CINCO PERGUNTAS

Ninguém perguntou ontem a Sergio Moro no Roda Viva: onde foi parar o Plano de Defesa do Cigarro Nacional, que ele defendia com ferocidade de lobista logo que assumiu o Ministério da Justiça?

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Quem vai abrir a caixa preta criada por Bolsonaro para pagar R$ 48 milhões (QUARENTA E OITO MILHÕES!!!) a uma auditoria que não achou a caixa preta do BNDES?

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Regina Duarte vai manter outros simpatizantes do nazismo que, sob o comando de Roberto Alvim, iriam levar adiante o plano de renascimento da cultura nacional?

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O que Gretchen sabe sobre a obsessão de Carluxo em atacar a comunidade LGBT, que todos nós temos o direito de saber?

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Quanto tempo Regina Duarte ficará no cargo de namoradinha cultural do bolsonarismo?

ACABOU O REPERTÓRIO DE SERGIO MORO

Sergio Moro expôs no Roda Viva o truque que pretende usar para sobreviver. Se continuar na mesma batida, fazendo o papel de ex-juiz, pelo menos não será comido tão cedo.

Não precisa tentar ser menos pior do que já é, porque pode estragar tudo. É a opção pelo mingau requentado da Lava-Jato.
E assim deve se conduzir até a campanha à eleição de 2022, se conseguir se firmar como uma opção da direita ou, o que é mais provável, da extrema direita.
Mas a vida do ex-juiz não está fácil. Moro confirmou na entrevista que é limitado. Tenta, mas não consegue ter um discurso que o apresente como alternativa política ao que está aí e se mostra cansado com o próprio discurso de caçador de corruptos.

Moro já fez seu número e dá sinais de que não tem repertório. Canta a mesma música, cada vez mais desafinado, mas é o que tem a oferecer. Talvez porque, se tentar algo diferente, menos simplório, possa ser desmascarado.

O professor Renato Janine Ribeiro escreveu no Facebook, depois do Roda Viva, que, se a esquerda não reagir, “Moro ganha as eleições hoje e nos tempos próximos”.

É provável que o ex-juiz se mantenha, ainda por um bom tempo, como a melhor opção da direita, segundo as pesquisas. Mas o que o Roda Viva expôs é que, se for para uma campanha, o chefe da Lava-Jato talvez não aguente o bombardeio de questões que não consegue responder, como a convivência mansa e pacífica com corruptos do governo denunciados formalmente, com adoradores do nazismo e com investigados por ligações com milicianos.

Uma coisa é ser entrevistado, com um certo excesso de cordialidade (foram raras as réplicas às bobagens que o ex-juiz dizia), outra é ser jogado na arena de uma campanha com cachorros grandes.

Moro é o Tony Tornado da direita. Só canta uma música, sempre com a mesma dancinha. Mas Tony Tornado sempre teve imposição vocal.

SERGIO MORO E AS CRIANCINHAS

Sergio Moro sentiu que o final do Roda Viva se aproximava e fez seu show populista, para mostrar que está cada vez mais longe do Supremo e mais perto de qualquer coisa que a política possa lhe oferecer.

Sem que ninguém perguntasse, disse que fez palestras e que doou os cachês a uma entidade de Curitiba que cuida de crianças com graves deficiências mentais. Disse duas vezes e com certa empáfia.

Um filantropo autêntico, um altruísta genuíno, não diz ao vivo, durante uma entrevista, que faz doações a entidades assistenciais dedicadas a crianças com deficiências.

Ao se exibir como benemerente, Moro igualou-se aos piores demagogos da mesma política que ele vem tentando desqualificar.

Mas não é a propaganda do gesto magnânimo com as criancinhas o que mais conspira contra o ex-juiz. Nem sua famosa trajetória suspeita como chefe seletivo da Lava-Jato.

Nem seu reacionarismo ou seu adesismo ao bolsonarismo sem limites. E tampouco a sua convivência descontraída com gente que enfrenta o cerco do Ministério Público por envolvimento com milicianos.

