Precisamos falar de ditadura, tortura, reparação e anistia

A ascensão de figuras da extrema direita na política brasileira nunca será compreendida (para que não sejam aceitas com naturalidade) sem o entendimento de nossas omissões.
E uma das omissões mais graves foi a negação do debate sobre as impunidades da ditadura. Dessas impunidades surgiram sujeitos com a capacidade de arregimentação de um Bolsonaro.
Argentinos, chilenos e uruguaios fizeram o debate sobre o arbítrio imune a punições e enfrentaram suas consequências políticas. Por que os ditadores e seus subalternos, incluindo os torturadores, nunca foram punidos no Brasil? Por causa da anistia? Só por isso ou porque nos acomodamos numa controvérsia retórica sobre reparações e o alcance jurídico do perdão que beneficiou assassinos?
Pois chegamos aos 40 anos da anistia e a um bom momento para debater essas impunidades, no único país da América Latina em que um presidente elogia torturadores.
É nesse ambiente que acontecerá o Seminário Internacional sobre os 40 anos da Anistia e o Legado das Ditaduras na América Latina, de 26 a 28 de agosto no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo.
O evento é organização por IEA-USP, CAAF-Unifesp, IEVE-Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado e Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, com o apoio de OAB-SP, IBCCRIM, Arquivo do Estado de São Paulo, Associação dos Arquivistas e Centro Universitário Maria Antonia.

Esta é a programação:
26/08 – segunda-feira
14h: Memória, trauma e legado das ditaduras no Cone Sul – debate sobre livros – Fabiana Rousseaux (TecMe-Argentina), Desirée de Lemos Azevedo (Unifesp-Brasil), Liliana Sanjurjo (Brasil) e Márcio Seligmann Silva (IEL-Unicamp). Coord. Danielle Tega (Unicamp)
18h: Sessão de Abertura do Seminário e da Exposição fotográfica – Paulo Endo (IEA/USP), Edson Teles (CAAF-Unifesp), Ana Amélia Mascarenhas de Rezende Camargo (OAB-SP), Marcelo Quintanilha (Arquivo do Estado de São Paulo) e Eleonora Rangel Nacif (IBCCRIM)
18h30: Mesa Redonda: a luta pela anistia e a Vala de Perus – Amelinha Teles (Comissão de familiares), Eleonora Menicucci (CAAF-Unifesp), Heloisa Amélia Greco (historiadora) e Luiza Erundina (deputada/PSOL). Coordenação: Ítalo Cardoso (OAB/SP e CPI Vala dos Perus)
27/08 – terça-feira
10h: Mesa Redonda: A anistia, o direito internacional e o STF -André de Carvalho Ramos (USP), Carla Osmo (Unifesp) e Eliana Vendramini (MP/SP). Coordenação: Renan Quinalha (Unifesp)
14h: Mesa Redonda: 40 anos de anistia no Brasil: balanço e perspectivas
17h30: Intervenção Cultural com Cabaré Feminista e Cia Kiwi
18h30: Mesa redonda: As disputas pelas memórias da ditadura na América Latina – Antônia Urrejola (CIDH/OEA), Fabiana Rousseaux (TecMe- Argentina), Macarena Gelman (Uruguai), Cath Collins (Chile) e Janaína Teles (IEA/USP). Coordenação: Paulo Endo (IEA e Psicologia USP)
28/08 – quarta-feira
10h: Mesa Redonda: Os ataques ao direito à memória e à verdade no Brasil – Eugênia Gonzaga (MPF), Criméia de Almeida (IEVE) e Adriano Diogo (Comissão Verdade SP). Coordenação: Edson Teles (CAAF/Unifesp)
14h: Mesa-redonda: Os não-sujeitos da anistia – Amauri Mendes (UFRRJ), Pádua Fernandes (Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos sociais) e Marisa Fernandes (Coletivo de Feministas Lésbicas). Coordenação: Desirée Azevedo (Unifesp)
18h: Homenagem a Elzita Santa Cruz: Rosalina Santa Cruz (filha de Elzita) e Felipe Santa Cruz (neto de Elzita e presidente da OAB)
18h30: Mesa-redonda: Testemunhos: Anistia, Inês Etienne Romeu e a Casa da Morte de Petrópolis – Fábio Konder Comparato (Direito/USP), Iberê Bandeira de Mello (advogado de presos políticos), Sérgio Ferreira (amigo de Inês) e Nicolau Bruno (cineasta). Coordenação: Ana Maria Camargo (História/USP).
Organização: IEA-USP, CAAF-Unifesp, IEVE-Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado, Comissão de familiares de mortos e desaparecidos políticos.
Apoio: OAB-SP, IBCCRIM-Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Arquivo do Estado de São Paulo, Associação dos Arquivistas e Centro Universitário Maria Antonia.

Ameixas e democracia

Hoje, 16 anos depois do ataque de um detrator, a Justiça finalmente mandou publicar a reparação à honra de mestre Olívio Dutra, que eu já compartilhei aqui no meu blog.
Para comemorar, publico essa foto feita pelo amigo Emílio Pedroso num dia de setembro em que comemos ameixa colhida do pé, no pátio da casa de dona Judite e Olívio em São Luiz Gonzaga.
Ainda vamos colher muitas ameixas para adoçar a vida, a resistência e a democracia, mestre Olívio.