BARBOSA

Adiós, Bolsonaro. Adiós, Marina. O candidato da vez agora é Joaquim Barbosa. Pelo menos até a semana que vem.
Se Barbosa deslanchar, será a vez de desconstruir Alckmin, para que ele não atrapalhe, na mesma faixa, a corrida do juiz do mensalão.
Depois de Aécio, Alckmin poderá ser comido pela Globo e pela direita. É só acionar o Ministério Público e o Judiciário.
(Agora, imaginem Barbosa, com aquela empáfia e aquele tom de quem recita Castro Alves, participando de um debate.)

PERGUNTEM A JOAQUIM BARBOSA

Cinco perguntas que em algum momento terão de ser feitas a Joaquim Barbosa, a nova aposta do centro-direita e da imprensa para as eleições, depois do fracasso de Alckmin, Meirelles e Botafogo Maia.
1. Por que o senhor deixou o Supremo, depois de condenar os petistas pelo mensalão, quando a expectativa era de que a seguir finalmente o STF se dedicaria ao caso do mensalão tucano de Minas, como era o seu entendimento?
2. Por que o senhor se despediu do Supremo antes de completar seu período na Corte, optando por uma aposentadoria precoce?
3. O senhor é um caso raro de ascensão na estrutura da Justiça e o primeiro negro a chegar ao Supremo. Por que o tema da negritude não aparece em suas reflexões?
4. Por que o senhor disse, há três anos, que não lhe interessava (“não estou nem aí”) o debate sobre cotas raciais na magistratura?
5. Em 2013, em entrevista ao jornal O Globo, o senhor disse que o Brasil não estava preparado para ter um presidente negro. Hoje estaria?

Os monges do Supremo

Notícias de jornais informam que os ministros do Supremo estão escandalizados com a briga entre Gilmar Mendes e Luis Roberto Barroso. Mendes acusa Barroso de soltar corruptos e Barroso chama Mendes de mentiroso e de mudar a jurisprudência de acordo com o réu. E seus pares se surpreendem.

Deve mesmo ser um escândalo. O Supremo é o reduto dos monges. É só relembrar alguns exemplos da boa conduta dos colegas dos brigões.
Em 2007, quando Joaquim Barbosa se preparava para assumir a relatoria do mensalão, dois ministros trocaram mensagens pelo computador, flagradas pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho, do Globo.

Os dois ministros fofoqueavam sobre os grupos formados no STF, sobre a apresentação da denúncia e sobre as posições dos colegas, quando Barbosa virou tema da conversa. Um deles escreveu: “Esse vai dar um salto social”.

“Esse” era Joaquim Barbosa, o único negro do STF. A frase foi escrita pela atual presidente do Supremo, Carmén Lúcia. O interlocutor dela nas fofocas era Ricardo Lewandowski, revisor do mensalão, que passaria todo o julgamento brigando com Barbosa.

O próprio Lewandowski daria mais diante seu salto social, quase um duplo twist carpado, como presidente do Supremo, ao comandar a famosa sessão do Senado de 31 agosto do ano passado que aplicou o golpe em Dilma Rousseff.

Os ministros do Supremo estão surpresos com a briga Gilmar-Barroso porque esqueceram outra escaramuça, entre tantas outras, envolvendo o mesmo Gilmar e Joaquim Barbosa.

Foi em abril de 2009. Em determinado momento de um bate-boca, Mendes diz a Barbosa que ele não tem condições de dar lições em ninguém. E Barbosa responde: “Vossa excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”.

Como aconteceu esta semana na briga com Barroso, o duelo foi encerrado com Gilmar Mendes nocauteado, com um sorriso de canto de boca. Nunca se ficou sabendo detalhes da história dos capangas.

Por isso, porque não se lembram de outros barracos e atitudes esdrúxulas (para usar uma palavra leve), os ministros disseram aos jornais que estão constrangidos com a última briga.

Tão constrangidos como ficaram na sessão que livrou Aécio e empurrou seu caso para a Câmara, quando a ministra Cármen Lúcia não conseguiu tornar compreensível o que afinal havia decidido, no voto de minerva em favor do tucano.

Por tudo isso, se quiserem bons exemplos para tentar reordenar suas vidas, pequenos e grandes bandidos sabem que qualquer exemplo, por mais básico que seja, não será encontrado neste Supremo.

Os candidatos

Nomes que circulam nas altas rodas da sociedade frequentada pela imprensa dita independente como possíveis candidatos numa eleição indireta para presidente em 2017.

Aí estão 10 nomes, mas é claro que podem ser acrescentados muitos outros. O Brasil espera ansioso esta eleição indireta, quando nada será impossível.

Dizem que a Globo vem tentando incluir nas listas o nome do Galvão Bueno. E a Fiesp se queixa de que as listas não incluem o pato amarelo.

E não temos mais a Dercy Gonçalves para gargalhar disso tudo… ou para também ser candidata.

Eis os nomes:

1 – Fernando Henrique Cardoso.

2 – Cármen Lúcia.

3 – Nelson Jobim.

4 – Joaquim Barbosa.

5 – José Serra.

6 – Gilmar Mendes.

7 – Ayres Brito

8 – Roberto Justus.

9 – Luciano Huck.

10 – Ronaldo Nazário (indicado pela CBF).

 

Piada de bom gosto

collor

Joaquim Barbosa era bom lendo suas assertivas no processo do mensalão, mas sempre foi fraco de retórica. Sergio Moro também não encanta, fala sem força e não leva uma frase de impacto para suas palestras.
Dante Dallagnol, o procurador-chefe da força-tarefa da Lava-Jato, tenta ser eloquente, com seu tom religioso, mas é comum.
Hoje ele disse na Câmara que os políticos não temem nada no Brasil porque “a punição à corrupção é uma piada de mau gosto”.
Piada de mau gosto… O censo comum e a frase feita são o forte dos homens da Lava-Jato. O procurador-chefe vai para uma palestra e repete que a impunidade é a uma piada de mau gosto. Não pode.
Os homens da Lava-Jato têm que se puxar mais. A todo momento eles dizem que o combate à corrupção vai em frente, doa a quem doer.
É a frase que ouviremos de novo amanhã ou depois. O Tiririca é mais surpreendente.
E, já na política, ainda tem o Michel…