Se Maia já foi…

Bolsonaro desistiu de enviar um representante à posse de Alberto Fernández na Argentina, porque Rodrigo Maia já esteve com o presidente eleito na semana passada.
Faz sentido. Maia é o verdadeiro presidente brasileiro, o cara que faz as reformas andarem no Congresso e que articula apoios políticos à agenda de Paulo Guedes, na maioria das vezes sem que Bolsonaro saiba de nada.

MAIA, MORO E O PORTEIRO

A campanha mais consistente para 2022 não é a de Doria e muito menos a de Huck. Tampouco é a do justiceiro Sergio Moro com seus painéis gigantes ao lado de um encapuzado que aponta a arma para quem passa nas ruas de Porto Alegre.

A campanha pra valer é a de Rodrigo Maia, que corre pelo centro, entra em diagonal na direita e às vezes aparece também na esquerda.

Maia foi o único até agora a dizer que o general Augusto Heleno atua como linha auxiliar de Olavo de Carvalho.

Não é pouca coisa. Maia é o fofo que, quando precisa, bate com firmeza até em general. O gordinho põe a Globo num dilema. Os Marinho vão ter que se definir em algum momento e escolher o cara que vai enfrentar Bolsonaro.

Maia vai consolidar o parlamentarismo, enquanto ele e Alcolumbre fazem, com a ajuda de Guedes, tudo para que Bolsonaro não atrapalhe os projetos do governo.

Quem governa há muito tempo, em questões decisivas que dependem de articulação política, é Rodrigo Maia. Bolsonaro cuida dos filhos.

E os outros? Doria não prospera. Huck pode ser demolido quando ficar marcado como candidato saído de dentro da Globo. E Moro já perdeu boa parte do apoio da classe média. A Folha bate no ex-juiz quase todos os dias, e a Globo parece ter desistido do ex-chefe de Dallagnol.

Se não for o candidato da direita que era tucana e hoje está dispersa e desorientada, Moro será empurrado para a área já lotada da extrema direita.

O ex-juiz pode ser obrigado a disputar espaço no campo ocupado por Bolsonaro. O problema é saber se os milicianos vão deixar. Moro terá de falar com o porteiro e talvez até com o Queiroz.

BOMBAS, BENGALAS E TRAVESSEIROS

Duas bombas no bolsonarismo, as duas na Folha, que vem rearticulando forças contra a extrema direita.
A primeira: Álvaro Antonio, o ministro do Turismo do esquema de laranjas em Minas, era guarda-chuva do esquema geral de caixa 2 de Bolsonaro, segundo um assessor do mineiro.
Por isso Bolsonaro, que rifa até generais inimigos de Carluxo, protege tanto o homem.
O chefe dos laranjas já foi indiciado pela Polícia Federal e mesmo assim é mantido no cargo.
A outra bomba é o ataque direto de Rodrigo Maia (leia-se como recado da Câmara) a Sergio Moro por pressionar o Congresso para manter a imagem de justiceiro.
Maia diz que, se o ex-juiz fosse mesmo levar a sério algumas das suas teses do combate ao crime, hoje ele não seria ministro mas réu. É forte.
E ainda tem a briga de travesseiros e bengalas do general Augusto Heleno com Fernando Henrique. A primavera promete.
Até novembro, o Congresso passa a governar e Bolsonaro ficará apenas brigando com ciclistas sobre o Queiroz.

PRODUTO NACIONAL

O Brasil branco, racista, fascista, homofóbico, armamentista, que mistura a Avenida Paulista com grileiros e jagunços da Amazônia, deve discordar de Rodrigo Maia quando ele diz que Bolsonaro é “produto dos nossos erros”.
Esse Brasil arcaico, que sempre explorou medos e ignorâncias, deve achar que Bolsonaro é na verdade a criatura perfeita. Bolsonaro não é um erro, mas um acerto.
Bolsonaro não resultou de trama internacional. Mas nós negamos o que ele de fato é, a revelação de um caráter coletivo que apenas esperava uma voz e alguém que a representasse.
Já dá pra parar com essa história de que Bolsonaro é um doente, um insano. Ele é o que a maioria do Brasil desejou ser naquele momento, por interesse dos ricos que sustentaram seu projeto.
E os pobres? Os pobres decidiram que deixariam de ser pobres agindo e votando como se fossem ricos, ao lado de uma classe média desorientada, decadente e ressentida.
Trump apenas se aproveita agora de Bolsonaro. Mas não foi Trump quem inventou o que seria o produto dos nosso erros.
Desistam de tentar atribuir a existência de Bolsonaro às complexas conspirações mundiais. Bolsonaro foi criado por nossos parentes, colegas de trabalho, amigos, vizinhos, por gente que conhecemos.
Essa tese do Bolsonaro como criatura mundial é autoindulgente, é uma tentativa de transferir culpas, como aconteceu com o golpe contra Dilma.
Bolsonaro é um genuíno produto nacional, com um manual que nem seus criadores entendem direito e sem garantia

