Jornalistas caçados

O jornal Página Siete, de La Paz, suspendeu a atualização do site e não terá circulação do jornal impresso amanhã.
O Página Siete está sendo ameaçado pelas turbas do golpe e prefere proteger seus funcionários.
E saiu do ar agora a página do jornal La Época. Será apenas uma casualidade?
O golpe invade e destrói casas, incendeia ônibus, persegue políticos e ataca a imprensa que não compactua com a extrema direita. O terror se espalha pela Bolívia golpeada.
Há informações de que alguns jornalistas, principalmente os ligados à estrutura de comunicação pública do país, estariam abandonando suas cidades.
E os jornalistas fofos do Brasil o que dirão nesta segunda-feira? Que a violência é lamentável, por isso e aquilo, mas que os jornalistas eram engajados ao esquerdismo de Morales e que por isso são perseguidos.
Um golpe sempre serve para reafirmar o caráter dos jornalistas fofos e suas posições subalternas a fascistas nacionais ou estrangeiros.
O jornalista fofo adora um golpista.

#PerseguiçãoNão

Agora não é mais boato. O próprio eleito já determinou que sejam identificados professores com ideias em desacordo com as posições da maioria dos que o elegeram.

O vídeo com o apelo à deduragem, que vem sendo divulgado, seria de julho. Não interessa. Hoje ou amanhã ele poderá até ser desmentido, porque o eleito desmente todo o dia o que afirmou no dia anterior.

O que importa é saber se as escolas brasileiras passarão a ser, como ocorreu na ditadura, o espaço da desconfiança, da traição e dos alcaguetes. Não serão.

Antes da deflagração do projeto das listas com os inimigos vermelhos, sabia-se que circulava pelos corredores de universidades a notícia de que a extrema direita pede ‘limpeza’.

Não eram boatos. Pois as direções de universidades e escolas, fragilizadas pela pressão da extrema direita, devem pedir socorro. Das comunidades, dos professores, dos pais, do Ministério Público, de quem estiver por perto. E também, e muito, dos alunos.

Que não cometam o erro de fazer expurgos em nome da obediência devida à repressão. Que pensem muito antes de cometer abusos. Que não se sintam à vontade para referendar perseguições.

Todos, todos, todos iremos denunciar perseguições e demissões estranhas. Como disse Haddad, essa é a hora da coragem. É a hora de buscar inspiração nos que resistiram a tempos de horror e nos asseguraram o direito à democracia.

Todos nós devemos obediência às liberdades.