A MARCHA DE SERGIO MORO

Leio agora a manchete da Folha: Procuradoria-Geral da República informa ao Superior Tribunal de Justiça que o juiz Sergio Moro “atuou de forma imparcial durante todo a marcha processual” contra Lula no caso do sítio de Atibaia.
Não entendo porque a PGR se refere ao andamento do processo como marcha. Eu e a torcida do Flamengo achamos que a marcha foi rápida demais.
Mas nós somos leigos. Se a PGR diz que marcha foi normal, é porque deve ter sido.
Mas quem entende de marchas poderia explicar a marcha lenta do processo da tragédia da Boate Kiss, que não avança há cinco anos e meio.
Será que a marcha contra Lula é diferente da marcha do processo que pede a reparação pelo menos moral pela morte de 242 jovens?
Por que marcham tão rápido contra Lula e marcham tão devagar para punir os que conduziram os jovens à morte?
Sem falar nos processos que nunca marcharam contra tucanos corruptos impunes.

O rosário

A direita comemora hoje qualquer coisa, como essa história de que o rosário entregue a Lula não foi mandado pelo papa Francisco.
É um rosário que o papa benzeu, mas não pertencia ao seu estoque de rosários.
E parte da esquerda ainda faz claque para a direita sobre o caso do rosário. Foi o que sobrou pra eles, enquanto o diabo os empurra para o colo de Bolsonaro.
Ah, se eles soubessem que o tríplex foi um presente do papa para Lula.

OS JUÍZES RÁPIDOS FICARAM LENTOS

Leiam este texto sobre a estranha (nem tão estranha) postura do TRF4 de Porto Alegre, que foi rápido para analisar o processo do tríplex e agora adota a tática da lentidão.
Este é o texto:
“Os advogados de Lula questionam, no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça), o ritmo agora implantado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) para apreciar o recurso que permitiria levar a discussão sobre a condenação do ex-presidente às instâncias superiores.
O TRF-4 foi célere ao apreciar a condenação imposta pelo juiz Sergio Moro a Lula. O relator do processo, desembargador João Pedro Gebran Neto, levou 36 dias para concluir sua análise. O revisor, Leandro Paulsen, liberou o seu parecer em seis dias. No total, os dois demoraram 42 dias para analisar todas as acusações e as peças de defesa.
A intimação eletrônica para que o Ministério Público Federal apresentasse resposta aos recursos de Lula demorou, apenas para ser efetivada, o mesmo tempo que os desembargadores levaram para ler todo o processo: 42 dias”.
Este texto não está em nenhum blog de esquerda, ou blog sujo, como a direita define quem não se aliou ao golpe. Está na página de Monica Bergamo na Folha.
É mais uma prova de que a rapidez para condenar Lula foi uma tática de exceção, revelada pela própria grande imprensa.

SOU PRÉ-CANDIDATO A DEPUTADO 

É cômodo ser militante da democracia, dentro de um partido, com suas virtudes, seus defeitos e seus conflitos, em tempos de calmaria. Eu decidi cumprir agora – em tempos de afronta às liberdades e de disseminação do fascismo sob as mais variadas formas – o projeto de participar da militância partidária.

É este ambiente que me mobiliza a ser pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul, no ano em que o maior líder popular do país foi encarcerado.

Se Lula resiste como candidato à presidência, mesmo sendo prisioneiro político, por que eu em liberdade não me submeteria ao desafio de ajudar a defender sua história e o muito que ele ainda tem a fazer pelo país?

Sou um interiorano que virou jornalista aos 17 anos. Um fronteiriço que nasceu em Rosário do Sul, passou infância e adolescência no Alegrete e virou adulto em Livramento.

A Fronteira é minha referência de vida. Mas também vivi em outras cidades. Estabeleci fortes laços com gente de São Borja, Bento Gonçalves e Ijuí. Meus dois filhos são de Ijuí.

Trabalhei em 10 veículos da imprensa do Estado. Iniciei na Gazeta de Alegrete e passei por A Plateia, de Livramento; Folha de São Borja, O Semanário, de Bento Gonçalves; Correio Serrano, Rádio Progresso e Cotrijornal, de Ijuí; Companhia Jornalística Caldas Júnior; O Interior, da Fecotrigo; e Zero Hora. Nos últimos dois anos, tenho sido colaborador, como colunista, do jornal Extra Classe e mantenho o blogdomoisesmendes.

Pretendo levar para a política de representação a coerência do que fiz no jornalismo. A atuação no parlamento estadual pode ser pautada não só por temas regionais, mas também pelas grandes questões do país, em todas as áreas.

