PEGARAM O BIVAR

Os Bolsonaros provam que ainda estão no comando. A Polícia Federal está pedalando as portas da casa e de escritórios do deputado Luciano Bivar, presidente do PSL.
O desafeto dos Bolsonaros vai para o sacrifício com as buscas e apreensões da PF. Vão empurrar para Bivar todas as culpas pelos laranjas da campanha de Bolsonaro.
A guerra das facções do PSL não pode parar, porque é reveladora do caráter do partido e do bolsonarismo e suas divisões internas.
O mais conservador jornal brasileiro, o ultragolpista Estadão, diz hoje em editorial que os Bolsonaros e o PSL não são conservadores, mas “reacionários, autoritários e obscurantistas”.
Os Bolsonaros e o PSL são carimbados como fundamentalistas por antigos parceiros. O Estadão ajudou a inventar a família e a estrutura que a sustenta.
Estadão, Folha e Globo são apenas dissidentes da turma dos Bolsonaros. O PSL também é deles.

BOMBAS, BENGALAS E TRAVESSEIROS

Duas bombas no bolsonarismo, as duas na Folha, que vem rearticulando forças contra a extrema direita.
A primeira: Álvaro Antonio, o ministro do Turismo do esquema de laranjas em Minas, era guarda-chuva do esquema geral de caixa 2 de Bolsonaro, segundo um assessor do mineiro.
Por isso Bolsonaro, que rifa até generais inimigos de Carluxo, protege tanto o homem.
O chefe dos laranjas já foi indiciado pela Polícia Federal e mesmo assim é mantido no cargo.
A outra bomba é o ataque direto de Rodrigo Maia (leia-se como recado da Câmara) a Sergio Moro por pressionar o Congresso para manter a imagem de justiceiro.
Maia diz que, se o ex-juiz fosse mesmo levar a sério algumas das suas teses do combate ao crime, hoje ele não seria ministro mas réu. É forte.
E ainda tem a briga de travesseiros e bengalas do general Augusto Heleno com Fernando Henrique. A primavera promete.
Até novembro, o Congresso passa a governar e Bolsonaro ficará apenas brigando com ciclistas sobre o Queiroz.

A CONFISSÃO DE BOLSONARO

Quando disse, lá em dezembro, que os R$ 24 mil depositados por Fabrício Queiroz na conta de Michele Bolsonaro eram parte da devolução de um empréstimo, Bolsonaro largou uma senha. Poucos prestaram atenção no seguinte detalhe.

Bolsonaro disse que, além dos R$ 24 mil, tinha mais dinheiro de mais empréstimos para Queiroz. “Foram vários”, disse Bolsonaro.

Lembrem o que ele disse:
“Não é apenas esta vez. O Coaf fala que foram R$ 24 mil. Na verdade foram R$ 40 mil. Foi uma dívida que foi se acumulando dele até que eu cobrei dele e a maneira de cobrar foi o quê? Me dá um cheque”.

O que ele estava querendo dizer? Que se preparava para outras movimentações que poderiam aparecer. E agora finalmente vão aparecer, com a quebra pela Justiça do sigilo bancário de Flavio Bolsonaro e de Queiroz. R$ 40 mil são o troco.

Vai saltar dinheiro pra todo lado. O Ministério Público terá acesso às movimentações dos dois desde 2008. Bolsonaro deve se preparar para mais explicações, apesar de um detalhe importante: as investigações correm em segredo de Justiça.

Vai ser difícil ter vazamento do que irá rolar a partir de agora e que pode empurrar todos os Bolsonaros para o penhasco. Só haveria vazamento se Sergio Moro estivesse comandando o caso e o acusado fosse do PT, como ele fez (e admitiu que fez) com a conversa de Lula e Dilma.

Muitos outros vazamentos foram feitos pela Lava-Jato, ou os jornais não teriam acesso às informações das delações. A Lava-Jato só foi adiante porque vazou informações seletivas aos borbotões para os amiguinhos da imprensa.

Quem vai vazar, se é que vai, as informações sobre as contas dos Bolsonaros, que conseguiram dinheiro para investir R$ 15 milhões só em imóveis no Rio?

Aguardemos, sem perder a esperança. O Ministério Público não é todo da direita.

Que se expliquem

A Folha mostra que o laranjal atinge quase todos os partidos, e não só o PSL, que usaram mulheres para pegar o dinheiro da cota do fundo partidário (as mulheres tinham direito a 30% do total dos fundos, que são dinheiro público).
São mais de 50 candidatas que receberam altas somas, segundo levantamento da Folha. O indício é a baixíssima votação (há candidatas com menos de 100 votos), principalmente do Pros, PRB, PR, PSD e MDB..
Algumas trabalharam para outros candidatos, mesmo recebendo muito dinheiro. Parece óbvio que apenas pegaram a verba para repassá-lo a alguém.
A reportagem mostra que o PT repassou parte do seu fundo ao Pros, aliado na campanha nacional, e que os recursos foram parar na conta de laranjas do Pros.
Que o PT explique, e logo, o que isso significa, mesmo que venha a alegar que não tinha controle sobre o uso de recursos distribuídos pelo Pros.

O HOMEM QUE VIROU SUCO

O que o ministro do Turismo tem que o ministro da Secretaria-Geral do Governo não tem? Marcelo Álvaro Antonio, o do Turismo, foi denunciado pela Folha como coordenador de um esquema que usava mulheres de Minas Gerais como candidatas laranjas, para pegar o fundo partidário, que é um dinheiro público. A suspeita é de que ele ficava com a dinheirama e depois dividia entre os parceiros.
O que Bolsonaro fez com Antonio? Nada. Antonio chegou a ser exonerado, para que assumisse formalmente uma cadeira de deputado federal pelo PSL.
Muitos pensaram que o homem havia caído por decreto assinado pelo ministro Sergio Moro, mas no dia seguinte o mesmo Moro assinou o decreto de readmissão.
Já o ex-presidente do PSL Gustavo Bebbiano, envolvido na coordenação da campanha de Bolsonaro e agora ministro da Secretaria-Geral, também usou mulheres laranjas e está sendo fritado pelo pai e pelos filhos Bolsonaros.
Bolsonaro mandou os garotos baterem com força em Bebbiano, até que ele pedisse a renúncia. Ainda não pediu, mas não vai aguentar.
Os Bolsonaros protegem o laranjal de Antonio e esculhambam com o laranjal de Bebbiano, com quem o pai se nega a conversar.
O jornalismo terá de esclarecer. Antonio tem algum poder que Bebbiano não tem, mesmo que o ministério do primeiro não seja quase nada perto do poderoso ministério do segundo?
Por que os Bolsonaros jogaram Bebbiano aos leões e protegem Antonio? Parece que Bebbiano bailou porque escondeu a grana das laranjas e enganou outros líderes do partido e os Bolsonaros.
Concluindo: desentenderam-se na hora de dividir as laranjas.