A conversinha de Tabata

Tabata Amaral no Roda Viva reafirma o que é logo nas primeiras falas. Essa moça é a figura mais egocêntrica da política, talvez mais do que Ciro Gomes.
Ela é quem pratica a nova política. Ela representa a pureza na política. É atacada por ser jovem. Ela é criticada por ser mulher.
Ela é o máximo por ter uma missão aparentemente divina por ser perfeita. É o que ela acha que é.
E Tabata é apenas uma jovem reacionária com a velha conversa da direita.
(E disse na maior cara de pau, no último bloco, que se considera de esquerda.)
Que perigo essa Tabata.

Lavajatismo juramentado

Quanto mais Gilmar Mendes denunciava o adesismo da imprensa lavajatista ontem no Roda Viva, mais os jornalistas da bancada assumiam o lavajatismo.
Mendes atacava, eles esperneavam e tentavam emparedar o ex-aliado, sempre na tentativa de mostrá-lo como traidor dos justiceiros de Curitiba.
O lavajatismo militante, assim definido pelo próprio entrevistado, era fortalecido e escancarado durante o andamento do programa.
Tanto que o nome de Sergio Moro só foi abordado no último bloco e com muita timidez, quase com pedido de desculpas.
Foi mais um episódio revelador do caráter da imprensa golpista, que só não virou bolsonarista porque se desentendeu com Bolsonaro.

GILMAR MENDES HUMILHA A IMPRENSA LAVAJATISTA

O jornalismo saiu lanhado da entrevista de Gilmar Mendes ao Roda Viva. Sobrou mais para a imprensa do que para Deltan Dallagnol e Sergio Moro.

Seis jornalistas levaram uma surra, do começo ao fim, pelo adesismo incondicional das corporações às ações da Lava-Jato.

Foram eles, os jornalistas, que entraram na roda, ao tentar pressionar Mendes como um traidor dos ideais do lajavatismo.

O entrevistado apresentou armas logo no começou e deixou os perguntadores em alerta:
“Muitos de vocês assumiram o lavajatismo militante. De alguma maneira vocês estavam criando falsos heróis”.

Silêncio total no estúdio. Sem saber o que dizer, foram salvos pelo pedido de intervalo de Daniela Lima.

Mais adiante, quando era empurrado de novo para as cordas, Mendes lembrou que Veja e Folha admitiram erros na cobertura da Lava-Jato e voltou a atacar:
“Vocês não podem ser uma banda auxiliar de um agrupamento”.

No mais, o Gilmar Mendes de sempre, sem surpresas, condenou as intermináveis prisões preventivas de Curitiba, disse que a Lava-Jato tinha “mais publicitários do que juristas”, classificou a relação Moro-Dallagnol como um “conúbio espúrio”, sugeriu vagamente que as mensagens divulgadas pelo Intercept poderão ser validadas para a anulação da condenação de Lula, admitiu que o Ministério Público está com excesso de poderes e tratou pelas bordas um assunto delicado: a proteção que deu a Flavio Bolsonaro, ao impedir que o MP do Rio use dados do Coaf contra o filho de Bolsonaro.

Num momento divertido, disse a Josias de Souza, do UOL, que o apertava, que ele deveria prestar atenção a uma decisão “do seu amigo Barroso”, referindo-se ao seu colega e desafeto no STF.

A entrevista só não foi um fracasso, pela repetição de argumentos conhecidos, porque Gilmar Mendes manteve os seis jornalistas em posição de defesa e humilhou a grande imprensa.

SEJAM JORNALISTAS, ESTÚPIDOS

Alguém perguntou a Glenn Greenwald, ontem no Roda Viva, o que ele faria se soubesse que pagaram o hacker para ter acesso às conversas escabrosas da Lava-Jato.

A resposta deveria ser estudada já a partir de hoje em aulas de jornalismo: jornalista não é polícia.

Jornalista divulga informações relevantes, de interesse público, obtidas legal ou ilegalmente. Aqui e em qualquer democracia (ou deveria ser assim também no Brasil).

O que não pode é comparar hacker com autoridade que faz vazamentos seletivos de informações do próprio trabalho para tentar favorecer ou comprometer uma das partes, como fizeram na Lava-Jato.

Outro bom momento foi quando da pergunta sobre os estragos que os vazamentos podem causar na Lava-Jato, se eventualmente beneficiarem já condenados.

A resposta: Sergio Moro e seu pessoal se consideram acima do bem e do mal, a ponto de achar que qualquer informação que os contrarie pode conspirar contra feitos que consideram inquestionáveis? A verdade absoluta está sempre com eles?

