Boulos

Guilherme Boulos acabou com a conversa ontem no Roda Viva. O candidato é Lula. Ele não se apresenta como pretenso herdeiro das ideias e dos votos de um líder preso.
Boulos e Manuela estiveram sempre ao lado de Lula até a prisão. Lula chamou os dois para perto. E sabemos que continuam.
Ah, dirão, mas ambos estão em campanha. Estão e daí? Assim funciona a democracia.
O que importa é que nenhum deles ataca Lula e o PT e tampouco fala na urgência da frente das esquerdas.
Boulos quer Lula livre. É o que Manuela também quer.

Manuela e Moro

Encontrei Manuela D’Ávila por acaso hoje. Ela me contou que dormiu na metade da entrevista de Sergio Moro ao Roda Viva. Era cordialidade demais numa bancada que não retrucava nada do que Moro dizia e só levantava a bola para o juiz rebater.

Manuela lembrou que um dos perguntadores, o jornalista Fernando Mitre, estava bem diferente do repórter que ela enfrentou em dezembro do ano passado.

Manuela deu uma entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, e Mitre amontoava perguntas em cima de perguntas. Foi um entrevistador duro e incisivo.

Ontem, Mitre era um dos mais cheios de saramaleques. Foi contundente com Manuela e cordial e fofinho diante do juiz. O jornalismo, dependendo das circunstâncias, vira uma conversa de compadres, como virou ontem.

Fizeram 46 perguntas a Sergio Moro. Quase todas com o tom de pergunta de colegial diante de alguém que a professora mandou entrevistar.

Um estudante de jornalismo só aprende coisa ruim vendo uma entrevista como aquela do Roda Viva. Mas fica sabendo pelo menos como não se faz uma entrevista.

O ciclista da Lava-Jato

O momento fofo de Sergio Moro no Roda Viva foi quando disse que, logo no começo da Lava-Jato, ia e voltava do trabalho de bicicleta. A bancada de jornalistas fofos entrou em êxtase.
A Lava-Jato também nos ensina a ter uma vida saudável e a contribuir para a humanização das cidades.
O cinismo pode andar a cavalo, em tratores ou até de bicicleta.

O ESTAGIÁRIO

Sergio Moro é o estagiário que prospera, fica mais importante e poderoso do que os antigos chefes e passa a mandar recados a quem o ajudou a ser alguma coisa na vida.
Ontem, no Roda Viva, seu grande lance foi a bajulação da ministra Rosa Weber e seu recadinho ao vivo.
Quando começaram a falar de presunção de inocência e de prisão depois de condenação em segunda instância (para que Lula entrasse na conversa), logo Moro buscou Rosa Weber para se apoiar.
Disse que trabalhou com a ministra no Supremo e que confia na sua “seriedade e qualidade técnica”. Revisar o que o Supremo decidiu em 2016 (que um condenado pode ser preso depois de sentença reafirmada em segunda instância) seria, segundo o juiz, “dar um passo atrás”.
Rosa Weber, a chefe de Moro quando do mensalão, é decisiva para a decisão do dia 4 de abril do habeas em favor de Lula, se é que o Supremo vai decidir mesmo alguma coisa. No dia 4 ficaremos sabendo se o ex-estagiário vai vencer mais uma.

Moro no Roda Viva

Observações que fiz ontem no FaceBook sobre a participação de Sergio Moro no programa da TV Cultura.

A ordem cronológica dos comentários é esta, de cima para baixo:

Vai começar daqui a pouco a conversa de Sergio Moro com uma bancada de amigos jornalistas, no Roda Viva da TV Cultura.
O brabo é aguentar duas horas de conversa fiada à espera de uma derrapada de Moro ou de uma revelação surpreendente, como o anúncio bombástico da devolução de tudo o que ele pegou até hoje de auxílio-moradia.
Mas o pior é o tom de voz de Sergio Moro. Não há quem aguente uma hora e meia com aquele sustenido. Moro poderia ser dublado pelo cara que dubla o Homer Simpson.

…………………

Sergio Moro refere-se ao “saudoso ministro Teori Zavascki” e diz que sem ele não existiria Lava-Jato.
Fez média com o único ministro que o enfrentou e o recriminou formalmente pelo delito (até hoje impune) de ter grampeado a presidente Dilma Rousseff e enviado a gravação para a Globo.
Moro diz que Teori era “uma pessoa que todo mundo gostava”. Mas Teori está morto.

………………….

Moro confia na ministra Rosa Weber para que o Supremo mantenha a possibilidade de prisão depois de condenação em segunda instância. E deu um carteiraço: eu trabalhei com a ministra.
Os amigos jornalistas se excitaram. Rosa Weber ouviu um recado do pupilo.
Lula está nas mãos da ex-chefe de Moro.

