No faroeste

Seu Mércio me telefona para dizer que tem mais uma tese. Como não vê seriado (ele diz seriado, e não série), seu Mércio não sabe que personagem Sergio Moro seria nesses seriados de hoje.
Mas se fosse um personagem dos faroestes das antigas, Moro nunca seria o xerife, disse seu Mércio. Nem o amigo do xerife, mas o cara do saloon que sempre está secando os copos com um guardanapo quando os bandidos chegam.
Nos faraoestes, esse cara parecido com o Moro, com aquele jeitão do Moro, só seca copos.
Seu Mércio pergunta como é que um cara com todo jeito de figurante de filme de faroeste vira xerife no Brasil.
A realidade nem sempre imita a ficção, me disse seu Mércio, antes de desligar contando que Panfílio, o seu sabiá guaxo, não aguenta mais o calor.

Bloqueios

Tentam bloquear tudo que é de Lula, porque a sentença de Sergio Moro falhou.
Mas o que uma certa ‘justiça’ gostaria mesmo de bloquear é o acervo político e, por antecipação, a quase certa eleição de Lula em 2018.
Querem bloquear e confiscar a história e o futuro de Lula e o desejo da maioria.
Esse não é, claro, o caso de Sergio Moro, que apenas quer fazer justiça imparcial, inodora e incolor…

Bandeirinha

Sergio Moro está sendo muito criticado, inclusive pela direita, por causa das barbeiragens grosseiras que cometeu na sentença contra Lula. Fica cada vez mais evidente que ele está aquém da missão pretensamente grandiosa da Lava-Jato.
Se a Lava-Jato fosse um jogo de futebol, Moro dificilmente seria o juiz. Talvez fosse apenas um bandeirinha trapalhão. Com todo respeito pelos bandeirinhas.

Pesquisa

Um amigo leu o livro A Luta Contra a Corrupção, de Deltan Dallagnol, e vai ver o documentário O Jardim das Aflições, sobre a vida de Olavo de Carvalho. Depois, pretende ver o filme Real – O Plano por Trás da História.
Ele já coleciona vídeos de auto-ajuda com depoimentos sueltos do juiz Sergio Moro sobre a luta contra o mal, desde que o mal seja de esquerda.
São concessões que esse amigo faz, na coragem, para uma experiência acadêmica.
Depois, um colega dele, neurocientista, vai examinar sua cabeça e fazer uma avaliação do que mudou no seu comportamento ao consumir propaganda da direita. Tudo em nome da ciência.

O repórter Sergio Moro

Imagine que Sergio Moro seja um repórter. O repórter Moro chega diante do editor e diz o seguinte: na minha reportagem, eu provo que, assim como há contas com propinas para Eduardo Cunha no Exterior, o tríplex do Guarujá é de Lula.

O editor pergunta como ele prova e Moro apresenta a tese de que, no caso do tríplex, a prova está no fato de não existem provas.

Quanto tempo o repórter Moro ficaria no jornal? Se eu fosse o editor (e eu fui um editor bonzinho), ele não completaria a frase. Qualquer editor mandaria Moro trabalhar mais, para que não aparecesse com suposições e teses frouxas em vez de provas.

Num certo Judiciário do pouco esforço, as respostas esdrúxulas de Sergio Moro são apresentadas como sentenças condenatórias com a maior naturalidade, como essa tese sobre a falta de provas contra Lula, divulgada mais uma vez hoje.

Passarão pelo aval do Tribunal Regional Federal em Porto Alegre? A Globo está certa de que sim.

 

 

A direita testa a anestesia geral

A direita que controla o Brasil, em todas as áreas e instâncias, calibra suas ações pensando nas reações ao que faz. Sergio Moro avisou que chegou a pensar em mandar prender Lula, mas depois decidiu ser prudente. Poderia haver um trauma político. Foi o que disse na sentença de condenação.

Moro aplicou a dose mais ‘branda’ do veneno que tem à mão, fez o previsível e condenou Lula. Até poderia prender, mas a condenação já seria suficiente para o primeiro teste. Condenou e não percebeu reação fora das redes sociais e de algumas ‘análises técnicas’. Quase ninguém foi às ruas.

E se tivesse mandado prender, o que aconteceria? Moro não quis pagar pra ver, até porque poderia perder o apoio dos ‘liberais’ do meio jurídico, todos tão quietinhos (com as exceções de sempre).

O que importa é que Sergio Moro, o jaburu, os tucanos, o Ministério Público, todos estão calibrando o que fazem pensando sempre na possibilidade de contestação popular. E não há contestação nenhuma, por enquanto. Há as reações das controvérsias variadas e só.

