AS MULHERES DE PELOTAS E A DIREITA

Todos os marqueteiros de direita usam sempre o mesmo truque. Eles sabem que um candidato pode ser hospedeiro de uma ideia simplória, mas eficiente: eu sou um sujeito sem ideologias, sem identificação com partidos e sem compromissos com o que é velho.
São os representantes do que há de mais velho na política, mas se apresentam como o ‘novo’. Funciona. Tanto que o atual governador dos salários parcelados, um veterano que se acomodou na direita, elegeu-se dizendo que o partido dele não é o PMDB, é o Rio Grande.
Já o candidato tucano diz que é de direita e de esquerda. Serra, Aécio e mesmo Fernando Henrique sustentaram suas retóricas nessa confusão ideológica. Mesmo que todos eles, incluindo o tucano gaúcho que diz ser de direita e esquerda, sejam de direita.
O que isso prova? Que as esquerdas não conseguem dizer ao eleitor que esses são os candidatos da turma que tira direitos do povo, sucateia serviços e vende patrimônio público. É a turma do golpe.
Todos falhamos ao não conseguir deixar claro que o moço de Pelotas e o gestor de Porto Alegre são do mesmo partido, têm o mesmo estilo e pensam as mesmas coisas.
As mulheres de Pelotas, atormentadas por falhas graves (vou chamar de falhas…) nos serviços de prevenção de câncer do município, sabem bem quem é o moço que diz ser de direita e esquerda.
Ele foi prefeito de Pelotas e estruturou um sistema de saúde precário (e que alguns consideram criminoso), agora sob investigação de uma CPI da Câmara e do Ministério Público.
O eleitor gaúcho precisa saber. As mulheres de Pelotas, principalmente as mais pobres, já sabem.

VOU TORCER POR TAISON

Há momentos engraçados em ‘O que é Isso, Companheiro’, o livro que Fernando Gabeira publicou na volta do exílio sobre sua vida de militante clandestino na ditadura. Num dos episódios, ele conta que o grupo se reuniu num aparelho para deliberar se deveria ou não torcer pelo Brasil na Copa de 70.
Houve uma divisão e parece que cada um ficou com liberdade para apoiar, torcer ou ficar indiferente. Era uma decisão política. Médici poderia tirar proveito do Tri. E tirou mesmo.
É o que se repete a cada Copa, em quaisquer grupos, mesmo que sem esse tom de seriedade ou mesmo de politização do futebol. Agora mesmo a pergunta de novo é esta: a Seleção merece nossa torcida?
Eu não consigo levar minha racionalidade para o futebol, até porque sou um gremista que, com dois netos colorados, perdeu muito das suas convicções de torcedor.
Em relação à Copa, eu havia tomado uma decisão. Ontem, me convenci de que estava certo. Vou torcer mesmo por Taison, para que ele participe dos jogos. Para que não fique apenas no banco.
Vi ontem a reportagem do Tino Marcos no JN sobre as histórias desse pelotense e da mãe dele, dona Rosângela, que criou 11 filhos sozinha.
Há mais de 10 anos, publiquei em Zero Hora cinco perfis de mães que se viraram do mesmo jeito, sem marido, sem companheiro, sem nada por perto além da solidariedade de outras mães. Só elas e os filhos.
Me lembro até hoje de cada uma daquelas histórias e da valentia daquelas mães e dos seus filhos que sobreviveram, apesar de muitas vezes não terem o que comer.
Por isso vou torcer por Taison, o guri de Pelotas, hoje capitão do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

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Viva o jornalismo

Voltei ontem de Pelotas com vontade de ser repórter de novo. Conversei com alunos e professores da UFPEL, na Semana Acadêmica de Jornalismo, e reforcei duas convicções (das quais tenho também as provas).

Primeiro, estas gerações que estão chegando farão jornalismo melhor do que o feito pela minha geração. E cresce entre os estudantes, pela minha experiência nessas conversas, a postura crítica. Vejo que eles estão cada vez mais espertos.

O que eu disse (e nem precisava dizer) é que não há perenidade no jornalismo conservador ou de direita. O jornalismo é, por vocação, progressista e transgressor.
Jornalistas de direita são apenas propagandistas. Poderiam vender remédio, mas vendem posições retrógradas.

Claro que estudantes e professores sabem disso. Tanto que o Centro Acadêmico que promove a Semana, como eu já observei ontem, se chama Patrícia Galvão, em homenagem à jornalista, poeta, pintora, romancista, feminista e agitadora Pagu.

É improvável que venha a existir um Centro Acadêmico Diogo Mainardi.

Sob a inspiração de Pagu

Vou a Pelotas hoje para fazer o que mais gosto: conversar com estudantes e professores de jornalismo. Será a partir das 19h, no campus 2 da UFPEL, na Avenida Almirante Barroso (antigo campus da Católica).

Participo da Semana Acadêmica de Jornalismo, que começou ontem e vai até sexta-feira. A Semana é organizada pelo Centro Acadêmico Patrícia Galvão.

Fui convidado pela Laura Marques, coordenadora do centro, e decidi na hora que iria (e não só por causa dos doces de Pelotas), porque deve ser bom participar de um evento sobre jornalismo promovido por uma entidade orientada pela inspiração da jornalista, romancista, poeta, pintora e agitadora carioca Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962).

O jornalismo, que nunca foi tão embarcado e reacionário, nem no tempo da ditadura, só vai sobreviver se resgatar o vigor transgressor de Pagu.

 

Dilma em Pelotas

dilma

Do fotojornalista e professor Nauro Júnior, de Pelotas, que me enviou na sexta-feira à noite esta foto com Dilma Rousseff:
“Pelotas é assim. A gente sai para comer um bauru e encontra a verdadeira presidente do Brasil”.
O fotógrafo encontrou Dilma no Circulu’s Lanches, no centro da cidade. Nauro conta que ela foi cercada de gente. O golpe não conseguiu cassar o sorriso de Dilma.
A foto foi feita pela jornalista Gabi Mazza, mulher de Nauro.
Enquanto isso, em Brasília, o homem do Jaburu não se anima a sair de casa nem pra conversar com as emas.