Água é coisa de pobre

lutz

Só há um jeito de desvendar o mistério da água em Porto Alegre. É pela imposição do jornalismo. Foi assim, entre outros muitos casos, no famoso episódio da Borregaard, nos anos 70.

A Borregaard e o governo se renderam ao poder dos veículos da Caldas Júnior. Foi assim também com as restrições aos venenos nas lavouras. Sem jornalismo, tudo se acomoda nos interésses.

Autoridades enroladas nas próprias explicações devem enfrentar o desconforto dos grandes questionamentos. Essa é a missão da imprensa, mesmo que não exista mais um Lutzenberger (foto) para inspirar os repórteres e tocar tambor no ouvido dos poluidores.

A água continua podre e não há explicações convincentes porque a água de torneira para beber passou a ser um produto de pobre. Para a classe média, a água do Dmae serve apenas para o banho e para encher a piscina. Se rico também bebesse água de torneira, o problema da água com esgoto já estaria resolvido.

Um pool informal de jornalistas ambientalistas, como nos velhos tempos, forçaria as instituições (sempre elas) a explicarem o que ocorre e a fazer com que a água volte a ser sem cheiro e sem cor.

Se não for assim, a enrolação se estenderá por meses ou anos, e nós continuaremos consumindo água com dejetos químicos e bactérias que a ciência gaúcha não sabe dizer de ondem saem.