Onyx derruba Terra

Osmar Terra vai perder o Ministério da Cidadania para Onyx Lorenzoni, que será finalmente afastado das atuais funções, para que a Casa Civil fique um pouco mais militar.
Bolsonaro está insatisfeito com a performance de Terra, que deixou 1 milhão de mulheres e seus filhos na fila do Bolsa Família.
É provável que Terra tenha fracassado porque a intenção do governo seria deixar mais miseráveis sem a ajuda.
E Terra vai para onde? Volta a ser um dos deputados mais medíocres da Câmara.

O SERVIDOR ACEITA O APARELHAMENTO DO ESTADO?

O ex-secretário-executivo de Onyx Lorenzoni, José Vicente Santini, não viajou sozinho em avião da FAB para Davos e depois para a Índia. Santini teve a companhia de duas secretárias da Casa Civil para passar também um dia na Sicília.

Outros servidores sabiam antes da viagem que aquela ideia, com ou sem o turismo na Sicília, não daria certo e não deu.
Mesmo assim, Santini havia conseguido convencer duas subalternas (uma foi depois promovida) a integrar a aventura da sua microcomitiva. E os assessores que foram convidados e saltaram fora?

É desses servidores com dilemas e dúvidas, em especial os quadros de carreira do setor público, que o Estado sempre dependeu para que não aconteçam não só os desmandos, mas o processo que o bolsonarismo acelerou nos últimos meses: o aparelhamento do Estado sob a indiferença de quem deveria reagir.

O bolsonarismo aparelhou sem disfarces a área ambiental, a educação, a cultura, a agricultura e a política de direitos humanos e costumes. Porque a estrutura estatal se submete ao aparelhamento.

Mas será possível aparelhar a área policial, sob comando de Sergio Moro, a partir da suspeita de que o ex-juiz foi submetido às pressões de Bolsonaro, que o testou para saber se ele detinha de fato o controle absoluto da Polícia Federal?

Disseminou-se há pouco a suspeita, baseada em dados e fatos, de que Moro não se esqueceu de incluir na lista dos 26 bandidos mais procurados do país o nome do miliciano Adriano da Nóbrega, ligado aos Bolsonaros. Foi uma decisão pensada.

Se a lista tem até ajudantes de bandidos, como o poderoso Adriano pode ter ficado de fora? Integrantes da Coordenação-Geral de Combate ao Crime Organizado, do Ministério de Moro, devem saber. Eles sabem mais do que a resposta oficial de que o miliciano é apenas um bandido regional e que por isso foi descartado.

Por que os que sabem não falam? Quando irão se manifestar os servidores constrangidos por ações que liberam criminosamente os agrotóxicos, atiçam a perseguição às tribos da Amazônia e incentivam a destruição da floresta?

Quem do Ministério da Educação pode liderar uma reação à destruição, por um ministro analfabeto, das universidades públicas, do Enem, do Fies e daqui a pouco do sistema de cotas? Alguns do Ibama já se manifestaram, mas só alguns bravos.

A lei 8.027, de 12 de abril de 1990, trata da conduta dos servidores públicos. No artigo 116, está escrito que servidores devem cumprir ordens superiores, “exceto quando manifestamente ilegais”. Mais adiante, diz que o servidor deve levar “ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo”.

A viagem dos brancaleones da Casa Civil de Onyx no avião da FAB não teria sido um ato manifestamente ilegal. A liberação no atacado de venenos para a lavoura pode até se proteger em brechas legais.

A lista de Sergio Moro com os bandidos foragidos, mas sem o miliciano mais procurado do Brasil, pode ser defendida com argumentos subjetivos e só aparentemente objetivos. Mas talvez a proteção ao miliciano não caracterize ilegalidade.

O aparelhamento do Estado não teme o “manifestamente ilegal”, porque arranja desculpas que tornam suas ações protegidas por alguma normalidade.

