A ISCA DE BOLSONARO

Alguns jornalistas e políticos morderam a isca de Bolsonaro. Espalharam que o sujeito demitiu Osmar Terra do Ministério da Cidadania por suspeita de envolvimento com uma empresa investigada por fraudes milionárias, a Business to Technology, a tal B2T.

A Polícia Federal de Sergio Moro investiga há muito tempo a B2T como organização de fachada acusada de fornecer serviços de tecnologia de informática ao Ministério do Trabalho no governo Temer. Já pediram o bloqueio de cerca de R$ 76 milhões nas contas dos investigados.

E Terra contrata logo a mesma empresa para prestar serviços ao Ministério da Cidadania. Mas será que Bolsonaro, atormentado pela possibilidade de vingança dos milicianos pela morte de Adriano da Nóbrega, estaria preocupado com suspeitas de corrupção?

Qual foi o outro gesto de Bolsonaro para punir possíveis corruptos, quando se sabe que muitos envolvidos em rolos (inclusive os chefes dos laranjas do PSL) são protegidos dentro do governo?

O que Bolsonaro fez foi reacomodar Onyx Lorenzoni e acolher mais um general, mandando embora o ministro mais medíocre do governo. Damares, Araujo, Salles e outros menos votados são de outra categoria, não há como avaliar nenhum deles por critérios de competência.

Com a história de que demitiu Terra por questões “morais”, Bolsonaro tenta se grudar a Sergio Moro, para que o ex-juiz não fique se exibindo sozinho como caçador de corruptos.

Quem imagina que Bolsonaro, o amigo de Adriano e vizinho de Ronnie Lessa, possa de uma hora para outra virar caçador de corruptos?

Onyx derruba Terra

Osmar Terra vai perder o Ministério da Cidadania para Onyx Lorenzoni, que será finalmente afastado das atuais funções, para que a Casa Civil fique um pouco mais militar.
Bolsonaro está insatisfeito com a performance de Terra, que deixou 1 milhão de mulheres e seus filhos na fila do Bolsa Família.
É provável que Terra tenha fracassado porque a intenção do governo seria deixar mais miseráveis sem a ajuda.
E Terra vai para onde? Volta a ser um dos deputados mais medíocres da Câmara.

A SENADORA, A MACONHA E O OGRO MORALISTA

A senadora tucana Mara Gabrilli é uma das vozes fortes em defesa da liberação do plantio da maconha para fins medicinais. Mara é tetraplégica desde 1994, quando sofreu uma acidente de carro.

Ela consome óleo de canabidiol (CBD) importado, o único calmante para seu sofrimento. Produtos convencionais não conseguem tirá-la da cama. Sem o socorro do CBD, ela tem convulsões, sente falta de ar e sabe que em algum momento pode morrer.

Pois ontem vi a senadora num embate desigual com o ministro Osmar Terra numa entrevista à GloboNews. A moça dizia que as pessoas em condições semelhantes às dela precisam da ajuda da maconha.

Terra, que vê ameaça de tráfico, vícios e desvios em tudo, não se sensibilizou. Porque Terra é um reaça esquemático, um moralista que faz média com pregadores religiosos. Ocupa uma área que deveria ser liderada por uma mente aberta, humanista.

Terra é ministro da Cidadania. Deveria ser ministro do atraso e do ultraconservadorismo a serviço do obscurantismo.

Só que o embate entre ela e a senadora tem um problema. Mara e Terra estão mais próximos da extrema direita do que dos setores que lutam pela liberação do uso medicinal da maconha. E esses setores estão na esquerda.

A senadora comove por seu drama pessoal e pelo envolvimento na luta das pessoas com deficiência. Ela sabe do que fala. Mas está alinhada com quem luta contra tudo que ela defende. Até com Bolsonaro. Na entrevista ao lado de Terra ela se referiu ao “nosso governo”.

O governo de Terra e de Bolsonaro destrói tudo que Mara defende. E Mara contradiz tudo o que prega comportando-se como uma política da direita do PSDB, apesar do poder de atrair apoios às suas falas e ações pelos que sofrem por alguma deficiência física.

Mara discursou e votou pelo golpe contra Dilma com a fúria dos bolsonaristas. Apoiou a prisão de Lula. É natural, porque é tucana.

Mas também votou pela PEC do teto dos gastos públicos, que corta verbas de áreas decisivas para a sua empreitada pela saúde.

Mara apoiou bravamente a reforma trabalhista. Apoia a reforma previdenciária. Apoia tudo que é da direita. E ausentou-se do Senado e assim se omitiu quando a casa deveria autorizar (e não autorizou) as investigações contra Michel Temer e seu Quadrilhão.

Por isso Mara convive com a turma que não tem nenhum compromisso com o que ela defende. Osmar Terra é seu amigo. José Serra é seu mentor.

Os amigos da senadora defendem o cigarro nacional exaltado por Sergio Moro, mas não admitem o uso de substâncias da maconha para aplacar o sofrimento de crianças que têm dezenas de convulsões por dia.

