A MARCHA DE SERGIO MORO

Leio agora a manchete da Folha: Procuradoria-Geral da República informa ao Superior Tribunal de Justiça que o juiz Sergio Moro “atuou de forma imparcial durante todo a marcha processual” contra Lula no caso do sítio de Atibaia.
Não entendo porque a PGR se refere ao andamento do processo como marcha. Eu e a torcida do Flamengo achamos que a marcha foi rápida demais.
Mas nós somos leigos. Se a PGR diz que marcha foi normal, é porque deve ter sido.
Mas quem entende de marchas poderia explicar a marcha lenta do processo da tragédia da Boate Kiss, que não avança há cinco anos e meio.
Será que a marcha contra Lula é diferente da marcha do processo que pede a reparação pelo menos moral pela morte de 242 jovens?
Por que marcham tão rápido contra Lula e marcham tão devagar para punir os que conduziram os jovens à morte?
Sem falar nos processos que nunca marcharam contra tucanos corruptos impunes.

OS JORNAIS A SERVIÇO DE SERGIO MORO

As redações de hoje dos grandes jornais foram mais amordaçadas pelo golpe de 2016 do que as redações que enfrentaram o golpe de 64.
No pós-64, as grandes redações reagiam, principalmente depois de 68. Hoje, a possibilidade de reação de uma maioria progressista de operários do jornalismo é quase nula.
O golpe corroeu a capacidade de resistência dentro das redações, porque os altos comandos das empresas também foram protagonistas da dominação exercida pelos patos e pelo Judiciário.
Em 68, esses altos comandos se rebelaram para defender seu negócio. Hoje, estão conformados com a tarefa que a eles foi entregue.
A função dos jornais, dois anos depois do agosto de 2016, é quase subalterna. Eles se resignaram a fazer assessoria de imprensa para o golpe. Os jornais são assessores de luxo de Sergio Moro.
É o que pretendo abordar no encontro com o deputado e também jornalista Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, nesse encontro de segunda-feira.

O JUIZ QUE SE ADONOU DOS DELATORES

Podem ser juridicamente perfeitos (neste país em que as imperfeições são aplaudidas até no Supremo) os argumentos do juiz Sergio Moro para blindar os delatores da Lava-Jato. Mas os pretextos são tortos, sob qualquer outro ponto de vista, inclusive o moral.
Ficamos sabendo agora à noite pela imprensa dos motivos da blindagem, que estava sob segredo de Justiça até a tarde.
O juiz simplório finalmente revelou detalhes da sua decisão. Nenhum outro órgão, nem mesmo o Banco Central ou a Receita Federal, podem ter acesso e usar as provas oferecidas pelos delatores da Lava-Jato porque isso poderia, entre outras coisas, inviabilizar futuros acordos.
É mais um argumento destruidor da reputação da Justiça. O juiz Moro se considera no direito de ter a exclusividade da punição de corruptos. Há muito tempo ele insinua isso.
Mas juiz algum poderia se sentir tão poderoso a ponto de entender que suas deliberações são mais importantes do que as de outras autoridades envolvidas em iniciativas com o mesmo objetivo.
É torto o argumento central do não compartilhamento de provas. Moro não pode achar que o trabalho da Lava-Jato está acima do que pode e deve ser acionado, na mesma linha, por outras instituições.
O argumento mais frágil e moralmente mais comprometedor é o de que futuras investigações de outros órgãos podem tudo, desde que seus resultados não se voltem contra os bandidos que delataram seus cúmplices.
Os bandidos devem ser protegidos pelos acordos que fizeram, sem nenhum questionamento. Os acordos, que levam à impunidade dos delatores, são um bem a serviço de Sergio Moro e apenas dele. Moro é dono absoluto das provas da Lava-Jato.
Chegamos mesmo ao fundo do poço. Instâncias superiores podem até sustentar os argumentos de Sergio Moro (como já fizeram em outras ocasiões). Mas estamos diante de mais uma aberração da Justiça da Lava-Jato.
Sergio Moro prova que faz o que bem entende. E que, no país do golpe, com o Supremo e com tudo, ninguém desafia seu poder de encarcerar corruptos preventivamente, obter delações e depois soltar seus informantes sem nenhuma pena, como aconteceu com muitos deles. Não há melhor negócio no país hoje do que ser delator profissional da Lava-Jato, sob a proteção da blindagem de Curitiba.
Pedro Barusco, Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e outros sabem bem. Um juiz simplório manda no Brasil.

