A MÁFIA ESCAPA DE NOVO

Mais um engavetamento que favorece os tucanos. A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça mandou arquivar o processo sobre fraudes nas licitações envolvendo o famoso cartel de empresas que agiam nos governos do PSDB no metrô de São Paulo.
O argumento é o de sempre: os crimes estão prescritos. Tudo que é contra a direita prescreve. Já aconteceu no caso da propina paga a Serra e em tantos outros casos.
A Justiça rápida contra Lula é lenta contra o PSDB. Sem a condenação do cartel, fica difícil pegar os que pagavam a máfia do metrô, ou seja, os comparsas do tucanato, os donos do cofre.
Mais uma vez eles escapam. A copa da impunidade será sempre dos tucanos, ele serão sempre os campeões. Com o Judiciário e com tudo.

OS TUCANOS E BOLSONARO

A pesquisa DataFolha que mostra Lula liderando cada vez mais (e por isso foi encarcerado) e Alckmin com apenas 7% reafirma o que todos já sabem. O golpe destruiu com o PSDB.
Eles acharam que iriam desmontar o PT. E o PT se fortalece, Lula é líder em todas as pesquisas e os tucanos caem aos pedaços. O golpe acabou com o partido da direita golpista, com Alckmin, com Aécio, com Serra.
O que sobrou para eles é Bolsonaro. A direita cheirosa caiu nos braços do que existe de pior na política brasileira desde a ditadura.
A direita que deu o golpe criou Bolsonaro, enquanto destruía o próprio partido. Eles merecem Bolsonaro. Eles se merecem.

O HOMEM DAS MALAS DOS TUCANOS

Publicada nesta terça-feira, 27 fevereiro 2018

A Folha descobriu hoje que Paulo Preto, o Geddel dos tucanos, que guardava R$ 130 milhões, precisa ser desvendado.
Mas pede em editorial que isso seja feito pelo Ministério Público e pela Justiça.
Paulo Preto circula há décadas arrastando malas por entre as pernas dos repórteres da Folha e do pessoal do MP e do Judiciário.
Só descobriram as malas de Paulo Preto porque as autoridades da Suíça mandaram perguntar às autoridades brasileiras: vocês não vão fazer nada?
Mas a Folha ainda acha que desvendar os laços do sujeito das malas tucanas com Serra, Alckmin e Aloysio Nunes não é missão do jornalismo.
Seria se ele fosse do PT.

(Tudo que a Folha não consegue dizer no editorial o gênio de Laerte diz na charge acima.)

O ciumento

Fernando Henrique tem ciúme doentio de Lula também por causa das turmas. Lula e o PT empurraram FH e o seu PSDB para a direita. É um pessoal cheirosinho, mas barra pesada.
FH anda de braços com Aécio, Serra, Doria Júnior, Alckmin, Aloysio Nunes, Jereissati, sem contar os agregados do PMDB, que são tucanos disfarçados. É dureza.
Uma das tarefas de FH é dar uma entrevista por semana, para a Folha, o Estadão ou o Globo, defendendo a sua gente. Nessa última entrevista de hoje, para o Estadão, ele defendeu Aécio:
“Aécio não é um irresponsável. Fez coisas positivas para o PSDB”.
Mas FH diz o que acha que deve dizer. O problema é que a entrevista é muito ruim. O jornalismo desistiu de fazer perguntas para os líderes da direita.
Uma entrevista feita pela assessoria de imprensa do PSDB seria melhor do que essa publicada pelo Estadão. Essa entrevista não seria aceita nem em prova do Enem.

O canto dos tucanos

Li o documento do PSDB, que tenta transmitir a ideia de que o partido vai andar de novo em direção às suas origens de centro-esquerda. Acho interessante como provocação, mas e daí?
O documento me faz lembrar os programas do PSDB para os dois governos de Fernando Henrique. Ambos escritos sob a coordenação de Paulo Renato Souza.
Escrevi a respeito, no segundo governo FH, sobre o caminho que na época era inverso. De um programa social-democrata, no primeiro governo, para um programa mais liberal no segundo.
Eram textos sedutores, bem elaborados, com detalhamentos, até porque Paulo Renato era reconhecidamente bem preparado e se dedicava com afinco ao que fazia. Mas o que documentos como esses significam hoje em dia?
Talvez signifiquem apenas tentativas de acenos a um centro democrático que anda perdido. E o documento tem também um certo cheiro de populismo de direita.
Mas quem do povo, que o PSDB tenta alcançar, vai ter tempo e paciência para ler declaração de intenções no meio desse tiroteio?
Os tucanos tentam dizer que podem ser uma alternativa não necessariamente conservadora, como sempre foram, e que desistiram de trabalhar só para os ricos. Acredite quem quiser.

Os tucanos impunes do metrô

Ainda sobre a impunidade da máfia tucana do metrô de São Paulo, que por acaso abordei ontem aqui ao tratar da agilidade da Justiça contra Lula e da lentidão contra quadrilhas do PSDB.
A Folha tem em manchete agora a notícia de mais um escândalo dos formalismos do Ministério Público e do Judiciário, que de novo favorecem a gangue impune articulada ao longo dos governos do PSDB.
Esta é a notícia: procuradores de São Paulo se negam a assinar acordo com a Odebrecht, que permitiria o recebimento de provas do pagamento de propinas a integrantes dos governos de Covas, Serra e Alckmin.
E sem acordo não há informações sobre a corrupção tucana. Eles alegam, por formalismos, que o acordo de leniência foi mal encaminhado e não segue a legislação.
O que vai acontecer? O caso do metrô, investigado há uma década, pode ser arquivado sem a punição dos chefes da gangue. E não chegará nem perto dos políticos.
Covas já morreu. Mas Serra e Alckmin, segundo a matéria, podem escapar. Os punidos até agora são subalternos e mandaletes dos governos do PSDB e das empresas.
E a lei, diz o filme, é para todos (aliás, me contaram que dia desses três pessoas estavam numa sessão do filme sobre a Lava-Jato. Quem sabe eles fazem um filme sobre a rapidez da Justiça com a máfia do metrô tucano. Um filme com 10 anoas de suspense dentro de um trem. E que todo mundo sabe que no final a vitória é dos bandidos.)

