Soltinhos

O repórter Matheus Chaparini, do jornal Já, fazia seu trabalho na cobertura da ocupação da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul por estudantes, em junho, quando foi preso pela Brigada.
Depois, foi indiciado, denunciado e processado como invasor de prédio público e corruptor de menores.
O grupo que invadiu a Câmara na semana passada, gritando pela volta da ditadura (alguns continuam postando vídeos com suas pregações no youtube), continuará livre e solto?

O jornalismo é o réu

matheus

Matheus Chaparini (foto), repórter do jornal Já, agora é réu. A juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, da 9ª Vara Criminal do Foro Central, acolheu a denúncia contra ele e mais 10 estudantes acusados de invasão da Secretaria da Fazenda.
Chaparini participava da cobertura de desocupação do prédio, no dia 15, e conseguiu o que outros repórteres não conseguiram (ou não quiseram) fazer: entrou na Secretaria com os estudantes e filmou a ação violenta da Brigada Militar. Chaparini foi repórter, fez o seu trabalho.
Um vídeo mostra que Chaparini identificou-se como jornalista por várias vezes. Mas ele acabou preso pela Brigada, indiciado pela polícia e denunciado pelo Ministério Público. Agora será processado.
Também passa a ser réu o cineasta independente Kevin D’arc, de São Paulo, que estava no prédio no mesmo dia.
Se eles forem condenados, muita gente deve pensar que o bom a partir de agora será cobrir qualquer acontecimento da janelinha das unidades móveis com ar condicionado (o que talvez seja uma tendência em algumas redações…).
Mas os jornalistas de verdade não irão se acovardar.
Como disse a ministra Carmén Lúcia, presidente do Supremo, este é o país dos muitos Judiciários. Que pelo menos um deles esteja a favor de quem faz jornalismo e combate a truculência policial de governos inseguros.

E o caso do Matheus?

Comemoro a decisão da ministra Rosa Weber a favor do jornalismo (suspendendo as 48 ações dos juízes do Paraná contra os repórteres da Gazeta do Povo) e espero que algo semelhante aconteça por aqui em relação às acusações contra o jornalista Matheus Chaparini.
E continuo esperando as notas em defesa da liberdade de imprensa, assinadas por muita gente do próprio jornalismo que continua calada em relação ao caso do Matheus.
Não há como não repetir um bordão, com direito a pontos de exclamação. É vergonhoso!!!!

Ainda falta gente

bicudo

A PUC/Famecos fez a sua parte na defesa do jornalismo ameaçado por ações do tempo da ditadura. Elmar Bones e Matheus Chaparini (na foto) participaram de um evento no saguão da faculdade, ontem à noite.
Matheus é o repórter do jornal Já que a Brigada prendeu e a polícia enquadrou como invasor, quando da desocupação da Secretaria da Fazenda, dia 15. Elmar é o diretor do jornal.
Já tive relatos de que foi um belo acontecimento. Que venham outros. Ainda há muita gente encaramujada. Dá tempo de sair da toca e ajudar a denunciar a repressão e a violência contra o jornalismo. .
Antes que outros fatos se repitam e passem a fazer parte da nossa normalidade.
Vamos lá. Autores de notas, ensaios e platitudes sobre atentados à imprensa longe daqui devem acionar suas penas – ou, por coerência, nunca mais escrever sobre liberdade de expressão.
Que escrevam sobre o frio em Cambará.

A verdade do jornalismo

jornalja

O repórter Matheus Chaparini, do jornal Já, tem a melhor resposta à alegação dos que o prenderam na ocupação da Secretaria da Fazenda, na quarta-feira.
Matheus seria um manifestante, segundo a Polícia e a Brigada, e por isso foi levado para o Presídio Central, de onde onde só foi liberado à noite.
Ele não era um manifestante. Estava ali como jornalista e provou o que disse em um vídeo mostrado hoje pelo Já. Não foi o repórter quem mentiu.
O jornal Já conta em seu site:

“Foram 11 vídeos feitos pelo repórter Matheus Chaparini, do Já enquanto cobria a ocupação, na quarta-feira realizada por estudantes, na Secretaria da Fazenda. A edição de pouco mais de 6 minutos mostra quando a Brigada entrou no prédio e como agiu na retirada dos estudantes.
Durante vários momentos o repórter se identifica como sendo da Imprensa e é ignorado.
1) 3:50 – o repórter diz: “Sou jornalista, não sou policial”.
2) 4:48 -(dá para começar ouvir antes) ele diz: “É o meu trabalho, estou num prédio público cobrindo a pauta”.
3) 6:10 – Representante do conselho tutelar diz: “ele é jornalista vem com a gente”.

Veja o vídeo no site do jornal:

http://www.jornalja.com.br/