POR QUE MORO PROTEGE DELATORES?

Sergio Moro vem impedindo que órgãos federais e de controle de atividades, nas mais variadas áreas, usem provas obtidas pela Lava-Jato contra delatores.
É a nova notícia de mais uma controvérsia envolvendo o juiz simplório. Delatores e dirigentes de empresas que admitiram crimes estão blindados pelo juiz.
A Advocacia-Geral da União, a Controladoria-Geral da União, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Banco Central, a Receita Federal e o Tribunal de Contas da União querem ter acesso a essas provas obtidas por delação.
Estão tentando que os delatores e seus cúmplices sejam denunciados em outras áreas. Mas Moro decidiu que só ele toca nos processos.
O estranho é que Moro havia decidido, bem antes, liberar informações para outros órgãos. O esforço da Lava-Jato deveria ser compartilhado com todos os que combatem crimes.
Agora, voltou atrás. Por quê? Para, segundo a Lava-Jato, evitar a anulação de provas, por solicitação do Ministério Público. Com o pretexto de proteger provas, a Lava-Jato protege bandidos.
As provas dos mafiosos brasileiros só valem para Sergio Moro, não valem para nenhum outro órgão fiscalizador que queira pegá-los, por exemplo, por sonegação.
O famoso powerpoint de Dallagnol contra Lula vale para todo mundo. Mas as provas contra a máfia da direita não valem. São secretas.
Estranho. Muito estranho. O doleiro Youssef, o ladrão avulso Pedro Barusco e todos os outros delatores soltos estão bem protegidos.

FERNANDO MORAIS E O JUIZ SIMPLÓRIO

Ainda penso na cena de ontem, quando Sergio Moro, o juiz simplório, tentou enquadrar o jornalista e escritor Fernando Morais.
Morais estava depondo como testemunha de Lula, quando passou a narrar um encontro de Bono Vox com Lula. Moro disse que não iria aceitar “esse tipo de propaganda”.
Propaganda mesmo, Moro só aceita se for de tucano. Moro adora participar de festas de propaganda com gente do PSDB, principalmente Doria Farinata Júnior. E ainda tira fotos dos convescotes com propaganda tucana.
Quando enfrenta gente de esquerda, o juiz simplório fica inseguro e tenta impor sua autoridade. Moro teme que sua voz desafinada o desautorize.
Pois Morais foi repreendido pelo juiz e respondeu assim: “O meritíssimo fez uso da palavra propaganda, que eu repudio. Eu não estou aqui fazendo propaganda. Em nenhum momento eu teria razão para fazer propaganda de quem quer que seja. Eu não ia jogar fora uma carreira de 50 anos para fazer propaganda de um presidente da República”.
O juiz simplório ficou quieto. Estava diante de um dos maiores jornalistas e biógrafos do Brasil. A tentativa do juiz de fazer propaganda da própria valentia, como sempre tenta fazer nas audiências, não deu certo.
Moro ainda será desmascarado pela História ou por alguma outra coisa.

A PANELA E A COZINHA DA PANELA

Tacla Duran é mesmo o cara que pode tirar Sergio Moro de festas e convescotes, ou continuará escondido pela imprensa, aparecendo lá de vez em quando em cantos de página?
Se Tacla Duran estivesse acusando gente da esquerda, o mundo já teria desabado. Mas a imprensa parece não se interessar mesmo pela Panela de Curitiba, que Tacla Duran acusa de vender acordos de delação.
Por que não há até agora nenhuma linha, uma só, sobre a Panela de Curitiba nos jornais? A imprensa não faz nada porque estaria na mesma cozinha onde está a panela?
A imprensa seria parte da equipe de cozinheiros do golpe e por isso não revela o que há nessa panela?
Por que imprensa não sai dessa cozinha e não diz o que acontece lá dentro? A imprensa ajudou a bater panela e agora ajuda a proteger outra panela?

