MORO NÃO PODE SER MELINDRADO

Folha e Globo decidiram esconder a notícia sobre a recomendação de Sergio Moro a Dallagnol para que a procuradora Laura Tessler, que ele considerava fraquinha, fosse treinada ou não participasse do interrogatório de Lula.
A escala dos procuradores foi alterada e ela não participou do depoimento de Lula em maio de 2017, como revelam novos diálogos divulgados ontem pelo Intercept.
Nenhum dos dois deu chamada de capa para o assunto, nem nos cantinhos. Sergio Moro parece ter ressuscitado. Os editoriais de Folha e Globo são cheios de melindres para falar de Moro.
A Folha não diz nada com nada, informando apenas que o futuro de Moro depende das próximas denúncias, e o Globo afirma que o caso assumiu caráter político e que a oposição “começa a ficar repetitiva”.
O Estadão, que chegou a bater no juiz dias atrás, nem trata do escândalo Moro-Dallagnol nos editoriais.
Parece que, por enquanto, o Intercept depende mesmo só de Reinaldo Azevedo na grande imprensa.

Folha investiga furo do Globo

Muitos jornais já fizeram, mesmo que por linhas tortas, às vezes com um certo constrangimento, um editorial pedindo a renúncia do homem do Jaburu.

Até a OAB, que mantém uma postura apenas corporativa e reacionária nos últimos tempos, quer a saída do sujeito que diz que não renuncia.

Mas a Folha de S. Paulo não abre mão do esforço para desmontar todo o trabalho do Globo que empurrou, com as primeiras gravações divulgadas, o jaburu-rei para o penhasco.

O esforço da Folha para desmoralizar o furo do Globo (enquanto morde e assopra) é tanto que o jornal contratou um perito, que descobriu cortes nas edições das conversa de Temer com o delator da JBS.

Não seria nada de relevante para o contexto da conversa, mas a Folha já mancheteou: Áudio entregue à Procuradoria-Geral tem cortes.

Fica o impacto da manchete, mesmo que a informação não mude nada, porque uma das partes que mais importam (da conversa de Temer-Joesley sobre Cunha) não tem edições. E depois sugiram as novas revelações da delação de Joesley, que complementam a conversa com o jaburu-rei.

A Folha nunca fez reportagem investigativa na Lava-Jato. ‘Investigou’ apenas os pedalinhos de Atibaia. Agora, investiga as gravações, para tentar desmontar o que não pode ser desmontado.