A ENTREVISTA

Ainda sobre a entrevista de Fernando Haddad a William Bonner e Renata Vasconcelos no Jornal Nacional. Algumas perguntas:

1. A dupla atacou desde o início apenas para tentar desqualificar Lula, Dilma, o PT e Haddad? Não.

2. Foram agressivos para que ficasse claro que eles têm a razão e que os petistas são todos corruptos, enquanto Alckmin e os tucanos seriam honestos? Não.

3. Interromperam Haddad várias vezes para mostrar que eles são os espertos e têm mais argumentos e sabedoria do que o candidato do PT? Também não.

A desqualificação de Lula, Dilma, do PT e do próprio Haddad (chamado de poste) era o que a Globo esperava de ganho acessório. O grande ganho era outro.

Bonner e Renata não estavam preocupados em desconstituir o PT, porque fazem isso todos dias e não precisavam gastar tempo com ataques que a imprensa de direita repete sem parar em horário nobre da TV e nos jornais.

O que eles tentaram fazer, por orientação do alto comando, foi desestabilizar Haddad. Tudo o que eles buscaram todo o tempo foi isso: com as acusações, queriam forçar Haddad ao erro, ao vacilo e, o que seria pior, ao descontrole.

A entrevista não foi feita para atacar por atacar. Os ataques foram parte do esquema montado para que Haddad tombasse diante deles, ao vivo, em rede nacional, por desinformação, insegurança ou agressividade.

O Jornal Nacional queria que, ao final da entrevista, um Haddad descabelado fosse mostrado ao Brasil como alguém sem condições de governar.

O que se viu foi o contrário. Os dois tombaram diante de um Haddad que, se cometeu algum erro, foi o de excesso de cordialidade com dois agressores que mais uma vez desqualificaram o jornalismo.

O golpe do chocolate

Lembrem-se que o Fantástico apresenta hoje uma reportagem sobre a mágica produzida pelo chocolate na mente das pessoas em tempos de crise. Ontem, até um especialista da FGV explicou o fenômeno no Jornal Nacional (a que ponto chegou a FGV).
Deve ser uma série sobre o chocolate. Teve gente que não viu o JN e não acreditou na tal reportagem sobre o chocolate em tempos de golpe. Pois é verdade. Se não temos brioches (como disse alguém aqui), podemos sair dessa situação comendo chocolate.
Aí está (aguarde um pouco até abrir o link para o vídeo):

http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2017/09/29.html#!v/6184685

 

Comam chocolate

Está ficando bandeiroso demais o esforço da Globo para falar mal do jaburu e, ao mesmo tempo, dizer que a economia está reagindo.
É preciso afirmar todos os dias que a economia de Meirelles vai bem, porque Meirelles é o cara que pode assumir o governo em novo golpe de eleição indireta. E ao mesmo tempo repetir que o jaburu vai politicamente mal.
O Jornal Nacional está deitando e rolando na invenção sobre a fantástica expansão do consumo e dos investimentos. A Globo está pedindo até que as pessoas comam mais chocolate para melhorar a sensação de prazer e otimismo.
Um economista especialista em prazeres foi ouvido e disse que é bom. Se ele não diz, eu não como. O homem deu base científica pra coisa (esse cara deveria falar de prazeres em exposições do Santander…).
O que importa é que a ciência do chocolate está aí, e o povo não percebe que tudo melhorou. O povo é ingrato. O povo precisa comer mais chocolate.

O prêmio que a Globo deveria dar a Sergio Moro

O Jornal Nacional comemorou agora há pouco, com um sorriso irônico de William Bonner, um prêmio internacional conquistado pela GloboNews pelo ”furo de reportagem” com a divulgação do famoso grampo ilegal da conversa entre Dilma e Lula no ano passado.

Não houve furo nenhum. O prêmio Golden Nymph Awards (entregue no Festival de TV de Montecarlo!!!), deveria ser repassado a Sergio Moro, o juiz que permitiu a realização do grampo ilegal e depois cometeu mais uma ilegalidade ao encaminhar a gravação de presente à Globo.

Não houve nenhum esforço de reportagem, mas o conluio entre um juiz de primeira instância, que grampeou a presidente da República, e a emissora dos Marinho.

Até hoje, apesar da reprimenda do ministro Teori Zavascki, que considerou o grampo uma ação criminosa, o juiz-repórter da Globo não foi punido. Nem será.

Quando o jornalismo é exercido e premiado graças à cumplicidade com delitos togados, o que fica é o cinismo dos que cobram boas condutas dos ladrões de Brasília (como o jaburu agora perseguido pela Globo) e aplicam lições éticas em traficantes de drogas e de informações.

A euforia do apresentador do JN com esse prêmio envergonha os jornalistas de fato dedicados à reportagem, e não só os da Globo.

