O SIMPLÓRIO SERGIO MORO

Sergio Moro é mesmo um simplório. A defesa de Lula pediu que o juiz fosse posto sob suspeição, depois de tirar fotos e frequentar evento patrocinado por João Doria Farinata Junior em Nova York.
O juiz respondeu que Lula também tem fotos ao lado de Aécio, Geddel e de outros políticos presos. Moro queria que Lula tivesse fotos ao lado do Pato Donald? Com quem Lula tiraria fotos, se é político há quase 40 anos?
Mas Lula não é juiz. Um juiz deve marcar sua atuação pela imparcialidade e pela impessoalidade.
Um magistrado, em democracias respeitáveis, nunca tiraria fotos e participaria de festas promovidas por políticos investigados por corrupção (mas sempre impunes) e que trabalharam abertamente por um golpe.
Mas Moro julga e manda prender Lula e tem um álbum de fotos com Aécio e Doria. Ele acha que tudo é normal e que a situação dele e de Lula com políticos é tudo a mesma coisa.
Moro nunca recebeu um voto na vida, por isso não pode conviver em convescotes com políticos, como se isso fosse da natureza da sua atividade. Não é.
Mas não haveria nada de excepcional se Moro tirasse foto com os caminhoneiros, por exemplo. Ele é ídolo dos caminhoneiros, assim como Bolsonaro.

SERGIO MORO DESAFIA O SUPREMO

A informação que corre agora é que o juiz Sergio Moro vai desafiar a decisão do Supremo que tira dele a competência para continuar tocando os processos dos casos do sítio de Atibaia e da sede do Instituto Lula.
Moro tem o apoio da direita do Judiciário, da direita da política, da direita do pato amarelo, da imprensa e dos ‘liberais’ acovardados. Moro se convenceu de que suas ações não serão nunca questionadas, porque isso significaria contestar a campanha ‘moralizadora’ da Lava-Jato.
O juiz de Curitiba diz que vai esperar o acórdão do STF para mandar os processos para São Paulo. Mas qualquer jurista sabe que a jurisprudência do Supremo determina que um julgamento passa a vigorar quando da publicação da ata, e não do acórdão. É o que está em todos os sites especializados em questões jurídicas.
Mas o juiz Moro está acima de qualquer decisão, qualquer autoridade e qualquer instituição. O juiz Moro orienta há muito tempo as ações do Supremo. Chegou a hora de o Supremo dizer se o juiz continua mandando.

O avulso

Com o dinheiro que roubou, o ladrão avulso Pedro Barusco poderia comprar 190 apartamentos tríplex. A Lava-Jato nunca quis saber para quem ele roubava nos governos do PSDB. Está solto, sem tornozeleira e sem dívidas com a Justiça. A impunidade de Barusco é a impunidade dos tucanos.

É o meu tema no Extra Classe online.

O ladrão que Moro tratou a pão de ló

O juiz e os estudantes

A recepção ao juiz na PUC. O cara dá a abanadinha, achando que está tudo dominado, mas faz a curva e leva a vaia. Ah, os estudantes. É deles que dependemos para continuar resistindo. Recebi o vídeo agora do André Rosa. Me fez bem. É um direito, é o pouco que a democracia aos frangalhos ainda permite.

A recepção ao juiz na PUC. O cara dá a abanadinha, achando que está tudo dominado, mas faz a curva e leva a vaia. Ah, os estudantes. É deles que dependemos para continuar resistindo. Recebi o vídeo agora do André Rosa. Me fez bem. É um direito, é o pouco que a democracia aos frangalhos ainda permite.

Posted by Moisés Mendes on Tuesday, 10 April 2018

CONSTITUIÇÃO

Vou acatar a sugestão do juiz Sergio Moro. Deveriam alterar a Constituição (à força mesmo, como faz a Lava-Jato de Curitiba), para que ficasse clara essa história da prisão depois de condenação em segunda instância.
Para acabar com as controvérsias, ficaria assim:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, mas os tucanos e os membros do Quadrilhão são mais iguais do que todos os outros.
Parágrafo primeiro: Qualquer pessoa julgada e condenada em segunda instância poderá ser recolhida à prisão para cumprimento da pena.
Inciso primeiro e único: Desde que seja do PT.

Manuela e Moro

Encontrei Manuela D’Ávila por acaso hoje. Ela me contou que dormiu na metade da entrevista de Sergio Moro ao Roda Viva. Era cordialidade demais numa bancada que não retrucava nada do que Moro dizia e só levantava a bola para o juiz rebater.

Manuela lembrou que um dos perguntadores, o jornalista Fernando Mitre, estava bem diferente do repórter que ela enfrentou em dezembro do ano passado.

Manuela deu uma entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, e Mitre amontoava perguntas em cima de perguntas. Foi um entrevistador duro e incisivo.

Ontem, Mitre era um dos mais cheios de saramaleques. Foi contundente com Manuela e cordial e fofinho diante do juiz. O jornalismo, dependendo das circunstâncias, vira uma conversa de compadres, como virou ontem.

