Capanga

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) disse hoje na Câmara, na frente de Sergio Moro, que o ex-juiz atua para proteger a família Bolsonaro e que por isso é um “capanga da milícia”.
O ex-juiz reagiu e disse que o deputado é um “desqualificado”.
Numa hora dessas, ser desqualificado por Sergio Moro é quase nada perto da grandeza de ser capanga a serviço dos Bolsonaros.
Adriano da Nóbrega também foi.

SÓ DOIS TIROS

Vão surgindo aos poucos algumas informações esparsas sobre a morte do miliciano. Um detalhe comprova que o assassinato foi coisa de profissionais, e não de pistoleiros que gastam munição à vontade em execuções cinematográficas.
Imaginavam que Adriano da Nóbrega tivesse sido morto com uma saraivada de balas de metralhadora e que seu corpo tenha sido todo furado.
Nada disso. O homem tombou e morreu ali mesmo com apenas dois tiros certeiros do Bope baiano.
Por que não cercaram o sítio e esgotaram todas as possibilidades de negociação e rendição, mesmo que o miliciano possa ter reagido antes?
Porque confiavam que alguém, com apenas dois tiros, faria o serviço. Só dois tiros. Fácil como num videogame.

Por que mataram?

Se Adriano não era perigoso nem interestadual, mas apenas um bandido carioca regional, como argumentaram os elaboradores da lista dos procurados de Sérgio Moro, por que estava sendo caçado de forma implacável na Bahia?
É o meu texto no Brasil 247.

https://www.brasil247.com/blog/cacaram-e-mataram-um-bandido-que-moro-nao-queria-procurar

A carta de Getúlio e o voto de Toffoli

A carta-testamento de Getúlio Vargas, o mais dramático documento da política brasileira, pode ser lida em três minutos, sem nenhuma pressa.
O gongórico voto de Dias Toffoli sobre o imbróglio do Coaf, que poderá livrar a cara de Queiroz, dos milicianos e de Flavio Bolsonaro, durou mais de quatro horas.
No tempo usado por Toffoli, poderiam ser lidas pelo menos 80 cartas-testamento.
Getúlio foi breve para dizer que havia resistido até o seu limite, em defesa dos interesses do povo, e que iria se matar para entrar para a História.
Toffoli usou quatro horas para tentar enrolar todo mundo e dizer que talvez esteja saindo da História da pior forma possível.
Getúlio era muito singelo. Não tinha a verve do latim exuberante de um Dias Toffoli.

OS MILICIANOS E A VENEZUELA

Desde a primeira entrevista “exclusiva” ao enviado da Globo, na primeira manhã na Suíça, ficou evidente qual era a única missão de Bolsonaro em Davos: ajudar a incendiar a Venezuela, como “líder” latino do levante, para desviar a atenção da descoberta dos vínculos da família com a milícia no Rio.

Bolsonaro só tem uma chance de livrar o filho e livrar a família e o governo do aprofundamento da crise provocada pela conexão com os milicianos que podem ter matado Marielle.

Só uma matança na Venezuela é capaz de fazer sumir das redes sociais e dos jornais a história da máfia de assassinos do Rio das Pedras.

É mais do que uso de um laranja para manejar uma conta com a caixinha dos assessores. É mais do que o enriquecimento inexplicável mostrado pela Folha.

É o vínculo do laranja com o chefe da milícia, o emprego da mãe e da mulher do chefe da milícia no gabinete do deputado que diz caçar bandidos, a descoberta de que o chefe recebeu honrarias de Flávio Bolsonaro, que o homenageou com discursos de exaltação de virtudes e méritos.

Parte da esquerda oportunista brasileira (oportunista, babaca, ingênua) reforçou essa estratégia de atacar Maduro sem trégua para livrar todos os Bolsonaros, e não só o filho.

A esquerda que ataca Maduro toca a corneta para que Bolsonaro comande no grito e à distância o golpe na Venezuela a mando dos Estados Unidos. Bolsonaro é o animador de auditório do golpe na Venezuela.

Está feito o serviço. Trump comemora. Os fascistas do mundo gargalham. As milícias que trabalham para Flávio Bolsonaro atiram foguetes.

A extrema direita no poder será salva pela incitação a uma tragédia na Venezuela.


 

QUEM É CÚMPLICE DOS MILICIANOS?

Teremos muita coisa esclarecida quando formos muito além do que já se sabe das conexões dos milicianos com a política da extrema direita no Rio.
Por que determinados políticos atacam genericamente (como retórica) tudo que é bandido, mas nunca enfrentaram um bandido, nunca se referiram a traficantes e nunca criticaram os milicianos?
Por que os políticos líderes da extrema direita carioca não atacam os milicianos?
Talvez nem seja preciso responder.