Eles dão o show

Meus informantes do Fórum da Liberdade me contam que João Doria Júnior deu um show em Porto Alegre. É impressionante a desenvoltura (e a capacidade de convencimento) dessas figuras de palco no Brasil pós-golpe.
Doria é o mais vistoso exemplar da trupe que transformou a direita brasileira numa franquia das Organizações Tabajara.
Eles fazem política como negócio e espetáculo. E o público vem crescendo.

Vem aí o grande show da direita

Esqueçam o trio tucano que pretendia disputar a eleição de 2018, se é que teremos eleição. Dois deles, Serra e Aécio, foram definitivamente avariados pela Lava-Jato. Mesmo que continuem impunes, só conseguirão voar em trajetos curtos, nos espaço aéreo deles em São Paulo e Minas.

Aécio é delatado todas as semanas. Serra retirou-se do governo do Jaburu, logo depois da denúncia dos delatores de Odebrecht de que recebeu R$ 23 milhões de propina, a maior parte na Suíça.

O terceiro, Alckmin, é um tucano cansado, desgastado pelos escândalos do metrô e da merenda, que iria para sua segunda tentativa de eleição no pior momento. A hora é dos tucanos com bicos (ou dentes) reluzentes.

Saem os tucanos de arrabalde, entram os tucanos sorridentes e cheirosos da elite paulistana, que vestem camisa polo de grife e mocassim de camurça sem meia.

É a hora de João Dória Júnior ou Luciano Huck ou Roberto Justus. O primeiro, uma invenção de Alckmin, tem a antipatia dos tucanos mais antigos, como Fernando Henrique. Mas estes não mandam mais nada no ninho.

Os outros, Huck e Justus, podem até tentar concorrer por outros partidos, se perderem a disputa interna pela preferência, mas são tucanos de origem. A direita quer renovação. E o novo é representado por esses sorrisos de chapa de porcelana.

E dizer que alguns anos atrás chegou-se a temer que Sílvio Santos se elegesse presidente. Sílvio Santos seria um Kennedy perto desses três pretendentes saídos da TV.

O pesadelo do golpe não tem fim. As celebridades que pretendem governar o Brasil fazem ou fizeram o que há de pior na TV, a exploração comercial das demandas e dos sonhos da pobreza, a caridade patrocinada, a solidariedade que busca audiência, a competição que imbeciliza, o marketing do bom mocismo.

O Brasil resignado com o golpe pode estar pronto para a sua versão fajuta de um Trump. O verdadeiro é autêntico no seu reacionarismo. Os nossos são esses bons moços que todos conhecem… Vem aí a direita fofa e com berço.

A direita que tenta te enganar

Uma das notícias em destaque nos sites hoje é esta: João Doria Júnior, o tucano eleito prefeito de São Paulo, promete doar todos os salários, porque é uma pessoa boa e do bem.

A primeira doação será para, diz ele, “a associação para as crianças defeituosas”.

A direita brasileira não comete gafes, como dizem as notícias. Isso não é uma gafe. E é mais do que uma grosseria. É uma manifestação de ignorância e de desrespeito.

O tucano paulista faz média com as crianças com deficiência e as define como crianças defeituosas. E vem se habilitando, andam dizendo, a disputar a presidência da República.

Em Porto Alegre, o homem que anda, representante tucano na eleição, faz média com as criancinhas em geral. E assim tenta seduzir os moradores das vilas.

A direita se diverte fazendo política e usando as crianças como não se fazia desde o final do século 20. A direita perdeu o que ainda poderia ter de restos de escrúpulos e chegou à perfeição.