Resistir ao aparelhamento, como os servidores resistiam na ditadura – muitos deles martirizados pela perseguição, pela cassação, pela tortura e pela morte –, é mais do que apontar ilegalidades.

Um servidor do Ministério da Justiça, um só, que sabe por que Adriano ficou de fora da lista de Moro, seria suficiente para expor e ajudar a conter ações que produzem suspeitas de aparelhamento da área comandada pelo ex-juiz.

Em qualquer atividade, e mais ainda no serviço público, os melhores códigos de conduta, que desafiam a cumplicidade da subserviência e da obediência devida, são os não-escritos. O bolsonarismo não tem o poder de revogá-los.

(Texto publicado originalmente no Brasil 247)

https://www.brasil247.com/blog/o-servidor-aceita-o-aparelhamento-do-estado

MORO E ONYX SÃO HUMILHADOS POR UM CHEFE INSACIÁVEL

Esta é a semana para Sergio Moro e Onyx Lorenzoni se encontrarem em algum corredor do poder, para que um chore no ombro do outro por tudo que já fizeram por Bolsonaro e pelo que já perderam e ainda devem perder no governo.

Os dois são os subalternos mais humilhados por Bolsonaro. Onyx, que desafiou o próprio partido, o DEM, ex-PFL, para apoiar Bolsonaro desde o início, que coordenou a campanha, que chefiou a equipe de transição e assumiu a bronca da articulação política de um governo desgovernado, que deveria comandar as parcerias com as empresas amigas, perdeu tudo e passa a ser um zumbi do mesmo nível de Sergio Moro.

E Moro é o juiz que largou a vida boa de Curitiba, com unanimidade de todos os golpistas, e foi atraído por Bolsonaro para uma armadilha. Seria ministro da Justiça, para emprestar reputação ao governo, e depois ocuparia o lugar de Celso de Mello no Supremo.

Moro pode ser ex-juiz, ex-ministro da Justiça, ex-chede da Polícia Federal e ex-candidato a uma vaga no Supremo, tudo nos próximos meses.

A diferença entre Moro e Onyx é que Onyx tem um mandato de deputado pelo ex-PFL e Moro não tem nada, só tem a perspectiva ainda vaga de vir a ser candidato em 2022.

Moro disse esses dias em conversa com os humoristas do Pânico que pode ir para a iniciativa privada. O ex-juiz repete essa história sempre que tenta dizer que tem outras saídas.

Iniciativa privada pode ser a abertura de uma banca de advogados com amigos de Curitiba como pode ser um emprego com carteira assinada, no modelo intermitente, em alguma empresa que apoiou a Lava-Jato, ou seja, em qualquer grande corporação.

Sergio Moro e Onyx estão com a cara do assustado. Eles que sabem que, se Bolsonaro soltar os filhos da coleira, os dois serão comidos.

Os filhos de Bolsonaro já comeram Gustavo Bebianno, Joice Hasselmann, delegado Valdir, Alexandre Frota e seis generais. Se forem atiçados, comem Moro e Onyx.

Moro sabe que as pesquisas sobre sua popularidade são perigosas. Uma coisa é ser popular sob a asa de Bolsonaro, apresentando-se como caçador de bandidos, e outra é ser entregue ao mundão da política, nas mãos do pessoal do podemos, do talvez possamos e do nem sempre se pode.

Os articuladores do novo partido de Bolsonaro apresentaram seu nome num evento no Rio como sendo um dos líderes da Aliança pelo Brasil. Pode ser uma tática de Bolsonaro para empurrá-lo para o ringue e queimá-lo logo.

É estranho, porque o ex-juiz parece entregar tudo o que Bolsonaro espera dele, como a não inclusão do miliciano Adriano da Nóbrega, amigo da família, na lista de bandidos mais procurados do país.

