O CRACHÁ

 

Usei este crachá 15 anos atrás, exatamente 15 anos, no dia 24 de julho de 2002, em Ijuí. Era a identificação que o PT distribuiu aos jornalistas, para facilitar os acessos na cobertura à presença de Lula na cidade.

Lula fazia ali o lançamento nacional de sua candidatura à presidência da República. O que me lembro daquele dia é de um Lula feliz, mas também atrapalhado com o terno e a gravata, desde o momento em que desceu do avião, foi recebido por Olívio e Tarso e disse, como se ordenasse:

– Vamos trabalhar.

Me lembro bem dessa frase: vamos trabalhar. E lá se foram os três para a Unijuí. Estava muito quente. Não era um 24 de julho morno, era um dia de calorão. Depois da palestra para agricultores, estudantes e professores na Unijuí, Lula foi para a praça da cidade, de colete e gravata, e ali fez um discurso.

Era a primeira vez que se apresentava ao Brasil com as vestimentas do novo Lula. Apesar do calor, permaneceu de colete e gravata, porque os marqueteiros não podiam desperdiçar o figurino.

Relembro e escrevo agora para dizer que pretendo voltar a usar um crachá como este em 2018, para ver Lula em campanha, mas sem gravata e sem concessões a fardamentos que agradem a direita.

Somente Lula pode radicalizar as posições da esquerda pela democracia, depois do golpe de agosto, pelo que passou antes e depois de chegar ao governo, pela sua história como sindicalista, pelo enfrentamento da ditadura e agora pela resistência ao cerco do pato da Fiesp e do Judiciário tucano.

Lula está hoje mais à esquerda, pelas circunstâncias, pela redescoberta da sua vocação, pelas expectativas pós-golpe.

Seria bom ver um Lula sem gravata, dando o troco nos que o induziram, lá em 2002, às conversas e coalizões com as facções hoje articuladas com o reacionarismo togado.

E que o crachá seja como este que está aí, com as cores sequestradas pelos panelaços e pelo golpe.

Bloqueios

Tentam bloquear tudo que é de Lula, porque a sentença de Sergio Moro falhou.
Mas o que uma certa ‘justiça’ gostaria mesmo de bloquear é o acervo político e, por antecipação, a quase certa eleição de Lula em 2018.
Querem bloquear e confiscar a história e o futuro de Lula e o desejo da maioria.
Esse não é, claro, o caso de Sergio Moro, que apenas quer fazer justiça imparcial, inodora e incolor…

O jogo sujo de Marina e Giannetti

 

Eduardo Giannetti da Fonseca é o liberal que a direita brasileira paparica por seu charme e lustro (e que até parte da esquerda corteja). É bem formado, aparentemente leve e suave, apresenta-se como economista e filósofo, escreve livros sobre temas variados e integra há muito tempo o grupo que faz a cabeça de Marina Silva.

E Marina Silva todo mundo sabe o que é. Uma figura da floresta, capaz de entender a diversidade e a importância de cada planta e cada bicho no mundo, mas incapaz de reconhecer de forma categórica o direito das pessoas às diferenças e à diversidade, principalmente as diferenças que dizem respeito a gêneros.

Marina sempre foi vaga em relação aos gays, depois de se calar sobre o direito das pessoas do mesmo sexo (ou que não levam em conta as definições de gênero) de se casarem e terem suas relações reconhecidas legalmente. Tudo porque a religião de Marina não permite.

Sob o foco ambientalista, Marina é uma pessoa progressista. Mas sob o ponto de vista humanista é retrógrada, atrasada, reacionária. Marina é uma dissimulada quanto a essas questões essenciais da humanidade, e por isso sua postura é mais perigosa, pelos negaceios, do que a abertamente fascista de Bolsonaro.

Pois esses dois estão juntos, Giannetti e Marina. E Giannetti diz na Folha hoje que a segunda instância deve julgar Lula logo, para que a campanha às eleições de 2018 não sejam tumultuadas.

Quem lê a entrevista vai vendo, espantado, a cada parágrafo, que Giannetti quer na verdade que o Tribunal Federal Regional diga logo que Lula está inelegível, que não se demore muito.

Porque isso, afirma ele, abriria o leque para outros candidatos. Uma eleição sem Lula, garante Giannetti, seria “muito mais arejada para o país”.

É uma entrevista vergonhosa para alguém que se diz um pensador liberal, mas está a serviço da pior direita golpista e homofóbica.

