OS PERIGOS DAS HONRARIAS

A medalha do Mérito Farroupilha iguala o véio da Havan e Fernando Haddad, o filho de Bolsonaro e Jean Wyllys.
É uma questão ingrata a ser debatida e não escamoteada. Se ninguém da esquerda for homenageado, a direita se adona da honraria e da vitrine que a homenagem da Assembleia gaúcha proporciona.
Mas, se o duelo direita-esquerda continuar, daqui a pouco a esquerda oferece a medalha a Chico Buarque e a direita põe o adorno no pescoço do Queiroz.
O que fazer? Continuar nesse jogo, até a homenagem se tornar uma afronta e ser rejeitada, ou tentar discutir critérios nesses tempos sem critério algum?
Boa parte da esquerda profissional prefere ficar quieta, porque é assim mesmo. E assim mesmo vai ficando.
“Os prêmios, as condecorações e os títulos são todos perigosos”, disse um dia o escritor Sinclair Lewis.
Sartre, John Lennon, Marlon Brando e tantos outros recusaram honrarias. David Bowie esnobou a condecoração da Ordem do Império Britânico.
Sabemos de escritores gaúchos que se negam a ser incluídos na lista de possíveis patronos da Feira do Livro. É um direito.
As medalhas estão cada vez mais perigosas.

Um deputado inconsolável

Circula pelos corredores da Assembleia a seguinte história. O deputado gaúcho que declarou guerra à sua colega Manuela D’Ávila, por causa da entrega da medalha do Mérito Farroupilha a Jean Wyllys, está com a autoestima em baixa.

Este deputado tentou homenagear o juiz Sergio Moro com a mesma honraria, apesar de dizer que o deputado carioca não fez nada pelo Rio Grande e que por isso não merece a medalha. Moro teria feito, não se sabe o quê.

O juiz de Curitiba, que já frequentou eventos variados com a participação de tucanos, rejeitou a homenagem. Dizem que o deputado proponente ficou inconsolável.

O próximo alvo dele é Deltan Dallagnol, o procurador da Lava-Jato que fez a famosa rosácea das bolinhas azuis no power point. Ele quer dar a medalha a Dallagnol.

E se o procurador também refugar? Talvez tente então seu grande ídolo, Jair Bolsonaro.