E agora a Polícia Federal decidiu que não há nada de irregular na suspeita de lavagem de dinheiro dos negócios imobiliários milionários de Flavio Bolsonaro. Uma semana depois de Bolsonaro ameaçar tirar a PF do comando de Moro.

Mas Sergio Moro vai entregando e vai sendo cobrado, porque Bolsonaro o mantém sob cobrança permanente. São infindáveis as demandas da família. O ex-juiz presta serviços a um chefe insaciável.

O secretário e as secretárias

José Vicente Santini, o secretário de Onyx Lorenzoni, gastou nas viagens com duas secretárias a Davos e à Índia, em jato da FAB, o equivalente a um terço dos R$ 2 milhões que serão gastos agora para trazer os brasileiros da China.
E mesmo assim Bolsonaro só admitiu socorrer os brasileiros porque sofreu pressão de todos os lados.
Bolsonaro achava a viagem muito cara. Se dependessem apenas de Bolsnaro, eles ficariam lá até o fim da pandemia.

As listas do bolsonarismo

Agora é o Guarabira, da dupla Sá e Guarabira, revoltado com o uso da música Dona numa versão pavorosa em homenagem à Regina Duarte.
Vai aparecer até o autor do Parabéns a você pedindo que não cantem a música para Regina.
Enquanto isso, circulam listas de apoio à Regina Duarte, Sergio Moro e Onyx Lorenzoni.
São listas em profusão.
E ainda tem lista de apoio ao novo partido de Bolsonaro nas portas de igrejas e cartórios.
Quem assina uma lista atrai outra lista. O bolsonarismo virou uma corrente sem fim de listas.
A lista de Regina Duarte é a única em que, ao invés de pedirem para entrar, as pessoas pedem para sair.
Sergio Moro tem uma lista de bandidos procurados, mas nessa lista miliciano não entra.
Onyx Lorenzoni tem lista dois. É uma confusão.

O HOMEM DA TAURUS

Onyx Lorenzoni quer ser governador. É a manchete da Folha. Nem o núcleo duro de Bolsonaro quer saber de Onyx.
Mas ele acha que os gaúchos podem elegê-lo. Toda a agenda do mais novo fritado da extrema direita é dirigida, na Casa Civil, a amigos do Rio Grande do Sul.
Onyx vem aí, gente. E pode então acontecer o que se passou com Sartonaro?
Para evitar a reeleição do gringo, votaram no gestor tucano fofo e rococó.
Pode ou não pode? Tudo pode. E Onyx tem a Taurus.

SANTINI, OS ARGENTINOS E AS CAIXAS PRETAS

O ex-secretário de Onyx Lorenzoni que resistiu a deixar o governo deve saber de coisas que os Bolsonaros sabem que ele sabe. Os filhos tentaram proteger José Vicente Santini porque não seria bom mexer no arquivo de informações do amigo pelos serviços prestados à família.

Na Argentina, subalternos da direita também não se desapegam do poder. Ajudantes do macrismo, absorvidos pela estrutura estatal em cargos de confiança, se negam a deixar as funções que ocuparam a mando da direita.

O jornal Página 12 deu em manchete: “Gerentes e diretores macristas de empresas estatais não querem ir embora”.
É gente do segundo escalão e de funções intermediárias, que agora reclama estabilidade por conta de decretos assinados pelo governo de Macri.

Alberto Fernández venceu as eleições, mas não consegue se livrar da estrutura orgânica do macrismo que se apropriou do Estado.

Muitos continuam com os casacos nas cadeiras na Aerolíneas Argentinas, Pami (uma espécie de SUS-INSS argentino para aposentados e pensionistas), Anses (o órgão de previdência) e a empresa Trens Argentinos Infraestrutura Adifse, entre outros órgãos.

A maioria reclama que, se for mandada embora, terá de ser indenizada. Alguns exigem manutenção no emprego. Na Aerolíneas, de 30 gerentes que deveriam ser demitidos, cinco submeteram o governo a um acordo forçado (para que a reclamação não se prolongasse) e 25 continuam reclamando ‘direitos’, alguns deles ainda trabalhando.

