Que sítio

Apareceu o sujeito que fazia a gestão da reforma milionária do tal sítio de Lula em Atibaia. Ele disse em delação que cuidava de R$ 500 mil da Odebrecht guardados em casa num cofre, para as mais variadas obras.
Se a Odebrecht tivesse me dado essa atribuição, eu não faria reforma nenhuma em sítio de Atibaia. Com esse dinheiro, eu compraria para Lula uma casa nos Alpes suíços.
Essa história da fantástica reforma superfaturada do tal sítio de Lula é o caso exemplar do moralismo mais rasteiro da Lava-Jato, num país em que um ex-presidente tucano pediu e ganhou de presente de empreiteiros uma majestosa sede para seu instituto de altos pensamentos inúteis.
(E não venham com a conversa, igualmente rasteira e simplória, de que, se o FH fez, o Lula não deveria ter feito.)

Noite para ver Mainardi

Amanhã à noite ninguém me tira da frente da TV. Não posso perder o Manhattan Connection, na Globo News. Diogo Mainardi terá de explicar o tal jantar com Aécio Neves e o empresário Alexandre Accioly, no restaurante Gero, do Rio.

Accioly é apontado pela Odebrecht como o laranja que recebia as propinas pagas pela empreiteira a Aécio. O jantar foi flagrado por Henrique Valladares, ex-vice-presidente da empreiteira e um dos delatores juramentados da Lava-Jato.

Não vejo o Manhattan. Não porque seja um programa de direita (Reinaldo Azevedo é de direita, mas eu leio o que escreve, porque é um reacionário divertido). Não vejo porque é mais chato do que vídeo com pílulas de filosofia de auto-ajuda do Leandro Karnal. E Mainardi me parece uma figura sinistra.

Mas amanhã não posso perder o Manhattan. Mainardi terá de dizer o que todo mundo diz: que provem que ele jantou com Aécio e o laranja recebedor de propina.

Por que Aécio poupa a Veja?

Aécio Neves foi à tribuna do Senado hoje para se defender da acusação de um delator de Odebrecht de que recebia propinas em uma conta em Nova York.

Atacou o delator e atacou até Dilma Rousseff, dizendo que ela explora sua dor pessoal (imagine um acusador juramentado da estirpe de Aécio se queixando de dores pessoais).

Mas não atacou a revista Veja, que o colocou na capa como propineiro. Se a denúncia é uma mentira, se Veja inventou a história, como ele já disse, por que não anuncia que vai processar a revista?

Por que Aécio não encara Veja? O que mais Veja sabe de Aécio, com quem trocava afagos públicos até o tucano cair em desgraça?

O veneno da direita pega a família de Aécio

Poucos políticos comemoram tanto a caçada a Lula e aos parentes de Lula quanto Aécio Neves. No dia 4 de março, quando Lula foi surpreendido em casa pela Polícia Federal, no famoso episódio da condução coercitiva, também Fábio Luiz da Silva, filho de Lula, foi alvo das batidas da PF.

A partir dali fechou-se o cerco à família de Lula. Aécio comemorou pelo twitter: “Os graves indícios de irregularidades e crimes cometidos à sombra do projeto de poder do PT finalmente estão vindo à luz”. E disse que o caso da família Lula não era da política, “mas de polícia”.

Não houve, por parte de Aécio e de nenhum tucano, nenhuma restrição ao cerco aos filhos de Lula e à mulher dele, Marisa Letícia, depois tornada ré pelo juiz Sergio Moro. O que houve foi uma permanente comemoração.

Depois, alguns tucanos foram chorar no velório de Marisa Letícia. Mas a maioria só está chorando agora, quando a irmã de Aécio aparece de novo como receptora das propinas do neto de Tancredo Neves.

Andréa Neves experimenta o que os parentes de Lula enfrentam (inclusive um irmão), desde o momento em que a direita decidiu, com a ajuda de parte do Ministério Público e do Judiciário, que pegar o ex-presidente não bastava. Era preciso destruí-lo com a destruição também de seus familiares.

Aécio acha que delatores, a revista Veja (sua antiga aliada) e as instituições estão desrespeitando sua família.

Aécio não está sendo comido pela Justiça, que sempre poupou os tucanos em todos os escândalos em que se envolveram. Está sendo devorado pelos próprios parceiros, com a mesma tática usada contra Lula.

Máquina de delatar

Leio mais informações sobre as delações de Alexandrino Alencar, um dos executivos do alto escalão da Odebrecht. Ele não para de delatar. É conhecido dos jornalistas gaúchos. Quando trabalhei na editoria de Economia de Zero Hora, nos anos 90, Alexandrino circulava pelo jornal, sempre atencioso, distribuindo informações do grupo na área petroquímica.

Sabe-se agora que era parte da equipe de gestão da distribuição de propinas. E cuidava até dos carregadores de malas com dinheiro.

Alexandrino sempre foi uma pessoa simpática, acessível. Agora, está aí delatando sem parar. Ele era a cara institucional da empresa, o sujeito dos sorrisos, do cafezinho e do abraço.

Muita gente deve estar comemorando o fato de não ter se tornado amigo mais próximo de Alexandrino, porque o homem virou uma máquina de delatar.

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O pacote e a mula

Terminou o Carnaval, finalmente terminou 2016, não há mais desculpa da imprensa para abordagens superficiais da história do pacote do Padilha.

