Francenildo sabe

Antonio Palocci foi o sujeito que, na condição de ministro, tentou pisotear e destruir a vida de um trabalhador pobre. E agora, como se estivesse numa redoma de Brasília, como figurante das decisões do PT, acusa Lula de ter se desviado do caminho do bem. Um senhor chamado Francenildo Costa sabe do que é capaz o chefe das seitas na mansão do Lago Sul de Brasília e amigo dos banqueiros Antonio Palocci.

A vocação e o destino de Palocci

Marcelo Odebrecht já contou 30 vezes a mesma história ao juiz Sergio Moro, sempre com versões diferentes. Palocci já contou duas vezes as mesmas histórias, também com versões variadas para cada detalhe. E sem provas.

Marcelo Odebrecht continua contando as mesmas histórias e continua preso, porque não consegue ajudar o juiz a montar as provas contra Lula e porque precisa aparecer sem parar no Jornal Nacional.

Palocci vai contar as mesmas histórias, com as mais variadas versões, sempre dizendo que ouviu dizer alguma coisa, e vai continuar preso. E sempre repetindo que era um coitado.

Ele teria sido manobrado pelas artimanhas de Lula e do pai e do filho Odebrecht. E o juiz, sentindo que as conversas não têm amarração, fará com ele o que faz com o empreiteiro. O que importa é ouvir e expor suas histórias à exaustão, apesar das contradições.

Mesmo como delator formal e juramentado, continuará preso, porque Palocci não é um Youssef.

Palocci ficou mal com as esquerdas, já está na galeria dos grandes traidores da política brasileira e continuará se esforçando para agradar os procuradores e o juiz, sempre com os mesmos causos e as mais diversas versões. E continuará na cadeia, para que se repita sem parar no Jornal Nacional.

Palocci finalmente descobriu qual é o seu papel no enredo da caçada a Lula. Ficará exposto permanentemente nos telejornais da Globo como o novo papagaio do seriado da Lava-Jato, o cara que pretendeu um dia ser amigo dos banqueiros e que também foi traído por eles e que se revelaria por inteiro em algum momento.

Todos esperavam que Eduardo Cunha fosse o grande traidor da Lava-Jato. Palocci apresentou-se antes. Muita gente dentro do PT que o conhecia já sabia que essa era a sua vocação. O traidor está apenas à espera da grande oportunidade.

A turma de Palocci e Delcídio

Para que serve a delação de Palocci? Primeiro, para mostrar mais um com quem o PT convivia. Palocci apresentou-se ao juiz Sergio Moro como um coitado submetido às armadilhas diabólicas de espertalhões da política e das empreiteiras.
Palocci fez contra Lula e Dilma o que a direita ainda não havia conseguido, transformando doações por fora, que todo mundo sempre recebeu, em delitos que os golpistas só reconhecem nos outros.
Palocci passa a integrar a mesma turma de Delcídio do Amaral, com a diferença de que Delcídio era um tucano infiltrado e Palocci é um ex-esquerdista que se revela acovardado pela masmorra de Curitiba.

Palocci

Era o que se pensava. Ninguém dava bola para o pedido de delação de Palocci (muito menos Sérgio Moro), porque ele só queria dedurar bancos e grandes empresas sonegadoras.

Palocci somente teria validade se dedurasse Lula e sua relação com as empreiteiras, como desejavam os procuradores.

Pois Lula entrou então no pacote, segundo a Folha. Os procuradores querem saber também das tais contas de US$ 150 milhões de Joesley para Lula e Dilma.

Vai começar tudo de novo. Saem as malas das mulas de Aécio e volta a cozinha do triplex com nova decoração.

O enigma Palocci

Um detalhe que parece irrelevante, mas que pode conter uma informação, às vésperas da delação de Palocci. O detalhe está nas duas notas emitidas pelo ex-ministro, na quinta e na sexta-feira, em resposta às delações de João Santana e de Monica Moura.

Santana e a mulher dizem que Palocci era o negociador dos pagamentos de caixa 2. E que Palocci contava que se submetia às ordens do chefe Lula.

