O BRASILEIRO SE FINGE DE MORTO

A juíza carcereira de Lula decidiu transferi-lo para São Paulo para ampliar a humilhação que a Lava-Jato impõe ao ex-presidente, às esquerdas e aos brasileiros.
Ela e toda a extrema direita sabem que podem fazer o que bem entenderem. A direita do golpe já sabia. Agora, o fascismo no poder sabe melhor ainda.
Se a juíza decidisse hoje transferir Lula para uma solitária, haveria reação dos advogados, de alguns juristas, de políticos do PT, de artistas e nada mais.
O Judiciário ainda sob o comando de Sergio Moro sabe que pode fazer o que quiser com Lula porque o Brasil é um país acovardado.
A Lava-Jato sabia até que poderia tentar expulsar ministros do Supremo, como revelam as mensagens de Dallagnol para seus pupilos divulgadas ontem e hoje.
Apesar da publicação das mensagens denunciadoras do conluio de Moro e Dallagnol, a Lava-Jato continua tentando se impor. A juíza, em resposta à fragilização de Moro, estica a corda, para saber quais são os novos limites.
O limite é dado pela acomodação geral. O Brasil ainda é humilhado pelo lavajatismo, agora assumidamente bolsonarista, enquanto se reafirma todos os dias que Bolsonaro tem o apoio difuso de apenas um terço da população.
Do outro lado, a maioria de dois terços está sesteando. É a mais profunda sesta da História. Onde estão os estudantes? O que foi feito dos jovens?
O Brasil resignado, alienado e acovardado dorme para se fingir de morto.

A MÁFIA ESCAPA DE NOVO

Mais um engavetamento que favorece os tucanos. A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça mandou arquivar o processo sobre fraudes nas licitações envolvendo o famoso cartel de empresas que agiam nos governos do PSDB no metrô de São Paulo.
O argumento é o de sempre: os crimes estão prescritos. Tudo que é contra a direita prescreve. Já aconteceu no caso da propina paga a Serra e em tantos outros casos.
A Justiça rápida contra Lula é lenta contra o PSDB. Sem a condenação do cartel, fica difícil pegar os que pagavam a máfia do metrô, ou seja, os comparsas do tucanato, os donos do cofre.
Mais uma vez eles escapam. A copa da impunidade será sempre dos tucanos, ele serão sempre os campeões. Com o Judiciário e com tudo.

LADRÕES DE MERENDA

Tucano tem obsessão com merenda escolar. A máfia que agia em São Paulo, no governo de Geraldo Alckmin, tem um deputado tucano que já é reú, Fernando Capez, ex-presidente da Assembleia, e mais outros oito denunciados à espera de decisão da Justiça.
Capez vai ser processado como parte de uma quadrilha que desviava recursos da merenda das escolas. É crime para prisão perpétua.
Hoje, a Polícia Federal cumpriu 154 mandados de busca e apreensão, em investigação sobre outro braço da máfia. São 85 pessoas envolvidas, com 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, vereadores e servidores públicos. Todos roubavam merenda.
Um empresário fornecedor de merenda fez a seguinte sugestão para que alguém de uma prefeitura reduzisse custos e assim sobrasse mais dinheiro para a quadrilha: “Corta a carne, fornece ovos para essas crianças”.
Não se sabe se o homem era tucano. Mas os tucanos amigos de Capez devem saber do que se trata.
No início do ano, o secretário de Educação da prefeitura tucana de Porto Alegre, Adriano Naves de Brito, disse na Câmara que as crianças estavam sendo recomendadas a não repetir a refeição nas escolas do município. Estavam ficando obesas.
Em reunião na Câmara de Vereadores, Brito saiu-se com essa frase que antigamente se chamada de pérola: “É muito inadequado que o aluno se alimente mais de uma vez”.
Deve ser inadequado que uma autoridade da área da educação diga uma besteira tão grande, que afronta a realidade das crianças das periferias.
Alguém deve saber explicar porque a merenda mexe tanto com os tucanos.
Que crueldade é esta que faz com que homens públicos usem a merenda para roubar ou como pretexto para dar aulas sobre os riscos da obesidade, num país em que muitas vezes só a escola pública garante uma alimentação digna a milhares de crianças?

O trem dos tucanos

A Justiça transformou em réus mais nove denunciados da máfia do metrô de São Paulo, que agiram durante mais de duas décadas em todos os governos do PSDB, desde Mario Covas e depois nos rodízios de Serra e Alckmin.
São executivos da Siemens, da Alstom e da Mitsui e alguns subalternos do terceiro time do governo, lotados na administração do metrô, cujos nomes ninguém sabe direito. Como ninguém sabe direito quantos são e os nomes dos que foram processados antes, sem pegar cadeia.
Há quatro anos, a direção da Siemens declarou formalmente à Justiça que os governos de São Paulo sabiam e ‘apoiavam’ o cartel de grandes grupos que superfaturavam obras e serviços e pagavam propinas a subalternos do metrô.
Mas não perguntem quantos tucanos há entre os réus.

