Jocosos

Quando não tenho nada para pensar, como numa segunda-feira ensolarada, penso na frase de Sergio Moro sobre Aécio, ao explicar em recente entrevista à TV a famosa foto com o mineirinho. Esta é a frase:
“O senador é uma pessoa espirituosa e tem seus momentos jocosos”.
O que Aécio teria dito de jocoso para Sergio Moro? Sergio Moro tem tanto tempo de convivência com Aécio (e com que frequência?) para poder defini-lo com tanto carinho e tanta graça?
E às vezes, quando não tenho nada para pensar, em penso também em Tacla Duran. Este eu acho mais jocoso do que Aécio. Mas não sei se o juiz tem a mesma opinião.

O Judiciário apressado

Uma informação importante sobre o julgamento do processo em que o tesoureiro do PT João Vaccari Netto teve a pena ampliada de 10 para 24 anos de reclusão pelos juízes do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.
O recurso chegou ao tribunal em abril e já foi julgado agora. O tribunal apressou sua decisão em relação a outros recursos de casos do mesmo Vaccari.
Isso quer dizer o quê? Talvez não queira dizer nada, mas pode querer dizer também que a agilidade será a marca do TRF a partir de agora.
A Folha prevê que, nesse ritmo, o processo contra Lula, no caso do tríplex do Guarujá, pode ser julgado em abril do ano que vem. O tribunal pode estar avisando: agora a fila vai andar.
Se disserem mais adiante que o processo contra Lula andou rápido demais, poderão argumentar: olhem o processo do Vaccari. É normal, é assim mesmo, e agora estamos com gasolina de avião.
Lula e Vaccari estão cercados por todos os lados. Cada um tem sete processos nas costas. Se não acharem outros contra eles.
A Justiça brasileira finalmente decidiu ser célere e efetiva. Nunca antes o Judiciário teve tanta pressa. O ritmo de Sergio Moro parece determinar também o ritmo dos juízes que estão acima dele.

Os amigos, os filhos, as mães…

A Folha mobilizou dois repórteres (e quantos editores?) para descobrir que a mãe e uma irmã do desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, foram filiadas ao PT. E que o próprio Favreto também foi. Nada é informado sobre as ligações políticas dos outros desembargadores.
A longa reportagem é publicada hoje, em tom de devastadora descoberta macartista. Por que tanto esforço? Por que Favreto é voz dissonante no Tribunal em relação a desmandos do juiz Sergio Moro, que o ministro Teori Zavascki já havia apontado. Mas Zavascki morreu em acidente de avião no dia 19 de janeiro.

O modelo de Curitiba

O juiz Sergio Moro ficou com a parte pobre da Lava-Jato, com os tesoureiros do PT e com Lula e os pedalinhos e a reforma da cozinha do Guarujá. Até Marcelo Odebrecht ficou pobrezinho perto dos irmãos Batista e das malas do Geddel.
Sergio Moro é juiz para pegar um Lucio Funaro e suas conexões jaburianas. Este sim, como se vê agora na sua delação, é mafioso de verdade. Se pegasse Funaro, Moro pegaria Cunha, Padilha, Geddel, Moreira Franco e o jaburu. O Quadrilhão seria todo de Moro.
Mas Sergio Moro só lida com gente sem foro privilegiado. Ele só avança em gente com foro se for para grampear Dilma. Quando foi para grampear Dilma (ilegalmente) e mandar o grampo (ilegalmente) para a Globo, aí não teve a desculpa do foro.
Moro deve ter sido o único juiz de primeira instância de todos os tempos, em qualquer parte do mundo e sob uma democracia, mesmo que capenga, que grampeou (com a desculpa de que foi sem querer) o telefone da mais alta autoridade do país. E deu publicidade ao seu delito, como se fosse repórter dos Marinho.
Um dia os professores de Direito ainda falarão desse episódio como uma das maiores aberrações da Justiça. Hoje, poucos falam, porque o Direito absoluto a ser imitado é o do modelo das prisões preventivas intermináveis e das delações saídas das masmorras de Curitiba.
(Para que não fique dúvida: o ministro Teori Zavascki considerou ilegal a divulgação do grampo pelo juiz, porque o próprio grampo também foi, é claro, um ato ilegal. Mas Teori está morto.)

Tortura

Ninguém mais aguenta a voz de Sergio Moro. Nem a voz de Deltan Dallagnol. E muito menos a voz do jaburu-da-mala. Esta semana conversei com amigos que têm esse sentimento. O Brasil foi sequestrado pelos sons dos três.

O que enjoa não é necessariamente a voz falada, mas também a voz que salta dos textos. Abre-se a internet e lá vem uma declaração de um deles. Leio frases de Sergio Moro e ouço sua fala.

Leio uma declaração de Dallagnol e também é como se ele estivesse falando ao meu lado. E não dá para não ler. Se não leio, temo perder uma informação, ou a notícia de que pegaram um tucano. Mas eles são repetitivos, pueris nas argumentações, são moralistas de um moralismo punitivo e religioso.

Moro e Dallagnol são mantras de disco arranhado. Eles nos cercaram. Liga-se o rádio e ouve-se a voz de um deles, em entrevista ou palestra. Na TV é a mesma coisa.

