O CORONEL E OS MILICIANOS

O embate entre Alcolumbre e Renan Calheiros inaugura no Congresso o duelo entre coronéis e milicianos. É disso que trata a disputa pelo controle do Senado.

De um lado está o coronelismo que em alguns momentos até avança, alia-se às esquerdas e faz concessões surpreendentes, em nome da própria sobrevivência.

Do outro lado está a turma que leva o poder dos milicianos de Flávio Bolsonaro para dentro do Congresso. A extrema direita, com o Rio das Pedras e com tudo, está a um palmo de controlar o Senado.

Tenham saudade de Romero Jucá. Esse é o primeiro faroeste de 2019. Não há saída. Só Renan Calheiros pode nos salvar, pelo menos por enquanto.

Os bois do Padilha

Apreenderam 1.900 bois de Eliseu Padilha no Mato Grosso. Um juiz mandou requisitar os bichos para que Padilha pague pelo desmatamento de 1.300 hectares de uma área de preservação que usou para aumentar seu sitiozinho na região.
É a Justiça não seletiva, que continua atuando para pegar também os bois da direita. Mas aí, quando eu comemorava a apreensão dos bois do Padilha, o Supremo decidiu soltar a boiada do Renan Calheiros.
Se não dá mais pra comemorar nem a apreensão de bois, imagine se um dia iremos comemorar a apreensão de tucanos.

Os judiciários

Qual a contribuição de Sergio Moro e de Gilmar Mendes para o engrandecimento do Judiciário que a ministra Cármen Lúcia tenta agora defender dos ataques de Renan Calheiros?

Cármen Lúcia é a autora da melhor definição da situação trágica da Justiça, quando disse, ao tomar posse na presidência do Supremo, que o Brasil tem muitos Judiciários. A quem servem esses Judiciários?

Qual é o Judiciário de Gilmar Mendes, que ataca juízes e promotores? Qual é o Judiciário de Sergio Moro, que ainda não conseguiu estender o alcance de suas ações à direita corrupta tucana?

No que os Judiciários de Mendes e Moro são diferentes do Judiciário pretendido por Renan Calheiros, ao atacar o “juizeco” (diz ele) que determinou a prisão de policiais do Senado?

Que Judiciário vai sobrar no Brasil depois das ações seletivas dos que deveriam preservá-lo e engrandecê-lo?

Em que instituição dá para confiar hoje no Brasil?

 

Por que o Sarney?

sarney

Rodrigo Janot mandou pegar o Cunha, o Jucá, o Calheiros e o Sarney. Qual a surpresa? Talvez o Sarney, velho e fora de combate, porque os outros são manjados demais.
Por que prender o Sarney? Ah, diz o procurador-geral, porque está tentando atrapalhar as investigações da Lava-Jato. E está no pacote do PMDB.
Sarney é mafioso vencido, não atrapalha mais nada nem no Maranhão. Por que Janot não manda prender um tucano? Um só. Quem tem medo do bico dos tucanos?
Quando vão começar a pegar tucanos? Mas pegar mesmo, e não ficar só na volta. Quando?
Era só o que faltava, com tanto corrupto novo por aí, pegarem o Sarney logo agora. Deixem o Sarney, peguem alguns dos chefes dos corruptos dos trens e das merendas de São Paulo. Vamos variar um pouco.

Até os corruptos são interinos

Caiu Fabiano Silveira, o ministro da Transparência. Quando caiu Jucá, só os comentaristas políticos sabiam de quem se tratava. Ah, era um grande articulador saído direto de Roraima para os labirintos de Brasília. Ninguém sabia da existência do medíocre Jucá no Brasil, a não ser os jornalistas e o próprios políticos.

Agora, cai Fabiano, pego num grampo pelo grande grampeador da Transpetro. Era tão medíocre que, sem reputação mínima, não conseguiu nem entrar na antiga CGU (onde pretendia continuar trabalhando), barrado por um grupo de funcionários na garagem do prédio. Quando aconteceu algo parecido antes com um ministro?

Fui pesquisar para saber quem teria sido em algum momento da vida pública o famoso Fabiano. No ano passado, ele foi eleito novo ouvidor-chefe do Conselho Nacional de Justiça. E fez um discurso:

“A Ouvidoria permite a interação com a sociedade civil, porque ela recebe as reclamações, as queixas e as ponderações feitas pela sociedade de um modo geral”.

De um modo geral, o tal Fabiano vinha tentando livrar Renan Calheiros da Lava-Jato. Quantos pilantras o Brasil ainda terá de conhecer, por conta do governo interino de Michel Temer. Tão interino que até os corruptos têm apenas interinidade.

Jucá e Fabiano são subchalaças, do quinto escalão das sacanagens de Brasília, ninguém sentirá falta deles. O que o povo quer (o povo sempre está querendo algo) é a queda de um grandão.

Um dia, a Lava-Jato poderia pegar um grandão da direita. Mesmo que diga depois que foi por engano e solte logo em seguida. Chega de Jucás e Fabianos. O Brasil merece que peguem um grandão da direita.