OS ‘DEJEITOS’ DO JORNALISMO

O lamento de jornalistas pilantras (são mais do que fofos) pelo crime de Brumadinho é de um cinisno repugnante.
São incapazes de contrariar interesses de destruidores do meio ambiente. São covardes para condenar a liberação de agrotóxicos.
São cúmplices dissimulados do bolsonarismo, como certos governantes envergonhados com as próprias posições.
São agro, são pop, são bajuladores do latifúndio. Mas também são fofos. 
O mantra deles: que os responsáveis sejam punidos. É uma frase vazia.
O jornalista fofo-pilantra é cúmplice de todos os crimes ambientais que tantas vezes são também aparentemente invisíveis.
Nos grandes crimes, ele chora. Sem abandonar os criminosos.
O jornalista cretino de direita que lamenta o que ajuda a criar é um ‘dejeito’ aperfeiçoado pelo bolsonarismo.

OS FOFOS E O PT

O jornalista fofo é um torcedor que não pode torcer publicamente por quem orienta sua conduta. Ele apenas pode torcer contra alguém ou alguma coisa.

O fofo tem um time para chamar de seu (já foi o time do Aécio), mas se constrange de dizer para quem torce. O grito de guerra do fofo é um grito abafado pela censura da própria consciência.

Então, resta a ele ser um torcedor contra, como anti-PT que é, anti-Lula, antiesquerdas. O jornalista fofo que embarcou no golpe é um ser atormentado pela própria opção.

Ele não pode dizer que está com Alexandre Frota, Lobão, Janaína Paschoal, Bolsonaro, Zezé di Camargo. Muito menos com Lobão, Regina Duarte, Ronaldo Nazário, Suzana Vieira. Mas sabe que essa é a sua turma.

E uma das coisas mais batidas pelo jornalista fofo, como torcedor do contra, é o fim do PT. O fofo viva repetindo que o PT acabou. Pois o DataFolha divulga hoje que 20% dos eleitores entrevistados pelo instituto têm simpatia pelo partido. Os outros partidos têm quase nada.

Antes da prisão de Lula, a simpatia pelo PT era de 19%. Os partidos da turma dos jornalistas fofos estão muito mal. O PMDB tem 4% e o PSDB tem 3%.

Mas o jornalista fofo continuará dizendo que o PT chegou ao fim. O fofo acredita até na interpretação do DataFolha para o crescimento da simpatia pelo PT. Segundo o instituto, isso aconteceu como “reflexo da impopularidade do governo Michel Temer”.

Entenderam? O PT teria conquistado mais adesões porque o jaburu é impopular.

O jornalista fofo vai repetir a explicação, fazendo cara de sério. Porque o fofo é aquele que repete quase todos os dias: “Eu concordo com o Merval”.

OS TIROS E OS FOFOS

Vou tentar antecipar o que os jornalistas fofos vão publicar nesta quarta-feira sobre os tiros nos ônibus da caravana de Lula, depois de terem saudado a chegada do outono em textos de denso lirismo que exaltam a beleza das folhas que caem.
Eles vão dizer que Lula não deveria andar de ônibus pelo Brasil, que o PT semeou ventos e colheu tempestades, que as balas podem ser de borracha (que a lataria do ônibus talvez seja fraca), que o Sul odeia as esquerdas, mas que a violência é inadmissível.
Inadmissível é uma palavra que serve para qualquer coisa escrita por um jornalista fofo. O mundo do jornalista fofo cabe em meia dúzia de palavras bonitas.
Se fosse o autor do Evangelho de Matheus, o jornalista fofo diria coisas maravilhosas sobre Jesus Cristo, para ficar bem com parte da classe média que ele ainda enrola, mas no fim, para bajular bem a direita, faria a ressalva: ninguém mandou passar dos limites e se levar a sério demais como filho de Deus.

OS JORNALISTAS FOFOS E LULA 

Aguardem os escritos fofos dos jornalistas fofos, se Lula for mesmo preso. Os jornalistas fofos gostam de fazer firulas com o passado para trazer suas reflexões para o presente. O fofo adora líderes de massa, mas só os da Wikipédia.

O fofo é um exagerado e, para erguer sua tese, vai citar os grandões, Zapata, Mandela, Luther King e até Sandino. Se estiver num dia inspirado, é capaz até que cite Lênin. O fofo não teme citar líderes históricos do povo, porque ele os folcloriza como se fossem curiosidades.

E aí ele vai dizer: mas com Lula não é bem assim. Lula não é um Simon Bolívar, tampouco um Perón e muito menos Jesus Cristo. O jornalista fofo, nas suas muitas variações, adora citar Jesus Cristo.

O fofo citará todos eles, para concluir ao final que Lula é Lula e que não se brinca com a História. Lula não poderia, segundo o fofo, tentar se comparar a um Getúlio.

O fofo fará volteios, induzirá muita gente ao choro, porque ele dará a entender que está arrasado com o drama de Lula, e no fim fará o arremate. Que Lula se submeta ao seu martírio, como todos os líderes de massa, porque assim caminha a humanidade (os fofos gostam dessa frase).

O fofo revelará, ao final do texto, que está triste, porque gostava muito de Lula e que sempre votou no PT, e que foi comunista na infância, mas que agora a situação é outra. A justiça é para todos, dirá o fofo, citando uma frase original de seu ídolo Sergio Moro.

O fofo irá comover meio mundo com sua ladainha, mas não conseguirá aplacar as inquietações da própria consciência.

Os jornalistas fofos sabem o que são e que papel cumprem no jornalismo.