Com tudo e com todos eles

A delação do doleiro Lucio Funaro finalmente mostra em detalhes como o Quadrilhão apenas aperfeiçoou a máquina de arrecadação de propinas quando o jaburu virou vice-presidente. Enquanto isso, a direita enrolava quem queria ser enrolado com a história das pedaladas.
Eles enchiam de malas o apartamento de Salvador, e Janaína Paschoal era possuída pelo demônio e hipnotizava a classe média das panelas. O exorcismo de Janaína e o debate sobre as pedaladas encobriam as ações do Quadrilhão e a compra de votos dos 300 picaretas, como revela agora o doleiro.
Funaro pede passagem como um dos grande personagem das máfias da direita. Em pouco tempo, poderá suplantar Joesley. Marcelo Odebrecht, com aquele jeitão de corrupto enjeitado, virou um contador de causos (saudade das histórias do pai dele, o seu Emílio, contando aos procuradores que Lula pediu um emprego para um sobrinho.)
Mas a máfia para quem Funaro trabalhava está no poder, contando com o Supremo e com tudo, enquanto destrói leis trabalhistas, Previdência, pré-sal, empresas estatais, educação, saúde, empregos e futuro. E Dilma Rousseff está em casa.

O modelo de Curitiba

O juiz Sergio Moro ficou com a parte pobre da Lava-Jato, com os tesoureiros do PT e com Lula e os pedalinhos e a reforma da cozinha do Guarujá. Até Marcelo Odebrecht ficou pobrezinho perto dos irmãos Batista e das malas do Geddel.
Sergio Moro é juiz para pegar um Lucio Funaro e suas conexões jaburianas. Este sim, como se vê agora na sua delação, é mafioso de verdade. Se pegasse Funaro, Moro pegaria Cunha, Padilha, Geddel, Moreira Franco e o jaburu. O Quadrilhão seria todo de Moro.
Mas Sergio Moro só lida com gente sem foro privilegiado. Ele só avança em gente com foro se for para grampear Dilma. Quando foi para grampear Dilma (ilegalmente) e mandar o grampo (ilegalmente) para a Globo, aí não teve a desculpa do foro.
Moro deve ter sido o único juiz de primeira instância de todos os tempos, em qualquer parte do mundo e sob uma democracia, mesmo que capenga, que grampeou (com a desculpa de que foi sem querer) o telefone da mais alta autoridade do país. E deu publicidade ao seu delito, como se fosse repórter dos Marinho.
Um dia os professores de Direito ainda falarão desse episódio como uma das maiores aberrações da Justiça. Hoje, poucos falam, porque o Direito absoluto a ser imitado é o do modelo das prisões preventivas intermináveis e das delações saídas das masmorras de Curitiba.
(Para que não fique dúvida: o ministro Teori Zavascki considerou ilegal a divulgação do grampo pelo juiz, porque o próprio grampo também foi, é claro, um ato ilegal. Mas Teori está morto.)

Fascismo

Estamos em tempos de busca de consolos. A casa do filho de Lula em Paulínia foi vasculhada pela polícia, que buscava drogas e nada encontrou.
O consolo mesmo não está apenas no fato de que nada foi encontrado com Marcos Lula da Silva.
O consolo é este: ainda bem que nada foi plantado na casa do rapaz. Preparem-se porque o golpe pode estar cumprindo mais uma etapa esperada há muito tempo.
Casas vasculhadas sob quaisquer pretextos poderão, de um dia para outro, ter o que seus moradores nunca imaginaram que teriam.

Em busca da pureza perdida

É precária, quase simplória, a análise de Mauro Paulino, diretor do Data Folha, para o crescimento de Lula nas pesquisas.
A prinicpal conclusão dele, em texto hoje na Folha, é que a maioria do eleitor despreza a corrupção como fator importante para que o candidato seja rejeitado.
A outra conclusão. Lula seria corrupto, mas faz mais pelos pobres do que os outros candidatos.
Não passa pela cabeça do analista que o eleitor está dizendo algo muito mais óbvio do que suas conclusões moralistas.
O que o eleitor diz é que Lula está sendo perseguido porque é Lula (mas essa questão não está nas perguntas formuladas pelo DataFolha). E que, no contexto da política suja brasileira, Lula ainda é menos sujo do que os candidatos da direita impune do PSDB, do PMDB e demais partidos golpistas que derrubaram Dilma.
Mas o diretor do DataFolha talvez imagine que um eleitor puro devesse buscar um candidato com a pureza do Brasil. Talvez como Aécio, Marina, Bolsonaro ou Doria Junior. Ou até quem sabe com a pureza do juiz de Curitiba.
(A conclusão final do analista, em tom de sabedoria superior, é que no fim políticos e eleitores são hoje tudo a mesma coisa. A minha conclusão é que o crescimento de Lula perturbou muito mais o jornalismo do que os políticos da direita.)

