O cerco a Dilma

Enquanto Deltan Dallagnol escapa e Sergio Moro se agarra a Bolsonaro, a Lava-Jato dá um jeito de reagir. A resposta aos delitos denunciados pela Vaza Jato é cercar Dilma.
É a manchete da Folha. A prisão de
Márcio Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão, é para tentar pegar Dilma.
A Lava-Jato continuará mandando no Supremo e desviando o foco para novas ações contra Lula e Dilma.
O consolo é que Dallagnol e Moro são zumbis com botox, mas zumbis.

………

A outra informação é sobre a nova crise internacional, depois dos ataques a Macron e aos franceses.
Desde ontem, Carluxo é comparado a alguém que Eduardo Bolsonaro chamou em discurso no plenário de Wilson Chãrche.
Os britânicos acompanham a comparação, porque Carluxo estaria a um passo de ser chamado de Winston Churchill do Twitter.
E aí a coisa pode ficar feia. Nem a direita britânica ficaria quieta.
Os Bolsonaros estão em surto coletivo e podem a qualquer momento provocar o gordinho da Coreia.

OS REMÉDIOS E OS FARSANTES

Aparece todos os dias no Facebook a propaganda mentirosa em que o médico Drauzio Varella estaria anunciando um remédio contra a dor.

É algo apresentado como milagroso. Varella repete onde pode que não faz propaganda de remédios.

Mas, como os autores da propaganda querem vender o milagre e não temem a polícia e a Justiça, os textos continuam no Facebook.

Os vendedores do remédio milagroso querem ficar ricos e continuarão soltos, como também queriam ficar ricos e continuam soltos muitos dos vendedores do remédio anticorrupção fabricado pela farsa da Lava-Jato.

A única diferença entre uns e outros é que os vendedores do falso remédio para a dor são reconhecidamente bandidos, e os vendedores do elixir da Lava-Jato apresentam-se como mocinhos e justiceiros.

Todos estão impunes e em liberdade. Os vendedores do remédio para a dor desfrutam de um detalhe capaz de atenuar suas culpas: não são sustentados com dinheiro público e não fazem perseguições políticas.

Os farsantes da Lava-Jato são mais danosos e mais criminosos do que eles, porque se anunciam como homens da lei e protegidos por colegas da lei.

O Supremo sabe que todos são impostores. Todos. Mas o Supremo nunca fez nada contra a propaganda enganosa dos lavajatistas vendedores de curas milagrosas.

SEJAM JORNALISTAS, ESTÚPIDOS

Alguém perguntou a Glenn Greenwald, ontem no Roda Viva, o que ele faria se soubesse que pagaram o hacker para ter acesso às conversas escabrosas da Lava-Jato.

A resposta deveria ser estudada já a partir de hoje em aulas de jornalismo: jornalista não é polícia.

Jornalista divulga informações relevantes, de interesse público, obtidas legal ou ilegalmente. Aqui e em qualquer democracia (ou deveria ser assim também no Brasil).

O que não pode é comparar hacker com autoridade que faz vazamentos seletivos de informações do próprio trabalho para tentar favorecer ou comprometer uma das partes, como fizeram na Lava-Jato.

Outro bom momento foi quando da pergunta sobre os estragos que os vazamentos podem causar na Lava-Jato, se eventualmente beneficiarem já condenados.

A resposta: Sergio Moro e seu pessoal se consideram acima do bem e do mal, a ponto de achar que qualquer informação que os contrarie pode conspirar contra feitos que consideram inquestionáveis? A verdade absoluta está sempre com eles?

Resumindo, Glenn Greenwald deu boas lições à atrapalhada bancada de jornalistas que tentou cercá-lo de todas as formas.

Tentem ser menos oficialistas, menos policialescos, menos governistas e menos lavajatistas. Sejam jornalistas.

O VAZADOR

Agora temos a prova do que todo mundo sabia e está no UOL. Este é o começo da notícia:
“Diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e publicados hoje apontam que o coordenador da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar que agentes públicos passavam informações de investigações à imprensa. Em chats no Telegram, procuradores admitem “vazamentos”, e Dallagnol aparece antecipando um passo de uma das operações a jornais”.
Numa das conversas, um procurador usa a expressão “vazamento seletivo”. Confirma-se o que Gilmar Mendes dizia.
A Lava-Jato era movida a delações e vazamentos e poderá ser finalmente desmontada pelo Supremo que concordava com tudo.
Dallagnol e sua turma viciaram os amigos da imprensa em vazamentos. Um dia alguém terá de contar como funcionava esse conluio.
Mas o procurador sem escrúpulos sabe que será abandonado pelos antigos cúmplices.
Dallagnol só tem hoje a proteção corporativa da sua chefe indecisa no Ministério Público. O resto saltou fora.

