Ameixas e democracia

Hoje, 16 anos depois do ataque de um detrator, a Justiça finalmente mandou publicar a reparação à honra de mestre Olívio Dutra, que eu já compartilhei aqui no meu blog.
Para comemorar, publico essa foto feita pelo amigo Emílio Pedroso num dia de setembro em que comemos ameixa colhida do pé, no pátio da casa de dona Judite e Olívio em São Luiz Gonzaga.
Ainda vamos colher muitas ameixas para adoçar a vida, a resistência e a democracia, mestre Olívio.

Calmarias e marés

Olívio Dutra e dona Judite em uma área de convivência (com fogão, churrasqueira, mesa grande e sala de TV), anexa à casa deles em São Luiz Gonzaga. Fiz esta foto há um mês, quando andei por lá.
É a imagem da simplicidade e do aconchego nesses tempos de poucas calmarias.
Mas Olívio sabe muito bem, como dizia Neruda, que sempre aprendemos mais com a grande maré das vidas.

Na casa de Judite e Olívio

Galinha com arroz na casa de dona Judite e de Olívio Dutra em São Luiz Gonzaga, saída da panela mágica da amiga Nilza da Silva Kretschmer.

Foi na noite de quarta-feira. Falamos de Lula, de Haddad, de Manuela, de Rossetto, de vivências na política, de literatura e de liberdade.

Uma noite com amigos da resistência, com muito humor. Para não esquecer.

Gigantes

Nos encontramos ontem no lançamento do jornal Brasil de Fato. O meu amigo Emílio Pedroso flagrou o momento em que eu fazia o que deveria ser feito: ouvi-los.
Até falei um pouco, mas o que mais fiz foi mesmo ouvi-los. É o que me basta. Ficaria ali ouvindo Olívio Dutra e Raul Pont até mandarem fechar o Memorial Luiz Carlos Prestes.
Eu sei, todos sabemos que Porto Alegre tem muita saudade deles.

Amigos

Participei de uma reunião ontem e saí com um grupo, no meio da tarde, em direção à Assembleia para ver o documentário O Galo Missioneiro, dirigido pelo Thiago Köche.
Chegamos perto da Praça da Matriz e a fila ia até o Alto da Bronze. Me enfiei, fui indo, furei a fila, cheguei na entrada e disse para o pessoal da portaria do Teatro Dante Barone, como carteiraço:
– Sou amigão do Olívio.
Uma moça me respondeu na hora:
– O senhor e essa fila que vai até a Usina do Gasômetro.
Dei meia volta com meus três amigos. Tivemos que concordar. Fomos embora, mas teremos um dia a chance de ver o documentário em algum cinema.
O excesso de amigos às vezes se transforma em problema.

O EXEMPLO DE OLÍVIO

Muita gente acha que eu decidi disputar uma eleição a deputado estadual no pior momento da política. Para mim, esse é o melhor momento, porque eu não seria submetido a teste algum em tempos de calmaria.
Me apresento como pré-candidato do PT a deputado no ano em que Lula foi encarcerado. E tenho certeza de que, por Lula e pelo que ele representa como preso político, a eleição trará de volta muita gente que, por motivos variados, havia se distanciado da crença de que não há democracia sem partidos.
Hoje mesmo participei de uma roda de conversa com o presidente licenciado da CUT/RS e pré-candidato a deputado federal Claudir Nespolo, coordenada pela ex-secretária de Cultura Margarete Moraes.
O vereador Adeli Sell estava lá. Adeli é um dos entusiasmados com a perspectiva de resgate de parte da classe média que, na hora de votar, vai dizer: eu quero meu espaço de volta na política.
Mas nada foi mais motivador, ali naquele encontro, do que o vigor de um líder da grandeza de Olívio Dutra. Olívio pediu licença (como se preciso fosse) para fazer três intervenções no debate.
Falando de Porto Alegre, pediu que se questione sempre os rumos erráticos da gestão da cidade. Que se encaminhe o debate da regulação da mídia (para que a comunicação seja democratizada) e que os candidatos se dediquem com afinco à discussão e formulação de conteúdos caros ao PT, como as leis trabalhistas.
Mas o que o ex-governador passou mesmo a todos foi o sentimento de dedicação ao partido e à democracia. Com Olívio por perto, não há como esmorecer. Hoje me convenci mais um pouco, diante da energia de Olívio, de que vou para uma batalha na hora certa.

