PILLA

O jornalista Luiz Paulo Pilla Vares morreu há 10 anos. Li agora no perfil do  Facebook do meu amigo Angelo Pilla, filho dele. Angelo escreveu um belo texto para dizer que mantém a esperança, apesar do quadro de horror do Brasil, em respeito e em nome da memória do pai.
Pois vou escrever sobre uma história pessoal que pretendia contar durante a campanha e desisti, porque alguns (da ‘esquerda’) achariam que seria oportunismo.
Pilla era editorialista de Zero Hora e eu, recém chegado ao jornal, ali por 1989, era subeditor de Economia. No começo da noite de um plantão de domingo, Olyr Zavaschi (saudade desse cara), secretário de redação, veio me dizer: me quebra um galho e escreve um editorial, porque o Pilla não apareceu e não deu notícia.
Escolhemos o assunto, que não lembro qual era, e larguei tudo para fazer o editorial. Quando estava no meio do texto, vi Pilla passar no corredor do meio da redação. Olyr apareceu e me orientou: não deleta, passa pro Pilla.
No outro dia, fui olhar o editorial. O começo, até a metade, era meu. A outra metade era do Pilla.
Eu escrevi um editorial com Pilla Vares. Depois, quando substitui Olyr Zavaschi, sentei na sala que abrigou Pilla e onde trabalharam Eunice Jacques (também já falecida), Julio Mariani, Liberato Vieira da Cunha, Nilson Souza e que era frequentada por Cândido Norberto, Moacyr Scliar, Décio Freitas e tantos outros. Paulo Sant’Anna trabalhava nessa sala.
Quando me candidatei a deputado estadual e parte do que seria a esquerda me atacou por não me considerar do PT e por eu ter escrito editoriais em Zero Hora (nunca me senti ofendido pelo que escrevi, talvez porque as circunstâncias e os tempos fossem outros), eu pensava nesse episódio.
Eu escrevi um editorial a quatro mãos com Luiz Paulo Pilla Vares, grande jornalista, pensador e militante de esquerda e um secretário da Cultura revolucionário da prefeitura de Porto Alegre.
Um abração, Angelo. Teu pai foi um baita cara.

A imagem pode conter: 1 pessoa, barba e close-up

Duas gotas?

As opções para os ‘isentões’ antipetistas diante do avanço do fascismo que eles dizem abominar, mas nem tanto.
Eduardo Leite ou Sartori? Uma camisa da Riachuelo ou um cuecão da Havan? Voto em branco ou voto nulo na luta de Haddad contra Bolsonaro?
Um vacilão é o cara aquele que fica em dúvida se põe duas ou três gotas de adoçante no cafezinho, para que a sua vida seja sempre marcada por interrogações complexas.

#DIGITE666

Claro que vou anular meu voto no segundo turno na eleição para o governo do Estado. Vou anular três vezes, se a máquina permitir. Se não permitir, mesmo assim vou apertar a tecla três vezes.
Vou anular em respeito às mulheres de Pelotas que não sabem o que acontecia com seus exames de prevenção de câncer.
Vou anular pelos servidores públicos do Estado maltratados pelos parcelamentos de salários.
Vou anular para que o voto nulo, o voto em branco e as abstenções ganhem de 7 a 1 de representantes da direita que se aliam a um fascista.
Vou digitar 666, o número da besta.

MAFALDA E O ABORTO

Acompanhei esta semana pelo jornal Página 12 a confusão criada pela direita argentina com o uso de Mafalda numa propaganda contra a descriminalização do aborto.
O projeto que autoriza a realização de aborto já foi aprovado pela Câmara e no dia 8 de agosto será votado pelo Senado.
Os movimentos pela descriminalização usam um lenço verde como símbolo. Os contrários passaram a usar um lenço azul, colocado no pescoço da personagem criada por Quino.
Davam a entender que o cartunista estava com eles e que havia feito o desenho. Os ultraconservadores chegaram a divulgar textos falsos atribuindo a Quino uma declaração segundo a qual Mafalda usava o lenço azul porque é a favor da vida.
Pois Quino avisou que os reaças argentinos deveriam suspender o uso da menina na propaganda (que não vou mostrar aqui, claro). “Não reflete a minha posição e solicito que seja removida”.
Quino continua: “Sempre acompanhei as causas dos direitos humanos em geral e a dos direitos humanos das mulheres em particular, a quem desejo sorte em suas reivindicações”.
Quino está com 86 anos. É em momentos como esse que tenho inveja dos argentinos.

NOS PÂNTANOS DO JUDICIÁRIO 

O grande negócio no Brasil hoje não é mais a especulação financeira. Especulação com dinheiro é coisa antiga, consagrada, manjada demais.

A nova especulação é a judiciária. Ser advogado hoje é o melhor negócio no Brasil.

Tudo passa por algum imbróglio na Justiça e assim passa também por advogados, juízes, desembargadores das baixas e altas cortes, promotores, procuradores e assemelhados.