OS PROCURADORES FICARÃO QUIETOS?

É complicada a situação dos procuradores de Curitiba depois da carta aberta publicada ontem pelo jurista Eugênio Aragão. O texto não é apenas contundente. É devastador. É o mais destruidor de todos os textos já publicados sobre os desmandos da Lava-Jato.
Aragão tem autoridade para dizer o que disse. Foi procurador da República e ministro da Justiça no final do governo Dilma Rousseff, até o golpe de agosto de 2016.
A carta foi divulgada pelo site GNN e compartilhada depois pelos espaços progressistas, entre os quais o DCM, que também publica meus textos.
É uma carta aberta aos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato em que Aragão, identificando-se como ex-colega dos comandados por Deltan Dallagnol (ou por Sergio Moro?), refere-se ao grupo como uma turma de nazistas.
“Onde vocês aprenderam a ser nazistas?”, pergunta Aragão, referindo-se às mensagens publicadas pelo UOL em que a turma debocha da dor de Lula com a perda de dona Marisa Letícia e do neto Arthur.
Podem dizer que os procuradores já foram chamados de fascistas e nazistas. Mas não por um ex-colega e de forma direta, sem volteios.
A carta (que publico na área de comentários) é destruidora porque não foi escrita por um palpiteiro. Aragão conhece o grupo e comenta no começo que os alertou sobre as barbaridades que cometiam.
Agora, vamos tentar imaginar o sentimento de alguém que, atuando como servidor público, com a missão de acionar a Justiça para que se faça justiça, fica diante de uma carta tão desqualificadora.
Do que mais poderão ser chamados os procuradores, depois de serem definidos como nazistas e horda de malfeitores? O que mais precisamos ler e ouvir a respeito dos desmandos da Lava-Jato, para que o país tenha finalmente a reparação do que foi feito em Curitiba durante cinco anos?
O texto de Aragão é expelido, tem o grito da oralidade dos desabafos incontroláveis. “Digo isso com o asco que sinto de vocês hoje”, escreve ele.
Tem gente dizendo que os procuradores irão à forra e que Aragão poderá ser processado pelo grupo. Mas seria processado só pelos que se consideram nazistas? Pelos que Aragão chamou de trogloditas arrogantes? Pelos que foram comparados a hienas?
Processariam também os milhares que compartilharam a carta do ex-procurador?
É terrível a situação da turma de Dallagnol. O próprio Dallagnol já foi abandonado pelos advogados que deveriam defendê-lo de algumas (são muitas) das acusações em processos que correm no Conselho Nacional do Ministério Público.
Os procuradores podem ter apoio institucional, mas sabem que toda a estrutura da direita, a partir da imprensa e dos partidos, abandona seus perdedores pelo caminho, como fizeram com quase todos os que participaram do golpe e perderam poder político.
As condenações da Lava-Jato, por erros grosseiros do chefe deles, o ex-juiz Sergio Moro, poderão ser anuladas. Como fica o grupo de Dallagnol e Moro? Vão fazer tudo de novo?
Os procuradores (uma moça pediu desculpas a Lula) terão de dizer alguma coisa. Sobre as ofensas a Lula, sobre Aragão, sobre a confusão em que se meteram, sobre as mensagens escabrosas.
Em Nuremberg, o argumento básico dos nazistas foi o de que cumpriam ordens. Mas quem dava ordens aos procuradores de Curitiba, Dallagnol ou Sergio Moro?
Se ficarem quietos, os procuradores terão assimilado tudo o que Aragão disse deles. E nada mais precisa ser dito.

Carta pública aos ex-colegas da Lava-Jato

por Eugênio Aragão, publicado no GNN

Sim. Ex-colegas, porque, a despeito de a Constituição me conferir a vitaliciedade no cargo de membro do Ministério Público Federal, nada há, hoje, que me identifique com vocês, a não ser uma ilusão passada de que a instituição a que pertenci podia fazer uma diferença transformadora na precária democracia brasileira. Superada a ilusão diante das péssimas práticas de seus membros, nego-os como colegas.

Já há semanas venho sentindo náuseas ao ler suas mensagens, trocadas pelo aplicativo Telegram e agora reveladas pelo sítio The Intercept Brasil, num serviço de inestimável valor para nossa sociedade deformada pela polarização que vocês provocaram. Na verdade, já sabia que esse era o tom de suas maquinações, porque já os conheço bem, uns trogloditas que espasmam arrogância e megalomania pela rede interna da casa.

