A SANTINHA

Tabata Amaral entrevistada por Mario Sergio Conti na GloboNews. A nova direita tem um modelo irresistível, que já está consagrado (pessoa bacana, arejada, humanista, inclusiva, mas no essencial politicamente reacionária) e vai crescer nas eleições municipais.
Essa nova direita bonitinha vai dominar as cidades, porque é nas cidades que estão os grandes negócios.
Tabata é uma escapista. No 7 de Setembro, não irá às ruas porque precisa ficar em casa estudando seus projetos…
A frase da moça que se nega a se vestir de preto para protestar com os estudantes: “Meu ativismo hoje é na Câmara”.
(E ainda se protege na conversa de que é atacada por ser mulher. Tabata parece uma santinha, uma versão mais doce da conversa religiosa de Deltan Dallagnol.)

JORNALISMOS E ADESISMOS

Essa cena que se repete, com o William Waack carregando nas costas o peso da sua ‘piada’ racista, me empurra para mais um comentário sobre jornalistas fofos e liberais e para o livro Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti.

Esses dias escrevi sobre o artigo em que Conti arrasa com Carlos Heitor Cony na Folha. Muita gente disse aqui no Face que o próprio Conti não é flor que se cheire, porque teria poupado os donos dos jornais no livro sobre o conluio da imprensa com Fernando Collor, no final dos anos 80.

Agora, William Waack diz, para se defender da acusação de que é racista, que as redes sociais ameaçam o velho jornalismo consagrado pela grande imprensa. Eu acho que essa é a melhor ameaça desde o surgimento da imprensa nanica nos anos 70.

Considero Notícias do Planalto o livro mais constrangedor para o jornalismo defendido por William Waack, esse jornalismo político hegemônico e ‘inquestionável’, como ele mesmo afirma. Porque, ao contrário do que muita gente esperava, Conti mostrou que, além dos donos dos jornais, também os jornalistas são protagonistas de todo tipo de conchavo (inclusive ele, Conti).

Ah, dirão os mais puros, mas os patrões são danados. São. Todo mundo sabe disso, desde o primeiro contato dos tupiniquins com o assessor de imprensa de Cabral.

É antiga e autoindulgente essa conversa de que conluios com a direita, como aconteceu com Collor e acontece agora com o jaburu-da-mala, são apenas coisa de patrão. São também coisa de jornalista.

Jornalista não gosta que colegas sejam acusados de adesismo e de manipular informações, porque o corporativismo é forte. O problema seria sempre o patrão.

Vou repetir: Notícias do Planalto é um grande livro porque desmascara jornalistas. Inclusive os fofos que estavam com Eduardo Cunha, estiveram com Aécio e o abandonaram e agora ameaçam abandonar também o jaburu e o Quadrilhão.