Considerações sobre o Fator Geddel

1 – A operação que levou ao Tesouro do Geddel mostrou que a Justiça seletiva de Curitiba (e suas franquias em outros Estados) não é a única na guerra à corrupção. Um juiz determinou a apreensão do que houvesse no apartamento de um coronel baiano, e não de um político qualquer. E a Polícia Federal cumpriu a ordem sem vazamentos. Até agora, a PF mais famosa e hegemônica era a do japonês de Curitiba, que tinha até grupo de delegados tucanos no WhatsApp. A PF marcou pontos na operação Tesouro do Geddel.

2 – A prisão de Geddel muda de nível a guerra à corrupção em relação à direita. Geddel é o primeiro grande nome da máfia do golpe que vai preso depois de Eduardo Cunha. Esperavam que prendessem Aécio, Padilha ou Jucá, mas o preso é Geddel. E Geddel é o mais frágil de todos, o mais bobão, o mais vulnerável. Mas é também o que mais sabe de todos. Geddel não soube guardar as malas, mas era o prestativo da quadrilha. Esse é o perigo para o jaburu.

3 – Quem no Supremo terá coragem para mandar soltar Geddel? Gilmar Mendes, sempre ultrapassando seus próprios limites, seria capaz disso? Desta vez, com malas e tudo, será mais complicado. E se soltar, o que pode acontecer? Seria criada uma nova novela de prende-e-solta?

4 – O que Geddel sabe mesmo do Judiciário que Joesley Batista pensa que sabe? Mas Geddel vai delatar o Judiciário para o próprio Judiciário, que só quer saber de pegar Lula?

5 – Precisamos acreditar que, além de Joesley, Geddel também pode ser um delator fora do esquema de dedar apenas Lula. Desde que alguém se disponha a ouvi-lo. Curitiba já não tem o controle absoluto da Lava-Jato e não pode exercer influência sobre ações paralelas que fujam do foco curitibano do cerco a Lula. Geddel contará o que sabe até aos carcereiros.

6 – Está para acontecer o grande fato da Lava-Jato envolvendo os golpistas. Os golpistas já não estão seguros de que determinam sozinhos o roteiro de tudo. Estamos entregues ao Fator Geddel. E, para complicar, Joesley também pode ser preso.

 

O jaburu-da-mala vai escapar?

Um procurador facilita a vida de um futuro delator, quando do encaminhamento do acordo que iria resultar na denúncia contra o jaburu.  Já sob suspeita do Ministério Público, deixa a função pública e, antes mesmo da delação, decide trabalhar como advogado do mafioso.

É grave o que aconteceu entre o ex-procurador Marcelo Miller e Joesley Batista. Mas é o suficiente para livrar a cara do jaburu-da-mala?

Vamos rememorar o que aconteceu. Feito o acordo, o delator entrega a gravação de uma conversa sua com o jaburu em que este pede que mantenha Eduardo Cunha calado. O delator ganha o benefício da delação e não é preso.

Também ficamos sabendo, por um vídeo, como uma mula a serviço do jaburu, o ex-deputado e seu assessor especial Rocha Loures, pega uma mala com R$ 500 mil de propina.

E o delator disso tudo fica livre. Esse benefício sempre foi questionado por juristas e gente do Ministério Público e da Justiça.

Um delator envolvido em rolo de bilhões, que denuncia o sujeito que está no poder (e mandou uma mula pegar a mala de Joesley), beneficia-se de um acordo que o deixa livre para viajar a Nova York e continuar solto para sempre.

Mas agora vem a grande questão: o que o país ganhará com a destruição do que foi delatado só porque um procurador facilitou a vida de Joesley, na preparação da delação e certamente de seus benefícios, e depois virou seu empregado?

O procurador forjou provas? Ajudou a forjar? Traficou influência para que Joesley ficasse livre depois da delação?

Joesley forçou o jaburu a dizer que deveria ajudar Cunha com uma mesada em dinheiro para mantê-lo calado? Joesley forçou o jaburu a mandar Rocha Loures buscar a mala com a propina de R$ 500 mil?

O jaburu que liderou o golpe é um ingênuo submetido às armadilhas de Joesley? O ex-procurador ajudou a montar estas armadilhas?

Por favor. No que o fato grave da relação do procurador com o delator desqualifica o que foi denunciado contra o jaburu-da-mala? O problema é que agora os formalismos jurídicos entram em cena para favorecer de novo um dos chefes da direita e do golpe.

A controversa e suspeita (use a palavra que quiser) Justiça brasileira não conseguirá tratar o caso na sua gravidade específica. Joesley e o ex-procurador serão punidos e pronto? Não.

O procurador será acusado de ter influenciado o Ministério Público na concessão do benefício que deixou o delator livre, e tudo o que aconteceu até aqui pode também ser desmontado. O jaburu vai escapar?

Quem são?