O Brasil merece ouvir outras vozes. Moro, Dallagnol e o jaburu-da-mala estão atordoando o país. Às vezes não durmo direito por achar que a qualquer momento posso ser acordado pela voz de um deles. Já sonhei que tentava dormir em Guantánamo com um rádio ligado num discurso do Sergio Moro. E eu não conseguia desligar o rádio. Durou três dias.

Moro, Dallagnol e o jaburu poderiam dar o prefixo e sair do ar. Ninguém merece. Nem os inimigos. A presença compulsória dos três nas nossas vidas é um plano diabólico de alguém que ainda nos dá o Ronaldo Nazário de brinde.

É como se o Brasil todo tivesse se transformado em uma masmorra de Curitiba. Somos presos preventivos das vozes da Lava-Jato e do jaburu. Que a Anistia Internacional nos resgate.

A falha

Encontro seu Mércio na ferragem da Juca Batista. Ele não aparece para comprar nada, mas só para provocar quem estiver por perto. E provoca:
– Se enfiaram o Ronaldo Nazário e o Luciano Huck num encontro com o Obama, como não conseguiram enfiar o Sergio Moro?
Dois balconistas fizeram um ‘é mesmo’ com os olhos, e seu Mércio completou:
– Algo falhou.
E depois largou mais esta:
– Obama não conseguiu fechar Guantánamo. Ele poderia saber de Sergio Moro como se humaniza uma masmorra liberal como a de Curitiba, onde uma prisão preventiva pode passar de ano.
Os que estavam na volta ficaram quietos e ele concluiu:
– Obama também poderia aprender métodos suaves de obtenção de delação (nos intercâmbios com o Ministério Público) em aulas com Sergio Moro.
Seu Mércio se despediu (ele sempre tira o boné e faz um aceno, quase uma reverência), desejou um bom fim de semana a todos e foi embora dando risada.

Moro não aguenta

Li a notícia sobre a previsão de Sergio Moro de que a Lava-Jato está chegando ao fim em Curitiba. Seria, segundo alguns, o aviso de que ele pode renunciar à magistratura e ser mesmo candidato em 2018.

Na eleição de 2014, Marina Silva não resistiu a dois meses de campanha e foi pulverizada por suas ideias obtusas.

Desta vez, Bolsonaro não resistirá a duas semanas. E Sergio Moro, se decidir concorrer, não resiste a dois dias de campanha.

Até porque num debate Moro não poderá dizer a Lula o que disse na última audiência em Curitiba, quando o ex-presidente perguntou se poderia dizer à família que prestou depoimento a um juiz imparcial. Moro foi incisivo: “Não cabe ao senhor perguntar isso a mim”.

Lula teria outras perguntas a fazer ao juiz. A não ser que Lula seja mesmo condenado em segunda instância e preso, e Moro fique livre para concorrer, sem o receio de ter de responder perguntas diversas, como uma sobre o tal amigo denunciado publicamente por um mafioso como vendedor de acordos de delação em Curitiba (já que a imprensa nunca quis saber nada do juiz sobre o sujeito).

E, além disso, Moro não aguentaria a campanha porque é muito ruim de retórica. Ele e Deltan Dallagnol são os pregadores do moralismo óbvio de conversa de boteco pouco antes de fechar, quando ninguém aguenta mais ninguém. Não se aproveita quase nada.

Esconderam Lula

Tente achar, na capa dos sites dos grandes jornais, a pesquisa CNT/MDA, da Confederação Nacional dos Transportes, que mostra como Lula cresceu como líder às eleições do ano que vem. Se achar, me avise.
Hoje, as pesquisas escondidas pelos jornais mostram que só há um jeito de tirar Lula da corrida, como favorito em todos os cenários contra Aécio, Bolsonaro, Doria, Ciro Gomes, Marina, Álvaro Dias, Alckmin.
Só o Judiciário, que deve deixar Aécio e Bolsonaro livres para concorrer, pode tirar Lula da eleição.
A pesquisa não incluiu Sergio Moro. Deve ser porque Moro é juiz e juiz deve ser uma autoridade imparcial e neutra em disputas políticas. Imagino que seja por isso.

Vossa excelência se acha imparcial?

O Judiciário brasileiro foi há muito tempo emparedado pela questão levantada por Lula diante do juiz Sergio Moro. Os juízes terão de responder um dia não só sobre as imperfeições da Justiça em todas as instâncias, mas também sobre os estragos provocados por suas convicções ideológicas.

Este é o tema do meu texto quinzenal no jornal Extra Classe. Abaixo, o link:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/09/vossa-excelencia-se-acha-imparcial/

Por favor, querido

No depoimento de Lula hoje, Sergio Moro pediu ao ex-presidente que não se referisse a uma procuradora como “querida” (a partir de uma queixa dela). “Querida” é um cacoete antigo do tratamento de Lula ao final das frases.
Sergio Moro, o juiz que posa em cochichos face a face com Aécio Neves, denunciado como chefe da quadrilha dos tucanos, confraternizando alegremente com um denunciado por corrupção, que participa de festivos eventos promovidos por tucanos (Doria Junior é um deles) e que grampeou a presidente da República sem nenhuma cerimônia (um delito grave cometido por um juiz de primeira instância e nunca punido) está agora preocupado com a pureza das liturgias e das normas cerimoniosas da Justiça?
Menos, Sergio Moro. Bem menos. Lula será seu réu em até uma dúzia de processos. Mas os brasileiros não podem ser subestimados por suas lições de bons modos. Por favor, querido.