Mais um detalhe: Marina teve a cara de pau de se lançar candidata à presidência um dia depois da condenação de Lula. E Giannetti deu a entrevista um dia depois disso. São dois oportunistas da pior espécie.

O cara do Fiat Uno

Um sujeito passou num Fiat Uno e gritou para as pessoas que faziam vigília na rua, logo depois do anúncio da sentença de Sergio Moro:

– Aê, Lula… se fudeu.

Claro que não se espera que um cara num Fiat Uno seja necessariamente um petista, um lulista ou alguém identificado com políticos de esquerda. Mas não há como não ser percebido, com certa surpresa, como antilulista militante e juramentado.

Pois o que deve preocupar as esquerdas a partir de agora é exatamente o sujeito que anda de Fiat Uno e ataca Lula desse jeito.

Dizem que na periferia de São Paulo há aos montes. E em Porto Alegre muitos devem ter ajudado a eleger o Júnior.

Ele não é o reacionário clássico, da velha classe média das panelas, é o cara do Fiat Uno.

O esperto

O imbecil político do momento é o sujeito de uma certa esquerda metida a esperta que defende a tese de que a resistência ao golpe e o resgate da democracia não dependem mais de Lula.
Esse sujeito (todos temos um deles por perto) imagina até a eleição de 2018 sem Lula. E prega que isso seria bom para as esquerdas.
Sergio Moro pensou nesse tipo, e não só na classe média das panelas, quando escreveu a sentença da condenação de Lula.
Com a proliferação desses imbecis, as esquerdas não precisariam de inimigos.

A dignidade e a covardia

Eu ouvi, ninguém me contou, uma entrevista em que Geddel Vieira Lima foi tratado como amigão por um cronista-comentarista de uma rádio de Porto Alegre. No tempo em que era poderoso ministro da Secretaria de Governo do jaburu.

Geddel Vieira Lima foi uma das hienas do golpe. Mandava, desmandava, ajudava a corromper, traía, fazia o serviço sujo do jaburu.

Nessa entrevista à rádio, que foi mais uma galinhagem do que uma entrevista, ele estava ali como rei da galhofa. Debochado, irônico, sarcástico.

Eram três entrevistadores. Dois fizeram perguntas. O terceiro (um antiPT e antiLula obsessivo) se divertiu muito com Geddel. Riam, pareciam velhos amigos. Quase confraternizaram ao vivo pelo golpe.

Olhem agora o vídeo no link abaixo. É longo, mas dá pra ver o melhor trecho a partir do minuto 76. O ex-gordinho alegre é um sujeito acovardado diante do juiz que decidiu mantê-lo preso em audiência hoje em Brasília.

Relembrem o comportamento de Lula diante do juiz Sergio Moro, seu algoz há mais de dois anos, e vejam a postura desse pilantra diante do juiz baiano. É fácil fazer um confronto de condutas entre a dignidade do ex-presidente e a covardia de um dos líderes golpistas.

http://videohd1.mais.uol.com.br/16262275.mp4?ver=0&r=http://mais.uol.com.br&hashId=14993744050059298

 

Sergio Moro derrotado

Sergio Moro falhou no primeiro grande teste das sentenças sustentadas por delações. A 8ª Turma do Tribunal regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, absolveu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Moro havia condenado Vaccari a 15 anos e quatro meses de prisão por lavagem de dinheiro. Por dois a um, os desembargadores entenderam que não há provas contra o ex-tesoureiro. E isso que o juiz da Lava-Jato sustentou a sentença em cinco delatores.
O petista já foi condenado em cinco processos em Curitiba. Faltam quatro. A decisão de segunda instância pode indicar que, ao contrário do que muitos pensam, o Tribunal Regional não vai se submeter à imposição de um Moro aparentemente absoluto, só porque seria o majestático e intocável caçador de corruptos.
Depois desta, que lastro Moro dará à sentença de Lula, se a acusação no caso do tríplex se sustenta em convicções e delações?
E os tesoureiros dos outros partidos, como enfrentam o juiz de Curitiba? Não há tesoureiro de outros partidos preso em Curitiba ou em qualquer outra masmorra no país. Só prenderam tesoureiros do PT.
Da direita só prendem pilotos que transportam cocaína, mas nunca ficam sabendo que quem é o pó.

