PRODUTO NACIONAL

O Brasil branco, racista, fascista, homofóbico, armamentista, que mistura a Avenida Paulista com grileiros e jagunços da Amazônia, deve discordar de Rodrigo Maia quando ele diz que Bolsonaro é “produto dos nossos erros”.
Esse Brasil arcaico, que sempre explorou medos e ignorâncias, deve achar que Bolsonaro é na verdade a criatura perfeita. Bolsonaro não é um erro, mas um acerto.
Bolsonaro não resultou de trama internacional. Mas nós negamos o que ele de fato é, a revelação de um caráter coletivo que apenas esperava uma voz e alguém que a representasse.
Já dá pra parar com essa história de que Bolsonaro é um doente, um insano. Ele é o que a maioria do Brasil desejou ser naquele momento, por interesse dos ricos que sustentaram seu projeto.
E os pobres? Os pobres decidiram que deixariam de ser pobres agindo e votando como se fossem ricos, ao lado de uma classe média desorientada, decadente e ressentida.
Trump apenas se aproveita agora de Bolsonaro. Mas não foi Trump quem inventou o que seria o produto dos nosso erros.
Desistam de tentar atribuir a existência de Bolsonaro às complexas conspirações mundiais. Bolsonaro foi criado por nossos parentes, colegas de trabalho, amigos, vizinhos, por gente que conhecemos.
Essa tese do Bolsonaro como criatura mundial é autoindulgente, é uma tentativa de transferir culpas, como aconteceu com o golpe contra Dilma.
Bolsonaro é um genuíno produto nacional, com um manual que nem seus criadores entendem direito e sem garantia

MAIA ATACA OS FILHOS DE BOLSONARO

Ontem, circularam trechos da entrevista de Rodrigo Maia ao site BuzzFeedNews em que ele ataca sem piedade os filhos de Bolsonaro. Mas logo depois surgiu a informação de que a entrevista era fake.
Hoje, voltei ao site e lá estava toda a entrevista, apesar do próprio Bolsonaro dizer que a entrevista de Maia seria falsa.
Bolsonaro está tentando dizer: não acredito que Maia tenha dito isso dos meus garotos.
Como vários sites, incluindo o UOL, reproduziram trechos da conversa (e como maia não desmentiu o site), decidi compartilhar.
Maia cutuca com força a família Bolsonaro. Aí está:
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BUZZFEED
Rodrigo Maia: um filho é pra internar, o outro está deslumbrado

Principal articulador da aprovação da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acredita que caiu finalmente a ficha do presidente Jair Bolsonaro de que é preciso fazer política para conseguir votos no Congresso.
Segundo ele, o governo ainda está longe dos 308 votos necessários para mudar o sistema de aposentadorias do país, mas a articulação do Planalto melhorou nas últimas semanas – ele elogia Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e espinafra o líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-BA), que “dá até dó.”
Segundo ele, a principal preocupação dos deputados é a de serem lançados ao deserto depois de darem R$ 1 trilhão ao presidente. E rechaça que a distribuição de emendas e investimentos nas bases de quem vai arcar com o desgaste da reforma seja toma-lá-dá-cá.
Na entrevista concedida ao BuzzFeed News em sua residência oficial, Maia traçou um diagnóstico ácido da família presidencial. Sobre Eduardo, o filho deputado, disse que este ascendeu do “baixíssimo claro” para comandar de fato uma política externa que é “essa loucura aí”.
Rodrigo Maia acha que Carlos pode ser “doido à vontade”, mas age em uma estratégia definida pelo próprio presidente nas redes sociais.
“Ninguém fica preocupado com Carlos, todo mundo tem convicção que o Bolsonaro é que comanda isso”, disse. “Alguém coloca aquilo do golden shower que colocou no Carnaval, sem o pai ver? O filho pode ser doido à vontade, mas num negócio daquela loucura só com autorização do dono da conta”, completou.
A seguir os principais trechos da entrevista:

