PERU

Direita e extrema direita se matam de novo no Peru, um país onde o palácio do governo tem o nome de Francisco Pizarro.
Não há como um país dar certo, se o palácio onde trabalha e mora o presidente foi batizado com o nome do colonizador assassino de Atahualpa e chefe sanguinário dos massacres que deflagraram o fim do Império Inca.
A Praça das Armas, onde fica o palácio (e onde está a catedral com os restos de Pizarro, porque há Pizarro por toda parte, por influência da Igreja), é um ambiente cinzento sob o céu nublado de Lima, como se o inesperado estivesse sempre à espreita.
Martín Vizcarra, o presidente acossado pelo fujimorismo, seria um esquerdista perto de Bolsonaro. Mas ele e os golpistas da extrema direita têm quase todos a mesma origem.
A direita latino-americana está se esfacelando, às vezes sem a ajuda da esquerda.

O PERU E O JABURU

O que fizeram no Peru, com a proteção ao neoliberal corrupto no poder e depois com a negociata para a libertação de Fujimori, aconteceu aqui e vai acontecer em outros países.
A direita manipula a democracia como quer para proteger os seus bandidos. O Congresso peruano que preservou Pablo Kuczynski da acusação de corrupção apenas copiou o que os picaretas do Congresso brasileiro fizeram com a proteção ao Quadrilhão do jaburu.
O jaburu, Kuczynski, Macri (os dois são ídolos dos liberais e dos golpistas brasileiros) e toda a direita no poder continuarão onde estão, com o Supremo e com tudo. O Judiciário foi politizado e aparelhado em todo o Continente.
E a direita sabe que as reações populares ainda são insuficientes para ameaçar seus desatinos. Na Argentina, crescem a criminalidade, os ataques violentos a militantes de esquerda e os saques a mercados. Mas o presidente está em férias.
E aqui o jaburu fala à nação na véspera do Natal para dizer que não há inflação e que o povo deve se submeter à reforma da previdência. É o jaburu debochando da apatia da classe média.

O PERU E OS TUCANOS

Está sendo caçado o primeiro grande líder político de direita por envolvimento com as propinas da Odebrecht… mas no Peru.
Lá, parece que a direita corrupta não é poupada pela Justiça. Procuradores andam atrás do ex-presidente Alejandro Toledo, acusado de ter recebido US$ 20 milhões da empreiteira.
Os investigadores peruanos poderiam mostrar à Lava-Jato como evitar que uma caçada pegue apenas gente de esquerda. Toledo está na França e pode ser preso quando retornar.
Aqui, políticos da direita, em especial os tucanos já denunciados, continuam impunes, por falta de provas e de convicções.