O mistério

Tivemos hoje mais um capítulo do massacre diário do Jornal Nacional contra o jaburu-rei. O JN saltou com força descomunal no pescoço do homem.
A Globo força, insiste, mas já constatou que não sabe derrubar ex-parceiros da direita.
É pelo menos uma diversão garantida.
(E se mantém o grande mistério: o que o jaburu fez ou deixou de fazer para merecer essa surra de cúmplices do golpe?)

Os zumbis da Globo

O Jornal Nacional ressuscita a ditadura de várias formas. Ontem, Golbery do Couto e Silva, poderoso ministro de Figueiredo, ganhou espaço como zumbi para que a Globo atacasse Lula.
Hoje, o apresentador do JN foi o sinistro Alexandre Garcia, porta-voz da ditadura do governo do mesmo Figueiredo, que em 1980 mandou prender Lula.
Só falta uma aparição do fantasma do próprio Figueiredo de braços dados com o fantasma de Roberto Marinho.

 

A grande descoberta

Quando contarem a história da Lava-Jato, um capítulo inteiro deverá ser dedicado ao Jornal Nacional como protagonista da operação e do golpe.

Ontem, o jornal divulgou, em tom de descoberta, que Lula não é de esquerda. Cederam quase um minuto do JN a um relato do empreiteiro Emílio Odebrecht sobre um encontro dele com o chefe da Casa Civil da ditadura, Golbery do Couto e Silva.

Odebrecht contou, em depoimento como delator, que Golbery lhe disse que Lula “não tem nada de esquerda”. Que o sindicalista era na verdade um bom vivant.

Esse debate sobre o enquadramento político de Lula é antigo. Em 2002, logo depois da eleição, eu entrevistei o ex-líder sindical do ABC Enilson Simões de Moura, o famoso Alemão.

Alemão e Lula faziam uma dupla no ABC. Lula, me disse ele, era na verdade quem tentava mediar conflitos no ABC.

Alemão era o incendiário, enquanto Lula, ao contrário do que se propagou por muito tempo, procurava evitar os confrontos. Lula liderou uma greve histórica e foi o mais talentoso e carimástico líder sindical que o país já teve. Para o JN, é preciso tentar desconstituir sua trajetória lá no começo.

Lula é quem, na elaboração da carta de fundação do PT, em 1980, evita que grupos mais à esquerda incluam no documento que o partido seria uma organização com perfil socialista.

Mas por que a Globo decidiu dar o espaço agora a Emílio Odebrecht, para que a “novidade” fosse contada ao país? Porque é preciso, de todas as formas, desqualificar Lula.

Foi preso pela ditadura, foi perseguido, fundou um partido, foi presidente, virou amigo de empreiteiros, agora é caçado, mas não é de esquerda. Mesmo assim, é preciso destruí-lo.

O Jornal Nacional teve o total controle do golpe e tem o total controle da propaganda da Lava-Jato. Não assisti-lo, como alguns defendem, é apenas tentar negar que a Globo é que nos governa há muito tempo. Com a ajuda de Golbery e de outros fantasmas da ditadura.

 

Quem vaiou quem?

O Jornal Nacional finalmente vai esclarecer hoje a história das vaias a Sergio Moro na Universidade de Columbia.
Aguardem as luzes do JN. Minha previsão é que o jornal vai mostrar até em powerpoint quem estava sentado onde, quem gritou, qual o volume das vaias, quem respondeu aos gritos etc (uma filha do jornalista Luiz Nassif está sendo ‘denunciada’ na internet como uma das manifestantes, porque o pai é de esquerda. Ninguém imaginava que pudesse ser uma filha do José Serra).
Vídeos mostram que um repórter da Globo estava lá, tentou entrevistar uma moça e ouviu insultos dirigidos à firma em que trabalha.
Hoje, vou ver o JN tomando uma cerveja sem álcool. Descobri que cervejas sem álcool potencializam, com sutileza, o que sentimos naquele momento.
E meu sentimento ao ver o Jornal Nacional é de total submissão ao jornalismo. Me dedico com afinco à tarefa de comentarista sem álcool do Jornal Nacional.

Recuperação?

Uma das notícias mais estranhas deste final de ano foi dada ontem, quase como assombração, no meio do Jornal Nacional. Apareceu de repente uma declaração do ministro Henrique Meirelles (sem que ele aparecesse no vídeo) sobre os sinais evidentes de recuperação da economia.

Disse o Jornal Nacional que Meireles está certo de que a economia começa a se recuperar. É como se o JN tivesse perdido todos os pudores e se transformado na Voz do Brasil do ministro da Fazenda. Sem sutilezas, sem volteios, sem nenhum truque que encobrisse o vexame da notícia.

A economia em recuperação? Só se for medida pela liberação de verbas de propaganda do governo…