Nas duas notas emitidas em resposta aos acusadores, o ex-ministro poderia se defender, dizer o que todos dizem, desqualificar os delatores e pronto. Mas não. Palocci vai além.

As notas, na sequência, têm o mesmo tom. A nota de sexta-feira diz o seguinte: “Primeiramente, não se conhece com precisão o exato teor dessa suposta delação. Independentemente disso, é certo que nessas ‘delações à la carte’ o cardápio que se apresenta para se oferecer liberdade é sempre o nome do ex-presidente e daquele que foi o principal ministro da Economia do nosso país. É o preço que está sendo cobrado pela liberdade impune”.

A nota anterior dizia quase a mesma coisa, e aí está o detalhe. Nas duas, o nome que aparece antes, como alvo dos delatores a ser defendido por Palocci, é o de Lula, não o de Palocci. O ex-ministro defende antes o ex-presidente, para somente depois se defender.

O preço da liberdade é a citação do “nome do ex-presidente”. Por que Palocci não se defende sem citar Lula?

E agora a pergunta: pode alguém que esteja articulado com os procuradores da Lava-Jato para delatar Lula emitir, às vésperas da delação, duas notas em que defende Lula?

Que papel teria um ex-ministro tão poderoso, como ele mesmo se define, que defende o ex-presidente, lembrando que ele é delatado como moeda de troca para a liberdade de criminosos, se viesse a usar a mesma tática para tentar sair da masmorra de Curitiba delatando Lula?

Outro detalhe. As duas notas foram emitidas pelo advogado de Palocci até sexta-feira, José Roberto Batochio, que logo depois abandonou o cliente por discordar da sua decisão de ser delator.

E agora? Palocci defendia Lula publicamente porque o advogado era Batochio? Ou aquilo foi uma senha? Ou não é nada disso? Aguardemos as próximas notas, ou a própria delação.

O enigma Palocci

Esta pode ser a semana de Palocci. Pelo que li de petistas, de direitistas, jornalistas, torcedores de tucanos e jaburus e outros palpiteiros, a direita teme muito mais uma eventual delação de Palocci do que o pessoal do PT.

Os jornalistas embarcados, que esperam mais uma delação devastadora, tentam vender a ideia de que o alvo de Palocci é Lula. É o que eles desejam. É uma torcida.

Mas a conclusão média é que Palocci não tem este perfil. Que um ex-Libelu não faria o que os pilantras delatores fizeram até agora, entregando a alma e as calças para a Lava-Jato, com histórias mirabolantes, para poder escapar da cadeia.

Mas a grande questão é: se Palocci não entregar Lula, mas sim o sistema financeiro, como se diz que pretende entregar, qual seria o interesse da Lava-Jato, se eles querem Lula e Dilma?

A Lava-Jato não quer saber de bancos, ou algum ingênuo imagina que, numa reviravolta, a turma de Curitiba vai sair a caçar banqueiros e tucanos? Por favor.

Só se Lula for o dono do banco.

O enigma Palocci

Jornalistas amigos de tucanos e jaburus continuam tentando induzir que Palocci pode oferecer mais do mesmo, na trilha do pai e do filho Odebrecht, e mirar em Lula numa delação.
Eu estou entre os que acham que Palocci mandou um recado a gente ainda fora das delações, incluindo bancos.
Mas quem na Lava-Jato em Curitiba quer saber disso? A Lava-Jato quer resolver logo, do jeito que der, o mico da rosácea quadrada com as bolinhas azuis do famoso PowerPoint.
Palocci vai ficar falando só com os carcereiros de Curitiba.

Os estragos de Palocci

Muita gente não dormiu esta noite e não irá dormir bem a partir de agora com essa declaração do Palocci de que tem assunto para um ano de trabalho da Lava-Jato.
Dizem que os insones não serão tesoureiros do PT, não são Lula, nem Dilma, não serão os delatados de sempre.
A insônia irá pegar uma turma até agora imune e impune.
Aguardemos os estragos que Palocci pode fazer, se é que a delação dele (que atingiria os bancos, dizem) será aceita pela turma de Curitiba.
Os jornalistas da direita mais alegre esperavam muito de Palocci, mas poderão se frustrar com o italiano.