Esconderam Lula

Tente achar, na capa dos sites dos grandes jornais, a pesquisa CNT/MDA, da Confederação Nacional dos Transportes, que mostra como Lula cresceu como líder às eleições do ano que vem. Se achar, me avise.
Hoje, as pesquisas escondidas pelos jornais mostram que só há um jeito de tirar Lula da corrida, como favorito em todos os cenários contra Aécio, Bolsonaro, Doria, Ciro Gomes, Marina, Álvaro Dias, Alckmin.
Só o Judiciário, que deve deixar Aécio e Bolsonaro livres para concorrer, pode tirar Lula da eleição.
A pesquisa não incluiu Sergio Moro. Deve ser porque Moro é juiz e juiz deve ser uma autoridade imparcial e neutra em disputas políticas. Imagino que seja por isso.

Vossa excelência se acha imparcial?

O Judiciário brasileiro foi há muito tempo emparedado pela questão levantada por Lula diante do juiz Sergio Moro. Os juízes terão de responder um dia não só sobre as imperfeições da Justiça em todas as instâncias, mas também sobre os estragos provocados por suas convicções ideológicas.

Este é o tema do meu texto quinzenal no jornal Extra Classe. Abaixo, o link:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/09/vossa-excelencia-se-acha-imparcial/

Por favor, querido

No depoimento de Lula hoje, Sergio Moro pediu ao ex-presidente que não se referisse a uma procuradora como “querida” (a partir de uma queixa dela). “Querida” é um cacoete antigo do tratamento de Lula ao final das frases.
Sergio Moro, o juiz que posa em cochichos face a face com Aécio Neves, denunciado como chefe da quadrilha dos tucanos, confraternizando alegremente com um denunciado por corrupção, que participa de festivos eventos promovidos por tucanos (Doria Junior é um deles) e que grampeou a presidente da República sem nenhuma cerimônia (um delito grave cometido por um juiz de primeira instância e nunca punido) está agora preocupado com a pureza das liturgias e das normas cerimoniosas da Justiça?
Menos, Sergio Moro. Bem menos. Lula será seu réu em até uma dúzia de processos. Mas os brasileiros não podem ser subestimados por suas lições de bons modos. Por favor, querido.

O cerco a Lula e a “legalidade jurídica”

É hoje o novo depoimento de Lula ao juiz Sergio Moro. Pode se sair bem, pode dar outros dribles no juiz, mas não será o suficiente. A não ser que Lula consiga, durante uma audiência como essa, cometer um surpreendente gesto político que confronte a Lava-Jato com sua deliberada e explicitada imperfeição seletiva.
Até o final do ano, Lula será massacrado por uma dúzia de processos. Não há como escapar. Por isso é preciso acompanhar a audiência de hoje pensando em uma frase com grande poder de síntese do cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Foi dita ao Marco Weissheimer, sobre a crise política e o suporte do Judiciário à perseguição a Lula e Dilma, e publicada há pouco tempo em entrevista no Sul21. Esta é a frase:
“Qualquer pensamento político que se estreitar no plano da legalidade jurídica estará cometendo um gravíssimo erro”.
O cientista não deve ter pedido, mas, por tudo que se vê todos os dias, eu publico agora “legalidade jurídica” entre aspas.

A vocação e o destino de Palocci

Marcelo Odebrecht já contou 30 vezes a mesma história ao juiz Sergio Moro, sempre com versões diferentes. Palocci já contou duas vezes as mesmas histórias, também com versões variadas para cada detalhe. E sem provas.

Marcelo Odebrecht continua contando as mesmas histórias e continua preso, porque não consegue ajudar o juiz a montar as provas contra Lula e porque precisa aparecer sem parar no Jornal Nacional.

Palocci vai contar as mesmas histórias, com as mais variadas versões, sempre dizendo que ouviu dizer alguma coisa, e vai continuar preso. E sempre repetindo que era um coitado.

Ele teria sido manobrado pelas artimanhas de Lula e do pai e do filho Odebrecht. E o juiz, sentindo que as conversas não têm amarração, fará com ele o que faz com o empreiteiro. O que importa é ouvir e expor suas histórias à exaustão, apesar das contradições.

Mesmo como delator formal e juramentado, continuará preso, porque Palocci não é um Youssef.

Palocci ficou mal com as esquerdas, já está na galeria dos grandes traidores da política brasileira e continuará se esforçando para agradar os procuradores e o juiz, sempre com os mesmos causos e as mais diversas versões. E continuará na cadeia, para que se repita sem parar no Jornal Nacional.

Palocci finalmente descobriu qual é o seu papel no enredo da caçada a Lula. Ficará exposto permanentemente nos telejornais da Globo como o novo papagaio do seriado da Lava-Jato, o cara que pretendeu um dia ser amigo dos banqueiros e que também foi traído por eles e que se revelaria por inteiro em algum momento.

Todos esperavam que Eduardo Cunha fosse o grande traidor da Lava-Jato. Palocci apresentou-se antes. Muita gente dentro do PT que o conhecia já sabia que essa era a sua vocação. O traidor está apenas à espera da grande oportunidade.

