LAVA-JATO CONFESSA QUE MORO MENTIU

A Lava-Jato finalmente admitiu que vazava de forma seletiva as gravações com os grampos que fez de Lula. O argumento é a admissão de um delito.
A turma de Deltan Dallagnol informa, em nota enviada hoje à Folha, que “o grau de sigilo das escutas telefônicas realizadas durante as investigações do caso (referindo-se às operações de Curitiba de caçada a Lula) variou de acordo com a gravidade dos crimes revelados pelos diálogos interceptados pela Polícia Federal”.
Claro que para eles o que importava era grampear e divulgar os grampos que envolviam Lula. Os outros grampos não eram enviados para a Globo e os amigos dos jornais.
“Quanto maior a gravidade dos fatos, menor o grau de sigilo”, afirmou a força-tarefa a respeito de reportagem de hoje da Folha sobre o fato de que a Lava-Jato só vazava os grampos de Lula.
“A decisão no caso envolvendo o ex-presidente Lula seguiu esse mesmo princípio, sendo devidamente fundamentada”, afirma a nota.
A força-tarefa de Dallagnol acaba desmentindo o próprio Sergio Moro, chefe de fato de Dallagnol.
A Folha relembra que, ao tornar públicas dezenas de conversas telefônicas de Lula, Moro disse que em 2016 seguira o padrão estabelecido em outros casos da Lava-Jato, ou seja, argumenta que divulgava grampos aleatoriamente.
Levantamento do próprio MP, obtido pelo Intercept e divulgado hoje pela Folha, mostra que apenas as escutas de Lula eram divulgadas.
E agora a nota do Ministério Público informa oficialmente, ao admitir o vazamento seletivo, que Moro mentiu. O padrão era outro, era o de grampear muitos, mas divulgar apenas os grampos de Lula. Moro e Dallagnol eram seletivos para tentar incriminar Lula.

SEM FESTAS PARA O GOLPE

Vamos reconhecer e aplaudir a decisão do Ministério Público Federal de advertir os militares para que não comemorem o golpe de 64 no dia 31 de março. Assim devem funcionar as instituições.
É a mais importante deliberação do MP em defesa da democracia nos últimos anos. Porque é forte, é substantiva e é simbólica.
Em pelo menos 18 Estados (e os outros estão quietos?) foram ou serão emitidas recomendações para que os quartéis se abstenham de qualquer tipode festividade.
Os comandantes terão de explicar, em 48 horas, que medidas foram adotadas para evitar festejos dentro dos quarteis. A ação do MPF é coordenada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
Ontem, a Defensoria Pública da União já havia ingressado com ação civil pública na Justiça Federal, para que as Forças Armadas sejam impedidas de realizar comemorações.
O 31 de março será um grande teste para a democracia. Se houver festa para comemorar o golpe em algum lugar e não acontecer nada, os alertas das instituições terão fracassado.
Interessa saber também se Bolsonaro e seus garotos farão alguma comemoração.

As ocupações, o MP e o Judiciário

Mais um grande relato do Marco Weissheimer no Sul21. É bom que se propaguem (além das posições de estudantes e professores nas ocupações) as informações sobre o que pensam alguns integrantes do Ministério Público e do Judiciário nesses tempos sombrios de exaltação de justiceiros.

www.sul21.com.br/jornal/estudantes-denunciam-ao-mp-federal-acoes-de-integrantes-do-mbl-contra-ocupacoes/