seu mandato.
Rodrigo Janot, o antecessor de Raquel, assim havia entendido e poupado o jaburu. Nunca ninguém mais tratou do assunto, que passou rápido pela imprensa depois do golpe.
Raquel e Fachin entendem que o jaburu não pode mesmo ser responsabilizado agora, mas pode sim ser investigado.
Isso quer dizer o quê? Que o jaburu, que já foi denunciado por formação de quadrilha com Padilha e Moreira Franco (pelo próprio Janot, mas a denúncia foi rejeitada pelo Congresso) pode enfrentar mais uma bronca.
Vamos chamar de bronca mesmo, talvez apenas uma bronquinha, porque alguém acredita que isso dará alguma coisa?
Só se o caso fosse cair em Curitiba, com julgamento em segunda instância em Porto Alegre e o investigado fosse, claro, não o jaburu, mas Lula, e o jantar tivesse acontecido no tríplex do Guarujá ou no sítio de Atibaia.

Por que Janot poupou o jaburu-da-mala?

É grave o que diz o procurador Celso Três em entrevista a Daniel Haidar para o jornal El País. Segundo ele, o procurador Rodrigo Janot teria como abrir investigação contra o jaburu-da-mala, quando era vice de Dilma.
Janot preferiu esperar, porque acreditava que teria um terceiro mandato na Procuradoria-Geral.
Conheço Celso Três, com quem conversei várias vezes no tempo do caso Banestado. O procurador fala o que acha que deve falar. Espera-se que Janot ofereça alguma explicação.
Vejam o que Três afirmou:
“Está provado hoje que Janot sabia, sim, da gravação da JBS. O ex-procurador Marcello Miller deu a entender que o procurador-geral da República sabia disso. Mas, ainda assim, o que é a segunda denúncia? Janot imputou a Temer obstrução de Justiça e (chefia de) organização criminosa. Mas ele cita atos de corrupção que são anteriores ao mandato presidencial. Isso que é grave contra Janot. Enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff estava no poder, Janot sequer abriu investigação contra Temer. Tinha gente processada e até presa com elementos que Temer já apresentava, como o caso da Engevix. Isso é inexplicável. Aí quando ele vai fazer? Quando ele se convence que não conseguiria um terceiro mandato”.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/10/politica/1510338596_866594.html

 

A derrota da Globo

O grande debate interno na Globo não é sobre a audiência das novelas. É sobre o fracasso do esforço global para derrubar o jaburu-da-mala e Aécio.

As esquerdas quase que desistiram de discutir a inconsequência dos seus discursos e das suas tentativas de ação. As esquerdas não derrubam nem síndico. Mas a Globo deve estar debatendo todos dias a incapacidade de derrubar o jaburu.

Por que a Globo bate todos dias de forma implacável no jaburu e no Quadrilhão e não consegue derrubar os golpistas que eram seus aliados? Por que a Globo fez todos os esforços nos últimos dias para acabar com Aécio e não conseguiu?

As esquerdas falharam, os estudantes se recolheram, a classe média se encaramujou e o povo está hibernando, mas porque a Globo falha?

Será que o povo, de quem a Globo também depende para levar adiante seu plano, sabe que a Globo está armando o próximo golpe com Rodrigo Maia, ou com Henrique Meirelles, ou com qualquer um que impeça a realização de eleição em 2018?

O que se sabe é que a direita organizada, a direita dos raposões do PMDB e do PSDB, com a ajuda do baixo clero do Congresso, desplugou-se da casa dos Marinho. Essa direita salvou Aécio para salvar o jaburu amanhã.

A Globo perderá de novo na votação da segunda denúncia contra o jaburu. E a goleada será maior do que na primeira votação no início de agosto. A Globo já não governa como antes.

Moro deveria examinar grampo do jaburu

A conversa gravada do repórter do Globo com o jaburu-da-mala deveria ser enviada ao juiz Sergio Moro, especialista em grampos de presidente da República.
O grampo precisa ser submetido à perícia, para se saber se uma informação é verdadeira.
É o trecho em que o jaburu, depois de dizer que “não, não é daqui”, afirma que tem mais de 10 mil alunos espalhados pelo Brasil. Dez mil alunos!!!!
Primeiro, Moro poderia dizer se é dali mesmo. E depois poderia esclarecer a questão dos estudantes, pedindo recibos ao jaburu.
Nem Matusalém, que viveu 969 anos, teve tantos alunos. Mas Sérgio Moro, que já processou mais de 10 mil tucanos, certamente poderá esclarecer. Sergio Moro esclarece tudo.

O modelo de Curitiba

O juiz Sergio Moro ficou com a parte pobre da Lava-Jato, com os tesoureiros do PT e com Lula e os pedalinhos e a reforma da cozinha do Guarujá. Até Marcelo Odebrecht ficou pobrezinho perto dos irmãos Batista e das malas do Geddel.
Sergio Moro é juiz para pegar um Lucio Funaro e suas conexões jaburianas. Este sim, como se vê agora na sua delação, é mafioso de verdade. Se pegasse Funaro, Moro pegaria Cunha, Padilha, Geddel, Moreira Franco e o jaburu. O Quadrilhão seria todo de Moro.
Mas Sergio Moro só lida com gente sem foro privilegiado. Ele só avança em gente com foro se for para grampear Dilma. Quando foi para grampear Dilma (ilegalmente) e mandar o grampo (ilegalmente) para a Globo, aí não teve a desculpa do foro.
Moro deve ter sido o único juiz de primeira instância de todos os tempos, em qualquer parte do mundo e sob uma democracia, mesmo que capenga, que grampeou (com a desculpa de que foi sem querer) o telefone da mais alta autoridade do país. E deu publicidade ao seu delito, como se fosse repórter dos Marinho.
Um dia os professores de Direito ainda falarão desse episódio como uma das maiores aberrações da Justiça. Hoje, poucos falam, porque o Direito absoluto a ser imitado é o do modelo das prisões preventivas intermináveis e das delações saídas das masmorras de Curitiba.
(Para que não fique dúvida: o ministro Teori Zavascki considerou ilegal a divulgação do grampo pelo juiz, porque o próprio grampo também foi, é claro, um ato ilegal. Mas Teori está morto.)

Os direitos do Quadrilhão

Estou aqui tomando meu mate com carqueja e pensando. No golpe contra Dilma, a direita do Congresso declarou voto pela família, por Deus e por Eduardo Cunha. Foi um voto pelos costumes e pela ‘moral’ religiosa.
Já na votação da denúncia contra o jaburu-da-mala, o argumento pró-jaburu foi o da defesa da estabilidade econômica. Foi um voto pela segurança do povo.
A piada da primeira votação ficou pior na segunda. Agora, a denúncia a ser votada pega o jaburu, Padilha e Moreira Franco. Fica mais complicado arranjar um argumento para todos.
Estava pensando num pretexto possível e até ofereço essa ideia de graça a eles. Os golpistas poderão manter a sinceridade e votar em defesa do direito de formação de quadrilha, que é do que trata uma das denúncias do Ministério Público.