A máfia impune

Desde 2000 o cartel de trens de São Paulo corrompe e paga propinas a corruptos de governos tucanos. Mas há apenas oito anos (e porque autoridades suíças fizeram um apelo nesse sentido) a máfia do metrô é investigada.
Hoje, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou nove pessoas por lavagem de dinheiro. Não há nenhum (NENHUM) denunciado por corrupção, porque os crimes prescreveram. E, nesse tempo todo, mais seis investigados deixaram de ser denunciados por terem passado dos 70 anos.
Dos nove denunciados, seis são executivos das multinacionais que formavam o cartel, superfaturavam obras e pagavam propinas, dois são executivos subornados da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e um é um intermediário das propinas e da lavagem do dinheiro.
Pergunte quantos tucanos do governo (fora os executivos mandaletes) foram denunciados no esquema que existe há mais de uma década e meia e passou por todos os governos do PSDB.
Na corrupção tucana, os corruptos ficam impunes por prescrição ou porque ficam velhos. E os outros tucanos chefes dos tucanos que apenas pegavam as propinas? Os outros são os outros.

A direita que tenta te enganar

Uma das notícias em destaque nos sites hoje é esta: João Doria Júnior, o tucano eleito prefeito de São Paulo, promete doar todos os salários, porque é uma pessoa boa e do bem.

A primeira doação será para, diz ele, “a associação para as crianças defeituosas”.

A direita brasileira não comete gafes, como dizem as notícias. Isso não é uma gafe. E é mais do que uma grosseria. É uma manifestação de ignorância e de desrespeito.

O tucano paulista faz média com as crianças com deficiência e as define como crianças defeituosas. E vem se habilitando, andam dizendo, a disputar a presidência da República.

Em Porto Alegre, o homem que anda, representante tucano na eleição, faz média com as criancinhas em geral. E assim tenta seduzir os moradores das vilas.

A direita se diverte fazendo política e usando as crianças como não se fazia desde o final do século 20. A direita perdeu o que ainda poderia ter de restos de escrúpulos e chegou à perfeição.

A direita exibicionista

direita

A direita brasileira pós-64 foi cruel, dissimulada, inquisidora, mas era bem mais recatada do que a direita reciclada de hoje, como observa minha amiga Cida Cunha. A direita continua cruel, mas ficou exibicionista, refestelada, porque sabe que dispõe hoje – talvez mais até do que no tempo da ditadura – de um Judiciário seletivo que a protege.

Essa direita-ostentação persegue figuras que vão sendo ameaçadas de perder até o direito de falar, e a filósofa Marilena Chauí é uma delas.

Marilena deu uma palestra sobre A Fragilidade da Democracia, para alunos adolescentes do Colégio Oswald de Andrade, em São Paulo, e foi massacrada nas redes sociais.

Porque inventou de falar (eu ouvi o trecho da fala) sobre o surgimento da família e do que isso significa no contexto do capitalismo. Fez o que qualquer professor honesto faria se não subestimasse seus alunos.

A Rádio Jovem Pan, a serviço do jornalismo golpista, colocou no ar um trecho da palestra em que Marilena diz que quem defende a família como uma instituição natural, que surge sem explicações, é uma besta. Ora, pois, a dona Marilena não quis com isso destruir a família brasileira.

Mas só ouvindo tudo para ver que besta aqui não significa assim uma besta inteira, mas uma quase besta, um desinformado, um ignorante, e que bestas mesmos são os pais dos alunos que intimaram a escola.

Eles se queixaram que a palestra foi para adolescentes em formação, que podem se rebelar contra a família. Quem pode acreditar que a Marilena Chauí vai perturbar a cabeça de uma gurizada que vê o que quer na Internet, come maconha em brigadeiro no recreio e tudo o que faz é afrontar a família.

A elite da direita paulistana, com pulôveres nos ombros, pediu então reunião de pais com a direção da escola, frequentada por uma maioria de filhos de ricos.

E essa escola de pais reacionários (mas quantos de fato interessados na preservação da família?) se chama Oswald de Andrade… Imagine se fosse Grupo Escolar Jair Bolsonaro.

 

O Minhocão e a alienação

A artista plástica Bia Doria é mulher do prefeito eleito de São Paulo, o tucano João Doria Junior. A Folha de S. Paulo de hoje tem uma reportagem impagável sobre ela.