Quase nada se resolve hoje sem um conflito, sem um longo debate sobre leis que cada um interpreta como quiser, em qualquer área.

O conflito existe antes do fato existir. E só advogados resolvem ou ampliam atritos e desentendimentos legais ou ilegais, com a ajuda ou a atrapalhação dos juízes.

O Brasil virou uma indústria de conflitos produzidos por toda parte. E tudo tem que passar por um advogado. O que não passar estará condenado a não seguir em frente.

A cada dia, antes mesmo de sair de casa, qualquer cidadão estará sempre sob o risco de ter de procurar um advogado. Porque o poder econômico e o poder político descobriram que a grande arapuca a serviço deles é o Judiciário.

O Brasil é um país sob controle dos togados e dos que vivem desse poder ao redor da toga. É a economia endinheirada da confusão e do imbróglio.

A nossa vida cotidiana, os pequenos e os grandes gestos da democracia, a política e até os nossos sonhos são comandados pelo que se decide no que deveria ser a Justiça.

Ser advogado hoje no Brasil é mais importante do que ser banqueiro, porque os banqueiros se livram de tudo (inclusive de dívidas bilionárias com o governo) porque têm as leis sempre ao lado deles e os melhores advogados.

Nós quase sempre temos apenas os mais esforçados.

 

OS TUCANOS E A VEJA SE ESFACELAM

Dois anos depois do golpe, o PSDB é um partido destruído e sob ameaça de ficar de fora do segundo turno.
Seus grandes líderes foram esquecidos pelos próprios parceiros. Ninguém mais fala de Aécio e José Serra. Alckmin agarra-se à ex-Arena e ao ex-PFL para sobreviver.
E a editora Abril fecha revistas. Os últimos Civita que fingiam gerir o espólio entregaram ontem o comando do grupo à consultoria financeira Alvarez & Marsal, especializada em empresas quebradas.
A Abril e a Veja encolhem e demitem jornalistas porque foram consumidas pelos efeitos do próprio ódio. No ano passado, segundo informa hoje o jornal O Estadão, o prejuízo foi de R$ 331 milhões.
O reacionarismo e o golpismo empurraram a Abril para o penhasco, com uma dívida impagável de R$ 1,3 bilhão.
E os tucanos e a Veja diziam que o PT é que iria acabar.

O MBL E O BOITATÁ

O MBL está assustado e apressado. Pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que Lula seja considerado inelegível, mas oficialmente Lula nem candidato é ainda.
Aliás, muita gente diz que o MBL tem grande influência na prefeitura de Porto Alegre. Eu perguntei esses dias a amigos o que é afinal o MBL no Rio Grande do Sul.
Eu acho que o MBL gaúcho é uma invenção para tentar justificar a administração errática do gestor tucano. A culpa por não conseguir nem tapar buracos de rua seria do MBL e não dele.
Outros dizem que o MBL é um guarda-chuva com gente de direita de todos os naipes, ou um espírito agregador de ultra-reacionários e não necessariamente um grupo homogêneo de pessoas.
Mas eu acho que o MBL daqui é uma lenda, como a lenda do boitatá. Com a diferença de que o boitatá existe.

COM CHEIRO DE FÁBRICA E DE TERRA

Estive ontem e hoje com duas figuras que admiro muito por seus vínculos de origem com o chão de fábrica, com a terra, o trabalhador e o povo. Claudir Nespolo, presidente licenciado da CUT/RS e pré-candidato a deputado federal, e Dionilso Marcon, deputado federal e pré-candidato à reeleição.

Ambos têm o que os líderes autênticos conquistam com muita dedicação e integridade: base social. O lastro político deles é o povo que ajudou a manter o PT vivo e forte, enquanto os partidos da direita caem aos pedaços.

Na primeira foto, Claudir está lá atrás, bem ao centro da turma que conversou conosco no Café Nossa Cara, ontem no Bom Fim. Claudir não está na última fila só porque é um cara grandão. Está lá porque já percebi que esse é o jeito dele.

Admiro demais o Claudir. Esta foto mostra muito bem quem é esse líder metalúrgico.

E o outro líder é o Dionilso Marcon, com trajetória de luta política na agricultura familiar e ao lado dos sem-terra. É um agricultor assentado que se elegeu deputado.

Notem que falta a última falange do dedo indicador da mão esquerda do Marcon. Ele me contou hoje que perdeu a ponta do dedo há muitos anos num moedor de milho. Por isso se diverte dizendo que o seu “L” de Lula feito com os dedos é minúsculo.

Tenho me encontrado com Claudir e Marcon porque me identifico em muitas coisas com os dois. Fui um dos tantos interioranos empurrados para a Capital em busca de trabalho. Mas sou até hoje um fronteiriço extraviado.

A simplicidade desses dois líderes tem força porque é autêntica, é da natureza deles, não é fabricada. Estou bem ao lado do Claudir e do Marcon.