Vem aí o grande show da direita

Esqueçam o trio tucano que pretendia disputar a eleição de 2018, se é que teremos eleição. Dois deles, Serra e Aécio, foram definitivamente avariados pela Lava-Jato. Mesmo que continuem impunes, só conseguirão voar em trajetos curtos, nos espaço aéreo deles em São Paulo e Minas.

Aécio é delatado todas as semanas. Serra retirou-se do governo do Jaburu, logo depois da denúncia dos delatores de Odebrecht de que recebeu R$ 23 milhões de propina, a maior parte na Suíça.

O terceiro, Alckmin, é um tucano cansado, desgastado pelos escândalos do metrô e da merenda, que iria para sua segunda tentativa de eleição no pior momento. A hora é dos tucanos com bicos (ou dentes) reluzentes.

Saem os tucanos de arrabalde, entram os tucanos sorridentes e cheirosos da elite paulistana, que vestem camisa polo de grife e mocassim de camurça sem meia.

É a hora de João Dória Júnior ou Luciano Huck ou Roberto Justus. O primeiro, uma invenção de Alckmin, tem a antipatia dos tucanos mais antigos, como Fernando Henrique. Mas estes não mandam mais nada no ninho.

Os outros, Huck e Justus, podem até tentar concorrer por outros partidos, se perderem a disputa interna pela preferência, mas são tucanos de origem. A direita quer renovação. E o novo é representado por esses sorrisos de chapa de porcelana.

E dizer que alguns anos atrás chegou-se a temer que Sílvio Santos se elegesse presidente. Sílvio Santos seria um Kennedy perto desses três pretendentes saídos da TV.

O pesadelo do golpe não tem fim. As celebridades que pretendem governar o Brasil fazem ou fizeram o que há de pior na TV, a exploração comercial das demandas e dos sonhos da pobreza, a caridade patrocinada, a solidariedade que busca audiência, a competição que imbeciliza, o marketing do bom mocismo.

O Brasil resignado com o golpe pode estar pronto para a sua versão fajuta de um Trump. O verdadeiro é autêntico no seu reacionarismo. Os nossos são esses bons moços que todos conhecem… Vem aí a direita fofa e com berço.

Criem coragem e peguem um tucano

As instituições têm mais 14 dias, até o fim do ano, para pegarem um tucano. Mas a Polícia Federal está atrás do Zé Agripino, que não aparece no Jornal Nacional dos sábados ao lado de uma samambaia há pelo menos dois meses.

Zé Agripino é manjado. Vão pegar o moralista do PFL pelas propinas que recebeu de empreiteiras.

Mas 10 Zés Agripinos não valem um tucano enquadrado. Só que continuam pegando os Zés Agripinos e os Malafaias e não pegam ninguém do PSDB.

E há investigações e processos contra José Serra, Pedro Parente, Pedro Malan, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves.

O problema é que ninguém fala disso. E talvez nem os investigadores saibam que todos estes tucanos estão sendo investigados e/ou processados.

Temos mais 14 dias para que ainda peguem um tucano este ano. Se não pegarem, este terá sido o ano da guerra seletiva à corrupção.

Parem de pegar sempre os mesmos passarinhos. Criem coragem e peguem um tucano, mas um tucano graúdo.

Os abutres cheirosos

urubudesenho

Mais uma análise, desta vez da jornalista Tereza Cruvinel, no site Brasil 247, aponta na direção do abandono do homem do Jaburu pelos empresários e para o fim da complacência da Lava-Jato.
Adiós, trégua. O foco da força-tarefa agora é o PMDB, enquanto o pessoal de Curitiba estuda o que fazer com Lula.
O certo é que os apoiadores do golpe querem logo a opção tucana, que está na origem disso tudo.
O homem do Jaburu e seus Geddeis, Padilhas, Moreiras Francos, Mendoncinhas e outros sabem que estão de passagem, só guardando a vaga para os preferidos do pato da Avenida Paulista e grande parte dos que conduzem hoje as “instituições”.
Leia o que Tereza escreveu:
“Daqui para a frente, mesmo a contragosto, a Lava Jato está compelida a avançar sobre o PMDB, enquanto poupa os tucanos. A percepção de suas roubalheiras combinadas com a desastrosa política econômica que aprofunda a recessão e o desemprego, em condições normais, produziria agora uma onda de Fora PMDB”.
O procurador Deltan Dallagnol já estaria preparando o powerpoint da rosácea de bolinhas azuis, com Michel Temer ao centro.
Enquanto isso, Aécio, Alckmin, Serra, FH e os graúdos do ninho tucano olham a promessa de carniça de longe, à espera do melhor momento para se banquetear.
Quando alguém imaginou que tucanos cheirosos e chiques disputariam um dia a carcaça podre do PMDB.