São os zumbis do macrismo. Há reclamatórias com valores equivalentes a mais de R$ 10 milhões.

O liberalismo se apropria do Estado que diz detestar, como Bolsonaro faz aqui com o emprego de amigos dos filhos e de 2.500 oficiais em cargos de alto escalão. É mais do que o patrimonialismo da nova direita, é o compadrio sem escrúpulos da extrema direita.

Aqui, José Vicente Santini foi demitido e renomeado, em apenas um dia, e demitido de novo 12 horas após a segunda nomeação, porque a manobra para protegê-lo foi grosseira.
A soberba dos filhos de Bolsonaro os induziu ao erro de manter o amigo na mesma Casa Civil, sempre sob as ordens de Onyx Lorenzoni.

Na Argentina, alguns dos ajudantes de Macri que não querem ir embora são vistos como donos de caixas pretas. Eles se negam, por apego, mesmo que virtual, a se afastar do que produziram.

Temos o direito de saber se, no caso da tentativa de proteção a Santini, não há algo parecido envolvendo o que ele fez ou sabe que alguém fez dentro do governo.

O VIAJANTE AMIGO DOS GAROTOS

Precisamos saber o que José Vicente Santini sabe das entranhas do governo e como conseguiu a proteção dos filhos de Bolsonaro. Santini foi demitido hoje pela segunda vez.
O auxiliar de Onyx Lorenzoni foi exonerado na terça por Bolsonaro pela TV, ao vivo, pelas viagens a Davos e à Índia em jato da FAB com duas secretárias, e readmitido no dia seguinte.
O que ele havia feito como viajante era, segundo Bolsonaro, “totalmente imoral”.
Mas Santini, chamado em Brasília de bom cabelo, deixou de ser secretário-executivo de Onyx para ser secretário especial de relacionamento externo do mesmo Onyx.
Era interno e virou externo, sem sair da Casa Civil. Contam que os filhos de Bolsonaro impuseram a volta de Santini. Os garotos são poderosos.
Os brasileiros sob risco da pandemia na China não serão socorridos pelo governo, mas Santini havia sido resgatado pela família.
O que Santini fez para ter esse poder? Sergio Moro, tão humilhado pelos Bolsonaros, precisa saber.
Kiko Nogueira conta no DCM que o rapaz é amigo de longa data dos filhos de Bolsonaro.
A última informação é de que Bolsonaro voltou a demitir Santini e, para salvar os filhos, atribuiu o ‘erro’ a Onyx. Não importa.
O que interessa é que sua ordem havia sido desafiada pelo poder de Santini. É o que precisa ser investigado. Os garotos sabem o que Santini sabe e que o Brasil precisa saber.

POR QUE ONYX NÃO FOI?

Onyx Lorenzoni, todo mundo sabe, é o maior lobista da Taurus dentro do governo. Campanhas do ministro foram financiadas pela empresa, quando candidatos podiam receber dinheiro de pessoas jurídicas.
Agora recebem dos donos das organizações e de seus laranjas, inclusive em caixas pretas e caixas dois, como o próprio Onyx admitiu que recebeu duas vezes (e foi perdoado por Sergio Moro).
Pois Onyx não estava na viagem de Bolsonaro à Índia, que teve como grande objetivo cortejar o presidente da Taurus, Salésio Nuhs, nas tratativas sobre investimentos no país.
O enviado à Índia, para substituir Onyx, foi o secretário-executivo da Casa Civil, José Vicente Santini, que viajou em jato da FAB com duas secretárias e voltou demitido.
Por que Onyx não foi à Índia? Porque estava de férias, dizem. Mas férias numa hora dessas?
Onyx não foi para não aparecer ao lado do homem da Taurus e para pode agir apenas nos bastidores? É uma pergunta quase como resposta.