Fizeram 46 perguntas a Sergio Moro. Quase todas com o tom de pergunta de colegial diante de alguém que a professora mandou entrevistar.

Um estudante de jornalismo só aprende coisa ruim vendo uma entrevista como aquela do Roda Viva. Mas fica sabendo pelo menos como não se faz uma entrevista.

O ciclista da Lava-Jato

O momento fofo de Sergio Moro no Roda Viva foi quando disse que, logo no começo da Lava-Jato, ia e voltava do trabalho de bicicleta. A bancada de jornalistas fofos entrou em êxtase.
A Lava-Jato também nos ensina a ter uma vida saudável e a contribuir para a humanização das cidades.
O cinismo pode andar a cavalo, em tratores ou até de bicicleta.

O ESTAGIÁRIO

Sergio Moro é o estagiário que prospera, fica mais importante e poderoso do que os antigos chefes e passa a mandar recados a quem o ajudou a ser alguma coisa na vida.
Ontem, no Roda Viva, seu grande lance foi a bajulação da ministra Rosa Weber e seu recadinho ao vivo.
Quando começaram a falar de presunção de inocência e de prisão depois de condenação em segunda instância (para que Lula entrasse na conversa), logo Moro buscou Rosa Weber para se apoiar.
Disse que trabalhou com a ministra no Supremo e que confia na sua “seriedade e qualidade técnica”. Revisar o que o Supremo decidiu em 2016 (que um condenado pode ser preso depois de sentença reafirmada em segunda instância) seria, segundo o juiz, “dar um passo atrás”.
Rosa Weber, a chefe de Moro quando do mensalão, é decisiva para a decisão do dia 4 de abril do habeas em favor de Lula, se é que o Supremo vai decidir mesmo alguma coisa. No dia 4 ficaremos sabendo se o ex-estagiário vai vencer mais uma.

Moro no Roda Viva

Observações que fiz ontem no FaceBook sobre a participação de Sergio Moro no programa da TV Cultura.

A ordem cronológica dos comentários é esta, de cima para baixo:

Vai começar daqui a pouco a conversa de Sergio Moro com uma bancada de amigos jornalistas, no Roda Viva da TV Cultura.
O brabo é aguentar duas horas de conversa fiada à espera de uma derrapada de Moro ou de uma revelação surpreendente, como o anúncio bombástico da devolução de tudo o que ele pegou até hoje de auxílio-moradia.
Mas o pior é o tom de voz de Sergio Moro. Não há quem aguente uma hora e meia com aquele sustenido. Moro poderia ser dublado pelo cara que dubla o Homer Simpson.

…………………

Sergio Moro refere-se ao “saudoso ministro Teori Zavascki” e diz que sem ele não existiria Lava-Jato.
Fez média com o único ministro que o enfrentou e o recriminou formalmente pelo delito (até hoje impune) de ter grampeado a presidente Dilma Rousseff e enviado a gravação para a Globo.
Moro diz que Teori era “uma pessoa que todo mundo gostava”. Mas Teori está morto.

………………….

Moro confia na ministra Rosa Weber para que o Supremo mantenha a possibilidade de prisão depois de condenação em segunda instância. E deu um carteiraço: eu trabalhei com a ministra.
Os amigos jornalistas se excitaram. Rosa Weber ouviu um recado do pupilo.
Lula está nas mãos da ex-chefe de Moro.

…………………..

Esta entrevista com Sergio Moro é como um daqueles jogos de segunda-feira da Série C entre o 15 de Jaú e o Treze da Paraíba.
Sabe-se desde o começo que não vai acontecer nada. Mas ficamos à espera do imponderável. E o imponderável não aparece.
Até uma pergunta sobre Tacla Durán passou agora por ali, mas teve uma resposta enrolativa, e o perguntador deixou por isso mesmo.
Moro pode sair da entrevista e ir jantar com Leandro Karnal. Por antecipação, já estou ouvindo as gargalhadas.

………………….

Conclusões rápidas. Duvido que a série do Padilha sobre a Lava-Jato seja pior do que esta entrevista com Sergio Moro.
Sergio Moro não deve ser mesmo agente da CIA. É simplório demais, é repetitivo, previsível, com frases que se sustentam em clichês de conversa de boteco.
Mas no fim disse torcer para que o Brasil tenha um bom presidente ou uma boa presidenta.
Aí surpreendeu. A direita não deve ter gostado da concessão do juiz à palavra presidenta.
Sergio Moro me deve duas horas que desperdicei por ainda ser curioso. Se fosse um espetáculo pago, pediria meu dinheiro de volta.

Dublagem

Vai começar daqui a pouco a conversa de Sergio Moro com uma bancada de amigos jornalistas, no Roda Viva da TV Cultura.
O brabo é aguentar duas horas de conversa fiada à espera de uma derrapada de Moro ou de uma revelação surpreendente, como o anúncio bombástico da devolução de tudo o que ele pegou até hoje de auxílio-moradia.
Mas o pior é o tom de voz de Sergio Moro. Não há quem aguente uma hora e meia com aquele sustenido. Moro poderia ser dublado pelo cara que dubla o Homer Simpson.