Quando aí estava, tentei discutir com vocês, mostrar erros em que estavam incidindo no discurso pequeno e pretensioso que pululava pelos computadores de serviço. Fui rejeitado por isso, porque Narciso rejeita tudo que não é espelho. E me recusava a me espelhar em vocês, fedelhos incorrigíveis.

A mim vocês não convencem com seu pobre refrão de que “não reconhecem a autenticidade de mensagens obtidas por meio criminoso”. Por muito menos, vocês “reconheceram” diálogo da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, interceptado e divulgado de forma criminosa.

Seu guru, hoje ministro da justiça de um desqualificado, ainda teve o desplante de dizer que era irrelevante a forma como fora obtido acesso ao diálogo, pois relevaria mais o seu conteúdo. Tomem! Isso serve que nem uma luva nas mãos ignóbeis de vocês. Quem faz coisa errada e não se emenda acaba por ser atropelado pelo próprio erro.

Subiu-lhes à cabeça. Perderam toda capacidade de discernir entre o certo e o errado, entre o público e o privado, tamanha a prepotência que os cega. Não têm qualquer autocrítica. Nem diante do desnudamento de sua vilania, são capazes de um gesto de satisfação, de um pedido de desculpas e do reconhecimento do erro. Covardes, escondem-se na formalidade que negaram àqueles que elegeram para seus inimigos.

Esquecem-se que o celular de serviço não se presta a garantir privacidade ao agente público que o usa. Celulares de serviço são instrumentos de trabalho, para comunicação no trabalho. Submete-se, seu uso, aos princípios da administração, entre eles o da publicidade, que demanda transparência nas ações dos agentes públicos.

Conversas de cunho pessoal ali não devem ter lugar e, diante do risco de intrusão, também não devem por eles trafegar mensagens confidenciais. Se houver quebra de confidencialidade pela invasão do celular, a culpa pelo dano ao serviço é do agente público que agiu com pouco caso para com o interesse da administração e depositou sigilo funcional na rede ou na nuvem virtual.

Pode por isso ser responsabilizado, seja na via da improbidade administrativa, seja na via disciplinar, seja no âmbito penal por dolo eventual na violação do sigilo funcional. Não há, portanto, que apontarem o dedo para os jornalistas que tornaram público o que público devesse ser.

De qualquer sorte, tenho as mensagens como autênticas, porque o estilo de vocês – ou a falta dele – é inconfundível. Mesmo um ficcionista genial não conseguiria inventar tamanha empáfia. Tem que ser membro do MPF concurseiro para chegar a tanto! Umas menininhas e uns menininhos “remplis de soi-mêmes”, filhinhas e filhinhos de papai que nunca souberam o que é sofrer restrições de ordem material e discriminação no dia a dia.

Sempre tiveram sua bola levantada, a levar o ego junto. Pessimamente educados por seus pais que não lhes puxaram as orelhas, vocês são uns monstrengos incapazes de qualquer compaixão. A única forma de solidariedade que conhecem é a de uma horda de malfeitores entre si, um encobrindo ao outro, condescendentes com os ilícitos que cada um pratica em suas maquinações que ousam chamar de “causa”. Matilhas de hienas também conhecem a solidariedade no reparto da carniça, mas, como vocês, não têm empatia.

Digo isso com o asco que sinto de vocês hoje. Sinto-me mal. Tenho vontade de vomitar. Ao ler as mensagens trocadas entre si em momentos dramáticos da vida pessoal do ex-presidente Lula, tenho a prova do que sempre suspeitei: de que tem um quê de psicopatas nessa turma de jovens procuradores, uma deformação de caráter decorrente, talvez, do inebriamento pelo sucesso. Quando passaram no concurso, acharam que levaram o bilhete da sorte, que lhes garantia poder, prestígio e dinheiro, sem qualquer contrapartida em responsabilidade.

Sim, dinheiro! Alguns de vocês venderam sua atuação pública em palestras privadas, em troca de quarenta moedas de prata. Mas negaram ao ex-presidente Lula o direito de, já sem vínculo com a administração, fazer palestras empresariais. As palestras de vocês, a passarem o trator sobre a presunção de inocência, são sagradas. Mas as de Lula, que dão conta de sua visão de Estado como ator político que é, são profanas. E tudo fizeram na sorrelfa, enganando até o corregedor e o CNMP.