Resumindo, Glenn Greenwald deu boas lições à atrapalhada bancada de jornalistas que tentou cercá-lo de todas as formas.

Tentem ser menos oficialistas, menos policialescos, menos governistas e menos lavajatistas. Sejam jornalistas.

Manuela

Algumas notas que publiquei no Face Book a respeito da entrevista de Manuelas D’Ávila ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo.

Perguntadores do Roda Viva transformam a entrevista com Manuela D’Ávila em interrogatório.
Como eles ficam valentes quando o entrevistado é de esquerda (chegam a fazer a mesma pergunta três vezes) e como se acovardam diante de figuras da direita.
Até agora, 7 a 1 para Manuela.

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“Todo o povo brasileiro sabe por que Lula está preso. Ele está preso porque está em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais”.
Manuela D’Ávila no Roda Vida

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Os perguntadores mais machistas no Roda Viva (porque perturbados pelo brilho de Manuela) não foram os homens. Não foi nem o bolsonarista levado ao programa para fazer perguntas imbecis.
Foram as duas mulheres. Elas foram as que mais tentaram emparedar Manuela.
Seria apenas constrangedor se não fosse vergonhoso para o jornalismo.

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Os fascistas da república do relho vão dormir preocupados hoje. Manuela D’Ávila apresentou ao Brasil, na entrevista ao Roda Viva, a verdadeira valentia de gaúchas e gaúchos.

 

Boulos

Guilherme Boulos acabou com a conversa ontem no Roda Viva. O candidato é Lula. Ele não se apresenta como pretenso herdeiro das ideias e dos votos de um líder preso.
Boulos e Manuela estiveram sempre ao lado de Lula até a prisão. Lula chamou os dois para perto. E sabemos que continuam.
Ah, dirão, mas ambos estão em campanha. Estão e daí? Assim funciona a democracia.
O que importa é que nenhum deles ataca Lula e o PT e tampouco fala na urgência da frente das esquerdas.
Boulos quer Lula livre. É o que Manuela também quer.

Manuela e Moro

Encontrei Manuela D’Ávila por acaso hoje. Ela me contou que dormiu na metade da entrevista de Sergio Moro ao Roda Viva. Era cordialidade demais numa bancada que não retrucava nada do que Moro dizia e só levantava a bola para o juiz rebater.

Manuela lembrou que um dos perguntadores, o jornalista Fernando Mitre, estava bem diferente do repórter que ela enfrentou em dezembro do ano passado.

Manuela deu uma entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, e Mitre amontoava perguntas em cima de perguntas. Foi um entrevistador duro e incisivo.

Ontem, Mitre era um dos mais cheios de saramaleques. Foi contundente com Manuela e cordial e fofinho diante do juiz. O jornalismo, dependendo das circunstâncias, vira uma conversa de compadres, como virou ontem.

Fizeram 46 perguntas a Sergio Moro. Quase todas com o tom de pergunta de colegial diante de alguém que a professora mandou entrevistar.

Um estudante de jornalismo só aprende coisa ruim vendo uma entrevista como aquela do Roda Viva. Mas fica sabendo pelo menos como não se faz uma entrevista.

O ciclista da Lava-Jato

O momento fofo de Sergio Moro no Roda Viva foi quando disse que, logo no começo da Lava-Jato, ia e voltava do trabalho de bicicleta. A bancada de jornalistas fofos entrou em êxtase.
A Lava-Jato também nos ensina a ter uma vida saudável e a contribuir para a humanização das cidades.
O cinismo pode andar a cavalo, em tratores ou até de bicicleta.

O ESTAGIÁRIO

Sergio Moro é o estagiário que prospera, fica mais importante e poderoso do que os antigos chefes e passa a mandar recados a quem o ajudou a ser alguma coisa na vida.
Ontem, no Roda Viva, seu grande lance foi a bajulação da ministra Rosa Weber e seu recadinho ao vivo.
Quando começaram a falar de presunção de inocência e de prisão depois de condenação em segunda instância (para que Lula entrasse na conversa), logo Moro buscou Rosa Weber para se apoiar.
Disse que trabalhou com a ministra no Supremo e que confia na sua “seriedade e qualidade técnica”. Revisar o que o Supremo decidiu em 2016 (que um condenado pode ser preso depois de sentença reafirmada em segunda instância) seria, segundo o juiz, “dar um passo atrás”.
Rosa Weber, a chefe de Moro quando do mensalão, é decisiva para a decisão do dia 4 de abril do habeas em favor de Lula, se é que o Supremo vai decidir mesmo alguma coisa. No dia 4 ficaremos sabendo se o ex-estagiário vai vencer mais uma.