O SINHOZINHO FICOU MAL

Com a barbeiragem na tentativa de emplacar Luciano Huck como candidato tucano, Fernando Henrique Cardoso virou a figura folclórica do PSDB.
O sinhozinho que liderava a mesa dos chefes tucanos no Restaurante Fasano hoje é como aquele tio-avô que todo mundo ouve, por formalidade, mas ninguém mais leva a sério.
A estratégia com Huck é coisa de coronel. FH jantou com o preposto da Globo no restaurante e combinou que sairia a dar entrevistas a rádios e jornais defendendo o pupilo.
Depois, era só esperar a reação dos parceiros. Ele seria o fiador de Huck. Foi chamado de caduco.
FH poderia ter optado pela construção de um protagonismo de estadista. É um ex-presidente enfiado em brigas miúdas do partido e nas lambanças contra Lula.
Um dia ainda teremos a exata noção da sua mediocridade também como governante que vendeu estatais a preço de banana e quebrou o país no segundo mandato.
Luciano Huck é a cara de Fernando Henrique, apenas com um nariz mais potente.

FOI-SE LUCIANO HUCK. INVENTEM OUTRO

Luciano Huck testou as forças e as manobras da política como um amador. Recebeu afagos de Fernando Henrique Cardoso, o sinhozinho tucano que não manda mais nada no partido, consultou o mercado financeiro, conversou com amigos do mundo dos bacanas, ouviu a Globo, hipnotizou-se com o auditório, titubeou e acabou concluindo que não tem talento nem estrutura para aguentar uma campanha.
Huck sabe que poderia ser traído, se não aumentasse seus 8% nas pesquisas, que os votos de Lula não iriam tudo para ele (como o DataFolha insinuava, se Lula ficar de fora) e que os próprios tucanos ressentidos se encarregariam de pulverizá-lo. E ele seria então o candidato do PFL.
O ‘novo’ no PFL de Zé Agripino e Pauderney. Huck seria o saco de pancadas da campanha. Ele e a Globo levariam bordoadas.
Um sujeito que prega altruísmos (mesmo que patrocinados) e compra um jato de R$ 17 milhões com dinheiro do BNDES não tem como ser candidato.
Huck sabia, no fundo, que era mais um impostor da direita. Era um teco-teco. Que inventem outro.

Huck não aguenta o tranco

Jair Bolsonaro já era. A Folha deu a primeira grande bordoada, ao mostrar que a família é dona de 13 imóveis avaliados em R$ 15 milhões, e acabou com a imagem de pureza que o sujeito vendeu para a classe média sem rumo.

Com os 8% de Luciano Huck no DataFolha, a aposta volta a ser o moço da Globo. Mas a Globo estaria disposta a enfrentar o massacre das redes sociais, a partir do momento em que Huck admitir que é candidato?

O que a Globo ganha com isso, se nunca precisou de preposto da própria empresa para desfrutar do poder?

A pergunta pode ser outra: Huck estaria mesmo preocupado com o que a Globo acha ou deixa de achar da sua candidatura, enquanto se joga à tentação de ser presidente?

Huck salta fora do caldeirão da Globo, candidata-se, a Globo larga um comunicado dizendo que não tem nada mais com o cara e que nem gostava mesmo dele, a direita lança a maior campanha de marketing de todos os tempos sobre o bom moço dos Jardins que vai salvar os pobres e está tudo dominado de novo.

Falta combinar com os russos? Huck tem apenas 25% de rejeição. Segundo o DataFolha, ficaria com 8% dos votos de Lula se o ex-presidente fosse impedido de concorrer. Tem a imagem associada ao altruísmo (mesmo que patrocinado). É um velho novo, tem bons dentes, é casado com Angelica e não recebe auxílio-moradia.