O pai do senhor, Cesar Maia, é um quadro importante da política nacional [ex-prefeito do Rio]. Se o senhor fizesse metade do que o Carlos Bolsonaro faz, qual seria a reação do seu pai?
Rodrigo Maia – Olha, eu não gosto de falar como os pais cuidam dos seus filhos. Eu sei como eu cuido dos meus. E sei como é que o meu pai cuida dos filhos dele. Quando eu estou aqui e começo a falar algumas coisas que ele acha que está errado, ele só manda a seguinte mensagem: ‘Olha, Rodrigo, a gente não se falou nos últimos dias, mas se você quiser conversar, quiser uma opinião, estou aqui à sua disposição’. Já entendi que fiz besteira. E eu, para entender qual besteira que eu fiz, e vou ao Rio para entender. É assim que eu faço.
Eu não sei como é a relação na família dele [Bolsonaro]. As famílias têm relações distintas, não é? O Bolsonaro colocou o filho com 17 anos para disputar contra a própria mãe desse filho. Ele derrotou a mãe para vereador. Isso deve ser normal na cabeça de um ser humano? Derrotar uma mãe com 17 anos? Isso deve ter gerado muito problema na cabeça do Carlos. A informação que eu tenho, apenas de ouvir falar, é que eles ficaram sete anos sem se falar, ele e o pai. E você vê que ele tem uma admiração enorme pelos filhos, diz que devia ser ministro, que só chegou à Presidência por causa dele. O que influenciou muito a eleição foi a facada que quase o matou. Se Bolsonaro achar que foi a internet que elegeu ele…

O que o senhor achou da nota da revista Época de que o Carlos segurou a senha do Twitter e impediu o pai de acessar a rede?
Eu acho que pode ser verdade, você não acha? Não me parece verdade, mas eu não acho impossível ser. Eu até acho que não é, acho que o filho não vai a tanto, pois aí seria uma relação… Aí precisaria internar…

Essa atuação do Carlos reflete no Congresso?
Ninguém fica preocupado com Carlos, todo mundo tem convicção de que o Bolsonaro é que comanda isso. E eu não acredito, e ninguém acredita mais, que é o Carlos que comanda esse jogo.

Ou seja, o que o sr. afirma é que o Carlos escreve mas a estratégia é do presidente?
Alguém coloca aquilo do golden shower sem o pai ver? O filho pode ser doido à vontade, mas num negócio daquela loucura só com autorização do dono da conta.

A briga dele com o Mourão atinge o Congresso ou a política no país?
Não acho que atrapalha muito, não. Mas temos que tomar cuidado para não entrar nessa briga. Quem vai investir no país e vê o filho do presidente batendo no vice questiona isso. Acho que pode gerar insegurança em alguns atores que estão mais distantes. Para quem está aqui perto, todo mundo sabe que é uma briga idiota.

Maia é sempre Maia

Rodrigo Maia foi desqualificado pelo filho de Bolsonaro e pelo próprio Bolsonaro e tratado pelo ex-juiz Sergio Moro como mandalete do governo.

E o que fez Rodrigo Maia para tentar se impor? Tentou fazer um teatro, mas no fim cumpriu sua missão no mundo para ser sempre Rodrigo Maia, o fofinho prestativo da direita.

Pediu desculpas aos agressores e repetiu a frase que a direita adora: vamos olhar pra frente e tocar o barco.

O barco está afundando, mas Rodrigo Maia tem que ser Rodrigo Maia, um subserviente de quem estiver de plantão, como foi do jaburu.

Maia enganou meio mundo com aquela cara de mediador sensato, que contorna ofensas alheias para agir em nome do país. Age em nome da direita.

Se os Bolsonaros e o ex-juiz o ofendem, o que importa é que ele precisa defender os interesses maiores do reacionarismo, mesmo que isso reafirme que ele não tem autonomia nenhuma.

Maia, mais do que Bolsonaro, é o defensor da reforma da previdência. Bolsonaro apenas produziu o pacote. Quem vai aprová-lo é a turma de Maia.

Maia não pode falhar como Maia. Os Bolsonaros e Sergio Moro podem tratá-lo como subalterno. Não tem problema. Maia chama todo mundo para um café e toca o barco.

Desde o golpe de 64 a direita sempre dispôs dessas figuras. Fofas, doces, afetivas, apaziguadoras. Eventualmente fazem beicinho, mas serão sempre subalternas.

 

A nova política

Este da foto é o major Vitor Hugo, deputado do PSL de Goiás, líder do governo na Câmara, logo depois da reunião em que Bolsonaro anunciou que vai enfrentar Rodrigo Maia.
O líder saiu do encontro dizendo que Bolsonaro está certo e disparando ataques contra Maia pelo Twitter.
Segundo o major, o governo vai para a briga com o povo contra a “velha política”. Maia é o alvo.
Esses dois representam o que seria a nova política. Até o tapete está assustado com isso daí.