A mulher diz, entre outras coisas, que não sabe o que é o Minhocão, o controverso viaduto que os paulistanos não sabem se implodem, se transformam em praças, se deixam assim.

Pois a mulher do prefeito nunca viu a aberração chamada Minhocão, no centro, porque vive entre o ateliê, na Vila Nova Conceição, e a casa, no Jardim Europa.

“O Minhocão hoje para que serve? Quase nunca fui lá. É tipo um viaduto, né?”, pergunta a nova primeira-dama, que elogia os parques “lindos” de Sydney e as ciclovias de Cingapura. As ciclovias de São Paulo ela acha perigosas demais e não se atreve a usar. Mesmo assim, a artista diz que se sentir como “uma pessoa do povo”.

Parece charme, glamour, essas coisas dos bacanas paulistanos que agora voltam a mandar na cidade. Até bem pouco o nome disso era alienação.

Os eleitores do voto nulo em Porto Alegre podem nos jogar nos braços desse tipo de gente também aqui.

 

Os trens tucanos

 

O metrô de São Paulo é manchete de novo, mas por apenas um dia. Foram indiciados seis dirigentes da empresa estatal que mantém o metrô, acusados de terem provocado prejuízo de mais de R$ 1 bilhão com a compra 26 trens, com seis vagões cada, entregues e parados desde 2013.

Tudo gente do governo Alckmin. Como também eram do governo Alckmin os envolvidos nos processos mais famosos envolvendo o metrô, o da cartelização que fraudava licitações e superfaturava equipamentos, serviços e reformas de trens.

Nesses casos, são réus os executivos das empresas, que atuavam de forma articulada desde 2000, no governo Mario Covas. E continuaram atuando nos governos Serra e Alckmin.

Mas ninguém leu até hoje uma linha, uma só, sobre processos que envolvam políticos dos governos tucanos.

Há denúncias do pagamento de propinas e delações, a partir de investigações na Suíça e no Brasil, mas ninguém que tenha ocupado ou ocupe cargos públicos está sendo processado. Eles escapam sempre.

Os processos dos trens tucanos (eles têm obsessão com aviões e trens) só pegam executivos das empresas ou servidores de terceira linha do metrô. A culpa é da Alston, de Siemens e outras e de barnabés do metrô.

Os políticos estão fora. Porque, diz o pessoal do PSDB, o cartel era articulado pelas empresas, e os políticos não sabiam de nada. E não serão responsabilizados nem por omissão, por terem deixado o cartel funcionar durante anos.

Os episódios do metrô e da merenda são a prova real de que ninguém consegue pegar tucanos, que escapam sem dificuldades.

Como escaparam no caso do mensalão de Minas, que só resultou na condenação de Eduardo Azeredo, no ano passado, quando a maioria dos crimes estava prescrita e ninguém mais pegaria cadeia.

Os processos com personagens tucanos se arrastam tanto em São Paulo, que o juiz Sérgio Moro, de reconhecida rapidez, deveria passar a atuar na Pauliceia depois de concluída a operação Lava-jato.

 

New age de novo?

fronteira

Essa história da grande virada me deixou reflexivo ontem. Vou relembrar. Li num texto solto na internet que o tema central do Fronteiras do Pensamento vai na direção de grandes mudanças que estão por chegar.

Vem aí a grande virada. Me pareceu alguma coisa tipo Era de Aquário, algo anos 60 e 70. O Fronteiras estaria ficando esotérico?

Claro que não é uma notícia nova, essa do slogan do Fronteiras, mas eu havia ficado de fora da novidade. Fui pesquisar e achei este texto explicativo do curador do evento, Fernando Schüler. Leiam o que ele diz:

“O Fronteiras do Pensamento terá, em 2016, um sentido indisfarçavelmente otimista. A visão do mundo como ‘potência’. Do Brasil que, indiscutivelmente, precisa de uma grande virada. Do plano por vezes misterioso de nossa própria vida. Cada um de nós. Nossas pequenas revoluções. Nossa disposição de migrar. De arriscar um pouco mais em um mundo que percebemos mais excitante, mais pleno de informação e de oportunidades”,

De fato, há aí um otimismo que não dá pra disfarçar. O mundo pode então estar caminhando em direção a algo grandioso?

Para que lado devemos nos virar? Estamos virados para o lado certo? Nosso vizinho já se virou antes e a gente não viu?

Eu vou dizer o que eu acho, com a sinceridade que me acomete no outono: o Fronteiras estava sem gancho, em meio a tanta notícia ruim, e encontrou um jeito de dizer que vem aí algo que ninguém sabe o que é.

Numa situação como essa, eu prefiro então ir a um culto ou frequentar uma ONG new age. Mas eu nem sei se ainda falam em new age. O Fronteiras me deixou confuso.