MAIA ATACA OS FILHOS DE BOLSONARO

Ontem, circularam trechos da entrevista de Rodrigo Maia ao site BuzzFeedNews em que ele ataca sem piedade os filhos de Bolsonaro. Mas logo depois surgiu a informação de que a entrevista era fake.
Hoje, voltei ao site e lá estava toda a entrevista, apesar do próprio Bolsonaro dizer que a entrevista de Maia seria falsa.
Bolsonaro está tentando dizer: não acredito que Maia tenha dito isso dos meus garotos.
Como vários sites, incluindo o UOL, reproduziram trechos da conversa (e como maia não desmentiu o site), decidi compartilhar.
Maia cutuca com força a família Bolsonaro. Aí está:
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BUZZFEED
Rodrigo Maia: um filho é pra internar, o outro está deslumbrado

Principal articulador da aprovação da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acredita que caiu finalmente a ficha do presidente Jair Bolsonaro de que é preciso fazer política para conseguir votos no Congresso.
Segundo ele, o governo ainda está longe dos 308 votos necessários para mudar o sistema de aposentadorias do país, mas a articulação do Planalto melhorou nas últimas semanas – ele elogia Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e espinafra o líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-BA), que “dá até dó.”
Segundo ele, a principal preocupação dos deputados é a de serem lançados ao deserto depois de darem R$ 1 trilhão ao presidente. E rechaça que a distribuição de emendas e investimentos nas bases de quem vai arcar com o desgaste da reforma seja toma-lá-dá-cá.
Na entrevista concedida ao BuzzFeed News em sua residência oficial, Maia traçou um diagnóstico ácido da família presidencial. Sobre Eduardo, o filho deputado, disse que este ascendeu do “baixíssimo claro” para comandar de fato uma política externa que é “essa loucura aí”.
Rodrigo Maia acha que Carlos pode ser “doido à vontade”, mas age em uma estratégia definida pelo próprio presidente nas redes sociais.
“Ninguém fica preocupado com Carlos, todo mundo tem convicção que o Bolsonaro é que comanda isso”, disse. “Alguém coloca aquilo do golden shower que colocou no Carnaval, sem o pai ver? O filho pode ser doido à vontade, mas num negócio daquela loucura só com autorização do dono da conta”, completou.
A seguir os principais trechos da entrevista:

O pai do senhor, Cesar Maia, é um quadro importante da política nacional [ex-prefeito do Rio]. Se o senhor fizesse metade do que o Carlos Bolsonaro faz, qual seria a reação do seu pai?
Rodrigo Maia – Olha, eu não gosto de falar como os pais cuidam dos seus filhos. Eu sei como eu cuido dos meus. E sei como é que o meu pai cuida dos filhos dele. Quando eu estou aqui e começo a falar algumas coisas que ele acha que está errado, ele só manda a seguinte mensagem: ‘Olha, Rodrigo, a gente não se falou nos últimos dias, mas se você quiser conversar, quiser uma opinião, estou aqui à sua disposição’. Já entendi que fiz besteira. E eu, para entender qual besteira que eu fiz, e vou ao Rio para entender. É assim que eu faço.
Eu não sei como é a relação na família dele [Bolsonaro]. As famílias têm relações distintas, não é? O Bolsonaro colocou o filho com 17 anos para disputar contra a própria mãe desse filho. Ele derrotou a mãe para vereador. Isso deve ser normal na cabeça de um ser humano? Derrotar uma mãe com 17 anos? Isso deve ter gerado muito problema na cabeça do Carlos. A informação que eu tenho, apenas de ouvir falar, é que eles ficaram sete anos sem se falar, ele e o pai. E você vê que ele tem uma admiração enorme pelos filhos, diz que devia ser ministro, que só chegou à Presidência por causa dele. O que influenciou muito a eleição foi a facada que quase o matou. Se Bolsonaro achar que foi a internet que elegeu ele…