Agora, a cerejinha do bolo. Chamam Lula de “safado”, fazem troça de seu sofrimento, sugerem que a trágica morte de Dona Mariza foi queima de arquivo… chamam o luto de “mimimi” e negam o caráter humano àquele que tão odienta e doentiamente perseguem!

Só me resta perguntar: onde vocês aprenderam a ser nazistas? Pois tenho certeza que o desprezo de vocês pelo padecimento alheio não é diferente daqueles que empurravam multidões para as câmaras de gás sem qualquer remorso, escorando-se no “dever para com o povo alemão”. Ao externarem tamanha crueldade para com o ex-presidente Lula, vocês também invocarão o dever para com o Brasil?

Declarem-se suspeitos em relação ao alvo de seu ódio. Ainda é tempo de porem a mão na consciência, mostrarem sincero remorso e arrependimento, porque aqui se faz e aqui se paga. A mão à palmatória pode redimi-los, desde que o façam com a humildade que até hoje não souberam cultivar e empreendam seu caminho a Canossa, para pedirem perdão a quem ofenderam.

Do contrário, a história não lhes perdoará, por mais que os órgãos de controle, imbuídos de espírito de corpo, os queiram proteger. A hora da verdade chegou e, nela, Lula se revela como vítima da mais sórdida ação de perseguição política empreendida pelo judiciário contra um líder popular na história de nosso país. Mais cedo ou mais tarde ele estará solto e inocentado, já vocês…

Despeço-me aqui com uma dor pungente no coração. Sangro na alma sempre que constato a monstruosidade em que se transformou o Ministério Público Federal. E vocês são a toxina que acometeu o órgão. São tudo que não queríamos ser quando lutamos, na Constituinte, pelo fortalecimento institucional. Esse desvio de vocês é nosso fracasso. Temos que dormir com isso.

Eugênio Aragão é jurista e advogado, integrou o Ministério Público Federal de 1987 a 2017 e foi ministro da Justiça em 2016, no governo Dilma Rousseff

Simplório e engraçado

De Sergio Moro na abertura de um seminário sobre combate à corrupção, no Ministério da Justiça:
“É impossível combater a corrupção sendo corrupto. Simplesmente não funciona. Temos que evitar que o policial se corrompa, que o juiz se corrompa, que o Ministério Público se corrompa, que o auditor se corrompa”.
Li isso agora no Globo online, dei um pulo e derramei meio copo de suco de uva em cima da Míriam Lane, a gata que estava aqui ao meu lado.
Não consigo parar de rir. Então, é impossível combater a corrupção sendo corrupto? Onde? Na Suécia? Na Dinamarca?
Esse Sergio Moro é muito engraçado.

SÓ CACHORRO GRANDE

A Lava-Jato tenta sobreviver do jeito que dá, mesmo que provocando guerras destruidoras dentro da Polícia Federal.
Os ataques a setores da polícia que não acompanham o trote de Curitiba estão em reportagem de José Marques, na Folha. Não há limite para que o cenário fique mais assustador.

Força-tarefa da Lava Jato denuncia policiais federais desafetos da operação
Acusados de vazar informações sigilosas, denunciados falam em perseguição após relato de escuta ilegal