O jaburu vai manobrando como quer e rearticulando forças táticas, para sobreviver à semana seguinte, porque sabe que não há reação além da virtual. Ninguém reage a mais nada desde o golpe de agosto.

Daqui a pouco, teremos mais um teste, com a revalidação ou não da condenação de Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre. Se a condenação for reafirmada e Lula se tornar inelegível (podendo até ser preso), o que acontecerá? É o que a direita se pergunta.

E a direita está certa de que não acontecerá nada de mais grave. Que o Brasil continuará inerte, amorfo, anestesiado. E, continuando assim, que se prepare então o novo golpe. O Brasil amorfo talvez não tenha eleição para presidente em 2018.

Se a economia reagir, se a Globo conseguir restabelecer seus pactos com quem estiver no poder, se as perspectivas forem de retomada da ‘normalidade’, a direita se dedicará ao grande projeto sonhado desde agosto.

O Brasil não terá Lula, não terá eleições e não saberá mais com o que poderá contar, depois de perder leis trabalhistas, previdência e, quem sabe, até o SUS como existe hoje.

Quem duvidar, quem acha que nada disso seja possível estará apenas repetindo a postura dos que duvidavam do golpe e duvidavam até que o jaburu chegaria ao poder e que o povo continuaria calado.

A direita empresarial e política e a direita do Ministério Público e do Judiciário acham que o povo não é de nada. E o povo não diz e não faz nada que possa fazê-los pensar o contrário. Seremos governados pelo pato amarelo.

Divagações sobre indícios

Por acúmulo de indícios, Sergio Moro poderia ser condenado como um juiz parcial a serviço dos tucanos e da direita. Mas isso só aconteceria se ele fosse submetido ao julgamento sumário dessa nova linha da justiça criminal sem provas.

O que se sabe é que Moro está aquém da missão que acha ter no mundo, que é a de acabar com Lula. É tão limitado que até seu humor (uma boa medida de mediocridades) é de propaganda da Amanco.

Essa conexão entra a sentença de nove anos e meio e o número de dedos de Lula (com o detalhe do meio dedo) é mais do que uma grosseria, é uma ideia bagaceira. A direita Zorra Total considerou genial.

E Gilmar Mendes? Gilmar Mendes é um juiz que, pelas coincidências da vida, sempre é sorteado para decidir sobre um caso envolvendo tucanos. E que sempre decide, por casualidade, a favor dos tucanos.

Se fossem números, com três pra cada um, Moro e Mendes seriam a mega-sena acumulada a favor da direita. Tudo por casualidade.

E nós? Nós devemos continuar tentando o Jogo do Bicho. Deixo aqui, como palpite, os números do avestruz: 1, 2, 3 e 4.

 

Enrolações

Acordei cedo para ler as análises diversas sobre a sentença de Sérgio Moro. Como se diz nos bolichos da Capela do Saicã, cada um vê o cavalo zaino com o pelo que lhe convém.
Mas a conclusão óbvia, que independe da análise de especialistas, é esta: mais do que qualquer outra instituição, o Judiciário é o lugar ideal para a elaboração das grandes farsas argumentativas.
A cada sentença a favor da direita e contra a esquerda, o Brasil cai no golpe da enrolação togada.

A dupla perfeita

Gilmar Mendes e Sergio Moro se parecem, mas não têm a mesma missão no mundo. Mendes dedica-se a favorecer em seus despachos todos os enrolados da direita que aparecem à sua frente em Brasília.

Sergio Moro age como acusador na vara especial da Lava-Jato em Curitiba e tem a missão de caçar Lula e o PT. Mendes defende a direita, Moro ataca a esquerda. Mendes tem a seu favor o fato de que joga aberto, como juiz partidário sem camuflagens.

O interessante é que o Mendes defensor de reacionários é, na origem, homem do Ministério Público, ou seja, um acusador. E Moro, que deveria ser juiz e não promotor, é na verdade o  cara da acusação na Lava-Jato, ao lado de Deltan Dallagnol.

A direita está bem servida com os dois, mas claro que tem muitos outros. E a esquerda? A esquerda tem pensadores do Direito e juristas avulsos ou na academia, mas fora das estruturas de poder, com as exceções de sempre na ativa das instituições, como os Juízes para a Democracia. Mas esses são poucos.

Promotores, procuradores e juízes da esquerda mais refletem sobre o golpe e os desmandos cometidos em nome das leis, da ordem, da família e da moral do que interferem no andamento das coisas.

A esquerda do Direito esbraveja, ataca, palpita, mas quem manda mesmo no MP e no Judiciário é a direita. Gilmar Mendes e Sergio Moro formataram o modelo a ser seguido. Deltan Dallagnol é um subproduto saído da mesma forma. É como se fosse um jogo com os alemães. Eles estão ganhando de 7 a 1.