Mas tem aquela história da amizade com Aécio. E tem outras histórias ainda não bem contadas. Tem a sociedade com um mafioso, Alexandre Accioly, o grande laranja de Aécio. É amigo do Diogo Mainardi, o cara que ameaça há horas se transformar no homem-mosca. Tem aquelas fotos com o Aécio (que ele apagou de seus espaços nas redes sociais). Tem a destruição ambiental de Angra.

Celebridades fofas (assim como os jornalistas fofos) não gostam de desconfortos. E uma campanha será desconfortável demais para o casal. Eu acho que Huck não aguenta o tranco. Essa não será uma eleição para moços frágeis.

O inço

Vi hoje andando pelas ruas de Porto Alegre que ainda há propaganda do Luciano Huck chamando as pessoas para que façam um curso em uma universidade e depois se dediquem a fazer bico como professor.
Há Luciano Huck pra todo lado, na TV e nas ruas. Há mais Luciano Huck diante da gente do que macega nas ruas e praças de Porto Alegre. Luciano Huck é o novo inço da direita.

QUEM É LUCIANO HUCK?

A Folha formou uma vasta equipe de repórteres (é só ver o rodízio de nomes nas reportagens) para investigar a vida de Jair Bolsonaro.

É um mutirão pesado que já denunciou o enriquecimento da família (R$ 15 milhões em imóveis), o recebimento de verba do auxílio-moradia mesmo tendo imóvel em Brasília e a contratação de uma assessora fantasma.

Farão o mesmo com Luciano Huck, começando também pela área imobiliária? Farão uma investigação sobre a casa de Angra que motivou um processo e uma condenação na Justiça por dano ambiental?

Dirão que Huck não ocupa cargo público. Não é desculpa. Candidatos ou pré-candidatos devem ter suas vidas escrutinadas pela imprensa, sem escolhas seletivas.

Huck pede há muito tempo uma boa reportagem sobre a coerência entre o que diz na TV, como ‘amigo’ dos pobres, do ambiente e do que é certo e o que faz de fato na vida real.

Quem é o Huck da representação, que bebe água da torneira nas vilas, e quem é o Huck que destrói ambientes para ampliar os espaços da mansão? O que há de autêntico nesse sujeito estranho, que se dedica a sortear a felicidade com patrocínios milionários?

A Folha pode começar a montar a equipe para investigar Huck, como fez com Lula (descobriu o barco de lata e os pedalinhos) e como tentou (e não conseguiu nada) com Dilma.

Todos queremos saber quem é de fato Luciano Huck, o amigão de Aécio que abandonou o parceiro logo depois das primeiras notícias sobre as malas.

O ogro Bolsonaro todo mundo sabe quem é. Mas quem é esse bacana que a Globo e o pato colocaram de novo na corrida à presidência? Quem são seus sócios?

Vamos lá. O jornalismo não pode ficar só com as barbadas. E Bolsonaro, convenhamos, era uma barbada.

O Chevette rebaixado

Esqueçam Bolsonaro. Este apenas esperneia para dizer que continua vivo. Não há mais nada a fazer por Bolsonaro.
O massacre da grande imprensa vai transformá-lo em poeira da direita. Todos batem sem dó em Bolsonaro, o milionário da Barra da Tijuca.
Só há um sobrevivente da direita, um só. Luciano Huck é a única chance deles. Desde domingo ele não sai das capas dos sites. E não sairá mais.
A grande briga agora será entre huckistas e bolsonaristas. Vão se matar entre eles.
Huck é o mais perigoso candidato da direita desde Collor. De Bolsonaro, sabe-se quase tudo. De Huck, sabe-se apenas que é o candidato da Globo e do pato amarelo.
O povo vai embarcar mais uma vez na conversa de que um riquinho abandonou tudo só para protegê-lo?

O Brasil no auditório

Se a Justiça da Lava-Jato afastar Lula da eleição, Luciano Huck irá se apresentar como herdeiro de seus votos. Parece absurdo, mas é o que as pesquisas indicam. O altruísmo patrocinado da Globo pode chegar ao poder e distribuir casas, geladeiras, carros e felicidade para todos.