Multiplicam-se as especulações favoráveis ao jaburu-da-mala, com a possibilidade de anulação das delações e provas que envolvem Joesley. A imprensa põe de novo o jaburu no colo e começa a abandonar Janot.

Na última hora, a direita sempre consegue se safar. O Brasil não poderia mesmo ficar na dependência apenas das flechas de Janot.

E quem são os “agentes” do Supremo envolvidos no novo escândalo?

Petições iniciais

Ninguém escapa de Joesley. A manchete da Folha informa: o Instituto Brasiliense de Direito Público, de Gilmar Mendes, recebeu R$ 2,1 milhões da J&F, controladora da JBS.
Mas claro que tudo tem explicação. E as melhores explicações são as de Gilmar Mendes.
Só precisamos saber o que está escrito na petição inicial desta doação, ou melhor, deste patrocínio.

Muitos pariram Aécio, mas não há mais quem o embale

Aécio Neves, o sujeito que começou a crise política brasileira até o golpe de agosto contra Dilma Rousseff, não é apenas um coronel mineiro que ameaçava matar as mulas que poderiam abastecê-lo com propina.

Aécio é a expressão da direita militante, da classe média verde-amarela que batia panelas e de uma certa inteligência reacionária que via os tucanos como a promessa da mudernidade. Aécio era o queridinho da maioria da imprensa que o sustentou como bom moço há até bem pouco.

Abandonaram Aécio os que o empurraram como perdedor ressentido para a aventura de questionar a vitória de Dilma logo depois da eleição. Que o fizeram recorrer ao TSE contra as contas de Dilma-Temer. E que o transformaram em um dos líderes da campanha suja sobre as pedaladas.

A classe média conservadora, que mais do que tucana é antipetista, adorava Aécio e está compreensivelmente consternada e silenciosa. Mas que covardia explica o silêncio de intelectuais e jornalistas que o promoveram a gestor juramentado de Minas Gerais, enquanto estudos mostram que ele é, na verdade, o mais medíocre de todos os senadores?

Por que se calaram os cientistas políticos, economistas, sociólogos e outros especialistas, todos frequentadores cativos dos debates entre tucanos da Globo News, que apontavam Aécio como a única chance de redenção do Brasil?

Aécio foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça pela Procuradoria-Geral da República. São agora oito inquéritos abertos contra o mineiro que driblava a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário.

Todos sabiam que Aécio era o chefe de uma gangue em Minas. Mas ninguém chegava perto do mineiro intocável, até que um dia apareceu o Fator Joesley.

Sem Joesley, Aécio continuaria impune, enquanto Lula é processado pela suspeita de que alguns pedalinhos e um tríplex seriam indícios de suas ligações criminosas.

Aécio já foi abandonado pelos parceiros do alto e do baixo tucanato, pela Globo e pelos intelectuais e jornalistas que ajudaram a inventá-lo.

Aécio é um traste, mas ainda em liberdade, enquanto a irmã que trabalhava a seu mando está presa em Belo Horizonte. Apesar da incompetência, ele carregava nas costas os sonhos e projetos do reacionarismo nacional. Aécio é a mula abandonada pela direita golpista.

Comadres

Marcelo Coelho, um dos principais articulistas da Folha, integrante do conselho editorial do jornal, entra com força na briga com a Globo.
O jornalista diz em artigo publicado hoje que a Globo foi irresponsável ao divulgar, antes da gravação, que o jaburu-rei havia dito a Joesley que continuasse dando mesadas a Cunha.
Para Marcelo Coelho, isso não está provado na conversa.
O texto do colunista desqualifica tudo na Globo, inclusive a linha editorial e os debates da GloboNews em que todos os debatedores são tucanos e, segundo ele, chutam pênaltis sem goleiro. Não há como não concordar.
E levanta a grande dúvida: por que os Marinho querem derrubar o jaburu?
Ele só não diz por que a Folha está cheia de amores pelo jaburu.

A fantástica história do Joesley

O mafioso Joesley disse em delação que pagou R$ 5 milhões a Cunha e pagaria US$ 150 milhões a Lula e Dilma. É a manchete dos jornais agora.
Contou que deu uma mixaria em reais para Cunha e abriu uma caderneta em dólares (CENTO E CINQUENTA MILHÕES DE DÓLARES) para Lula e Dilma.
Joesley, uma pessoa séria, que vinha bem, com gravações, com provas, é um mafioso que pode perder a reputação.
Joesley aderiu à turma que defende convicções. CENTO E CINQUENTA MILHÕES DE DÓLARES nem o tucano Pedro Barusco conseguiu juntar. O exagero parece proposital, para que ele mesmo desqualifique a própria informação.
É um deboche com o Ministério Público, uma zombaria, uma troça, um chiste. Joesley quer ser engraçado.
Se o Joesley não tiver provas, que procure a assessoria da turma de Curitiba e só volte se tiver uma apresentação com powerpoint.