Petições iniciais

Ninguém escapa de Joesley. A manchete da Folha informa: o Instituto Brasiliense de Direito Público, de Gilmar Mendes, recebeu R$ 2,1 milhões da J&F, controladora da JBS.
Mas claro que tudo tem explicação. E as melhores explicações são as de Gilmar Mendes.
Só precisamos saber o que está escrito na petição inicial desta doação, ou melhor, deste patrocínio.

Muitos pariram Aécio, mas não há mais quem o embale

Aécio Neves, o sujeito que começou a crise política brasileira até o golpe de agosto contra Dilma Rousseff, não é apenas um coronel mineiro que ameaçava matar as mulas que poderiam abastecê-lo com propina.

Aécio é a expressão da direita militante, da classe média verde-amarela que batia panelas e de uma certa inteligência reacionária que via os tucanos como a promessa da mudernidade. Aécio era o queridinho da maioria da imprensa que o sustentou como bom moço há até bem pouco.

Abandonaram Aécio os que o empurraram como perdedor ressentido para a aventura de questionar a vitória de Dilma logo depois da eleição. Que o fizeram recorrer ao TSE contra as contas de Dilma-Temer. E que o transformaram em um dos líderes da campanha suja sobre as pedaladas.

A classe média conservadora, que mais do que tucana é antipetista, adorava Aécio e está compreensivelmente consternada e silenciosa. Mas que covardia explica o silêncio de intelectuais e jornalistas que o promoveram a gestor juramentado de Minas Gerais, enquanto estudos mostram que ele é, na verdade, o mais medíocre de todos os senadores?

Por que se calaram os cientistas políticos, economistas, sociólogos e outros especialistas, todos frequentadores cativos dos debates entre tucanos da Globo News, que apontavam Aécio como a única chance de redenção do Brasil?

Aécio foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça pela Procuradoria-Geral da República. São agora oito inquéritos abertos contra o mineiro que driblava a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário.

Todos sabiam que Aécio era o chefe de uma gangue em Minas. Mas ninguém chegava perto do mineiro intocável, até que um dia apareceu o Fator Joesley.

Sem Joesley, Aécio continuaria impune, enquanto Lula é processado pela suspeita de que alguns pedalinhos e um tríplex seriam indícios de suas ligações criminosas.

Aécio já foi abandonado pelos parceiros do alto e do baixo tucanato, pela Globo e pelos intelectuais e jornalistas que ajudaram a inventá-lo.

Aécio é um traste, mas ainda em liberdade, enquanto a irmã que trabalhava a seu mando está presa em Belo Horizonte. Apesar da incompetência, ele carregava nas costas os sonhos e projetos do reacionarismo nacional. Aécio é a mula abandonada pela direita golpista.

Comadres

Marcelo Coelho, um dos principais articulistas da Folha, integrante do conselho editorial do jornal, entra com força na briga com a Globo.
O jornalista diz em artigo publicado hoje que a Globo foi irresponsável ao divulgar, antes da gravação, que o jaburu-rei havia dito a Joesley que continuasse dando mesadas a Cunha.
Para Marcelo Coelho, isso não está provado na conversa.
O texto do colunista desqualifica tudo na Globo, inclusive a linha editorial e os debates da GloboNews em que todos os debatedores são tucanos e, segundo ele, chutam pênaltis sem goleiro. Não há como não concordar.
E levanta a grande dúvida: por que os Marinho querem derrubar o jaburu?
Ele só não diz por que a Folha está cheia de amores pelo jaburu.

A fantástica história do Joesley

O mafioso Joesley disse em delação que pagou R$ 5 milhões a Cunha e pagaria US$ 150 milhões a Lula e Dilma. É a manchete dos jornais agora.
Contou que deu uma mixaria em reais para Cunha e abriu uma caderneta em dólares (CENTO E CINQUENTA MILHÕES DE DÓLARES) para Lula e Dilma.
Joesley, uma pessoa séria, que vinha bem, com gravações, com provas, é um mafioso que pode perder a reputação.
Joesley aderiu à turma que defende convicções. CENTO E CINQUENTA MILHÕES DE DÓLARES nem o tucano Pedro Barusco conseguiu juntar. O exagero parece proposital, para que ele mesmo desqualifique a própria informação.
É um deboche com o Ministério Público, uma zombaria, uma troça, um chiste. Joesley quer ser engraçado.
Se o Joesley não tiver provas, que procure a assessoria da turma de Curitiba e só volte se tiver uma apresentação com powerpoint.