E SE ACONTECER O GOLPE?

O Congresso decidiu dar recados a Bolsonaro. Pode estar sendo fechado o cerco. Bolsonaro não ganha uma. É fraco, é ignorado, é humilhado até por parceiros da extrema direita.
Tem gente lembrando que, lá em setembro, Hamilton Mourão falou do autogolpe, que ficou no ar como uma ameaça. E se acontecesse de Mourão assumir o comando para que o governo tivesse o mínimo de respeito?
Com quem ficariam as esquerdas? Com a defesa da democracia (mesmo que ao lado de um Bolsonaro desmoralizado e golpeado) ou com os generais? Com o apelo por uma nova eleição já?
Não pensem que a hipótese é absurda. Absurdo é Olavo de Carvalho, em nome dos Bolsonaros, atacar um general por dia e tudo continuar nessa estranha normalidade.

A tentação chamada Mourão

Meu texto quinzenal no jornal Extra Classe. E se Mourão assumir o controle do governo, enquanto Bolsonaro se diverte com o Twitter?

(No link embaixo da foto)

MOURÃO É ALVO DOS BOLSONAROS

Espalha-se pelo Brasil a desconfiança que já circulava em Brasília entre jornalistas e políticos: os Bolsonaros estão jogando pesado e abertamente contra o vice Hamilton Mourão.
Quarta-feira, a Folha publicou uma entrevista com o guru americano Steve Bannon, ex-assessor de Trump e orientador do jogo sujo da campanha de Bolsonaro na eleição do ano passado.
Bannon enche a bola de Eduardo Bolsonaro, apresentando-o como futuro líder da direita na América Latina e atira em Mourão: “Ele não é muito útil. Ele é desagradável, pisa fora da sua linha”.
Eduardo é quem o pai escalou para conversar com o marqueteiro e receber orientações sobre o que fazer no marketing do governo (porque na campanha era barbada).
Também na quarta-feira o jornalista Maurício Lima, que assina a coluna Radar na Veja, informou que Eduardo estaria por trás dos ataques de outro guru, o astrólogo e filósofo Olavo de Carvalho, ao general Mourão.
Olavo seria incentivado pelo filho a mandar recados. O guru é a voz mais forte na defesa da tese de que Bolsonaro está sob ameaça.
“Estará o Mourão planejando livrar-se do Bolsonaro e usar a eleição dele como mera camuflagem para dar ares de legalidade eleitoral a um golpe militar?”, indagou o astrólogo.
Todo mundo sabe em Brasília que Bolsonaro não tem afinidades com Mourão. E que os filhos não gostaram de ver o general brilhando enquanto o pai está hospitalizado. Eles queriam o vice quieto.
Mourão já mostrou que quieto não fica. E toda vez que fala tem alguma coisa a dizer que contrarie Bolsonaro (apesar de agora, com a doença do presidente, andar mais retraído).
O embate entre a família e os que ela acha que são seus inimigos parece ser a melhor parte desse início de governo que ninguém sabe direito quem governa.

Meritocracia?

Essa do filho do Mourão que virou marajá do Banco do Brasil vai mexer com mais gente do que os próprios companheiros de governo.
Sabemos, por reflexões de gente que conhece a área militar, dos constrangimentos na Marinha e na Aeronáutica com a desenvoltura dos aliados do Exército (mesmo na reserva) no governo de Bolsonaro.
Tudo o que os constrangidos não querem, e a maioria dos brasileiros também não, é a conexão das Forças Armadas com um governo sem rumo e sem lastro ético. A coisa está ficando perigosa.

A DOLÊNCIA DE BOLSONARO

O vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, disse que o brasileiro é malandro porque herdou a indolência do índio.
Como Bolsonaro foi salvar o parceiro e fez confusão sobre o significado de indolência (achou que era a capacidade de perdoar), meu amigo Carlos André Moreira esclareceu aqui no Facebook. Li agora há pouco:
Indolência
Substantivo feminino. 
1. Insensibilidade, apatia.
2. Negligência; desleixo.
3. Ociosidade, inércia, preguiça:
Aí fiquei curioso e fui ver o que é então dolência. E descobri isso aqui:
Dolência
Substantivo feminino; característica, particularidade ou estado de dolente; que se encontra em sofrimento; dor, aflição, mágoa ou lástima.
Concluí que dolência é o estado em que se encontram Bolsonaro, seus seguidores e seus eleitores.
Eu prefiro uma boa indolência.

Mourões

Quem aguentou um general Mourão no golpe de 64, precisa mesmo aguentar outro general Mourão agora? No Brasil, a História se repete como farsa até nos sobrenomes. E esse também tem tanques?
Nem a Venezuela aguentaria dois golpes com dois Mourões. Teremos mais Figueiredos? E os jornalistas de direita rindo dos generais do Maduro e do gordinho da Coreia.
O surpreendente é que não há nenhum jornalista golpista que se chame Lacerda, ou há e eu não sei, porque eles são tantos. Hoje, temos mais jornalistas do que militares golpistas.