Limpinhos e respeitáveis

Seu Mércio chegou quieto hoje na ferragem. De repente, começou a falar sem parar. Comentou os últimos acontecimentos em Brasília e falou da desqualificação de Joesley Batista e outros delatores.
Seu Mércio disse:
– Esse pessoal que delatava para o Janot não valia nada. Vão destruir tudo o que eles disseram.
E continuou?
– Ainda bem que temos os delatores que delataram para o Sergio Moro. O juiz só lidou com delatores respeitáveis, bem cheirosos e limpinhos. Curitiba é outra categoria.
E saiu da ferragem às gargalhadas.

O Brasil é do tamanho de Curitiba

É compreensível que o juiz Sergio Moro tenha guardado suas explicações para segunda-feira, para não estragar seu domingo.

Mas em algum momento ele terá de se manifestar sobre a mais nova informação em torno das relações do mafioso Rodrigo Tecla Duran com o advogado Carlos Zucolotto Júnior.

Primeiro, Duran acusou Zucolotto (amigo íntimo de Moro e seu padrinho de casamento) de tentar negociar acordos paralelos de delação. Seria o mercado negro dos acordos, com a intermediação de um advogado íntimo do juiz-chefe da lava-Jato.

O mesmo Duran, que é advogado e trabalhou para a Odebrecht e sabe tudo dessas máfias, tinha o escritório de Zucolotto como seu representante ou correspondente em Curitiba.

E quem era sócia do escritório? A mulher do juiz Moro. A notícia nova, publicada no Radar da Veja, é que a Receita Federal sabia, e o Ministério Público da Lava-Jato também sabia, mas não revelou nada, que Duran fez pagamentos ao escritório de Zucolotto, onde Rosângela Moro trabalhava.

Duran foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha e fugiu para a Espanha. Seu caso é complicado e complica também o juiz, que cuida do processo em Curitiba.

Tem mais. A defesa do ex-presidente Lula pediu que Duran fosse sua testemunha em processo que corre em Curitiba. O juiz não caiu na armadilha (ou caiu) e negou o pedido. Moro não quer ver nem a sombra de Duran por perto.

Seria o caso de examinar também aqui a teoria do domínio do fato e seus desdobramentos? Ou tudo isso é mera coincidência?

O advogado de Curitiba amigo do juiz tentando vender acordos, o mafioso da Odebrecht que solicitava serviços ao tal advogado, e a mulher do juiz como sócia do sujeito dos acordos paralelos e ex-prestador de serviços ao cara da Odebrecht. O Brasil é muito pequeno. É do tamanho de Curitiba.

Um filme pior do que o powerpoint de Dallagnol

O jornalista Bernardo Mello Franco, da Folha, viajou de São Paulo a Curitiba, a convite dos produtores do filme “Polícia Federal, a lei é para todos”, só para constatar que o resultado é muito ruim.
Eu aqui na Aberta dos Morros, sem sair de casa, já sabia que o filme é mais do que ruim, é uma imitação grosseira de filmes americanos de mocinho de terceira linha. E foi o que Bernardo escreveu na Folha. Se ele tivesse falado comigo antes…
A Lava-Jato estendeu seus tentáculos à arte e ao entretenimento e pode manchar também a imagem do cinema nacional.
Os que foram à pré-estreia dizem que o filme consegue ser pior do que o powerpoint da rosácea do Dallagnol. É pior do que o filme sobre o Plano Real.
E continua o mistério sobre os donos do dinheiro que financiou este filme com diálogos de teatro de colégio. Ninguém vai delatar os financiadores secretos desta obra de arte?

As leis e as diárias

Lula perde todas na Lava-Jato. Todos os recursos de Lula são negados ou pelo juiz Sergio Moro ou pelo Tribunal Regional Federal ou pelo Supremo. Ah, mas é preciso lembrar das exceções. Pois é. Que alguém cite uma importante.
Se estiver num depoimento e pedir água, Lula receberá um copo com água da barragem da Samarco. A Justiça nega tudo a Lula e dá tudo a Aécio e aos tucanos (e também à Samarco).
Por isso só pode ser ridículo que um filme-propaganda da Lava-Jato se chame ‘A lei é para todos’.
Deveria se chamar “As diárias são para todos (da turma da Lava-Jato)”.

Moro evita o advogado que denunciou o amigo

Lula pediu mas não levou mais uma na Lava-Jato. O ex-presidente queria que o juiz Sergio Moro ouvisse o advogado Rodrigo Tacla Duran como sua testemunha de defesa.

Duran é aquele que acusou o advogado Carlos Zucolotto Junior (amigo íntimo de Sergio Moro, seu padrinho de casamento e ex-sócio da sua mulher num escritório de advocacia) de tentar traficar acordos de delação premiada na Lava-Jato.

A defesa de Lula preparou uma emboscada para Moro. Se o juiz é tão ágil para levar adiante os casos sob seus cuidados, por que não seria para trocar uma testemunha por outra e aceitar que Duran depusesse em um dos processos contra Lula?

Pois Moro não aceitou Duran como testemunha. O juiz não passará pelo constrangimento de ouvir o que não pretende, porque o advogado poderia, no depoimento, tratar do caso do amigo do magistrado.

Duran já tentou um acordo de delação na Lava-Jato e também não conseguiu. Há algo de estranho nessa recusa em ouvir Duran, ou talvez, ao contrário, o que menos existe são coisas estranhas em Curitiba. As coisas estranhas são da normalidade da Lava-Jato.

Mas alguém, em algum momento, terá de ouvir Duran, para que tenhamos mais informação sobre o amigo de Moro, a não ser que nesse caso a Lava-Jato não tenha pressa.