SE…

E se flagrassem um helicóptero com meia tonelada de cocaína no heliporto do sítio de Atibaia? Ou um avião com 600 quilos de cocaína na pista de pouso que Lula mandou construir ao lado do tríplex do Guarujá?

E se uma mula a mando de Lula fosse flagrada com uma mala com R$ 500 mil? E se alguém entregasse ao Ministério Público uma gravação em que Lula aparece numa conversa mandando alguém continuar calando a boca do Eduardo Cunha com propina todo mês?

E se em outra conversa Lula informasse que escolheria bem uma mula para pegar uma mala com dinheiro (talvez um primo), desde que pudesse mandar matar essa mula depois?

E se Lula viajasse à Rússia e dissesse que foi à União Soviética? E se Lula fosse à Noruega e afirmasse que ali mora o rei da Suécia?

Se Lula ficasse pedante e tentasse usar mesóclises (Nóis do PT dedicar-nos-emos aos mais pobres)?

Se Lula tivesse nomeado Alexandre de Moraes para o Supremo, só para que o Brasil pudesse ouvir a brilhante defesa oral dos votos do novo ministro no Jornal Nacional? Se tivesse indicado dois ministros do TSE que depois iriam absolvê-lo?

Se Lula fosse amigo do Gilmar Mendes? Se tivesse o apoio do pato da Fiesp? Se estivesse cercado de mafiosos no Palácio do Jaburu?

Se isso e aquilo e mais aquilo outro, Lula poderia vir a ser poupado pela Lava-Jato e disputar a presidência da República em 2018?

A hora das provas indiciárias

No mensalão, a tese que imperou foi a do domínio do fato de Joaquim Barbosa, que acabou por condenar José Dirceu sem provas. Ninguém sabe até hoje se Dirceu é de fato inocente, mas ninguém tem certeza de que ele seja culpado.

Agora, a gambiarra da vez, só para pegar Lula, são as tais provas indiciárias. Como só existe a convicção, que venham as provas indiciárias.

A grande pergunta que se antecipa é esta: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, vai engolir as imposições dos indícios probatórios de Deltan Dallagnol e Sergio Moro?

Estará aberta a porteira para uma grande safra de processos com provas indiciárias, ou só quando o réu for do PT e da esquerda?

O Tribunal já concordou que Moro faz o que faz e pode continuar fazendo (quando julgou o caso do grampo de Dilma e Lula) porque a Lava-Jato é uma empreitada excepcional da Justiça.

A História está cheia de exemplos de governos e circunstâncias de exceção que recorreram a este argumento.

Pense em quantos dos nossos parentes, vizinhos, colegas de trabalho e desafetos casuais, com quem nos desentendemos alguma vez, poderiam ser condenados com provas indiciárias. Poucos seriam absolvidos. Talvez só os réus da direita.

 

Andrea solta e Lula condenado?

O jornalismo que assessora a turma de Curitiba saliva e baba desde o início da semana. Pode ser anunciada a partir de hoje a sentença com a condenação de Lula.

Como não haverá surpresa, o que os não-golpistas esperam mesmo é pelos argumentos que o juiz Sergio Moro apresentará como provas do caso do tríplex do Guarujá.

Se sair hoje, a sentença da condenação de Lula terá sido emitida no mesmo dia da soltura de Andrea Neves, a irmã de Aécio Neves, e dois dias depois da decisão do Supremo de adiar o pedido de prisão do tucano dono da mala.

Moro passou os últimos dias calado, dedicado integralmente à elaboração da sua mais importante deliberação. Tanto que há horas não produz vídeos com citações de grandes nomes da História (tem gente que sente falta).

Depois desse, Lula tem mais quatro processos, mais um deles com Sergio Moro. O ex-presidente está na situação do goleiro que tem que defender cinco pênaltis em sequência, ou torcer para que alguém diga: espera aí, se ninguém bate pênaltis contra os tucanos e a turma do jaburu, suspendam esse massacre.

Como isso não vai acontecer, como os pênaltis contra Aécio, a irmã dele, Serra, os amigos de Serra e de Aécio, de Alckmin e de Fernando Henrique e contra todos os outros tucanos não são cobrados, ou são batidos para fora, Lula caminha para a condenação.

E ainda há muitas outras investigações pela frente, que nem ele sabe quantas são. Lula passará o resto da vida em audiências. O Ministério Público e o Judiciário farão com Lula o que nem os militares fizeram. Por isso tem jornalista golpista e jurista ‘liberal’ babando.