O que o senhor achou da nota da revista Época de que o Carlos segurou a senha do Twitter e impediu o pai de acessar a rede?
Eu acho que pode ser verdade, você não acha? Não me parece verdade, mas eu não acho impossível ser. Eu até acho que não é, acho que o filho não vai a tanto, pois aí seria uma relação… Aí precisaria internar…

Essa atuação do Carlos reflete no Congresso?
Ninguém fica preocupado com Carlos, todo mundo tem convicção de que o Bolsonaro é que comanda isso. E eu não acredito, e ninguém acredita mais, que é o Carlos que comanda esse jogo.

Ou seja, o que o sr. afirma é que o Carlos escreve mas a estratégia é do presidente?
Alguém coloca aquilo do golden shower sem o pai ver? O filho pode ser doido à vontade, mas num negócio daquela loucura só com autorização do dono da conta.

A briga dele com o Mourão atinge o Congresso ou a política no país?
Não acho que atrapalha muito, não. Mas temos que tomar cuidado para não entrar nessa briga. Quem vai investir no país e vê o filho do presidente batendo no vice questiona isso. Acho que pode gerar insegurança em alguns atores que estão mais distantes. Para quem está aqui perto, todo mundo sabe que é uma briga idiota.

Maia é sempre Maia

Rodrigo Maia foi desqualificado pelo filho de Bolsonaro e pelo próprio Bolsonaro e tratado pelo ex-juiz Sergio Moro como mandalete do governo.

E o que fez Rodrigo Maia para tentar se impor? Tentou fazer um teatro, mas no fim cumpriu sua missão no mundo para ser sempre Rodrigo Maia, o fofinho prestativo da direita.

Pediu desculpas aos agressores e repetiu a frase que a direita adora: vamos olhar pra frente e tocar o barco.

O barco está afundando, mas Rodrigo Maia tem que ser Rodrigo Maia, um subserviente de quem estiver de plantão, como foi do jaburu.

Maia enganou meio mundo com aquela cara de mediador sensato, que contorna ofensas alheias para agir em nome do país. Age em nome da direita.

Se os Bolsonaros e o ex-juiz o ofendem, o que importa é que ele precisa defender os interesses maiores do reacionarismo, mesmo que isso reafirme que ele não tem autonomia nenhuma.

Maia, mais do que Bolsonaro, é o defensor da reforma da previdência. Bolsonaro apenas produziu o pacote. Quem vai aprová-lo é a turma de Maia.

Maia não pode falhar como Maia. Os Bolsonaros e Sergio Moro podem tratá-lo como subalterno. Não tem problema. Maia chama todo mundo para um café e toca o barco.

Desde o golpe de 64 a direita sempre dispôs dessas figuras. Fofas, doces, afetivas, apaziguadoras. Eventualmente fazem beicinho, mas serão sempre subalternas.

 

A nova política

Este da foto é o major Vitor Hugo, deputado do PSL de Goiás, líder do governo na Câmara, logo depois da reunião em que Bolsonaro anunciou que vai enfrentar Rodrigo Maia.
O líder saiu do encontro dizendo que Bolsonaro está certo e disparando ataques contra Maia pelo Twitter.
Segundo o major, o governo vai para a briga com o povo contra a “velha política”. Maia é o alvo.
Esses dois representam o que seria a nova política. Até o tapete está assustado com isso daí.

