O MASSACRE LEGALIZADO

A ordem é atirar, porque depois a Justiça dá um jeito. Por isso mataram um músico no Rio. Soldados do Exército dispararam 80 tiros no carro em que ele estava com a família.
Está na proposta do ministro Sergio Moro de atenuar os crimes das polícias. Está no discurso do bolsonarismo. O medo, a surpresa e a violenta emoção são as desculpas do fascismo. Atirem.
Se for negro, atirem 80 vezes com fuzis. Evaldo dos Santos Rosa era negro. Matam negros todos os dias. Negros e pobres. De cada 10 mortos por polícias no Brasil, seis são negros.
E os liberais brasileiros defensores da democracia, da lei e da ordem? Os liberais são os covardes desses tempos tenebrosos. Encolheram-se, esconderam-se, acadelaram-se.
Os liberais dos fóruns das liberdades agora fazem eventos para desfrutar do iluminismo de Olavo de Carvalho.
Revelam a verdadeira vocação para o fundamentalismo da extrema direita. Os liberais se lambuzam sem culpas no bolsonarismo.

ELES NÃO QUEREM NEGROS

Por que muitos locais de atendimento ao público em Porto Alegre (balcões, caixas, guichês, portarias etc) não têm negros?
Falo de lugares de empresas privadas. A sensação é de em alguns locais nunca há negros. Há lojas e restaurantes em que não se percebe a presença de negros.
Em outros lugares, ao contrário, nota-se na chegada a presença numericamente relevante de funcionários negros. Como percebi esses dias em um sushi do Bourbon Shopping Country. De cinco funcionários que vi, quatro eram negros.
Pensei nisso agora lendo uma notícia do jornal Extra Classe sobre outra forma tristemente (e criminosamente) consagrada de discriminação.
A Comercial Zaffari, de Passo Fundo, teve de ser obrigada pela Justiça, por interferência do Ministério Público, a preencher 5% das vagas com pessoas com deficiências.
É lei, mas a empresa não queria saber de pessoas com deficiências. E a Comercial Zaffari (que não é a mesma rede de supermercados de Porto Alegre) emprega 1.600 pessoas. Só vai contratar à força, para não ter que pagar multas…
Mas a minha pergunta lá do começo se mantém: por que algumas empresas gaúchas se negam a ter negros no atendimento ao público em pleno século 21?
Os racistas não precisam responder. Fiquem quietos.
(O link para a reportagem do Extra Classe está na área de comentários.)