Moro não aguenta

Li a notícia sobre a previsão de Sergio Moro de que a Lava-Jato está chegando ao fim em Curitiba. Seria, segundo alguns, o aviso de que ele pode renunciar à magistratura e ser mesmo candidato em 2018.

Na eleição de 2014, Marina Silva não resistiu a dois meses de campanha e foi pulverizada por suas ideias obtusas.

Desta vez, Bolsonaro não resistirá a duas semanas. E Sergio Moro, se decidir concorrer, não resiste a dois dias de campanha.

Até porque num debate Moro não poderá dizer a Lula o que disse na última audiência em Curitiba, quando o ex-presidente perguntou se poderia dizer à família que prestou depoimento a um juiz imparcial. Moro foi incisivo: “Não cabe ao senhor perguntar isso a mim”.

Lula teria outras perguntas a fazer ao juiz. A não ser que Lula seja mesmo condenado em segunda instância e preso, e Moro fique livre para concorrer, sem o receio de ter de responder perguntas diversas, como uma sobre o tal amigo denunciado publicamente por um mafioso como vendedor de acordos de delação em Curitiba (já que a imprensa nunca quis saber nada do juiz sobre o sujeito).

E, além disso, Moro não aguentaria a campanha porque é muito ruim de retórica. Ele e Deltan Dallagnol são os pregadores do moralismo óbvio de conversa de boteco pouco antes de fechar, quando ninguém aguenta mais ninguém. Não se aproveita quase nada.

Falta uma mala para Vaccari e Lula

A Justiça só pega tesoureiros do PT. Já pegou três. Como os tucanos e o PMDB não devem ter tesoureiros, mas gestores de malas, ninguém deles foi preso até agora.
João Vaccari, o tesoureiro petista que continua preso, foi absolvido de novo em processo julgado na segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. São duas absolvições em sequência.
Se significa alguma coisa, pode também não significar quase nada. Vaccari enfrenta nove processos. Nove. Além dos dois processos em que foi absolvido, ele foi condenado em outros três por Sergio Moro, e estes ainda aguardam julgamento de recurso no TRF da 4ª Região. E faltam mais quatro processos em primeira instância.
Vaccari não escapa, assim como Lula, com sete processos (e devem surgir outros), está cercado por todos os lados. Se Vaccari e Lula tivessem pelo menos uma mala, uma só, talvez escapassem.
Aécio está escapando e o jaburu vai escapar de novo. E Geddel, com aquele monte de malas, só não escapa se não quiser. Quanto mais mala melhor.

A gincana para pegar Lula

A Folha conta hoje como a força-tarefa do Ministério Público da Lava-Jato e o juiz Sergio Moro põem em polvorosa os procuradores que atuam na segunda instância, junto ao Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.
É uma correria para que sejam cumpridos os prazos e Lula seja julgado logo pelo TRF da 4ª Região. A pressão de Curitiba é extenuante.
É a mesma correria que acontece há 10 anos para que sejam cumpridos os prazos e sejam julgados os tucanos envolvidos na máfia do metrô paulista. Correm também para pegar a quadrilha paulista da merenda tucana. É uma correria que só vendo.
É a mesma correria que durante duas décadas agilizou o processo do mensalão tucano de Minas. E que toca adiante com rapidez recorde o caso (engavetado mais uma vez pela Polícia Federal) da famosa lista da propina de Furnas. Mas o Ministério Público vai dizer que não tem nada a ver com a PF.
Mas a correria inédita mesmo é esta para saber quem pega Lula primeiro. Parece mais uma gincana do que um processo. Nunca antes o Judiciário brasileiro foi tão ágil. Todo mundo corre atrás de Lula e conta vantagem ao dizer publicamente que corre.
Nunca antes procuradores e juízes foram tão protagonistas e exibicionistas. Lula é o coelho da Justiça brasileira.

Esconderam Lula

Tente achar, na capa dos sites dos grandes jornais, a pesquisa CNT/MDA, da Confederação Nacional dos Transportes, que mostra como Lula cresceu como líder às eleições do ano que vem. Se achar, me avise.
Hoje, as pesquisas escondidas pelos jornais mostram que só há um jeito de tirar Lula da corrida, como favorito em todos os cenários contra Aécio, Bolsonaro, Doria, Ciro Gomes, Marina, Álvaro Dias, Alckmin.
Só o Judiciário, que deve deixar Aécio e Bolsonaro livres para concorrer, pode tirar Lula da eleição.
A pesquisa não incluiu Sergio Moro. Deve ser porque Moro é juiz e juiz deve ser uma autoridade imparcial e neutra em disputas políticas. Imagino que seja por isso.