O SIMPLÓRIO SERGIO MORO

Sergio Moro é mesmo um simplório. A defesa de Lula pediu que o juiz fosse posto sob suspeição, depois de tirar fotos e frequentar evento patrocinado por João Doria Farinata Junior em Nova York.
O juiz respondeu que Lula também tem fotos ao lado de Aécio, Geddel e de outros políticos presos. Moro queria que Lula tivesse fotos ao lado do Pato Donald? Com quem Lula tiraria fotos, se é político há quase 40 anos?
Mas Lula não é juiz. Um juiz deve marcar sua atuação pela imparcialidade e pela impessoalidade.
Um magistrado, em democracias respeitáveis, nunca tiraria fotos e participaria de festas promovidas por políticos investigados por corrupção (mas sempre impunes) e que trabalharam abertamente por um golpe.
Mas Moro julga e manda prender Lula e tem um álbum de fotos com Aécio e Doria. Ele acha que tudo é normal e que a situação dele e de Lula com políticos é tudo a mesma coisa.
Moro nunca recebeu um voto na vida, por isso não pode conviver em convescotes com políticos, como se isso fosse da natureza da sua atividade. Não é.
Mas não haveria nada de excepcional se Moro tirasse foto com os caminhoneiros, por exemplo. Ele é ídolo dos caminhoneiros, assim como Bolsonaro.

SERGIO MORO DESAFIA O SUPREMO

A informação que corre agora é que o juiz Sergio Moro vai desafiar a decisão do Supremo que tira dele a competência para continuar tocando os processos dos casos do sítio de Atibaia e da sede do Instituto Lula.
Moro tem o apoio da direita do Judiciário, da direita da política, da direita do pato amarelo, da imprensa e dos ‘liberais’ acovardados. Moro se convenceu de que suas ações não serão nunca questionadas, porque isso significaria contestar a campanha ‘moralizadora’ da Lava-Jato.
O juiz de Curitiba diz que vai esperar o acórdão do STF para mandar os processos para São Paulo. Mas qualquer jurista sabe que a jurisprudência do Supremo determina que um julgamento passa a vigorar quando da publicação da ata, e não do acórdão. É o que está em todos os sites especializados em questões jurídicas.
Mas o juiz Moro está acima de qualquer decisão, qualquer autoridade e qualquer instituição. O juiz Moro orienta há muito tempo as ações do Supremo. Chegou a hora de o Supremo dizer se o juiz continua mandando.

O avulso

Com o dinheiro que roubou, o ladrão avulso Pedro Barusco poderia comprar 190 apartamentos tríplex. A Lava-Jato nunca quis saber para quem ele roubava nos governos do PSDB. Está solto, sem tornozeleira e sem dívidas com a Justiça. A impunidade de Barusco é a impunidade dos tucanos.

É o meu tema no Extra Classe online.

O ladrão que Moro tratou a pão de ló

O juiz e os estudantes

A recepção ao juiz na PUC. O cara dá a abanadinha, achando que está tudo dominado, mas faz a curva e leva a vaia. Ah, os estudantes. É deles que dependemos para continuar resistindo. Recebi o vídeo agora do André Rosa. Me fez bem. É um direito, é o pouco que a democracia aos frangalhos ainda permite.

A recepção ao juiz na PUC. O cara dá a abanadinha, achando que está tudo dominado, mas faz a curva e leva a vaia. Ah, os estudantes. É deles que dependemos para continuar resistindo. Recebi o vídeo agora do André Rosa. Me fez bem. É um direito, é o pouco que a democracia aos frangalhos ainda permite.

Posted by Moisés Mendes on Tuesday, 10 April 2018