Que pilantragem

Me arrisquei a dar uma olhada, depois de meses sem coragem de ver o Manhattan Connection.
O programa é mais do que um espaço dos reacionários que falam mal do Brasil protegidos pelo fato de que moram no Exterior. O Manhattan Connection virou uma pilantragem descarada.
Que fim de carreira constrangedor para Lucas Mendes fazendo escadinha para o homem-mosca.

A mutação

Meu amigo que entende de mutações (tenho amigos em várias especialidades) diz que a transformação do Diogo Mainardi pode se acelerar com a queda da turma dele no Jaburu.

A mutação de Mainardi se encaminha para ser algo entre Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, e o Cerveró. É só esperar. Será ao vivo.

Aqui, um ensaio do que poderá ser visto no próximo Manhattan Connection.

Jantar inexplicado

Perdi meu tempo vendo Manhattan Connection ontem à noite, por acreditar numa informação falsa. Me avisaram que Diogo Mainardi iria finalmente explicar o tal jantar em que foi flagrado no restaurante Gero, no Rio, com Aécio Neves e o empresário Alexandre Accioly.

Accioly é apontado nas delações como o laranja do tucano para receber as propinas das empreiteiras.

Mainardi foi visto como participante de um jantar da confraria pelo delator e ex-vice-presidente da Odebrecht Henrique Valladares. O dedo-duro o flagrou alegremente no restaurante com os tucanos.

Fui ver o Manhattan porque gosto das explicações da direita. Mas Diogo Mainardi falou de Lula, de Dilma, do PT, do Vaccari, de Palocci e não falou nada do jantar com os amigos denunciados como propineiros.

Mas deu pra perceber que a cara, os olhos e as sobrancelhas arqueadas de Diogo Mainardi são de uma pessoa atormentada por algum jantar não explicado.

Mainardi parece um sujeito em mutação, prestes a se transformar em outra coisa, um homem-mosca, ou algo assim.

Por que Francis foi abandonado

Paulo Francis morreu há 20 anos, no dia 4 de fevereiro de 1997. Teve um infarto quatro meses depois de denunciar que diretores da Petrobras haviam formado “a maior quadrilha que já existiu no Brasil”, para roubar da empresa “com superfaturamentos”. A denúncia foi feita no programa de TV Manhattan Connection.
Há dois anos, o comandante do programa, o jornalista Lucas Mendes, relembrou o episódio em detalhes em texto publicado no site da BBC Brasil.
Mendes conta que a repercussão da denúncia na imprensa foi quase zero. “Saíram notas em colunas. Ninguém cobrou da Petrobras. Não sei por que o Francis nunca levou a denúncia para os poderosos Globo, Estadão e Jornal da Globo, onde trabalhava, além do Manhattan Connection, que tinham calibre muito mais grosso do que o GNT”.
Mendes tem outra pergunta sobre a indiferença da imprensa: “Seria o poder da Petrobras de silenciar a mídia com sua publicidade? Ou sua reputação na época estava acima de qualquer suspeita?”
Em novembro, lembra Lucas Mendes, Francis anunciou no mesmo programa transmitido de Nova York que estava sendo processado por diretores da Petrobras.
Diz o artigo de Mendes: “Repercussão na imprensa sobre o processo? Mínima. Saíram notas sobre os assombrosos US$ 100 milhões (que estariam sendo cobrados de indenização pelos diretores)”.
Uma resposta curta explica há muito tempo por que Francis fez a denúncia e não obteve nenhum apoio da empresa para a qual trabalhava e dos colegas poderosos do jornalismo, que o abandonaram até quando estava sendo processado.
Esta é a resposta, óbvia demais: ninguém fez nada para levar a denúncia de Francis adiante, como fizeram agora com a Lava-Jato, porque o governo era tucano.
Paulo Francis, que se esforçava para ser cada vez mais um jornalista de direita, foi abandonado na sarjeta pelos colegas desta mesma direita que agora se empenha em atacar corruptos (apenas do PT) na Lava-Jato, sem nunca tocar no fato de que ele, Francis, foi quem deflagrou tudo.
A direita, em qualquer área, sempre abandona os parceiros feridos, inclusive no jornalismo. Paulo Francis foi jogado na sarjeta e morreu infartado, acuado pelo processo dos diretores da Petrobras, porque temia perder todas as reservas que guardara para velhice.
Os valentes do jornalismo investigativo e opinativo que estão aí defendendo a Petrobrás foram covardes em 1996, porque não lhes interessava contrariar o governo de Fernando Henrique Cardoso.
A origem da corrupção grossa na Petrobras é tucana. E o silêncio que a manteve intocada por muito tempo foi patrocinado pelo acobertamento do jornalismo tucano.