A partir de hoje, as equipes de elite dos grandes jornais devem ser mobilizadas para que sejam esclarecidas as histórias do pacote da Odebrecht e da mula José Yunes.

Jornais que conseguem colocar dezenas de repórteres atrás da Ivete Sangalo podem acionar seus times para assuntos mais sérios.

É a hora de sair atrás do trio elétrico do PMDB, a não ser que o jornalismo esteja com medo de algum fio desencapado.

Traições no Jaburu

Por que José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu, decidiu abrir a boca e se queixar de que foi usado como mula por Eliseu Padilha? Porque, me disse um entendido em finanças partidárias, alguém ou alguns podem ter sido logrados nessa história.

Yunes disse ao Ministério Público que em 2014 recebeu um pacote, onde estaria o dinheiro destinado pela Odebrecht a Padilha.

O próprio Padilha teria pedido que Yunes recebesse a encomenda (R$ 1 milhão de um total de R$ 4 milhões que a empreiteira destinaria diretamente a Padilha, conforme fora acertado num jantar de Marcelo Odebrecht com o homem do Jaburu e Padilha, no Palácio do Jaburu, em maio daquele ano).

Yunes conta que não abriu o pacote destinado a Padilha, mas acha que ali estava o dinheiro. Isso ele disse ao Ministério Público. Ao Jornal Nacional, ontem, ele reduziu o pacote para envelope. E disse que não teria como alguém colocar R$ 1 milhão no envelope.

O que pode ter acontecido? Yunes pode ter enviado a Padilha apenas uma parte do que recebeu. E disse que aquela era a grana e pronto. Esse meu informante acha que Yunes logrou Padilha. Como Padilha deve ter reclamado muito, Yunes abriu a boca e o delatou.

Tem mais. O delator Cláudio Melo Filho, executivo da Odebrecht, participante do jantar no Jaburu em maio de 2014, diz que Padilha deveria destinar R$ 1 milhão (dos R$ 4 milhões) a Eduardo Cunha. Mas Cunha reclamou aos berros à Odebrecht que nunca viu o dinheiro. Esta informação consta da delação de Melo.

Meu informante interroga-se sobre um dos mistérios: o pacote (ou envelope) seria para Eduardo Cunha? Mas por que o emissário, que leva a encomenda a Yunes, a pedido de Padilha, é Lúcio Funaro, homem de confiança de Cunha?

E por que o pacote teve de chegar antes a Yunes para depois chegar a Padilha? Por que Padilha não queria deixar rastros como recebedor da encomenda?

O que se sabe ao certo é que o homem do Jaburu, como vice-presidente da República, mordeu Marcelo Odebrecht em R$ 10 milhões para o PMDB, naquele jantar, e orientou que Padilha recebesse diretamente R$ 4 milhões.

Mas, mesmo que o envelope de Yunes tivesse R$ 1 milhão, ainda faltam R$ 3 milhões.

A minha fonte entendida em finanças de partidos me assegura: Yunes abriu a boca, correndo o risco de envolver o grande amigo do Jaburu nesta suruba, porque o rolo havia se tornado insuportável. A história do pacote e da mula é, com certeza, uma história de traições.

O PERU E OS TUCANOS

Está sendo caçado o primeiro grande líder político de direita por envolvimento com as propinas da Odebrecht… mas no Peru.
Lá, parece que a direita corrupta não é poupada pela Justiça. Procuradores andam atrás do ex-presidente Alejandro Toledo, acusado de ter recebido US$ 20 milhões da empreiteira.
Os investigadores peruanos poderiam mostrar à Lava-Jato como evitar que uma caçada pegue apenas gente de esquerda. Toledo está na França e pode ser preso quando retornar.
Aqui, políticos da direita, em especial os tucanos já denunciados, continuam impunes, por falta de provas e de convicções.

As propinas na obra de bilhões de Aécio Neves

Vai e volta e a imprensa redescobre as histórias escabrosas de Aécio Neves. Hoje, a manchete da Folha é sobre as propinas que ele negociou com a Odebrecht, quando era governador de Minas, para construção da Cidade Administrativa, a nova sede do governo.

A obra custou apenas R$ 2,1 bilhões em 2010. É preço de hidrelétrica. A reportagem conta em detalhes, a partir da delação de um vice-presidente da empreiteira, como o próprio Aécio participou das reuniões para negociação da propina.

E daí? E daí que este deve ser o décimo delator de Aécio. E vai acontecer o quê? Vai acontecer o aconteceu com a lista de Furnas, há quase um ano sob investigação no Ministério Público Federal, e com o mensalão mineiro, em que o tucano também é investigado.

Nada, nada, nenhuma delação, nenhuma suspeita, nenhum indício e nenhuma prova abalam Aécio Neves. Falta, quem sabe, convicção por parte da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça.

Novos ricos

Prospera na internet a versão de que Eike Batista e até Marcelo Odebrecht teriam ficado muito mais ricos na era do lulopetismo. É mais uma tese infantil de um grupo de jornalistas ligados ao Jaburu e ao pato da Fiesp.
Por este raciocínio, José Serra também ficou milionário no mesmo período, com os R$ 23 milhões que recebeu da Odebrecht na Suíça, em 2010, quando se prenunciava o terceiro governo petista.
Outros tucanos ganharam muito dinheiro na era lulopetista. Só o Aécio teria ficado mais pobre nesse período.