SERÁ QUE PARARAM?

É sensacional a argumentação do juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, ao negar o pedido de prisão preventiva contra o advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima Filho, os amigões mafiosos do jaburu.
Ao pedir as prisões, o Ministério Público argumentou que os dois (que já são réus no processo do Quadrilhão) fazem parte de um esquema que deve ser interrompido, considerando-se inclusive que, com a candidatura do jaburu à presidência, tudo o que eles querem é continuar roubando.
Mas o juiz decidiu que não precisa prender, porque não há nenhum indício de que os dois e os demais integrantes do Quadrilhão estejam mesmo dispostos a continuar os roubos. Os indícios talvez sejam de que eles pararam de roubar. Mas isso o juiz não esclarece.

Fomos derrotados pelo Quadrilhão

Um dia, a direita brasileira no poder foi sofisticada. Tinha um disfarce de centro-esquerda, mas era uma direita emplumada. Uma direita com o charme de Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan, Armínio Fraga, Luis Carlos Mendonça de Barros, Paulo Renato Souza, Bresser Pereira (há muito tempo arrependido do que pensou e fez), Celso Lafer e tantos outros.

Aquela direita sim era uma direita neoliberal com convicções ideológicas e fortes laços com os interesses dos grandes grupos internacionais. Tanto que vendeu metade do Brasil. Aquela direita tinha lastro e glamour.

Hoje, o programa de TV do PMDB nos mostrou a cara da direita que chegou ao poder em agosto do ano passado. O Brasil arcaico nos governa, com o jaburu, Padilha, Moreira Franco, Jucá, Eunício de Oliveira. Esses caras, que aplicaram o golpe com a ajuda de tucanos e do baixo clero, com o Supremo e com tudo, mantêm o povo sob controle.

Não há sofisticação nenhuma. Não há desculpa de que o mundo financeiro internacional manda cada vez mais no Brasil. O mundo financeiro não precisa mandar, mas só desfrutar do que o Brasil primitivo faz. As esquerdas acham que, ao atribuir o golpe e a anestesia geral a conspirações internacionais, atenuam suas culpas.

Nós fomos golpeados pelo Brasil arcaico, por essa turma do PMDB. Eles nos venceram. As reformas trabalhista e da Previdência, a destruição do SUS e da educação, a entrega do pré-sal, tudo passa antes pelo desejo dos coronéis de desfrutar dos benefícios de todas essas manobras. Do dinheiro que delas resultam, da partilha do saque. Os estrangeiros, claro, chegam para se apropriar do butim.

Mas o Brasil arcaico, predatório, não precisa que o sistema financeiro internacional lhe diga o que fazer para voltar ao sistema escravocrata do século 18. O Brasil do PMDB do Quadrilhão que apareceu na TV é o Brasil primitivo que nos mantém sob controle total.

Foi-se o Brasil de FH e de seus ministros que falavam com George Soros e com os grandes banqueiros e executivos mundiais. O Quadrilhão conversa com os grileiros de terras, os destruidores de florestas, os matadores de índios e os patos reacionários da Fiesp. Meirelles é apenas um lustro.

Não houve e não há nenhuma sofisticação no golpe. Não nos enganemos. Não há hoje nenhuma força internacional mais implacável do que a que sempre existiu.

O dinheiro manda no mundo e o mercado financeiro manobra com a política também no Brasil. Mas os coronéis da política, do latifúndio e seus prepostos das igrejas evangélicas e das balas mandam no Brasil. Estamos anestesiados por forças nacionais retrógradas, pelo Brasil da escravidão. Eles tomaram conta das instituições.

Mas as esquerdas não falam disso, que é admitir a submissão aos novos bandeirantes, a capitães do mato, a sinhozinhos, a coronéis e a todos os agregados que para eles trabalham, inclusive na imprensa e no Judiciário.

O PMDB que apareceu na TV tem o Brasil sob controle. Esqueçam as conspirações do FBI. Nós estamos sob o comando do Brasil do Quadrilhão e não conseguimos reagir. O Quadrilhão não precisa de FBI. Só precisa dos seus cúmplices em todas as instituições, principalmente no Judiciário.

