ZÉ DIRCEU E LULA 

Algumas frases de José Dirceu, em palestra hoje à noite em Porto Alegre, no lançamento do seu livro Zé Dirceu – Memórias, volume I (GeraçÃo Editorial).

“Se não lutarmos pela libertação de Lula, por quem iremos lutar?”

“Hoje, é o Lula, amanhã pode ser qualquer um”.

“Ninguém deve ter o monopólio de liderança nas esquerdas. Nem o PT, nem Lula, nem Haddad”.

“Precisamos reconhecer o papel de lideranças como Ciro Gomes”.

“Levem ao pé da letra o que Bolsonaro diz (sobre o desmonte do Estado)”.

“O projeto de Bolsonaro é destruir a Era Vargas e a Era Lula”.

“Eles estão montando uma estrutura de Justiça e segurança
não para combater quadrilhas e o tráfico, como dizem, mas para terem a vigilância de todos e formarem uma polícia política”.

“Sou realista, reconheço que eles (Bolsonaro e sua turma) têm base popular, mas tenho muita esperança na nossa capacidade de luta”.

(A primeira foto é de José Dirceu com o gaúcho Clóvis Ilgenfritz da Silva, figura histórica do PT no Brasil. A moça é Ana Letícia, filha de Clóvis.)

O arco-íris

Lula irá sobreviver à prisão, como muitos dos bravos presos políticos que resistiram e seguiram em frente. Publico aqui o pequeno trecho do relato de um deles.
É da carta que Flavio Koutzii enviou da cadeia em La Plata à companheira, Norma.
Era 1978, e Flavio estava preso havia três anos na Argentina como subversivo. O trecho, de um livro anterior dele, foi publicado de novo em “Flavio Koutzii, biografia de um militante revolucionário” (Libretos), lançado na Feira do Livro, com suas memórias narradas a Benito Bisso Schmidt.
É um livro poderoso, que Lula poderia ler, com as lembranças de um sobrevivente de perseguições e encarceramentos.
Eis o trecho da carta, que mostra pequenas artimanhas de um preso político para seguir adiante:

O sábio e o juiz

O cientista Rogério Cerqueira Leite escreveu na Folha no ano passado que o juiz Sergio Moro deveria saber da história de Savonarola, que morreu queimado pela Igreja. O juiz leu ao pé da letra: achou que Cerqueira estava desejando sua morte numa fogueira. Eu conto esse caso no Extra Classe porque o cientista está lançando suas memórias.

Leia aqui:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/03/o-sabio-que-sergio-moro-pretendia-censurar/

Os óculos

O jornalista Mário Marcos de Souza, comentarista do SporTV, é quem narra a história de hoje do Porta na Cara. É uma clássica lembrança de infância, com a clássica guria dos cabelos longos.

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OS ÓCULOS

Mário Marcos de Souza

Quando vi aqueles óculos debaixo do banco da frente do ônibus que me levaria ao ginásio, logo imaginei lá na ingenuidade dos meus 11 anos que tinha descoberto a chave (na época, estávamos muito distantes do tempo das senhas) para um novo mundo.

Sabia a quem pertenciam.

Eles estavam sempre no rosto daquela moreninha de cabelos lisos e compridos, que andava com o balançar seguro e superior de quem era admirada.

Encontrar os óculos, portanto, e ter o privilégio de entregar em mãos daquela primeira paixão de criança, receber um olhar agradecido em troca e, quem sabe?, romper com a barreira da indiferença, me fez sonhar o tempo todo, na curta viagem entre o centro da Criciúma dos anos 50 e o morro onde ficava o prédio antigo do colégio Madre Teresa Michel.

Quando desci, corri logo para o corredor onde os alunos aguardavam a sineta da chamada e passei a procurar a menina dos cabelos compridos.

Ela estava lá, conversando com algumas amigas, segura como habitualmente era.

Aproximei-me, balbuciei (ou tremi) alguma palavra e estendi a mão com os óculos. Me achava o herói do momento.

Foi tudo muito rápido. Ela se virou, pegou os óculos sem me encarar e, imediatamente, virou-se e seguiu na conversa com as amigas.

Rápido e frio assim.

Eu esperava ao menos um prosaico obrigado.

Recebi indiferença. Minha primeira paixão terminou em rejeição.