Pega o haitiano

Um retrato do Brasil nas areias de Balneário Camboriú. Fiscais da prefeitura passam a manhã correndo atrás dos haitianos que vendem óculos.
Mas a prefeitura deixa numa boa os caras com as caixas de som esculhambando com a praia. E uma lei municipal diz que som alto é infração a ser punida com multa.
Liga-se para o 153, reclama-se, dizem que vão mandar a guarda municipal, mas não aparece ninguém e não acontece nada.
E daqui a pouco passa outro haitiano em disparada e um fiscal correndo atrás.
Ao fundo, ao redor, por toda parte, o som na caixa. Alguém grita desesperadamente, como se cantasse, para que a mulher volte pra casa.
E tem gente querendo entender o que se passa no Irã.

Chinelagens

Meu amigo Heitor Schmidt me mandou a notícia de uma senhora cega que quase foi expulsa da praia, em Balneário Camboriú. Um grupo de mulheres não queria que o cão-guia que a acompanhava ficasse ali. Chamaram até a Brigada.

No fim, dona Olga Souza, gaúcha, ficou na praia, porque é amparada por lei.

E os que levam aparelhos de som para a praia e lá ficam porque ninguém reclama? Estive em Torres esses dias, aguentei por alguns minutos ao lado de uma caixa de som gigante e fui embora. Se reagisse, seria vaiado (e isso que o som ali é proibido).

Concluí o seguinte: o veranista enfrenta uma senhora cega com seu cão-guia, mas não enfrenta os barbados do som na areia.

A maioria não está nem aí para a chinelagem da música ruim na praia, em qualquer praia. Acho até que gostam. E por isso merecem a chinelagem.

O mesmo veneno

O senador Aécio Neves experimentou na praia, no Rio, do mesmo veneno que a direita destila diariamente contra quem considera do PT, do governo golpeado ou das esquerdas, nas ruas, em restaurantes, em elevadores.
A mulher que filma e ataca o tucano não deve servir de modelo para ninguém nesse tempo de cusparadas e agressividades multiplicadas – muito menos o nível de caimento da cintura da bermuda do senador.