A DIREITA PLAGIADORA

Alexandre de Moraes chegou ao Supremo sob a acusação de ser um jurista plagiador. Seu livro ‘Direitos Humanos Fundametais’ tem longos trechos de ‘Derechos Fundamentales y Principios Constitucionales’, do jurista espanhol Rubio Llorente.
Agora, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acusa Sergio Moro de ter plagiado um projeto anticrime de Moraes, ao elaborar seu pacote contra o crime organizado. Moraes que plagiava foi plagiado.
Antes, a juíza federal Gabriela Hardt, que substituiu Moro na Vara Especial da Lava-Jato, foi acusada de plágio de uma sentença do chefe da Lava-Jato, ao condenar Lula no caso do sítio de Atibaia. Gabriela copiou a sentença de Moro no caso do tríplex. E ainda copiou errado.
A direita tem o plágio como uma tentação. A jornalista Joice Hasselmann plagiou mais de 60 reportagens. Copiava e assinava textos inteiros como se fossem dela. Todo o Brasil ficou sabendo, mas Joice foi eleita deputada federal pelo PSL em São Paulo.
Plagiador se dá bem no Brasil. Alexandre de Moraes virou ministro do Supremo, Sergio Moro é herói da direita e virou ministro da Justiça. Gabriela Hardt consagrou-se por ser uma juíza mais dura do que Moro plagiando o próprio Moro para condenar Lula. E Joice Hasselmann virou líder do governo no Congresso.
O plágio é uma doença que faz bem ao reacionarismo.

O filho do papai

 

Se o imponderável derrubar o jaburu-da-mala, e Rodriguinho Maia chegar ao poder, não teremos eleição em 2018. Se a Globo conseguir desta vez o que não conseguiu quando da votação da primeira denúncia contra o jaburu, Rodriguinho assume e fica.

O ambiente que a direita deseja estará criado pelo novo golpe. O país se livra do jaburu e volta a andar, empurrado pelo Jornal Nacional, e o eleitor é induzido a pensar que uma eleição pode tumultuar ainda mais a democracia. Rodriguinho ficaria no governo provisório, por um arranjo qualquer, até quando quisesse.

O eleitor médio não sabe quem é Rodriguinho. Ele é o sujeito que, no dia 17 de abril do ano passado, quando a Câmara autorizou a abertura do processo que levou ao golpe, declarou seu voto dirigindo-se assim ao chefe da quadrilha, Eduardo Cunha: “Senhor presidente, o senhor entra para a história hoje. Pela minha família, mas principalmente pelo meu pai, que foi, quando prefeito do Rio, o prefeito Cesar Maia, atropelado pelo governo do PT. O PT rasga a Constituição no Rio e rasga a Constituição aqui. O meu voto é sim”.

Rodriguinho votou por vingança, pelo pai e por seu líder Eduardo Cunha, que logo depois seria preso e abandonado por seus seguidores. Mas lá em abril ele era apenas deputado do PFL.

Agora, é presidente da Câmara, onde chegou porque seu guru foi mandado embora pelo Supremo, mas só depois de fazer o serviço sujo. Rodriguinho prepara-se para o segundo salto, que falhou quando da votação da primeira denúncia contra o jaburu.

Ontem, ao atacar o advogado do jaburu, que criticou a Câmara por ter divulgado trechos da delação do doleiro Lucio Funaro, Rodriguinho disse:

“Nunca imaginei ser agredido pelo advogado do presidente Temer. Depois de tudo que eu fiz, esta agressão não faz sentido. Daqui para frente vou, exclusivamente, cumprir meu papel institucional, presidir a sessão”.

Contra Dilma, ele fez a revanche, em defesa de papai e em homenagem a Eduardo Cunha, para que este entrasse para a história. Mas o que ele fez pelo jaburu, como presidente da Câmara, quando da votação da primeira denúncia?

Que história é esta de que desta vez ele irá cumprir apenas seu papel constitucional? Que papel o sujeito cumpriu na primeira votação? Numa situação normal, se o Brasil estivesse sob normalidade, ele deveria esclarecer.

E para lembrar: desde abril do ano passado, por autorização do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo, Rodriguinho e seu pai vingado no golpe são investigados por recebimento de “pagamentos irregulares” da Odebrecht (da direita, nunca é propina).

O filho e o papai foram denunciados por cinco delatores (CINCO). Só para dar um exemplo. Em 2008, o filho pediu, para ele e para papai, e recebeu R$ 350 mil da empreiteira. Mas nem ele nem o papai vingado eram candidatos a nada. Se não eram, receberam pra quê e por quê?

Em 2010, o filho pediu e levou da empresa, só para o papai, mais R$ 600 mil. Papai era candidato ao Senado. Onde estão os registros? Ninguém sabe.

Pois este é o cara que pode dar o golpe no jaburu. Os analistas acham improvável. Mas os analistas disseram que a ‘ditadura’ de Maduro iria acabar na Venezuela no fim de semana.

