A POLÍCIA E OS PANELEIROS

Quem quiser segurança total em Porto Alegre, com fartura de policiais, que acampe ao redor do Tribunal que vai julgar Lula em segunda instância. Instala-se ali o maior aparato de segurança já visto no Rio Grande do Sul.

Uma amiga minha, que registrou queixa contra uma vizinha paneleira agressiva e foi desprezada pela área de segurança (que arquivou o termo circunstanciado), já está acampada por perto, pra ver se algum policial se interessa pelo seu caso.

Minha amiga sofre desaforos diários de uma vizinha de família de batedores de panela, com todo tipo de agressão. Música alta durante o dia e durante a noite (sempre as mesmas músicas e mesmo em dias da semana), palavrões, falação (ela sabe tudo da vida dos paneleiros), gritaria de repressão a crianças pequenas da casa e festas noturnas que vão até as 4h da madrugada.

Pode ser numa terça ou numa quarta, em qualquer dia. Toda reclamação é respondida com agressões, a maioria impublicáveis.

Minha amiga me contou que esperou por mais de um mês para ver no que resultava uma queixa registrada na polícia, onde narrou seu inferno.

Não aconteceu nada. Ontem, ela consultou registros de protocolos e ficou sabendo que seu caso foi arquivado. Porque certamente é banal, é irrelevante, é pueril diante dos desafios da polícia para reduzir os homicídios (alguém acreditou naquelas estatísticas?)

Minha amiga voltou à delegacia e pediu explicações para o arquivamento da sua queixa, se é seu direito ter pelo menos a mediação do Estado para conflitos como esses. Foi muito bem atendida por uma policial, mas ficou sem resposta.

Deve ter sido porque o arquivador do caso precisa proteger paneleiros ou reprimir manifestantes pró-Lula no dia 24. Os paneleiros mais furiosos estão vencendo todas. A prioridade do Estado é proteger fascistas.

Voltem

Faço um esforço para ser modesto mas não consigo. Em debate com Juremir Machado e Marco Weissheimer, na semana passada, na Feira do Livro, eu disse o que Dilma Rousseff afirmou agora à Folha.
Não haverá política, nem conciliação, nem democracia sem o retorno de quem entrou na fria de bater panelas.
O fim do golpe depende da volta à política dos que se equivocaram e enfrentam agora o constrangimento do silêncio.
Não falo, claro, da extrema direita que nunca saiu da política, mas da classe média que entrou na conversa do pato amarelo e da Globo. Voltem. Vamos conversar.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1935029-e-preciso-perdoar-quem-bateu-panela-diz-dilma-rousseff.shtml