O PALESTRANTE DESMASCARADO

Foi desmontada a farsa das palestras com fins filantrópicos de Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos.
A Folha e o Intercept fizeram um levantamento completo das atividades do palestrante desde 2015. Dallagnol arrecadou, desde o início da Lava-Jato, mais de R$ 1 milhão.
Só destinou uma parte a entidades nos primeiros eventos. Depois, se deu conta de que poderia ficar rico e passou a esconder da corregedoria do Ministério Público o que arrecadava.
Escondia até os nomes das empresas. E ficava com todo o dinheiro.
Dallagnol disse esses dias a jornalistas amigos, entre os quais Diogo Mainardi, o homem-mosca, que só dorme tomando remédio.
Imaginem quando tiver de dormir num beliche de concreto por causa dos conluios da Lava-Jato para encarcerar Lula.
Precisamos imaginar que um dia isso acontecerá, porque as leis são para todos, dizem eles, Dallagnol e Sergio Moro.
Acordei otimista hoje. Tão otimista que vou dar um viva para Emmanuel Macron.
Viva Emmanuel Macron. Viva a França. Viva a Amazônia.

Caixa dois?

Há uma diferença entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro, revelada hoje pela Folha.
Dallagnol ostentava o dinheiro que recebia nas palestras e exibia-se para a esposa e os colegas.
Moro era reservado. Tão reservado que escondia dos superiores e dos órgãos de controle o recebimento de grana por palestras pagas.
Mas o grupo Sinos, que teria pago Moro, segundo o próprio Moro, poderá confirmar. O grupo tem uma rede de rádios e jornais e deve estar interessado em esclarecer a questão, ou o juiz recebia por fora?
O Grupo Sinos, porta-voz da direita do Vale, está com a palavra, em nome da transparência que também deve defender.
Se o Grupo Sinos não se manifestar, haverá uma confissão de concordância com a manchete da Folha: Sergio Moro escondia que era pago (e bem pago, dizia ele) para fazer palestras.
O único que ficava sabendo dos pagamentos, como revelam as mensagens publicadas hoje pela Folha, era Deltan Dallagnol, o boca grande.

O PROCURADOR SEM ESCRÚPULOS

O procurador Deltan Dallagnol é um compulsivo por dinheiro e enriquecimento. Nessas últimas conversas divulgadas hoje por Reinaldo Azevedo, a personagem é uma emissária da XP Investimentos, que convida Dallagnol para uma palestra confidencial em maio do ano passado.

E o que Dallagnol quer logo saber? Se tem grana, sem tem cachê, porque o procurador é movido a cachê.

Hoje, ouvi Dallagnol dando entrevistas, sempre com a conversa da moralidade religiosa. E depois li as mensagens escabrosas trocadas com a moça da XP. É repulsivo, asqueroso, é imundo.

Dallagnol era informante de “conjuntura” do que acontecia em Curitiba, para que os banqueiros pudessem se programar. Um procurador, chefe da força-tarefa destinada a caçar corruptos, dava palestras para banqueiros sobre o que eles deveriam saber do andamento da operação comandada por Sergio Moro.

(Os banqueiros achavam que Dallagnol comandava tudo, quando o comandante era o juiz. O procurador enganava os banqueiros, como se liderasse tudo, e ainda ganhava por isso.)

A promiscuidade era tão grande que a própria emissária da XP esclarece que tudo seria confidencial, em voz baixa, para que os banqueiros e Dallagnol se sentissem à vontade. Os encontros eram tão secretos (teve um com Luiz Fux) que não saía uma linha na imprensa.

Quando a emissária de um setor da especulação financeira liga para um procurador federal e fala daquele jeito é porque assim os donos do dinheiro percebem as autoridades. Como indivíduos disponíveis para serem usados à vontade pelo poder financeiro.

Dallagnol era visto apenas como um prestador de serviços. A moça falava com um procurador como se tratasse da palestra de um consultor do mercado. E por quê? Porque a emissária, que se chama Débora Santos, sabia com quem estava lidando.

Débora é mulher do procurador Eduardo Pelella, que foi chefe de gabinete de Rodrigo Janot. A mulher de um procurador trabalha como consultora da área judiciária para os banqueiros e chama outro procurador amigo para que preste serviços aos seus chefes.

É nojento. Dallagnol é um sujeito sem escrúpulos. Tão sem escrúpulos que, ao conversar por mensagens com o colega Roberson Pozzobon sobre as palestras secretas, avalia o risco de ser visto ao lado de banqueiros e afirma: “Achamos que há risco sim, mas que o risco tá bem pago rs”.

Muito bem pago. Com direito a risos dos canalhas.