OS LADRÕES AVULSOS

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, o laranja de José Serra, confessou à Receita Federal que é o dono de quatro contas na Suíça com R$ 137 milhões.
Disse que é tudo dele, só dele. Pedro Barusco, o ladrão avulso da Petrobras, que roubou durante os governos tucanos, tinha R$ 300 milhões na Suíça. Também só dele.
Parece que os ladrões tucanos são egoístas. Não são. Todo mundo sabe que as contas de Barusco eram de um condomínio de tucanos.
Mas a Lava-Jato levou adiante o caso de Barusco como sendo o do único ladrão avulso da Petrobras (com a desculpa de que os outros sócios do homem tinham foro privilegiado e atrapalhariam os processos).
Barusco está livre e solto. Todos estão livres. O ladrão avulso não tem mais nenhuma pena a cumprir, porque fez delação. É visto em Angra, levando a boa vida dos anistiados por Sergio Moro.
Preto pode fazer o mesmo caminho. Os tucanos (incluindo Aécio, Alckmin e Fernando Henrique) ainda são muito bem tratados pela Justiça.

Os filhos da direita

Estão descobrindo tudo sobre Paulo Preto, o operador de José Serra. Mas só agora. Preto opera para Serra e os líderes tucanos desde o início de 2000.
Descobriram que, além de R$ 132 milhões na Suíça, ele tinha uma empresa só para administrar os imóveis conseguidos com os roubos.
Ele e duas filhas cuidavam dos negócios. A direita gosta de envolver os filhos em aquisições imobiliárias.
Uma família de pai e três filhos tem R$ 15 milhões em imóveis no Rio, muitos na Barra da Tijuca. Quando irão descobrir como os imóveis foram adquiridos?
Talvez daqui a uma década e meia, como aconteceu com Paulo Preto.

DALLAGNOL, O ATRASADO

Imaginem daqui a 20 anos Sergio Moro e Deltan Dallagnol fazendo discursos e emitindo notas pelo Twitter sobre os corruptos do PSL e do bolsonarismo. Mas daqui a duas décadas.

Dallagnol agora larga notas sobre Paulo Preto, o operador da quadrilha que roubava para os tucanos.

Preto, denunciado como laranja de José Serra há décadas, o homem dos R$ 130 milhões em contas na Suíça, agora é considerado perigoso por Dallagnol.

Mas só agora? Só depois que as autoridades suíças disseram como Preto operava é que o procurador da Lava-Jato se deu conta de que o sujeito é o perigoso laranja de Serra e do alto tucanato?

Por que Dallagnol levou tanto tempo para emitir notas sobre Paulo Preto, se há décadas o mafioso é investigado por corrupção?

O que levou Dallagnol a se manifestar sobre os roubos de Paulo Preto, se o laranja, Serra e seus comparsas estão a caminho do benefício da prescrição, que só beneficia tucanos?

Seria porque Preto agora é assunto da Lava-Jato? Mas Dallagnol tem opinião sobre tudo, sempre teve.

Então, não se surpreendam se daqui a muitos anos os indignados calados de hoje vierem a se manifestar sobre as falcatruas dos amigos dos milicianos do Rio das Pedras.

Que Dallagnol converse com os seus colegas procuradores estaduais do Rio sobre as investigações em torno da conexão dos milicianos com a política da extrema direita de uma certa família.

Que expresse apoio aos seus colegas dedicados ao enfrentamento de milicianos mais ameaçadores e perigosos do que Paulo Preto.

Que Dallagnol faça suas anotações (ele opina sobre quase tudo) na hora certa e não fique à espera de subsídios da Suíça para atacar tardiamente a direita corrupta.

O LARANJA DE SERRA

A prisão de Paulo Preto acende de novo a luz amarela dos tucanos. Antes de ser libertado por ordem de Gilmar Mendes, o operador de José Serra, laranja de R$ 300 milhões na Suíça, estaria disposto a delatar os tucanos.
Mas foi solto e saiu dizendo que nunca faria isso. Só que agora ele foi preso junto com a filha, que seria uma pessoa sob forte tensão.
Preto pode voar de novo para fora da gaiola. É só acionarem o Gilmar. Se não voar, pode piar.
Ele é quem sabe quem tem o quê da dinheirama que levou para fora do país da roubalheira nos governos tucanos de São Paulo.
A filha, Tatiana, estaria com as malas prontas para viajar para as Ilhas Maldivas, quando foi presa hoje com o pai.
O que a família Preto teria por lá? Deve ter alpiste para os tucanos.

Tucano livre

O grande operador de José Serra e dos tucanos paulistas está solto. Paulo Preto, o homem dos R$ 300 milhões em contas na Suíça, foi libertado por ordem de Gilmar Mendes.
Estava preso desde 6 de abril. As notícias desta semana anunciavam que Preto se preparava para fazer delações. Saiu na hora. Era o único tucano preso. Com o Supremo e com tudo.
Nem Geisel, o mandante dos assassinatos na ditadura, imaginaria um golpe tão perfeito, com um Judiciário tão prestativo.

Aleluia

A Lava-Jato tem quatro anos, mas pela primeira vez um tucano foi denunciado em São Paulo. É grande, mas é laranja. É o famoso Paulo Preto, homem de confiança de José Serra, flagrado por autoridades da Suíça com depósitos equivalentes a R$ 130 milhões.
Foi denunciado pelo MF Federal por peculato, corrupção e organização criminosa. Preto é conhecido como operador de propinas do PSDB. Agiu durante anos. E há anos todos sabiam que era o cara dos tucanos nos roloscom grana pesada.
Foi denunciado agora pelo desvio de verbas do programa de reassentamento da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), da qual foi diretor no governo tucano de Serra de 2007 a 2010.
O que acontecerá com Preto? Talvez aconteça o que aconteceu com os tucanos investigados há uma década por causa do cartel e das propinas do metrô paulista. Nada, nada, absolutamente nada.

O HOMEM DAS MALAS DOS TUCANOS

Publicada nesta terça-feira, 27 fevereiro 2018

A Folha descobriu hoje que Paulo Preto, o Geddel dos tucanos, que guardava R$ 130 milhões, precisa ser desvendado.
Mas pede em editorial que isso seja feito pelo Ministério Público e pela Justiça.
Paulo Preto circula há décadas arrastando malas por entre as pernas dos repórteres da Folha e do pessoal do MP e do Judiciário.
Só descobriram as malas de Paulo Preto porque as autoridades da Suíça mandaram perguntar às autoridades brasileiras: vocês não vão fazer nada?
Mas a Folha ainda acha que desvendar os laços do sujeito das malas tucanas com Serra, Alckmin e Aloysio Nunes não é missão do jornalismo.
Seria se ele fosse do PT.

(Tudo que a Folha não consegue dizer no editorial o gênio de Laerte diz na charge acima.)