Viva Luis Fernando

Falei com Luis Fernando Verissimo por telefone agora há pouco. Para mandar um abraço pelos 80 anos.

Luis Fernando é muito mais do que o nosso maior cronista, é a mais frondosa de todas as figuras humanistas que este Estado já teve.

Luis Fernando é a nossa garantia de proteção e lucidez contra todos os desatinos.

E, no fim, eu ganhei um presente dele, o texto de apresentação do meu livro de crônicas Todos Querem ser Mujica, que a Editora Diadorim já mandou para a gráfica e sai em outubro.

É bom demais, nesse mundo dominado pelo pessoal do Jaburu, sentir que o Luis Fernando está por perto.

Viva Luis Fernando Verissimo.

 

A Ponta do Silêncio

valesca

Saímos da Palavraria agora há pouco, eu a Virgínia, com o novo livro da Valesca de Assis.
Entramos na fila de autógrafos e percebemos de longe que ela estava faceira. Quando conversamos, Valesca empolgou-se com um detalhe, começou a falar e parou: não, não posso contar.
É muito bom ver quando um escritor está mais feliz do que tensionado no lançamento de mais uma obra.
A Ponta do Silêncio (BesouroBox) trata de um crime no ambiente de conflitos do casal Marga e Rudy. Eu já espiei, li a apresentação de Jane Tutikian e, por enquanto, mais eu também não conto.

Ziraldo

Falei da Jornada de Literatura de Passo Fundo ontem e hoje conto duas historinhas sobre Ziraldo.

Ziraldo e outros convidados estavam sentados na primeira fileira do circo, onde aconteciam debates e palestras, e uma moça da organização os alertou:

– Esta primeira fila é para surdos-mudos.

Ziraldo fingia não ouvia e não entendia. A moça repetia e ele colocava a mão no ouvido, gesticulava e emitia sons incompreensíveis.

Todos riram, inclusive a moça e o pessoal que estava logo atrás à espera das cadeiras que eram deles. Isso foi em 2001. Mesmo com o Ziraldo, não sei se aconteceria do mesmo jeito hoje.

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A outra historinha. Ziraldo participava de um debate e logo depois estaria na sessão de autógrafos.

Era noite e Ziraldo alertou pelo microfone, em tom sério:

– As crianças não estão mais aqui. Então peço que adultos, professoras etc não me apareçam com agendas e pedaço de papel de pão para eu autografar. Só autografo livro.

Foi para a sessão, ao lado da mesa de Martha Medeiros. A fila de Martha dava voltas no circo. Na fila de Ziraldo, pingavam de vez em quando algumas pessoas.

O gênio ria do próprio fracasso e se divertia.