O FIASCO DO CALDEIRÃO EM DAVOS

Luciano Huck arrasou em Davos. É o que os sites estão noticiando com destaque, depois de uma palestra em que se apresentou como candidato a candidato à eleição de 2022.
Acreditem no que vocês lerão a seguir, de trecho de reportagem do Terra:
“Huck chegou a citar casos de assistência social exibidos em sua atração na Globo para ressaltar a importância do combate à desigualdade”.
Casos de altruísmo patrocinado, mostrados no Caldeirão do Huck, são apresentados em Davos como exemplos da compreensão que o moço tem das desigualdades e de como acha que ajuda a combatê-las.
Parece uma notícia fake de tão grotesca. E a cara dos magnatas de Davos diante de um sujeito que os considera otários?
O Globo dá em manchete do site o que Huck contou aos milionários e seus seguidores:
“Em Davos, Luciano Huck diz que protestos na América Latina são fruto da desigualdade”.
Um apresentador de TV do Brasil, que vive da exploração das misérias como espetáculo, vai à Suíça, no maior encontro do capitalismo mundial, para anunciar uma descoberta: as pessoas saem às ruas para denunciar desigualdades.
A direita brasileira deve tentar se controlar, ou outros, além de Bolsonaro, levarão os vexames nacionais para o mundo. Essa do Caldeirão é de envergonhar um Maluf.

FREIRE SE JOGA NOS BRAÇOS DA DIREITA

Roberto Freire confessa em entrevista à Folha que trabalha junto com Fernando Henrique para que Luciano Huck tente ocupar o espaço de Lula.
Parece impressionante, mas é o que ele diz. Os pobres gostam de Lula e de Huck. É só trocar um pelo outro.
Freire é o líder do Cidadania, antigo PPS, que era o antigo PCB.
Um ex-comunista articulado com os inventariantes dos escombros do PSDB. Freire ainda tenta atrair Tabata Amaral para o seu partido.
Ele quer o enfraquecimento dos partidos e a ascensão dos movimentos, como prega a direita. O seu Cidadania seria um partido em movimento.
O repórter é Joelmir Tavares, que não fez uma pergunta, uma só, sobre Bolsonaro. E Freire não fala nada sobre Bolsonaro, sobre Sergio Moro ou sobre qualquer um da direita no poder, porque o seu Cidadania tenta fazer média com o reacionarismo atacando Lula e o PT.
A entrevista parece ter sido feita para exaltar Huck e falar mal de Lula, do início ao fim.
Que desfecho de carreira de um cara que já foi ícone de uma certa esquerda e acabou sendo empurrado por seu antipetismo para os braços da direita que se diz de centro.

REACIONÁRIO AFETIVO

A direita já teve uma boa base de pensamento político. A ditadura tinha alguns operadores que também refletiam sobre quase tudo com muito talento.
Eram ajudantes da ditadura, mas brilhantes na abordagem de temas complexos.
Hoje, todos são simplórios, “religiosos” ou ignorantes fundamentalistas, ou tudo misturado, dentro e fora do governo.
Leiam essa bobagem que Luciano Huck escreveu no Twitter, sobre desigualdades, como se fosse aluno repetente da 5ª série.
Essas frases, ditas com a panca daquela figura altruísta (mas sempre com patrocínio), podem soar profundas:
“É sobre isso que tenho falado por ai… de nada adianta um país eficiente, se ele não for afetivo. Precisamos de ambos. Precisamos, sim, cuidar das nossas contas, mas precisamos, também, cuidar das nossas pessoas”.
Temos a direita punitivista de Sergio Moro e temos a direita sabonete, que vem com essa fala carinhosa pra enrolar um país transformado no grande caldeirão do Bolsonaro. Huck não é de centro, é apenas um reaça afetivo.

HUCK E CARLUXO

Luciano Huck já tem algo em comum com os Bolsonaros. No domingo, o candidato da Globo elogiou no Twitter o golpe na Bolívia e logo depois, diante das reações, apagou a postagem. Acovardou-se.
Os Bolsonaros também costumam emitir opiniões valentes, desmentir o que disseram ou apagar o que escreveram.
A notícia de hoje é esta: Carluxo eliminou todas as suas contas nas redes sociais, para não deixar rastros.
Deve estar se preparando para o momento em que será confrontado com suas mentiras, na CPI das Fake News.
Carluxo é o porta-voz do pai. Está licenciado da Câmara de Vereadores do Rio (onde ninguém sabe dizer o que ele faz) e só atua como guerrilheiro nas redes.
A extrema direita não entendeu até agora o silêncio de Carluxo com a libertação de Lula. Há um vácuo de opinião sem a manifestação do gênio da família.

Huck se declara golpista

Luciano Huck saúda o golpe na Bolívia, enquanto invadem e destroem casas (incluindo a do presidente deposto), perseguem jornalistas e começam uma caçada contra gente pobre fiel a Morales.
Huck explicita o que é. Não é de centro, como tentam vendê-lo. É mais um bacana que congestiona o espaço ocupado pela extrema direita.
Huck tenta demarcar territórios, mas vai disputar preferências com Bolsonaro, Moro e Doria. Bolsonaro pelo menos não disfarça que é um reaça.
Huck é da mesma linha do gestor gaúcho. Tem pinta de tucano, tem jeito de tucano, mas é um PSL disfarçado. São os piores reacionários.
Os reaças altruístas, que vivem do marketing da benemerência, expondo e explorando misérias para vender a imagem de bons moços.
Quando se declarar em campanha, Huck terá de disputar o mesmo mercado dos Bolsonaros e será comido pelas milícias.
(Fiquei sabendo depois, pelo DCM, que Huck apagou o texto publicado no Twitter e se declarou contra a violência… Eles são aprendizes como fascistas.)