Qual é a da doutora Raquel?

E vamos começar a semana com essa dúvida provocada pela procuradora-geral. Geddel era mesmo chefe da quadrilha? Seria da quadrilha do jaburu? Mas a quadrilha do jaburu era chefiada pelo próprio jaburu, segundo Janot.
Todo mundo sabe que Geddel era apenas um prestativo, sem condições de ser subgerente da gangue do jaburu. Um sujeito que guarda R$ 51 milhões em um apartamento, na beira da janela, para pegar sol, não pode ser chefe de nada.
Vão dizer que Geddel foi ministro, por ser da cota do jaburu no governo do PT. Mas Mendonça Filho é ministro da Educação. Jucá foi ministro. Padilha é ministro. E ninguém sabe quem é o ministro do Trabalho. E o da Saúde, da Indústria, dos Esportes? Tiririca só não é ministro porque não quer. Ser ministro é uma barbada. Mas ser chefe do Quadrilhão é outra coisa.
Raquel Dodge pode ter indicado Geddel como chefe numa manobra para livrar o jaburu? Geddel, como capo, não poderia ser delator e não iria dedurar ninguém. E o jaburu, com proteção garantida pelos 300 picaretas, deixa de ser o líder. É uma teoria que corre por aí.
Geddel chefe de Padilha, de Moreira Franco, de Jucá, de Rocha Loures? É brabo acreditar. Geddel, o gordinho engraçado, amigo dos jornalistas (inclusive alguns gaúchos), o palhaço do jaburu, era o chefe do almoxarifado.
Geddel só chefiava as malas. Por que a procuradora nos deixa com essa dúvida? O que pretende a doutora Raquel?

Os direitos do Quadrilhão

Estou aqui tomando meu mate com carqueja e pensando. No golpe contra Dilma, a direita do Congresso declarou voto pela família, por Deus e por Eduardo Cunha. Foi um voto pelos costumes e pela ‘moral’ religiosa.
Já na votação da denúncia contra o jaburu-da-mala, o argumento pró-jaburu foi o da defesa da estabilidade econômica. Foi um voto pela segurança do povo.
A piada da primeira votação ficou pior na segunda. Agora, a denúncia a ser votada pega o jaburu, Padilha e Moreira Franco. Fica mais complicado arranjar um argumento para todos.
Estava pensando num pretexto possível e até ofereço essa ideia de graça a eles. Os golpistas poderão manter a sinceridade e votar em defesa do direito de formação de quadrilha, que é do que trata uma das denúncias do Ministério Público.

A excursão do Quadrilhão

O Quadrilhão denunciado por Rodrigo Janot viaja para Nova York amanhã. O jaburu-da-mala, Eliseu Padilha, Moreira Franco e uma chusma de subalternos que os auxiliam na condução do trem da economia, da moralidade e da esperança.
Janot queria que todos eles fossem para a Papuda junto com Aécio. Os três vão à ONU e à Casa Branca e depois vão às compras. E Aécio anda por aí. A Papuda que espere.

A direita vai escapar de novo?

Uma das perguntas da semana: o que os políticos do PP alcançados pelas flechas do Janot têm a dizer? Todos os 30 denunciados por organização criminosa apoiaram o golpe (os nomes estão sob sigilo) e saíram pelo país a fazer pregações moralistas.
Um delatado pelo doleiro Youssef como recebedor de propina da Petrobras, há dois anos, chegou a dizer que o partido dele havia acabado com a denúncia. A velha Arena finalmente teria chegado ao fim. Chorou, se despedaçou ao vivo. E está aí de novo dando entrevistas (não cito seu nome porque não sei se faz parte da lista de denunciados).
Alguém da direita será finalmente condenado pela Lava-Jato? Vão pegar os corruptos do PP que faziam parte do que o Ministério Público definia como quadrilhão? Ou as últimas flechas de Janot têm a ponta rombuda?