Moonlight

Para fugir um pouco da política no fim de semana, vou dizer aqui algo que talvez tenha a discordância da maioria. Me decepcionei muito com Moonlight. Não foi decepção pequena, foi das grandes.

Moonlight é uma bela história (dizem que de uma grande peça), com um tema poderoso, que vira filme num momento adequado, mas o resultado é um desperdício.

Os personagens são esquemáticos, as falas são de teatro de colégio e há todos os clichês possíveis de filme de bullying. Claro que tem o mérito de tratar de um assunto nunca abordado desta forma (um adolescente negro, gay e pobre e sua única possibilidade de redenção). Mas e daí? Um bom tema não salva um filme.

A impressão é de que em alguns momentos (as conversas na mesa, por exemplo) o diretor Barry Jenkins está filmando a peça.

Queria ver esta história na mão de um dos Lee (o Spike e o Ang) ou mesmo de um Fernando Meirelles. O filme é maneiroso, mas parece não ter pegada. Confesso que não me emocionei.

 

Auditores

Trump debocha de Hollywood pelas gafes do Oscar e assim imagina estar atacando o cinema, a arte e os artistas que o avacalharam na festa.

A gafe fica na conta da turma do próprio Trump. Quem errou não foram os artistas, mas o pessoal de uma das ferramentas mais vulneráveis e muitas vezes farsantes do capitalismo. Foi o pessoal dos controles, dá auditoria, que falhou.

Só os ingênuos imaginaram que o erro poderia ter sido de Warren Beatty (viva Warren Beatty). O erro foi da PriceWaterhouseCoopers, uma das mais poderosas empresas de auditagem do mundo. Eles cuidam desde a contagem dos votos e da arrumação dos envelopes, tratam de detalhes para que ninguém suspeite de fraudes.

São essas as empresas que, vai e volta, aparecem em notícias sobre, exatamente, fraudes. Por descontrole, por omissão, por cumplicidade.

Foram as empresas de auditoria que não identificaram as fraudes bancárias da crise financeira de 2008.

Os homens destas empresas são amigos do Trump, e não dos artistas de Hollywood.