A imagem pode conter: 18 pessoas, incluindo Marco Nedeff, Luciana Fagundes, Antonio Oliveira, Sueli Mousquer, Margarete Moraes, Moisés Mendes, Jorge Correa, Márcia Fernanda Peçanha Martins e JCelso Paim De Souza, pessoas sorrindo, pessoas em pé
A imagem pode conter: 4 pessoas, incluindo Moisés Mendes, óculos e atividades ao ar livre

SOU PRÉ-CANDIDATO A DEPUTADO 

É cômodo ser militante da democracia, dentro de um partido, com suas virtudes, seus defeitos e seus conflitos, em tempos de calmaria. Eu decidi cumprir agora – em tempos de afronta às liberdades e de disseminação do fascismo sob as mais variadas formas – o projeto de participar da militância partidária.

É este ambiente que me mobiliza a ser pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul, no ano em que o maior líder popular do país foi encarcerado.

Se Lula resiste como candidato à presidência, mesmo sendo prisioneiro político, por que eu em liberdade não me submeteria ao desafio de ajudar a defender sua história e o muito que ele ainda tem a fazer pelo país?

Sou um interiorano que virou jornalista aos 17 anos. Um fronteiriço que nasceu em Rosário do Sul, passou infância e adolescência no Alegrete e virou adulto em Livramento.

A Fronteira é minha referência de vida. Mas também vivi em outras cidades. Estabeleci fortes laços com gente de São Borja, Bento Gonçalves e Ijuí. Meus dois filhos são de Ijuí.

Trabalhei em 10 veículos da imprensa do Estado. Iniciei na Gazeta de Alegrete e passei por A Plateia, de Livramento; Folha de São Borja, O Semanário, de Bento Gonçalves; Correio Serrano, Rádio Progresso e Cotrijornal, de Ijuí; Companhia Jornalística Caldas Júnior; O Interior, da Fecotrigo; e Zero Hora. Nos últimos dois anos, tenho sido colaborador, como colunista, do jornal Extra Classe e mantenho o blogdomoisesmendes.

Pretendo levar para a política de representação a coerência do que fiz no jornalismo. A atuação no parlamento estadual pode ser pautada não só por temas regionais, mas também pelas grandes questões do país, em todas as áreas.

Quero orientar meus compromissos com a democracia em seu sentido mais amplo, e não só como retórica. É missão essencial da política combater todas as manifestações de racismo, de xenofobia e de homofobia.

Não há democracia sem servidor público fortalecido e sem a preservação dos serviços e do patrimônio públicos e das expressões da cultura com apoio do Estado.

A defesa das liberdades e das diferenças deve ser real, efetiva. Não há democracia sem uma estrutura de comunicação que se apresente como contraponto à superestrutura da mídia hegemônica. Quero participar de um projeto que complete e amplie a ideia de resgate da TVE, da FM Cultura e de todo o sistema de comunicação destruído pelo atual governo. E que se agregue ao que já é feito nas iniciativas de comunicação comunitária.

Quero estar ao lado dos sindicatos, dos pequenos agricultores, dos ambientalistas e dos militantes cotidianos da democracia.

Me entusiasma a possibilidade sempre presente de ser confrontado com minhas ideias e minhas ações. Me desafia o compromisso com a reparação de eventuais contradições e conflitos entre o que eu digo e o que eu tenho feito como jornalista. Mas asseguro que nenhum projeto artificial de marketing político vai mudar o que sou.

Nunca pretendi ser neutro no jornalismo. Fiz militância como jornalista pela defesa de bens essenciais de todos nós. Por isso meu slogan é Jornalista de Palavra. Mesmo na política, não deixarei de ser jornalista de opinião e não deixarei de escrever.

Me sinto honrado de estar ao lado de Miguel Rossetto, pré-candidato ao governo do Estado, de Paulo Paim, pré-candidato à reeleição ao Senado, e dos nomes que serão apresentados aos parlamentos estadual e federal. Me sinto forte por estar ao lado de jovens e mulheres fortes.

Estou no partido que construiu governos populares e por isso mesmo enfrenta a avassaladora reação ultraconservadora. Estou no partido dedicado integralmente ao resgate da democracia plena depois do golpe de agosto de 2016. Reafirmo que meu candidato à presidência é Lula.

Quero ter a inspiração dos que resistem às ameaças da barbárie, para que o Rio Grande não seja nunca a república do relho. O Rio Grande deve ser a República das liberdades, do diálogo, do respeito e das diferenças. Foi o que sempre me mobilizou no jornalismo e vai me orientar na atuação política.

Quero estar ao lado dos que resistem. Os valentes são todos vocês, os militantes da democracia. Tenho a certeza de que estou do lado certo.
#LulaLivre

A nova polícia política

Além dos políticos de esquerda, também as pessoas comuns, sem cargos e sem poder, têm hoje tanto medo das decisões de certos juízes, de todas as instâncias, quanto os perseguidos pelos militares e seus familiares tinham da polícia política nos anos 70.

É disso que trato no meu novo texto no jornal Extra Classe online:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2018/01/o-judiciario-e-a-policia-politica-dos-tempos-da-ditadura/