Quero orientar meus compromissos com a democracia em seu sentido mais amplo, e não só como retórica. É missão essencial da política combater todas as manifestações de racismo, de xenofobia e de homofobia.

Não há democracia sem servidor público fortalecido e sem a preservação dos serviços e do patrimônio públicos e das expressões da cultura com apoio do Estado.

A defesa das liberdades e das diferenças deve ser real, efetiva. Não há democracia sem uma estrutura de comunicação que se apresente como contraponto à superestrutura da mídia hegemônica. Quero participar de um projeto que complete e amplie a ideia de resgate da TVE, da FM Cultura e de todo o sistema de comunicação destruído pelo atual governo. E que se agregue ao que já é feito nas iniciativas de comunicação comunitária.

Quero estar ao lado dos sindicatos, dos pequenos agricultores, dos ambientalistas e dos militantes cotidianos da democracia.

Me entusiasma a possibilidade sempre presente de ser confrontado com minhas ideias e minhas ações. Me desafia o compromisso com a reparação de eventuais contradições e conflitos entre o que eu digo e o que eu tenho feito como jornalista. Mas asseguro que nenhum projeto artificial de marketing político vai mudar o que sou.

Nunca pretendi ser neutro no jornalismo. Fiz militância como jornalista pela defesa de bens essenciais de todos nós. Por isso meu slogan é Jornalista de Palavra. Mesmo na política, não deixarei de ser jornalista de opinião e não deixarei de escrever.

Me sinto honrado de estar ao lado de Miguel Rossetto, pré-candidato ao governo do Estado, de Paulo Paim, pré-candidato à reeleição ao Senado, e dos nomes que serão apresentados aos parlamentos estadual e federal. Me sinto forte por estar ao lado de jovens e mulheres fortes.

Estou no partido que construiu governos populares e por isso mesmo enfrenta a avassaladora reação ultraconservadora. Estou no partido dedicado integralmente ao resgate da democracia plena depois do golpe de agosto de 2016. Reafirmo que meu candidato à presidência é Lula.

Quero ter a inspiração dos que resistem às ameaças da barbárie, para que o Rio Grande não seja nunca a república do relho. O Rio Grande deve ser a República das liberdades, do diálogo, do respeito e das diferenças. Foi o que sempre me mobilizou no jornalismo e vai me orientar na atuação política.

Quero estar ao lado dos que resistem. Os valentes são todos vocês, os militantes da democracia. Tenho a certeza de que estou do lado certo.
#LulaLivre

O TARADÃO E O QUADRILHÃO

O ministro Marco Aurélio determinou que ninguém pode prender o fazendeiro mandante do assassinato de irmã Dorothy Stang, a missionária americana morta no Pará em 2005.

O ministro do Supremo argumentou que Reginaldo Galvão foi condenado em segunda instância a 30 anos de cadeia, mas que ele, Marco Aurélio, é contra o cumprimento de prisão provisória antes da apreciação do último recurso da defesa pelo Supremo.

Foi o argumento usado pela defesa de Lula, mas que a maioria do Supremo rejeitou (Marco Aurélio era contra a prisão do ex-presidente condenado a 12 anos de prisão em julgamento a jato do Tribunal Regional Federal em Porto Alegre).

Mas o que importa agora é que o fazendeiro, conhecido como Taradão, que mandou matar (com provas) uma religiosa indefesa, ficará solto, e Lula está preso (sem provas), por causa de um tríplex que não é dele.

Por quê? Porque o pedido de libertação de Taradão caiu nas mãos de Marco Aurélio. E os pedidos de libertação de Lula caem em todas as mãos possíveis, por motivos que qualquer ministro pode explicar, mas que só os cínicos são capazes de entender.

Na última tentativa, todos os cinco ministros da segunda Câmara do STF negaram o pedido de liberdade para Lula.

Pergunte então a um juiz do Supremo porque Taradão está solto e Lula está preso. Eles podem tentar dizer, e juristas serão mobilizados para ajudá-los, mas nem eles mesmos se convencem das suas explicações.

Mas Aécio, a irmã de Aécio, Serra, o jaburu e os membros do Quadrilhão sabem porque estão livres no mesmo mundo do Taradão.