VIVA OLÍVIO

Em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, eu decidi que iria contar, pelo ponto de vista de Olívio Dutra, a história da famosa reunião de 10 de fevereiro de 1980 de criação do PT no Colégio Sion, em São Paulo.
Conversei por quase duas horas com Olívio, que era governador. A partir daquela entrevista, saí à procura. por telefone, dos outros 11 trabalhadores que lá estavam em 1980, como líderes sindicais, e assinaram a ata de criação do partido. Localizei muitos deles e contei a história em Zero Hora.
Hoje, Olívio faz 77 anos. É a grande referência entre os históricos do PT em todo o Brasil. Tenho o orgulho de cumprir mais uma etapa de reinvenção da minha vida, como pré-candidato a deputado estadual pelo PT, ao lado de Olívio Dutra.
Me lembro muito bem daquela conversa de 2002, mas me lembro mais ainda do que ele me passou do espírito do PT. É esse espírito que Olívio mantém vivo.
Não há saída fora da política. Não há democracia sem a vitalidade de líderes da estatura de Olívio. E aprendo todos os dias com Olívio que não há democracia com Lula preso.
Publico esta foto de Olívio ao lado do seu grande amigo Paulo Pacheco, um dos combatentes pela democracia que mais admiro. Assim homenageio os dois. Pachecão, por acaso, é meu sogro e líder do PT em Belém Novo.
Parabéns, Olívio, pela capacidade de continuar inspirando a resistência.
#LulaLivre

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As eleições ameçadas

Acreditem mesmo que Gilmar Mendes e o jaburu-da-mala jantaram à luz de velas mais uma vez para discutir a reforma política. Os dois juntos são acusados de desmandos que, além dos recordes de rejeição do país, somam mais de 20 pedidos de impeachment.

O homem que chegou ao poder sem votos e conta com 5% de aprovação e o outro desaprovado por quase todo o país (com exceção dos golpistas) se reuniram domingo para tratar do futuro dos partidos, das eleições, da representação, dos governos e da democracia.

Dois sujeitos que uma democracia deveria abominar (se fossem da Venezuela…) anunciam-se como protagonistas das mudanças, à margem de tudo, principalmente do povo, porque eles perceberam que o povo não quer saber de mais nada que não seja o FGTS.

Mas o grande teste destas duas figuras sombrias e sem medos, porque estão com o controle das ‘instituições’, será o adiamento das eleições do ano que vem. Duvidam? Na semana passada, entrevistei Olívio Dutra na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), no lançamento de mais uma edição da revista Sextante.

Vejam o que disse Olívio a estudantes e professores:

“Precisamos garantir que teremos eleição geral em 2018. Eu não descarto, nesse clima, que venha mais um golpe. A democracia, na visão das elites brasileiras, tem que ter limites, e o sonho deles é uma democracia sem povo”.

E segue Olívio Dutra:

“O aparelho do Estado, nas três dimensões, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, sempre esteve nas mãos da casa grande. O Estado sempre foi dominado pelos senhores, pelos reis. Agora, é dominado pelos grandes empresários, pelo setor industrial, pelos banqueiros, fazendeiros. Esses grupos podem estar de novo chocando um parlamentarismo ou algo sob domínio das elites e dos figurões locais. As eleições gerais, com o voto direto e secreto, estão ameaçadas. A democracia foi bloqueada. É preciso ter um movimento permanente para que tenhamos eleições gerais em 2018”.

Gilmar Mendes e o jaburu-da-mala não se reuniram para saber o que o povo pensa disso tudo. O alerta está dado: as eleições estão sob ameaça. Os golpistas se convenceram de que podem fazer o que bem entendem, sem qualquer reação popular. A democracia está nas mãos deles.

 

Mãos

Como alguém observou que Olívio também usa muito as mãos para se expressar, eis as fotos.

Não sei se é possível comparar as mãos consagradas como a marca de um democrata com as mãos de mesóclises de um golpista. Um apresenta as mãos para saudar e acolher, o outro parece obedecer a uma ordem de ‘mãos ao alto’.

Conheço muita gente que, no começo do golpe, admirava as mãos do jaburu. Depois, saltaram fora e abandonaram mãos e pés. Alguns são jornalistas ‘neutros’.