Este é o tema do meu novo texto no jornal Extra Classe, no link abaixo:

https://www.facebook.com/jornalextraclasse/

 

 

NOSSOS GREGOS DE 1,99

O começo da carta-renúncia de Luciano Huck é de uma modéstia exemplar:
“Como Ulisses em A Odisseia, nos últimos meses estive amarrado ao mastro, tentando escapar da sedução das sereias, cantando a pulmões plenos e por todos os lados, inclusive dentro de mim”.
Não é pouca coisa. O cara era um Ulisses. Perdemos a chance de ter um presidente épico e erudito. O último a citar a Odisseia foi Jânio Quadros.
O jaburu do Quadrilhão cita Heráclito a todo momento. As malas que passam nunca mais serão as mesmas malas.
Como diria Homero, eta Brasil veio.

ADIÓS, LUCIANO HUCK

Dizem que Luciano Huck seria o candidato da Globo. Mas, falando sério, não há como Huck pretender estar num cargo que seria o maior incômodo para os Marinho. O que eles ganhariam com isso, Huck e os Marinho?

Primeiro, a Globo não precisa de um subalterno para mandar no país. A Globo sempre teve prepostos obedientes e subservientes (ficamos sabendo que até mesmo na Justiça de primeira instância).

Os Marinho desentenderam-se com o jaburu. Mas já está tudo acertado com os prováveis candidatos da direita que poderão disputar para valer a sucessão do Quadrilhão. O jaburu foi acidente de percurso para a Globo, que um dia, quem sabe, iremos decifrar.

Um Huck candidato iria expor a Globo a um julgamento para além das redes sociais. Os rolos com a máfia do futebol chegariam à campanha. Estariam em todas as TVs. Sairiam das bolhas.

Imaginem Lula (ou Ciro Gomes) triturando Huck num daqueles debates em pé, em que o moço certamente iria dizer que poderia transformar o Brasil num grande auditório. E Lula e Ciro batendo nas propinas da Fifa. E Huck dizendo que não tem nada com isso.

Vamos supor até que ele vencesse a eleição, depois de levar muitas bordoadas. E daí? Como governar sendo o presidente eleito pela Globo? Como enfrentar os rolos? Como conciliar interesses dos outros canais de TV?

A Globo viveria num inferno. Os Marinho não precisam de um empregado como dono do poder. Nunca precisaram disso. Luciano Huck, que já teria desistido da candidatura, deve ter sido chamado num canto e acalmado.

Huck não teria êxito como político, nem depois de sair da Globo. Chegaria ao governo, formaria sua patota, se transformaria numa figura decorativa, sob o mando de um Henrique Meirelles, mas não ganharia nada com isso. Nem ele nem a Globo.

Huck foi a pior invenção da direita até agora. Pior do que Bolsonaro. A direita tem Alckmin, e esse sim é perigoso.

O calhambeque e o Camaro amarelo

Aécio Neves é a manchete da Folha online agora. Está se queixando de Luciano Huck. Ele diz: se Huck for confirmado como candidato à presidência, será a falência da política. E que o sujeito apresentado como opção pela Globo precisa dizer o que pensa do país.
Huck não precisa dizer nada. Nem pensar nada. Quanto menos pensar, melhor para ele.
Huck perdeu a amizade de Aécio quando apagou das redes sociais as fotos em que aparece ao lado do mineiro. Mas todo mundo publica essas fotos de um grudado no outro.
Aécio e Huck se merecem. Mas o mais incrível é que Aécio pensa que ainda pode ser candidato a presidente. Aécio parece aqueles calhambeques de palhaço de circo (que só os mais antigos conheceram).
O calhambeque ia se desmanchando durante a apresentação, mas continuava andando, aos pedaços, até o final do show. Aécio é o calhambeque do PSDB. É uma lata velha. Huck é o Camaro amarelo da Globo.