PADILHAGEM

Meu amigo Santiago, o Erico Verissimo da charge, escreveu hoje que José Padilha, o diretor da série sobre a Lava-Jato, é o equivalente no cinema pró-golpe ao que foram os cantores Dom e Ravel para a música pró-ditadura nos anos 70. São propagandistas de direita.

A dupla fazia versões “cívicas” do que seria o momento nacional de euforia (“eu te amo, meu Brasil, eu te amo”), e todo mundo cantava. Assim como Padilha faz agora em série para a TV a sua versão para a caçada da Lava-Jato de acordo com a visão dos golpistas.

Dom e Ravel eram mais ingênuos do que este Padilha que americanizou o cinema brasileiro e tenta contribuir para imbecilizar o país com personagens e falas trocadas, com o argumento de que faz ficção. Ele faz é propaganda para o golpe.

Pois falo disso porque lá por 1977 recebi na redação do jornal Correio Serrano, em Ijuí, um dos dois, o Dom ou o Ravel. Até hoje não me lembro quem era um e outro e não sei quem apareceu por lá, já decadente, para um show sem o companheiro de palco.

Mas podem me perguntar daqui a alguns que me lembrarei muito dos Padilhas, o do governo e o do cinema. O do cinema é o mais cínico, porque faz suas ‘obras’ com ao argumento de faz arte. Ele sabe bem o que faz. Faz pilantragem para enganar trouxas. Ou faz padilhagem mesmo.