…………………..

Esta entrevista com Sergio Moro é como um daqueles jogos de segunda-feira da Série C entre o 15 de Jaú e o Treze da Paraíba.
Sabe-se desde o começo que não vai acontecer nada. Mas ficamos à espera do imponderável. E o imponderável não aparece.
Até uma pergunta sobre Tacla Durán passou agora por ali, mas teve uma resposta enrolativa, e o perguntador deixou por isso mesmo.
Moro pode sair da entrevista e ir jantar com Leandro Karnal. Por antecipação, já estou ouvindo as gargalhadas.

………………….

Conclusões rápidas. Duvido que a série do Padilha sobre a Lava-Jato seja pior do que esta entrevista com Sergio Moro.
Sergio Moro não deve ser mesmo agente da CIA. É simplório demais, é repetitivo, previsível, com frases que se sustentam em clichês de conversa de boteco.
Mas no fim disse torcer para que o Brasil tenha um bom presidente ou uma boa presidenta.
Aí surpreendeu. A direita não deve ter gostado da concessão do juiz à palavra presidenta.
Sergio Moro me deve duas horas que desperdicei por ainda ser curioso. Se fosse um espetáculo pago, pediria meu dinheiro de volta.

Dublagem

Vai começar daqui a pouco a conversa de Sergio Moro com uma bancada de amigos jornalistas, no Roda Viva da TV Cultura.
O brabo é aguentar duas horas de conversa fiada à espera de uma derrapada de Moro ou de uma revelação surpreendente, como o anúncio bombástico da devolução de tudo o que ele pegou até hoje de auxílio-moradia.
Mas o pior é o tom de voz de Sergio Moro. Não há quem aguente uma hora e meia com aquele sustenido. Moro poderia ser dublado pelo cara que dubla o Homer Simpson.

A PERGUNTA

Nesta segunda-feira, tem Sergio Moro no Roda Viva da TV Cultura. Listei, em artigo que publiquei na edição online do jornal Extra Classe, 10 perguntas que dificilmente serão feitas pela bancada de jornalistas ao juiz da Lava-Jato.

Em outros tempos e com outro personagem, até poderiam ser formuladas, mesmo durante a ditadura. Hoje, não. Hoje, o jornalismo pós-golpe é amigo de Sergio Moro e o considera um togado intocável.

A bancada de perguntadores é uma claque. São esses os amiguinhos que vão entrevistar o juiz: Augusto Nunes, apresentador, Sérgio Dávila, editor de redação da Folha, João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado, Daniela Pinheiro, diretora de redação da revista Época, Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, e o jornalista Ricardo Setti, que estará lá porque é o eterno Sancho Pança de Augusto Nunes.

Todos vão levantar a bola para os gols de bicicleta de Moro. Não há um jornalista de fora da torcida da Lava-Jato entre eles, um só. Moro não quis ou decidiram facilitar sua vida? Mas eles vão simular peguntas ‘difíceis’, pra tentar um teatro.

Das 10 perguntas que listei, gostaria que o juiz respondesse a pelo menos uma. É esta, a última:

O senhor é, como juiz especial, um ídolo da direita e da extrema direita. Qual é o seu sentimento, nesta condição de juiz especial, em relação à adoração por parte de pessoas que têm desprezo pela discordância, pela diversidade, pela democracia e pela própria Justiça?

10 perguntas para Sergio Moro

AMIGUINHOS

Dia 26, tem Sergio Moro no Roda Viva, na TV Cultura. Anunciam que reunirão um time de primeira linha de entrevistadores para a despedida de Augusto Nunes como apresentador do programa. Nunes é o cara que há anos finge fazer perguntas para amigos tucanos.

Mais do que Sergio Moro, um simplório que pouco ou nada acrescenta à reflexão mais complexa, quero mesmo ver o comportamento da bancada de perguntadores.

Farão perguntas para o juiz, ou só levantarão a bola para sua retórica pobre de caçador de corruptos do PT.

O jornalismo hoje é mais amigo do Judiciário de exceção do que foi dos juízes e dos militares no tempo da ditadura.

Pergunte a estudantes de jornalismo o que eles acham da grande imprensa. Os mais desiludidos nem acham mais nada.

As rodas tucanas

Chico Buarque mandou tirar Roda Viva da trilha sonora do programa do PSDB na TV Cultura de São Paulo. Porque o Roda Viva era um bom programa, mas ficou tucano demais e in-su-por-tá-vel como o Geddel Vieira Lima.
A TV Cultura está aceitando sugestões de novas trilhas. De acordo com a onda de patriotismo que anda por aí e já esperando a nova bateção de panelas que se anuncia com o projeto que anistia o caixa dois, esta é minha sugestão: