O LARANJA DE SERRA

A prisão de Paulo Preto acende de novo a luz amarela dos tucanos. Antes de ser libertado por ordem de Gilmar Mendes, o operador de José Serra, laranja de R$ 300 milhões na Suíça, estaria disposto a delatar os tucanos.
Mas foi solto e saiu dizendo que nunca faria isso. Só que agora ele foi preso junto com a filha, que seria uma pessoa sob forte tensão.
Preto pode voar de novo para fora da gaiola. É só acionarem o Gilmar. Se não voar, pode piar.
Ele é quem sabe quem tem o quê da dinheirama que levou para fora do país da roubalheira nos governos tucanos de São Paulo.
A filha, Tatiana, estaria com as malas prontas para viajar para as Ilhas Maldivas, quando foi presa hoje com o pai.
O que a família Preto teria por lá? Deve ter alpiste para os tucanos.

Um homem distraído

Vi José Serra ontem, na TV do Senado, enquanto a Comissão dos Maus Tratos fazia uma pausa antes de ouvir Gaudêncio Fidélis.
Serra está bem prejudicado. Falou sobre gestão fiscal e deu tantas voltas, confuso e distraído. Às vezes, parecia que iria falar dos Brics, mas ele nem sabe o que são os Brics.
Serra quer disputar o governo de São Paulo. Mesmo assim, meio dispersivo, meio lento, pode vencer. Os paulistas adoram o metrô, a merenda, a farinata, a impunidade e a agilidade dos tucanos. Vá entender.
(E ninguém mais fala daqueles R$ 23 milhões que foram parar na Suíça. Serra é tão distraído que aquele deve ser um dinheiro perdido.)

Zumbis

Todos os líderes do golpe e muitos subalternos estão politicamente mortos.
Aécio, Cunha, Temer, Serra e outros terão logo novas companhias. E Lula e Dilma resistem.
A direita perdeu o controle do golpe e a Lava-Jato de Curitiba perdeu o controle da grande operação de caçada ao PT.
Mas a direita pode ser mais assustadora como zumbi.

Teremos um dia um tucano delator?

O juiz Sergio Moro pode estar perto da chance de prender tucanos e, quem sabe, ouvir as primeiras delações desse pessoal que é muito delatado, mas nada delata, porque nunca pega cadeia.

Aécio Neves e José Serra poderiam ser hóspedes de Moro em Curitiba, informa a Mônica Bergamo na Folha de hoje. É só o Supremo decidir, como pretende o ministro Luís Roberto Barroso, reduzir o alcance do foro privilegiado de deputados, senadores e ministros.

Barroso entende que o foro deve ser apenas para crimes cometidos durante e em razão do exercício do cargo. Quem cometeu crime antes de assumir como senador, por exemplo, que é o caso de Serra e Aécio, seria julgado pela primeira instância.

Os dois foram denunciados na lista Janot-Fachin pelo recebimento de propina, que o PSDB chama apenas de caixa 2.

Os outros ministros do Supremo ainda devem se manifestar sobre a tese de Barroso. Se a ideia prosperar, Aécio e Serra (hoje com o foro do Supremo) cairiam nas mãos de Moro.

Já dá para imaginar Serra e Aécio delatando os parceiros, se é que um dia eles serão presos. Moro costuma justificar prisões preventivas sempre com o argumento da preservação das provas. Tem gente presa há mais de ano, até que uma hora sai delatando.

Como os atuais delatores se repetem, sempre apontando na direção de Lula, Dilma e outros do PT, seria bom diversificar um pouco.

Eu imagino um tucano dizendo o que sabe sobre as falcatruas que cometeram e cometem (metrô, merenda, Furnas etc), sem que nunca sejam punidos.

Seria coisa de circo. Mas sei que às vezes fico imaginando situações sem fundamento.

O caixa 2 de cada um

Estão certos o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o procurador-geral Rodrigo Janot. O caixa dois de uns mirréis, da doação a um deputado de um partido que nem no poder está (considerando-se também Estados e municípios), não pode ser confundido com os R$ 23 milhões da doação da Odebrecht a José Serra, depositados na Suíça.

Ah, mas os dois poderiam ter sido corrompidos. Poderiam, e aí que se apresentem indícios e provas (não só as convicções). Não é razoável que o caixa 2 de um e de outro sejam considerados a mesma coisa.

Se devem ser punidos, que sejam, mas bem enquadrados nas peculiaridades de cada caso. Dirão que será difícil fazer essa separação e que a corrupção não se caracteriza apenas por valores. Para isso existe Polícia, Ministério Público e Justiça (Janot tentou fazer essa separação, com todos os riscos implicados, na lista enviada ao Supremo).

Difícil mesmo será aguentar mais anos e anos de impunidade dos tucanos, com a desculpa de que os milhões de Aécio e Serra são a mesma coisa que R$ 500 que alguém destinou sem recebido a um deputado.

Só o que não pode é os tucanos graúdos tentarem pegar carona na desculpa de que suas doações por fora não são propina.

 

Esta turma bem que merece uma força-tarefa

Haverá uma força-tarefa para investigar a direita incluída na lista de Rodrigo Janot, como a que foi formada pelo Ministério Público para investigar Lula e o PT na Lava-Jato? Ou Aécio, José Serra, Jucá, Padilha, Aloysio Nunes, Moreira Franco e outros que chegaram ao poder com o golpe ficarão por anos e anos sob investigação?

Haverá uma vara especial, só para cuidar dos processos do forte grupo do PSDB e do PMDB (se é que eles serão processados), como existe a 13ª Vara Federal do juiz Sergio Moro em Curitiba dedicada há muito tempo apenas à Lava-Jato?

Quem será encarregado de montar a rosácea de bolinhas azuis, copiada do powerpoint do Ministério Público de Curitiba, que nos mostrará como funcionava o esquema da direita? Quem irá aparecer no centro da rosácea? Ou eles atuavam de forma autônoma, como fazia Pedro Barusco, o maior ladrão avulso da História?

Que autoridade será escalada para nos passar a convicção de que a corrupção agregava e mobilizava os golpistas, até a chegada desta turma ao poder? Qual era a participação do homem do Jaburu nos esquemas?

O que pouca gente sabe é que Serra, Aécio, Pedro Parente, Pedro Malan e Fernando Henrique Cardoso são investigados e/ou processados em outros casos. Há anos. Mas ninguém sabe o que foi apurado até agora contra eles.

Alguém imagina que os tucanos da lista de Janot poderão enfim sofrer algum processo que vá adiante, se os casos do metrô e da merenda de São Paulo não têm nenhum tucano condenado?

Alguém acredita que, enquanto Lula é ouvido quase todos os meses em um dos processos (serão cinco) que enfrenta, os tucanos serão submetidos à mesma agilidade da Justiça?

Quem acredita que a lista de Janot terá alguma consequência para os que articularam a caçada à Dilma, por causa das pedaladas, enquanto camuflavam delitos que agora seus cúmplices no próprio Judiciário querem transformar em deslizes que podem ser anistiados?

A impunidade da direita requer uma força-tarefa com a mesma estrutura e a mesma agilidade da montada para cercar Lula e os que estavam por perto dele e de Dilma, ou a lista de Janot terá sido apenas a lista de Janot.

 

 

Novos ricos

Prospera na internet a versão de que Eike Batista e até Marcelo Odebrecht teriam ficado muito mais ricos na era do lulopetismo. É mais uma tese infantil de um grupo de jornalistas ligados ao Jaburu e ao pato da Fiesp.
Por este raciocínio, José Serra também ficou milionário no mesmo período, com os R$ 23 milhões que recebeu da Odebrecht na Suíça, em 2010, quando se prenunciava o terceiro governo petista.
Outros tucanos ganharam muito dinheiro na era lulopetista. Só o Aécio teria ficado mais pobre nesse período.

Cena de um funeral

Uma cena no funeral de Fidel. Imagine um grupo de velhinhos comunistas numa roda de conversa na praça de Santiago de Cuba.

Um deles interrompe a conversa e aponta com a mão para longe.

E ao longe se vê então José Serra e Roberto Freire se aproximando. São os representantes do governo do Jaburu. Os dois vão se chegando e o grupo vai se dispersando. E abre-se então uma clareira no meio da praça.

Serra e Freire entreolham-se, enquanto a turma se dispersa, e decidem sentar-se num banco da praça. O chanceler cruza as pernas, suspira e repete o que largou em uma nota oficial: Fidel foi de fato um sujeito importante para Cuba.

Freire concorda e os dois suspiram ao mesmo tempo. Uma pomba passa perto e não se dá conta, porque pomba não entende nada de diplomacia, que o Jaburu mandou a Cuba o que tinha de melhor.

Os velhinhos dobram a esquina, e um deles ainda olha pra trás em direção à praça, antes de sumir lentamente.

Tudo é possível em Santiago de Cuba, se Fidel está morto.

Os enjeitados

serra

São interessantes os últimos movimentos da direita. Serra foi parar na capa da Veja como um tucano com a asa quebrada. Já haviam abandonado Aécio e agora abandonam Serra.

O que sobra é Alckmin, o sujeito que nenhum trem do metrô conseguiu pegar até agora. Nem a merenda que os tucanos roubaram das crianças paulistas cola na imagem de Alckmin. Por enquanto.

Mas Alckmin é a opção que resta para 2018. O grande projeto da direita, incluindo o pato da Fiesp, o plano mais urgente é antecipar a escolha do sucessor do interino via eleição indireta, pelo Congresso, logo no início de 2017.

A direita adora eleição indireta. Para isso, é só cozinhar o homem do Jaburu até o final de dezembro e torcer para que o Padilha e o Moreira Franco não caiam por cima dele antes do tempo.

O homem do Jaburu é tão medíocre que nem todo o apoio do jornalismo golpista conseguiu salvá-lo. O projeto agora é o da eleição indireta. Que venham os nomes.

Brincar com a democracia é a diversão preferida da direita brasileira sem escrúpulos.

Tesoureiros ocultos

Quem poderia ajudar a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário a encontrar os tesoureiros do PSDB do PMDB que teriam logrado seus líderes e ficado com as propinas já reveladas em delações de empreiteiros?
Se José Serra, Temer, Alckmin e outros asseguram que só receberam dinheiro legal, e se os delatores afirmam e repetem que repassaram propinas (aliás, não se fala mais nisso há horas), quem ficou com as fortunas?
Só José Serra teria perdido R$ 23 milhões que a Odebrecht depositou para sua ‘campanha’ em 2010. Seriam R$ 45 milhões hoje. Que bolso da ‘campanha’ ficou com o dinheiro?
Três tesoureiros do PT já foram presos por rolos com doações (dois continuam na cadeia). PSDB e PMDB não têm tesoureiros? Ou não temos quem queira enquadrá-los e prendê-los?
Por que tudo é demorado nas delações contra tucanos e a turma do Jaburu? Onde estão os tesoureiros desta gente?
(O Cunha não vale, porque o Cunha foi transformado em galinha morta pelos próprios colegas, pela imprensa e pelo Judiciário, logo depois de comandar o processo do golpe.)