E AGORA, SERGIO MORO?

Sergio Moro flanava em Curitiba. Tinha time próprio e exclusivo, somente se envolvia com processos contra o PT e contra Lula. Moro era adorado pela direita como uma figura inatacável do Judiciário.

Grampeou Dilma e Lula, mas não deu nada. Mandou a gravação do grampo para a Globo e não deu nada. Determinou que Lula fosse submetido à condução coercitiva e não deu nada.

Condenou Lula sem provas e não deu nada. Participou de festas com Aécio e não deu nada. Tirou fotos e dividiu mesas de comilanças com Doria Junior em Nova York. Desafiou o Supremo várias vezes. Não deu nada.

Foi nomeado ministro da Justiça de Bolsonaro, na maior cara dura, e acha que não vai dar nada. Que continuará flanando, sem pressões, com o apoio unânime dos ‘liberais’ e da imprensa.

Mas Moro, o ex-justiceiro, já tem pelo menos três pepinos que irão testá-lo, agora em cargo político que ele tenta vender como se fosse um cargo técnico.

Paulo Guedes, o ministro da Fazenda que o recebeu na primeira visita à casa de Bolsonaro na Barra da Tijuca, está sendo investigado pela Polícia Federal por fraudes em fundos de pensão. A Polícia Federal está sob o comando do ex-juiz.

Flavio Bolsonaro, deputado estadual, eleito senador pelo Rio, filho de Bolsonaro, era chefe de Fabrício Queiroz, ex-PM flagrado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter movimentado R$ 1,2 milhão durante um ano e depositado R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro.

Queiroz, já afastado do gabinete do deputado (por que saiu?) era motorista e segurança do deputado. De onde tirou tanto dinheiro? De quem é essa dinheirama?

Moro vai descobrir, porque será o grande chefe do Coaf. Bolsonaro fez questão de deixar o Coaf sob as ordens do ex-magistrado.

Tem Mais. Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil, que admitiu ter recebido caixa dois (mas não é propina) de R$ 100 mil em 2014, está sendo investigado por ordem do Supremo por mais um caixa dois de R$ 100 mil (mas não é propina) de 2012, que ele nega.

É complicada a situação de Sergio Moro, porque Onyx pediu desculpas pelo primeiro caixa dois. E Moro sempre disse que caixa dois é crime grave. Mas admitiu que, se Onyx pediu perdão, as desculpas deveriam ser aceitas. E afirmou que confia no colega.

Sergio Moro vai começar a sentir em dezembro o calor do inferno em Brasília. Ele acha que seus amigos da imprensa vão poupá-lo. Alguns irão. Mas a guerra pela informação faz com que cada um brigue pelo osso que às vezes o patrão não quer ver por perto.

Não haverá patrão capaz de segurar a briga pelos ossos em volta de Sergio Moro. O jornalismo, por mais covarde que seja, como tem sido o jornalismo brasileiro desde o golpe de agosto de 2016, é mobilizado pela batalha entre os que desejam saber mais e informar mais. É da natureza de quem lida com informação, ou o jornalismo não sobrevive.

Ninguém conseguirá segurar bons repórteres que já estão atrás dos rolos dos Bolsonaro e de seus amigos. Sergio Moro vai experimentar agora o que nunca experimentou na vida boa de Curitiba, por mais que a estrutura da Justiça venha a ser aparelhada pelo bolsonarismo.

Preparem-se para as performances do ministro. Sergio Moro vai ter de dançar com as cobras que ajudou a criar.

De novo

O pedido de desculpa continua. Ontem foi para Roberto Davila. Parece que cada vez fica pior. A culpa agora seria do PT.
Pelo que entendi, o negócio é “ajustar” isso daí. E os votos teriam aumentado por causa de uma cicatriz que ele ameaçou mostrar.
Pra rir um pouco, com vocês o pedidor de desculpas.
(E por que fecha os olhos?)

O pedido de desculpa continua. Ontem foi para Roberto Davila. Parece que cada vez fica pior. A culpa agora seria do PT. Pelo que entendi, o negócio é "ajustar" isso daí. E os votos teriam aumentado por causa de uma cicatriz que ele ameaçou mostrar.Pra rir um pouco, com vocês o pedidor de desculpas.(E por que fecha os olhos?)

Posted by Moisés Mendes on Sunday, December 2, 2018