Estudantes

Enquanto a maioria dos estudantes perde tudo e só reclama, os alunos da Universidade Federal de Santa Catarina fazem o que deve ser feito. Vão para a greve geral.
O bolsobarismo não será derrotado sem os estudantes.
Em lugar algum o fascismo foi enfrentado sem a força dos jovens.
Se eles não têm nada a perder, o que explica a resignação diante da destruição das universidades e do sistema de bolsas de estudos?

A resistência

Quarta-feira à noite, ouvi José Dirceu em palestra na Federação dos Bancários e ontem pela manhã participei de uma roda de conversa coordenada pelo Rodrigo Dilelio, presidente do PT de Porto alegre, na sede do partido.
Se pudesse resumir em três pontos as falas de Zé Dirceu, nos dois encontros, eu deixaria assim:

É possível resistir, nas universidades, nos sindicatos, nos movimentos sociais, na Igreja progressista (a católica e as luteranas, digo eu), nos bairros e, claro, nos partidos e principalmente com a força dos jovens.

Preparem-se para a estrutura de vigilância que está sendo criada (nas sombras da caçada ao tráfico e ao crime organizado) com caráter e formato de polícia política.

Não desistam nunca de lutar pela libertação de Lula.

O INSTINTO DE LULA

A decisão que Lula tomar amanhã ou depois será bem tomada. Tão bem tomada quanto a de hoje, quando mandou um recado a Sergio Moro. Não marque hora para me prender, nem tente me seduzir com celas especiais.
 
Pois deixem que Lula continue sendo conduzido por sua intuição. Não caiam numa armadilha ingênua e egoísta proposta pela direita e aceita por parte da esquerda.
 
É a armadilha quase infantil de que a prioridade agora, se Lula for preso, e mesmo que não seja, é buscar uma alternativa à sua candidatura.
 
É ingênua porque nada se ganha apressando uma definição sobre frentes e candidaturas herdeiras de Lula. Ganha-se o quê?
 
Alguém imagina Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos sendo indicados, em meio à consternação, como sucessores de Lula? E saindo em disparada para saber quem chega na frente? Não sairiam. Os dois são solidários a Lula porque dependem dele.
 
E o debate sobre alternativas é egoísta e quase neoliberal porque, em nome da ideia utilitária da viabilização de uma frente ou de um nome, há muita gente disposta a abandonar Lula e sua resistência.
 
Abandonar o poder simbólico e real de um Lula lutando contra Sergio Moro, o Supremo de Jucá, o Quadrilhão, o pato da Fiesp e a imprensa é desprezar o que as esquerdas têm hoje de mais valioso.
 
Lula carrega as esquerdas nas costas. Hoje, o mundo ficou sabendo mais uma vez que é assim. Mas parte das esquerdas prega que se abandone Lula para cuidar da funcionalidade da vida no paraíso da próxima eleição.
 
Abreviar o processo é ofender a trajetória de Lula e sua capacidade única de afrontar o golpe e denunciá-lo também para os que nos olham de longe. Lula resiste mais do que todos nós. Muito mais. Ele pôs o dedo na cara dos que o perseguem e nos perseguem.
 
Mas alguns querem se livrar de Lula em nome de candidaturas estepes? Aquietem-se com seus planos B. Procurem pensar, tentem, mas não pensem em voz alta. Respeitem Lula.