Golpistas são os outros

Está na capa do Valor Econômico desde cedo, mas os outros jornais nem deram bola, porque não interessa. É a frase de Rodrigo Maia sobre a suspeita de parte do PMDB de que ele continua conspirando para tomar o lugar do jaburu-da-mala.
Esta é a manchete do Valor:
Rodrigo Maia: “Não fiz com eles o que fizeram com a Dilma”.
Só que Maia também foi um dos golpistas mais atuantes contra Dilma. E declarou em seu voto pela abertura do processo de impeachment que estava se vingando de tudo que o PT fez contra seu pai, Cesar Maia.
Mas é interessante saber que Maia considera os outros golpistas. E os outros são os seus parceiros da turma do jaburu.

Esta é a declaração de Maia ao Valor: “Não fiz com eles o que eles fizeram com a Dilma. Talvez por isso essas mentiras criadas, para tentar criar um ambiente em que eu era o que não prestava e eles eram os que prestavam. Como eles fizeram desse jeito com a Dilma, talvez imaginassem que o padrão fosse esse. O meu padrão não é o mesmo daqueles que, em torno do presidente, comandaram o impeachment da presidente Dilma”.

Quem paga mais?

Até as emas de Brasília sabem que a briga de Rodrigo Maia com o jaburu-da-mala é mais do que parece. O argumento de Maia para peitar o jaburu é o de que o PMDB vem assediando políticos do PSB, para atraí-los para o partido, quando muitos deles já estavam acertados com o DEM e o projeto presidencial do homem que os propineiros chamam de Botafogo.
Maia está dizendo: nós sabemos que eles estão sendo comprados pelo jaburu, para que o PMDB se fortaleça e mais uma vez a nova denúncia seja rejeitada com segurança no Congresso. E assim o jaburu seguiria em frente até o fim do mandato que deveria ser de Dilma.
O recado de Maia é este: se for preciso, desta vez vamos complicar e tentar fazer o que conseguimos quando da primeira denúncia.
Na votação da primeira acusação contra o jaburu, Maia chegou a ensaiar a conspiração, junto com Meirelles, para derrubar o jaburu. A Globo deu cobertura à estratégia dos dois, e muitos chegaram a pensar que o golpe no golpe estava no papo.
A Globo derrubaria o jaburu, e Maia ou Meirelles seriam os candidatos numa eleição indireta. Como a Globo não derruba mais ninguém, o jaburu sobreviveu e continuou manobrando.
O que vai acontecer agora? Maia pode estar blefando, ou teremos um duelo de forças de dois medíocres, sem nenhum apoio popular, sustentados por seus conchavos políticos.
Os próximos passos da ‘democracia’ brasileira se decidem agora entre dois representantes da política rasa e sob suspeita dos mais variados crimes, que numa eleição não teriam juntos 3% dos votos, considerando-se uma margem de erro de quatro pontos para mais ou para menos.

O deboche

Mais um encontro noturno secreto, desta vez na casa de Rodrigo Maia, com as presenças do jaburu-da-mala e de Gilmar Mendes.
A Folha noticia o encontro da noite deste sábado e informa que, é claro, não estava na agenda de nenhum dos três. Por que um encontro noturno e às escondidas entre três figuras envolvidas nas maiores controvérsias da República? Porque eles decidiram debochar do país que os aceita como donos absolutos dos destinos de todos nós.
O Ministério Público quer que Gilmar Mendes se afaste do caso da máfia dos ônibus do Rio (hoje ele mandou libertar mais quatro suspeitos de participação na quadrilha). Não vai acontecer nada.
E Maia é pressionado pela OAB, via Supremo, para que analise os 25 pedidos de impeachment do jaburu, que ele enfiou na gaveta. Não vai dar nada.
A democracia brasileira está entregue às manobras secretas dessas três figuras. Não há quem impeça suas ações. Eles descobriram que podem manejar como quiserem, sem qualquer interferência de ninguém, muito menos do povo. O povo só quer gastar o FGTS.
É o que um país alienado e acovardado merece.

O golpe que durou um dia

Há uma semana, a esta hora, depois da leitura do relatório do deputado Sergio Zveiter contra o jaburu-rei, o presidente da República (e laranja de Henrique Meirelles) era Rodriguinho Maia.

Segundo a Globo, o relatório havia sido demolidor. O Jornal Nacional dava o jaburu como golpeado. Reportagens feitas às pressas enalteciam as virtudes da economia sob o comando de Meirelles.

Uma semana depois, Meirelles é de novo apenas o sujeito que fala com um ovo na boca para acalmar os mercados. E Rodrigo Maia cai na real do seu amadorismo, depois de ter sido enquadrado pelo jaburu.

O segundo golpe durou um dia. Na terça-feira já estava esfarelado. O que o jaburu sabe de Maia e Meirelles e teria dito aos dois para que eles ficassem quietinhos?