O problema de Sergio Moro é que ele é fraco, é um cara óbvio, previsível. Moro é o simplório e medíocre que foi empoderado como dono de uma vara especial para correr atrás de Lula.

O Brasil já teve grandes conservadores, mas hoje eles são apenas reacionários medianos ou sofríveis.

As respostas de Sergio Moro são sempre de uma nota só, ele não enfatiza nada, não oferece nenhuma frase que possa tirá-lo da monotonia. Moro é uma ladainha.

O ex-juiz é incapaz de reagir com vigor às denúncias que há contra ele. É um Chevette sempre na mesma marcha. E com aquela voz que não ajuda muito.

Numa campanha, seria pulverizado. É complicada a situação do ministro que Bolsonaro só não manda embora porque os dois estão se afogando. Abraçados.

O ex-juiz no Roda Viva

Algumas notas sobre a participação de Moro no programa da TV Cultura.

Sergio Moro diz no Roda Viva, com um certo orgulho, que pertence ao núcleo duro do governo Bolsonaro. Uau.
Foi surpreendente. Há muito tempo o ex-juiz está mais próximo do que seria o núcleo mole de Bolsonaro.
(Está bom o ímpeto dos entrevistadores. E Moro vem afinando a voz e revirando os olhos acima do normal. E está vermelho. Moro não aguenta uma campanha. Desde o começo da entrevista, em 20 minutos, o ex-juiz já bajulou Bolsonaro quatro vezes.)

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O ex-juiz se encolhe, baixa a voz e diz que não condenou a fala do colega nazista porque não é “comentarista político”.
A impressão, nesse segundo bloco, é a de que o ex-juiz está murchando.
Felipe Moura Brasil, da Jovem Pan, está se esforçando para salvar Moro com perguntinhas de amigo.
Mas no geral ainda falta na entrevista (na anterior também foi assim) aquela vitalidade que tiveram quando entrevistaram Manuela.
A conversa está no moto-contínuo esquemático de pergunta-responde. Poucos interrompem o ex-juiz.

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Moro tenta fazer média com Celso de Mello (que vai definir o caso da suspeição e pode acabar com a reputação do lavajatista), comete uma gafe monumental e diz que Mello “foi um grande ministro”.
O ex-juiz produz uma grosseria e antecipa a aposentaria do ministro que ele pretende substituir.

PERGUNTAS QUE NÃO SERÃO FEITAS A SERGIO MORO NO RODA VIVA

O ex-juiz será entrevistado mais uma vez pelos amigos da TV Cultura nesta segunda-feira. A bancada de jornalistas foi aprovada pelo entrevistado e não terá a participação de profissionais de veículos críticos do bolsonarismo e do lavajatismo.

Será um programa de perguntas e respostas óbvias, que passarão apenas pelas bordas de questões como essas:

1. Por que o senhor, um homem da lei e da ordem, não pede demissão de um governo que acolhe nazistas e defensores da tortura?

2. Por que não condenou o ataque ao prédio da produtora do Porta dos Fundos?

3. É verdade que o senhor chorou (como conta o livro Tormenta, de Thaís Oyama), após saber que seria demitido por Bolsonaro por causa de uma controvérsia no Supremo em torno do caso Queiroz-Flavio Bolsonaro?

4. O senhor admite que, se for candidato, disputará a mesma faixa do eleitorado de ricos e da extrema direita já ocupada por Bolsonaro?

5. Responda rápido: qual seria o seu slogan de campanha?

6. Aceitaria uma acareação com o advogado Tacla Duran sobre a denúncia da venda de acordos de delação em Curitiba?

7. Bolsonaro já disse que o próximo ministro do Supremo será evangélico. O senhor passaria a frequentar templos neopentecostais para agradar Bolsonaro e assegurar a vaga no STF?

8. Deltan Dallagnol pediu seu apoio à criação da fundação com R$ 2,5 bilhões da Petrobras? Aprovaria a criação da fundação que ninguém investiga?