Mara está na trincheira errada. A senadora não precisa ter ideias de esquerda. Mas a base das suas posições políticas conspira contra a essência da sua própria luta. Ninguém da direita irá apoiá-la. Ninguém.

Tudo o que ela defende como fundamental para a sua existência como pessoa e como ativista política não fecha com as ideias de seus parceiros no Congresso e no que ela chama de “nosso governo”.

O TERRA DOS TERRAPLANISTAS

Cada vez que o nome do ministro da Cidadania, Osmar Terra, aparece em alguma notícia me recordo da sua passagem pela Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.

Hoje, ele diz que o maior problema do país é a obesidade, não a fome. Assim, concorda com seu chefe, que com uma declaração eliminou a fome de todo o Brasil.

A frase de Terra seria apenas infeliz, se não fosse cruel com os pobres, os miseráveis e principalmente os negros cada vez mais discriminados. O que o Brasil mais tem desde o golpe é gente desempregada. E logo depois, gente passando fome.

Há uns 10 anos, quando era secretário da Saúde de Yeda Crusius, o tucano Terra foi autor de uma ideia (fracassada) também controversa e envolvendo a pobreza.

Terra patrocinaria, como secretário, uma pesquisa científica com com jovens violentos internos da Fase, a fundação que tratada de adolescentes infratores, para saber o que determinava suas condutas criminosas.

Neurociência e genética eram ciências da moda e iriam lastrear a pesquisa, com um pouco de sociologia e outras ferramentas. Mas por que pesquisar meninos pobres e miseráveis que vão parar na Fase? Para reafirmar os estigmas que carregam?

Por que não com os meninos de classe média e ricos que nunca seriam recolhidos à Fase por algum delito grave?

A pesquisa não foi adiante, porque se levantou a suspeita
generalizada de que negros e pobres estariam mais uma vez à disposição da “ciência” dos brancos e bem de vida para avaliações que sempre se dizem bem intencionadas.

O que Terra queria provar? A reação de gente de todas as áreas evitou que a pesquisa do secretário fosse adiante.

Mas ele continua aí dizendo o que pensa. É interessante que, num governo tomado pelos terraplanistas, um de seus sábios se chame Terra.

O HOMEM DO BERIMBAU

O Rio Grande do Sul só ganhava do Acre em municipalização da saúde pública, há uns 10 anos, quando eu decidi fazer uma reportagem sobre quem cuidava mesmo da gestão do SUS.

Municipalizar é fazer com que os municípios cuidem da administração da saúde, na maioria das vezes apenas dos serviços mais básicos. É uma medida de comprometimento com a saúde.

Pouco mais de uma dúzia de municípios assumia a gestão do serviço de saúde mais elementar. O resto estava acovardado e deixava tudo para o Estado. Tabulei os dados de todo o Brasil, para fazer um ranking nacional, e o RS sempre tão metido a superior perdia para todos os Estados. Menos para o Acre.

O SUS é maltratado pelas autoridades gaúchas e isso ajuda a explicar o fato de que somos também o segundo Estado (depois de São Paulo) mais dependente dos médicos cubanos.

Quando fiz esse ranqueamento da gestão do SUS, descobri também que um Estado, só um, não informava a um portal do Ministério da Saúde o que investia de fato em saúde pública. O portal tratava de transparência.

O único Estado na penumbra, que sonegava a informação, era o Rio Grande do Sul. O secretário da Saúde daquela época, no governo de Yeda Crusius, era Osmar Terra, o homem que vai cuidar da cultura no governo de Bolsonaro, mesmo que (diz ele) saiba ‘apenas’ tocar berimbau.

Os artistas já reagiram, porque o comentário é depreciativo. Não é qualquer um que toca berimbau.

Osmar Terra, o engraçadinho, que será ministro da Cidadania, da Cultura, do Esporte e do Desenvolvimento Social, era o chefe da secretaria que escondia os dados sobre os recursos que o Estado aplicava em saúde. Porque deveriam ser vexatórios.

Terra vai cuidar de desenvolvimento social e tocar berimbau.

O homem da Bolsa Pipoca

terra

Há um exército de moralistas em Brasília correndo atrás das fraudes no Bolsa Família. É bom que estejam. Mas a intenção da turma do chalaça interino é desqualificar a estrutura do programa, para desmoralizar também o governo derrubado e reduzir os investimentos em transferência de renda. Tudo em nome da austeridade.

O chefe do esforço moralista é o ministro Osmar Terra, do Movimento Social. Pois o jornal online Destak descobriu que o ministro é beneficiário da Bolsa Pipoca.

O gaúcho Terra, quando deputado (PMDB), cobrava da Câmara tudo o que comia, inclusive pipoca comprada no cinema no domingo, ou lanches no McDonald’s. Em pouco mais de um ano, a Bolsa Pipoca, que paga a alimentação do deputado agora ministro, cobriu muita coisa.

Veja a reportagem e conclua se os maiores desmandos estão mesmo no Bolsa Família. Podem dizer: é pouco. Pois é, o dinheiro do Bolsa Família é muito…

Leia no site do Destak.

www.destakjornal.com.br/