EDINA E OS MACHISTAS

Daniel Pereira, narrador de Grêmio x Ceará no Premiere, dizia a todo momento: o árbitro isso, o árbitro aquilo.
Às vezes dizia que a arbitragem marcou tal coisa.
Mas pra que falar de árbitro e arbitragem, se o jogo era apitado por uma mulher? Edina Alves Batista apitou a partida.
O cara deveria saudá-la e destacar que ela ainda é uma raridade no futebol de machos inseguros. Mas prefere chamá-la de árbitro.
O Brasil do machismo bolsonarista tem dificuldade até para dizer a palavra árbitra, ou juíza.
Que bloqueio é esse? Por que essa grosseria? De que mal sofre o narrador?´
Já ouvi até o argumento de que a palavra árbitra não existe. O futebol e seus comentaristas e narradores são os maiores inventores de palavras.
Não se acanhem. Inventem. Chamem Edina pelo que ela é. Edina é árbitra.

Racistas e machistas

Que categoria da Alice Bastos Neves, no Jornal do Almoço da RBS, ao defender, ao lado de um machista (o técnico do Inter, Guto Ferreira), a presença de mais mulheres na cobertura do futebol e de todos os esportes.

O cara ouviu o sermão de Alice calado, depois de admitir que errou com a repórter Kelly Costa, que ele tentou desqualificar, ao vivo na TV, por ser mulher.

O Inter teve, exatamente antes do machista, um treinador (Antonio Carlos Zago) flagrado como racista quando jogador, que depois também se retratou. O agressor, nesses casos, geralmente é um bom pedidor de desculpas.

É impossível reunir tanta gente num estúdio, mas seria bom ver Alice dizendo coisa parecida na cara da parte racista da torcida do Grêmio, que decidiu vaiar a vítima, o goleiro Aranha, no recente jogo com a Ponte Preta (Aranha havia sido chamado de macaco, em 2014, por uma torcedora no estádio).

Aranha havia sido chamado de macaco, em 2014, por uma torcedora no estádio. Os racistas não se conformam que Aranha tenha reclamado.
Mais Alices e diversidade no futebol. E menos intolerantes e grosseiros metidos a engraçadinhos.

 

Veja aqui o vídeo com Alice e o arrependido.

http://globoesporte.globo.com/rs/videos/v/depois-de-resposta-em-coletiva-guto-se-desculpa-com-reporter/6018107/

 

Que os homens não se acovardem

Esta é a semana para esclarecer a situação constrangedora das jornalistas Patrícia Moraes, ex-editora do iG, e da repórter que trabalhava com ela e foi assediada por um cantor.
Exatamente na semana em que a categoria lançou o portal jornalistas contra o assédio, as duas foram demitidas. Primeiro demitiram a repórter. E depois demitiram a chefe da repórter.
O homem acusado de assédio venceu até agora. É o cantor MC Biel.
Por que as jornalistas perderam o emprego?
O contexto não ajuda nas explicações que deverão ser apresentadas.
Há poucos dias, o Supremo decidiu que o deputado Jair Bolsonaro, compulsivo agressor de mulheres, finalmente será processado.
As jornalistas, que vinham cobrando atitudes contra assédios no próprio meio, lançaram o portal e esperaram reações semelhantes às do Supremo.
O que ocorre é o contrário. O cantor está impune, enquanto as profissionais perdem o emprego.
O jornalismo não pode se acovardar. Que os homens sigam o exemplo das mulheres e reforcem a vigilância. E ajudem a cobrar explicações de quem talvez não tenha nada a explicar. Mas cobrem. Publicamente.

A hora do Bolsonaro

Bolsonaro agora é réu no Supremo pelas frases machistas e fascistas que disse a respeito da deputada Maria do Rosário (para relembrar: que ela não merecia ser estuprada porque é ruim e feia).
São duas ações por apologia ao crime e injúria. Talvez, ao final, não dê em nada. Mas é um movimento importante do Supremo para que os seguidores do sujeito pensem bem antes de repetir o que ele diz sem o menor temor.
Bolsonaro ainda está à espera de quem o enfrente como deve. No Congresso ninguém é capaz de confrontá-lo com suas atitudes machistas, racistas e homofóbicas. O corporativismo (com boa dose de covardia do homerio da casa) o protege.
Talvez tenha chegado a hora do Supremo, tão fragilizado pelas decisões e declarações de Gilmar Mendes e tão vulnerável às desconfianças de todos, fazer o que ninguém conseguiu até agora.