O SIMPLÓRIO SERGIO MORO

Sergio Moro é mesmo um simplório. A defesa de Lula pediu que o juiz fosse posto sob suspeição, depois de tirar fotos e frequentar evento patrocinado por João Doria Farinata Junior em Nova York.
O juiz respondeu que Lula também tem fotos ao lado de Aécio, Geddel e de outros políticos presos. Moro queria que Lula tivesse fotos ao lado do Pato Donald? Com quem Lula tiraria fotos, se é político há quase 40 anos?
Mas Lula não é juiz. Um juiz deve marcar sua atuação pela imparcialidade e pela impessoalidade.
Um magistrado, em democracias respeitáveis, nunca tiraria fotos e participaria de festas promovidas por políticos investigados por corrupção (mas sempre impunes) e que trabalharam abertamente por um golpe.
Mas Moro julga e manda prender Lula e tem um álbum de fotos com Aécio e Doria. Ele acha que tudo é normal e que a situação dele e de Lula com políticos é tudo a mesma coisa.
Moro nunca recebeu um voto na vida, por isso não pode conviver em convescotes com políticos, como se isso fosse da natureza da sua atividade. Não é.
Mas não haveria nada de excepcional se Moro tirasse foto com os caminhoneiros, por exemplo. Ele é ídolo dos caminhoneiros, assim como Bolsonaro.

17 DE MAIO

José Dirceu pode ser preso de novo no mesmo dia em que, há um ano, muitos acharam (eu inclusive) que o jaburu seria derrubado e o golpe chegaria ao fim.
No dia 17 de maio do ano passado, milhares saíram às ruas, depois da divulgação da gravação de Joesley Batista com o chefe do Quadrilhão.
Foi a última grande manifestação contra a quadrilha e o golpe. Em Porto Alegre, 40 mil pessoas desceram a Borges. Eu desci junto.
O jaburu resistiu e no dia seguinte era como se nada tivesse acontecido. Meia dúzia apareceu na Esquina Democrática. Vi Olívio Dutra por lá. Meu amigo Heitor Schmidt, minha amiga Marta Magadan. Foi triste.
Saímos dali e fomos beber no Tutti Giorni, o bar do Nani na escadaria da Borges. Nunca mais tivemos uma manifestação de rua do tamanho daquela de 17 de maio. Teremos outra chance?
O jaburu, Aécio, Serra, Alckmin, Paulo Preto e os integrantes das quadrilhas e dos quadrilhões estão soltos e impunes. Todos os tucanos corruptos estão livres. Todos.
Lula está preso. E José Dirceu pode ser encarcerado mais uma vez. E exatamente no dia 17 de maio. O golpe não brinca com simbolismos.

O PLANO LULA

Almocei hoje com o deputado Paulo Pimenta, líder da bancada do PT na Câmara. Falamos de Rosário do Sul, do Alegrete e do futebol de Santa Maria. Pimenta assegura que foi um bom jogador, mas não apresentou provas nem testemunhas.
Falamos mesmo da resistência das esquerdas, do fortalecimento do PT e das pessoas que chegaram a acreditar no discurso do golpe e depois se arrependeram.
Pimenta sempre esteve e está ao lado de Lula e teve participação decisiva na caravana que, antes do encarceramento, percorreu o Brasil denunciando a farsa da perseguição judicial.
Fizemos esta foto para os que perguntam se existe algum plano B para a candidatura de Lula. Aí está a resposta.
#LulaLivre

A imagem pode conter: Moisés Mendes e Paulo Lula Pimenta, pessoas sorrindo

A armadilha

O projeto urgente da direita hoje no Brasil é a montagem de um plano para enganar quem quer ser enganado.
Basta arranjar um nome que substitua Luciano Huck, Joaquim Barbosa, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia, Álvaro Dias, o homem da Riachuelo, o outro homem do partido Novo…
Uns desistiram e outros são ruins de voto. A direita mais cheirosa tenta se livrar de Bolsonaro e não consegue.
Por isso os jornais insistem que é preciso abandonar Lula. A direita quer orientar os passos do PT e da esquerda. E parte da esquerda embarcou na armadilha.

 #LULALIVRE NO GRE-NAL

 A imagem pode conter: 1 pessoa, multidão e atividades ao ar livre

Uma ideia singela para o Gre-Nal de domingo na Arena. Que os democratas gremistas e colorados levem faixas e cartazes com “LULALIVRE, que possam carregados com facilidade e abertos momentos antes do jogo.
Claro que podem e devem ser faixas e cartazes caseiros. Se a Arena tiver uma dúzia de faixas, mesmo que pequenas, distribuídas pelo estádio, a TVs não terão como não mostrar, quando estiverem com as imagens abertas.
Com um detalhe importante. As câmeras principais ficam no lado leste. Os torcedores teriam de estar na parte oeste do estádio.
Alguém vai repetir aqui o que a direita e os jornalistas fofos sempre repetem. Que esporte e política não devem se misturar. Devem sim. Sempre se misturaram, e não só a serviço de nazistas, ditadores diversos e golpistas.
O esporte já acolheu manifestações políticas poderosas pelas liberdades e pela democracia. A indiferença, o silêncio e a omissão também são manifestações políticas devastadoras.