A DIREITA PLAGIADORA

Alexandre de Moraes chegou ao Supremo sob a acusação de ser um jurista plagiador. Seu livro ‘Direitos Humanos Fundametais’ tem longos trechos de ‘Derechos Fundamentales y Principios Constitucionales’, do jurista espanhol Rubio Llorente.
Agora, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acusa Sergio Moro de ter plagiado um projeto anticrime de Moraes, ao elaborar seu pacote contra o crime organizado. Moraes que plagiava foi plagiado.
Antes, a juíza federal Gabriela Hardt, que substituiu Moro na Vara Especial da Lava-Jato, foi acusada de plágio de uma sentença do chefe da Lava-Jato, ao condenar Lula no caso do sítio de Atibaia. Gabriela copiou a sentença de Moro no caso do tríplex. E ainda copiou errado.
A direita tem o plágio como uma tentação. A jornalista Joice Hasselmann plagiou mais de 60 reportagens. Copiava e assinava textos inteiros como se fossem dela. Todo o Brasil ficou sabendo, mas Joice foi eleita deputada federal pelo PSL em São Paulo.
Plagiador se dá bem no Brasil. Alexandre de Moraes virou ministro do Supremo, Sergio Moro é herói da direita e virou ministro da Justiça. Gabriela Hardt consagrou-se por ser uma juíza mais dura do que Moro plagiando o próprio Moro para condenar Lula. E Joice Hasselmann virou líder do governo no Congresso.
O plágio é uma doença que faz bem ao reacionarismo.

O filho do papai

 

Se o imponderável derrubar o jaburu-da-mala, e Rodriguinho Maia chegar ao poder, não teremos eleição em 2018. Se a Globo conseguir desta vez o que não conseguiu quando da votação da primeira denúncia contra o jaburu, Rodriguinho assume e fica.

O ambiente que a direita deseja estará criado pelo novo golpe. O país se livra do jaburu e volta a andar, empurrado pelo Jornal Nacional, e o eleitor é induzido a pensar que uma eleição pode tumultuar ainda mais a democracia. Rodriguinho ficaria no governo provisório, por um arranjo qualquer, até quando quisesse.

O eleitor médio não sabe quem é Rodriguinho. Ele é o sujeito que, no dia 17 de abril do ano passado, quando a Câmara autorizou a abertura do processo que levou ao golpe, declarou seu voto dirigindo-se assim ao chefe da quadrilha, Eduardo Cunha: “Senhor presidente, o senhor entra para a história hoje. Pela minha família, mas principalmente pelo meu pai, que foi, quando prefeito do Rio, o prefeito Cesar Maia, atropelado pelo governo do PT. O PT rasga a Constituição no Rio e rasga a Constituição aqui. O meu voto é sim”.

Rodriguinho votou por vingança, pelo pai e por seu líder Eduardo Cunha, que logo depois seria preso e abandonado por seus seguidores. Mas lá em abril ele era apenas deputado do PFL.

Agora, é presidente da Câmara, onde chegou porque seu guru foi mandado embora pelo Supremo, mas só depois de fazer o serviço sujo. Rodriguinho prepara-se para o segundo salto, que falhou quando da votação da primeira denúncia contra o jaburu.

Ontem, ao atacar o advogado do jaburu, que criticou a Câmara por ter divulgado trechos da delação do doleiro Lucio Funaro, Rodriguinho disse:

“Nunca imaginei ser agredido pelo advogado do presidente Temer. Depois de tudo que eu fiz, esta agressão não faz sentido. Daqui para frente vou, exclusivamente, cumprir meu papel institucional, presidir a sessão”.

Contra Dilma, ele fez a revanche, em defesa de papai e em homenagem a Eduardo Cunha, para que este entrasse para a história. Mas o que ele fez pelo jaburu, como presidente da Câmara, quando da votação da primeira denúncia?

Que história é esta de que desta vez ele irá cumprir apenas seu papel constitucional? Que papel o sujeito cumpriu na primeira votação? Numa situação normal, se o Brasil estivesse sob normalidade, ele deveria esclarecer.

E para lembrar: desde abril do ano passado, por autorização do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo, Rodriguinho e seu pai vingado no golpe são investigados por recebimento de “pagamentos irregulares” da Odebrecht (da direita, nunca é propina).

O filho e o papai foram denunciados por cinco delatores (CINCO). Só para dar um exemplo. Em 2008, o filho pediu, para ele e para papai, e recebeu R$ 350 mil da empreiteira. Mas nem ele nem o papai vingado eram candidatos a nada. Se não eram, receberam pra quê e por quê?

Em 2010, o filho pediu e levou da empresa, só para o papai, mais R$ 600 mil. Papai era candidato ao Senado. Onde estão os registros? Ninguém sabe.

Pois este é o cara que pode dar o golpe no jaburu. Os analistas acham improvável. Mas os analistas disseram que a ‘ditadura’ de Maduro iria acabar na Venezuela no fim de semana.