A DEMAGOGIA DE LUCIANO HUCK

Luciano Huck está em campanha como candidato da direita bacana cansada de bolsonarismo. Quer se eleger presidente em 2022, depois de vacilar e desistir de ser o candidato tucano na última eleição.
No Instagram, o sujeito comentou a morte da menina Ágatha Félix e disse: “Me coloco no lugar da família”.
Só um demagogo pode dizer que se coloca no lugar da família. Ninguém pode dizer essa bobagem. Não há como se colocar no lugar de uma família destruída.
O sujeito disse ainda que matar não é a solução. E escreveu: ‘Chuva de tiros não é o caminho’.
Chuva de tiros… Caminho? Numa hora dessas?
É poético esse Luciano Huck. Mas se preparem porque ele vem aí com essa poesia.

O SINHOZINHO FICOU MAL

Com a barbeiragem na tentativa de emplacar Luciano Huck como candidato tucano, Fernando Henrique Cardoso virou a figura folclórica do PSDB.
O sinhozinho que liderava a mesa dos chefes tucanos no Restaurante Fasano hoje é como aquele tio-avô que todo mundo ouve, por formalidade, mas ninguém mais leva a sério.
A estratégia com Huck é coisa de coronel. FH jantou com o preposto da Globo no restaurante e combinou que sairia a dar entrevistas a rádios e jornais defendendo o pupilo.
Depois, era só esperar a reação dos parceiros. Ele seria o fiador de Huck. Foi chamado de caduco.
FH poderia ter optado pela construção de um protagonismo de estadista. É um ex-presidente enfiado em brigas miúdas do partido e nas lambanças contra Lula.
Um dia ainda teremos a exata noção da sua mediocridade também como governante que vendeu estatais a preço de banana e quebrou o país no segundo mandato.
Luciano Huck é a cara de Fernando Henrique, apenas com um nariz mais potente.

FOI-SE LUCIANO HUCK. INVENTEM OUTRO

Luciano Huck testou as forças e as manobras da política como um amador. Recebeu afagos de Fernando Henrique Cardoso, o sinhozinho tucano que não manda mais nada no partido, consultou o mercado financeiro, conversou com amigos do mundo dos bacanas, ouviu a Globo, hipnotizou-se com o auditório, titubeou e acabou concluindo que não tem talento nem estrutura para aguentar uma campanha.
Huck sabe que poderia ser traído, se não aumentasse seus 8% nas pesquisas, que os votos de Lula não iriam tudo para ele (como o DataFolha insinuava, se Lula ficar de fora) e que os próprios tucanos ressentidos se encarregariam de pulverizá-lo. E ele seria então o candidato do PFL.
O ‘novo’ no PFL de Zé Agripino e Pauderney. Huck seria o saco de pancadas da campanha. Ele e a Globo levariam bordoadas.
Um sujeito que prega altruísmos (mesmo que patrocinados) e compra um jato de R$ 17 milhões com dinheiro do BNDES não tem como ser candidato.
Huck sabia, no fundo, que era mais um impostor da direita. Era um teco-teco. Que inventem outro.

Huck não aguenta o tranco

Jair Bolsonaro já era. A Folha deu a primeira grande bordoada, ao mostrar que a família é dona de 13 imóveis avaliados em R$ 15 milhões, e acabou com a imagem de pureza que o sujeito vendeu para a classe média sem rumo.

Com os 8% de Luciano Huck no DataFolha, a aposta volta a ser o moço da Globo. Mas a Globo estaria disposta a enfrentar o massacre das redes sociais, a partir do momento em que Huck admitir que é candidato?

O que a Globo ganha com isso, se nunca precisou de preposto da própria empresa para desfrutar do poder?

A pergunta pode ser outra: Huck estaria mesmo preocupado com o que a Globo acha ou deixa de achar da sua candidatura, enquanto se joga à tentação de ser presidente?

Huck salta fora do caldeirão da Globo, candidata-se, a Globo larga um comunicado dizendo que não tem nada mais com o cara e que nem gostava mesmo dele, a direita lança a maior campanha de marketing de todos os tempos sobre o bom moço dos Jardins que vai salvar os pobres e está tudo dominado de novo.

Falta combinar com os russos? Huck tem apenas 25% de rejeição. Segundo o DataFolha, ficaria com 8% dos votos de Lula se o ex-presidente fosse impedido de concorrer. Tem a imagem associada ao altruísmo (mesmo que patrocinado). É um velho novo, tem bons dentes, é casado com Angelica e não recebe auxílio-moradia.

Mas tem aquela história da amizade com Aécio. E tem outras histórias ainda não bem contadas. Tem a sociedade com um mafioso, Alexandre Accioly, o grande laranja de Aécio. É amigo do Diogo Mainardi, o cara que ameaça há horas se transformar no homem-mosca. Tem aquelas fotos com o Aécio (que ele apagou de seus espaços nas redes sociais). Tem a destruição ambiental de Angra.

Celebridades fofas (assim como os jornalistas fofos) não gostam de desconfortos. E uma campanha será desconfortável demais para o casal. Eu acho que Huck não aguenta o tranco. Essa não será uma eleição para moços frágeis.

O inço

Vi hoje andando pelas ruas de Porto Alegre que ainda há propaganda do Luciano Huck chamando as pessoas para que façam um curso em uma universidade e depois se dediquem a fazer bico como professor.
Há Luciano Huck pra todo lado, na TV e nas ruas. Há mais Luciano Huck diante da gente do que macega nas ruas e praças de Porto Alegre. Luciano Huck é o novo inço da direita.