José Marques
SÃO PAULO
A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba denunciou policiais federais tidos como desafetos da operação, sob a acusação de que eles violaram sigilo funcional e vazaram informações confidenciais.
A denúncia, que está sob sigilo, foi apresentada no último dia 8 à Justiça Federal do Paraná e obtida pela Folha.
Os denunciados negam as irregularidades e afirmam que têm sido perseguidos pelos procuradores. Segundo eles, isso aconteceu após eles terem revelado que uma escuta ilegal gravou, indevidamente, mais de 260 horas (11 dias) na cela do doleiro Alberto Youssef, em 2014.
São alvos das acusações da força-tarefa o delegado Mario Renato Castanheira Fanton, o agente Dalmey Fernando Werlang e ainda Fernando Augusto Vicentine, ex-presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná.
Segundo os procuradores, eles revelaram dados sigilosos de um inquérito que apurava a conduta de outros agentes federais e de advogados, suspeitos de tentarem produzir um dossiê contra a Lava Jato.
O Ministério Público Federal diz que os denunciados repassaram essas informações a outro delegado e também à CPI da Petrobras no Congresso.
As polêmicas que envolvem a atual denúncia começaram nos primeiros anos da Lava Jato. Em 2015, foi instalado um inquérito a respeito de “veiculação na imprensa de material depreciativo a policiais federais responsáveis pela Operação Lava Jato” e “confecção de um dossiê com o objetivo de atribuir a prática de ilícitos penais a determinados membros da Polícia Federal”.
Essa investigação acabou arquivada em 2017, a pedido do próprio Ministério Público Federal, por falta de provas.
Fanton era o delegado responsável pelo inquérito e Dalmey, um dos agentes que trabalhavam nessa investigação.
Foi nesse período que Fanton descobriu, segundo documentos internos da Polícia Federal que a Folha teve acesso, que houve, de fato, a instalação de um grampo ilegal na cela de Youssef em 2014.
Quem confessou ter instalado esse grampo foi o próprio agente Dalmey —segundo ele, sob orientação do delegado Igor Romário de Paula, que hoje faz parte da cúpula da PF em Brasília.
Na época, já havia sido feita uma sindicância sobre o grampo, que havia concluído, erroneamente, que a escuta fora instalada em 2008, com autorização judicial, para investigar o traficante Fernandinho Beira-Mar. Com a nova descoberta, a investigação sobre o grampo foi reaberta.
Nos anos seguintes, Fanton virou alvo de diversas ações da Lava Jato —três processos disciplinares e quatro inquéritos policiais, todos arquivados. Em sua defesa, afirmou ser considerado “inimigo” pelos seus ex-chefes.
A denúncia deste mês é mais um episódio dessas trocas de acusações. Segundo o Ministério Público Federal, Fanton vazou em 2015, junto a Dalmey, informações do inquérito que conduziu.
Para basear as acusações, a Lava Jato quebrou o sigilo telemático dos investigados.
A força-tarefa diz que Fanton elaborou um documento chamado “despacho”, com informações que constavam no inquérito —uma cópia desse documento, segundo a Procuradoria, foi remetida a Fernando Vicentine, que presidia o sindicato dos policiais federais no Paraná.
Esse documento foi lido pelo deputado federal Aluisio Mendes (Pode-MA) na CPI da Petrobras.
Fanton, segundo a força-tarefa, ainda repassou informações ao delegado Alberto Iegas, que foi diretor de inteligência policial. Também teria relatado à CPI fatos sigilosos.
Procurada, a defesa de Fanton afirma que a denúncia é “uma tentativa de encobrir os crimes de falsa perícia praticados nos processos da Lava Jato”. Diz ainda que “sindicância falsa sobre a escuta na cela de Youssef” (que negava ter havido escuta) foi usada em processo da Lava Jato, o que poderia levar à anulação de atos da operação.
Também afirma que Iegas foi o delegado que intermediou a ida de Fanton à Corregedoria-geral da PF em Brasília. Ainda diz que o delegado não tem dever de sigilo na CPI da Petrobras “sobre crimes de falsa perícia e denunciação caluniosa que testemunhou à frente do inquérito 737/15, bem como tem o dever de falar a verdade numa sob pena de crime de falso testemunho”. A reportagem não localizou as defesas de Dalmey e Vicentine.
Também procurada, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirma que a denúncia “está amparada em provas de materialidade e autoria colhidas em inquérito policial conduzido pela Corregedoria-Geral da Polícia Federal”.
“As mesmas questões referentes à suposta escuta já foram levantadas e afastadas em diversas ações penais porque, embora investigadas, jamais foram provadas. O vazamento das informações sigilosas no curso da investigação policial é um dos fatores que pode ter contribuído para frustrar as apurações”, diz, em nota.

DALLAGNOL DELIRAVA

Cada um com seus delírios e sua mania de grandeza. Deltan Dallagnol planejou a construção de um monumento grandioso que simbolizasse a Lava-Jato, numa praça de Curitiba.
Está em mensagens que a Folha divulga hoje. O procurador imaginava o seu monumento aos deuses justiceiros como um lugar que atrairia milhares de turistas do mundo todo.
Isso foi o que ele escreveu em maio de 2016, no pico de um surto como imperador, imaginando o que seria o seu Fórum de Cesar:
“Minha primeira ideia é esta: algo como dois pilares derrubados e um de pé, que deveriam sustentar uma base do país que está inclinada, derrubada. O pilar de pé simbolizando as instituições da justiça. Os dois derrubados simbolizando sistema político e sistema de justiça…”
Se fosse hoje, o pilar que cabe a Dallagnol estaria virado num caco.
O interessante é que Sergio Moro não gostou da ideia. Moro queria mesmo o cargo prometido por Bolsonaro, ou quem sabe uma estátua só pra ele.
Eu tenho uma ideia de monumento para a Lava-Jato. É simples, tem por toda parte em lojas de louças sanitárias e está de acordo com a obsessão bolsonarista.