O SARAU, BOB DYLAN E EU

O Sarau Elétrico é um bravo sobrevivente numa Porto Alegre alquebrada, que ficou feia e reacionária. Que parece ter apenas a tal orla como atração e como negócio, com um prefeito que só pensa em urbanização nas áreas ricas e que abandonou vilas, ruas, escolas e praças.
Mas o Sarau resiste junto com o Ocidente do Fiapo Barth e faz hoje 20 anos. É um milagre mantido pela Katia Suman, pelo Luís Augusto Fischer e pelo Diego Grando.
Hoje, os três farão uma edição especial, com a canja musical do duo O Bom e Velho, formado por Mário Manga e Ana Deriggi. Começa, como sempre, às 21h.
Bob Dylan esteve duas vezes no Opinião. Eu estive três vezes no Sarau como convidado para ler textos e contar causos. Na minha ida mais recente, fiquei ao lado da Claudia Tajes, e depois teve a canja do Demétrio Xavier.
As fotos que saíram hoje nos jornais sobre o aniversário são do encontro da terça passada, em que por acaso eu estava. Por isso me exibo. Não sou o Sergio Moro pra me esconder numa hora dessas. Viva o Sarau. Viva o Ocidente.

O FILHO DE BOLSONARO E O LEONARDO DA VINCI

O deputado Eduardo Bolsonaro compete com o pai na produção de besteiras diárias. A última dele pelo Twitter é uma tentativa de denunciar o Colégio Leonardo da Vinci, de Porto Alegre, que estaria impondo aos alunos a leitura do livro ‘Abaixo a Ditadura’, de Cláudio Martins.
Se estivesse recomendando a leitura, não haveria nada de excepcional ou condenável. Até porque obra e autor são respeitados, e ditadura deve sim ser tema de aula. Mas a escola nunca fez o que ele diz que faz, como a direção já esclareceu.
Pois conto então que há muito tempo, há mais de 10 anos, decidi fazer para Zero Hora uma reportagem sobre leitura nas escolas.
E fui logo ao Leonardo da Vinci pelo reconhecimento que desfruta como colégio que estimula os alunos a lerem.
Me lembro de algumas conversas com adolescentes que me espantavam com o que liam. Não liam apenas os sempre recomendados autores brasileiros. Liam Faulkner, Joyce, Virginia Woolf, Saramago, Borges. Alguns liam por conta, sem recomendação do professor, porque haviam sido estimulados a ler e não conseguiam parar.
Eduardo Bolsonaro nunca leu e nunca lerá um desses autores. Eu posso dizer o que a escola não pode nem precisa, apesar de não depender da minha defesa. O deputado é o melhor exemplo de quem não assimilou e não se sensibilizou com nenhuma leitura relevante.
Mas lembremos que Bolsonaro foi o deputado federal mais votado da história em todo o país, porque faz arminha com os dedos e promete acabar com bandidos, mesmo que nunca alguém tenha visto um Bolsonaro enfrentar um bandido sequer.
A culpa pela produção de besteiras desse analfabeto político, empoderado pelo voto dos paulistas para uma função pública, não é só dele. É muito também de quem o colocou lá para escrever fake news e competir com o pai nas bobagens publicadas no Twitter.

DONA CÉLIA

Eu poderia escolher mais de 10 datas comemorativas para falar da senhora desta foto. Poderia falar dela no dia do livro. No dia da arte. No dia da elegância, da amizade, do conhecimento, da ciência, do professor. E em todas as datas consagradas à mulher.

Prefiro falar de dona Célia Damasio Pacheco no 28 de abril, o Dia da Sogra. Dona Célia derruba qualquer tese sobre sogras. Eu gosto dos sábados, porque são os dias do almoço na casa dela, de emendar um assunto no outro, falar de cinema, literatura e futebol e de transformar o banal em conversa boa e engraçada.

Dona Célia foi professora. Tem uma biblioteca com todos os livros de todas as áreas catalogados. Frequenta cursos de História (o professor Marshall, do Studio Clio, sabe bem) como se estivesse sempre em formação, e está.

Adora cinema. Lê até três livros por mês. Nesta foto, ela está onde mais gosta, uma livraria de Buenos Aires. Tudo na casa dela tem relação com a literatura.

Ela viaja. Navega pela internet. Ama o Grêmio. E enfeita-se, porque é uma das mulheres mais elegantes que conheço.

Esta é a mãe da Virgínia. Nem preciso dizer que hoje ela é também minha mãe, porque basta que seja, com todas as suas virtudes, a minha bela sogra.

Viva o Dia da Sogra. Dona Célia qualifica o 28 de abril, enquanto eu tento ser um genro esforçado.

Por que o JB dispensou Drummond

Os jornais registram hoje os 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade. Cada vez que falam do poeta eu me lembro de um episódio de 1984 que se repete ainda mais hoje, quando os jornais se livram de colaboradores de prestígio como se estivessem se livrando de fardos.

Pois em 1984, para consolo dos que são mandados embora hoje sem muita explicação, o Jornal do Brasil livrou-se do cronista Drummond. Me lembro da notícia na Ilustrada da Folha de S. Paulo, enxergo o texto num canto inferior de página e me lembro mais ainda do argumento do JB.

Li espantado que o jornal dispensava Drummond porque o índice de leitura de sua coluna havia caído muito. Era o que a Folha dizia. Drummond escreveu no Caderno B do JB de 1969 a 1984, três vezes por semana.

Um dia, 15 anos depois, alguém decidiu que não precisavam mais dele e que o leitor não sentiria sua falta. O leitor quase não reclama. Em algum momento, ele simplesmente desiste.

Podem perguntar: mas como mandam Drummond embora, e com o argumento do que hoje chamariam de audiência baixa? Pois mandaram. Sim, hoje os jornais também falam de audiência, como se fossem rádios, até porque muitos estão mesmo virando rádios escritas.

Drummond morreu três anos depois de ter sido dispensado pelo JB. Esse é um consolo a quem é largado de repente pelas redações da vida. Um dia, o JB, já caindo aos pedaços, livrou-se de Drummond.

Quem quiser, pode até dizer: me mandaram embora como se eu fosse um Drummond qualquer.

Jornalismo e literatura

Gosto demais de eventos como este. Estarei lá amanhã, bem faceiro. Compartilho o texto e o cartaz da Casa das Artes Villa Mimosa, de Canoas.

“A semana começa com um evento incrível pra quem gosta de literatura, jornalismo e política! Amanhã, terça-feira, teremos a alegria de receber o jornalista e cronista Moisés Mendes para uma apresentação do seu livro de estreia “Todos Querem Ser Mujica”.

A programação começa às 19h, com um debate sobre literatura e política que terá a participação do autor e dos professores de Literatura Daniel Weller e Celso Augusto Uequed Pitol. Após o bate-papo, Moisés realiza uma sessão de autógrafos.

“Todos Querem Ser Mujica” reúne crônicas escritas para o jornal Zero Hora entre 2014 e 2016. A crise política brasileira se destaca entre os vários temas abordados pelo autor, além de uma crônica inédita sobre Maria Antonieta Bellaguarda, a musa do poeta simbolista Alceu Wamosy. O prefácio é do escritor Luis Fernando Verissimo.

Moisés Mendes trabalhou em Zero Hora por 27 anos, destacando-se como um cronista de ideias progressistas, com posições críticas, inclusive, em relação ao papel do jornalismo na sociedade, em especial na abordagem dos conflitos atuais no Brasil e no mundo.

A obra marca também a entrada da Diadorim Editora no mercado editorial. Criada pelos jornalistas Denise Nunes e Flávio Ilha, a editora pretende conquistar espaço no cenário cultural com publicações de diferentes gêneros literários, de ficção e não ficção”.

 

 

Mujica

çivrooos

Pensei algum tempo, fazendo onda, se deveria ou não compartilhar o texto que o José Antônio Silva escreveu no seu blog a respeito de Todos Querem Ser Mujica.
Mas se eu me fizer de bobo em relação ao reconhecimento ao livro, posso cometer o delito do falso recatamento. E o juiz Moro não gosta disso.
E este texto é de um jornalista e ensaísta que admiro muito. Então, lá vai o link do blog do Zé.
Como diz o seu Mércio, prefiro vender meu peixe a alugar minha alma.

http://lavralivre.blogspot.com.br/2016/10/moises-mendes-reune-e-confirma-o.html

Mujica seria um homem riquíssimo

Recebi uma informação por email, em espanhol, a propósito do título do meu livro de crônicas Todos Querem Ser Mujica (Editora Diadorim).

Diz o email que tudo o que se sabe a respeito de Mujica no Brasil é falso, que ele esconde um vasto patrimônio e não mora na casinha de Montevidéu que sempre aparece na TV. O remetente alerta que estamos sendo enganados.

Pode ser. Eu sou um crédulo. Tem gente que acredita até que o homem que anda, maior expressão da direita dissimulada, é a renovação da política em Porto Alegre.

Mas a partir de agora passo a desconfiar de Mujica e a confiar mais no homem que anda (que, aliás, está na frente das pesquisas).

Dependendo do resultado da eleição, meu próximo livro pode se chamar Todos Querem Andar do Jeito do Homem que Anda.

 

Mujica e Raul

MUJICA

Daqui a pouco esse que vos fala se dirige ao Ocidente, para o Sarau Elétrico de lançamento do livro de crônicas Todos querem ser Mujica (Editora Diadorim), ao lado da Katia, do Fischer e do Diego.

Pretendo contar histórias de sessões de autógrafo, o momento de felicidade e de algum pavor para quem escreve.

E ainda tem a participação especial (com direito a canja) do grande Raul Ellwanger.

Viva Luis Fernando

Falei com Luis Fernando Verissimo por telefone agora há pouco. Para mandar um abraço pelos 80 anos.

Luis Fernando é muito mais do que o nosso maior cronista, é a mais frondosa de todas as figuras humanistas que este Estado já teve.

Luis Fernando é a nossa garantia de proteção e lucidez contra todos os desatinos.

E, no fim, eu ganhei um presente dele, o texto de apresentação do meu livro de crônicas Todos Querem ser Mujica, que a Editora Diadorim já mandou para a gráfica e sai em outubro.

É bom demais, nesse mundo dominado pelo pessoal do Jaburu, sentir que o Luis Fernando está por perto.

Viva Luis Fernando Verissimo.