9. O mandante do assassinato de Marielle pode estar no entorno do governo ou de Bolsonaro. Isso não o constrange?

10. Até o ministro Augusto Heleno disse que Bolsonaro é um despreparado. O senhor confia totalmente em Bolsonaro?

LEÃO SERVA E O JORNALISMO CORDIAL

O diretor da TV Cultura, Leão Serva, recorreu a uma lei não escrita que daria aos jornalistas o direito a foro privilegiado diante de críticas de colegas.

Serva disse que Glenn Greenwald foi “indelicado” ao defender que um jornalista do Intercept participasse da bancada que vai entrevistar o ex-juiz da Lava-Jato no Roda Viva.

O apelo de Greenwald parece razoável. As arbitrariedades de Sergio Moro na Lava-Jato foram expostas pelo Intercept.

Não há nenhuma indelicadeza. Jornalista avalia e critica Jesus Cristo, políticos, jogadores de futebol, feministas, médicos, engenheiros, professoras, artistas, gente de todas as áreas e profissões (principalmente se o criticável for de esquerda), mas são sensíveis a críticas.

O jornalista seria um ente num pedestal, imune a todo tipo de ataque, incluindo o de colegas. É muito infantil.

Corre no meio, desde Gutenberg, uma frase que não é apenas a expressão do corporativismo mais rasteiro, mas de uma certa covardia: colega não critica colega.

Por que não? Leão Serva se coloca no grupo dos que se consideram intocáveis. Não há intocáveis em nenhuma área.

O diretor da Cultura sabe que Greenwald elevou o nível de atrevimento do jornalismo brasileiro por seu trabalho reconhecido mundialmente.

Greenwald disse agora, antes de outros prifissionais da imprensa, o que precisa ser dito: que o Roda Viva poderia reunir uma turma de jornalistas-escadas para facilitar a vida do inseguro chefe da Lava-Jato.

Moro não precisa de proteção e das delicadezas do jornalismo cordial. É o contrário. Nós todos dependemos do jornalismo corajoso como defesa contra os desmandos de Sergio Moro e do bolsonarismo.

Jornalistas cobram transparência de ocupantes de funções públicas, mas se incomodam quando alguém pede que sejam transparentes. Nenhuma atividade é mais pública e exposta do que o jornalismo.

Vamos lá, Leão Serva. Não houve nenhuma indelicadeza por parte de Greenwald. Faça um esforço, aceite a crítica e seja menos sensível e delicado.

A dublagem

Não me interessa se o Roda Viva com Sergio Moro terá só jornalistas amiguinhos, porque esse é o padrão do programa. Qual é a surpresa?
A esquerda está empolgada demais. Já ganhou o Oscar e agora acha que pode participar até da bancada do Roda Vida.
Não é bem assim. Menos, gente. Vamos com calma, Primeiro, Hollywood e só depois a TV Cultura.
O que me interessa mesmo é saber quem vai dublar Sergio Moro no Roda Viva. Eu defendo que seja o Gabeira.

ORÁCULOS SIMPLÓRIOS

Vi a entrevista do juiz Marcelo Bretas a Andréia Sadi na GloboNews. Ele e Sergio Moro passam a mesma impressão de desleixo com as ideias, uma característica que parece impregnada nesse pessoal mais performático do Judiciário.
O que se vê é um sujeito simplório, com reflexões um pouco rasas sobre coisas complexas.
Falta a Moro, a Bretas e ao juiz Witzel, que virou governador, um pensamento que vá um pouco além dessas abordagens medianas sobre a Justiça e sua interferência num mundo cada vez mais sob o controle dessa gente.
Não falta sofisticação, mas um esforço, com algum lastro, para que se diferenciem de falas básicas sobre o que fazem.
Eles podem até ser bons como magistrados, mas dão a entender que pensam como o tiozinho falante desses tempos bolsonaristas.
São ruins de pensamento esses juízes transformados em justiceiross e oráculos da direita.

Um lavajatista impune

Meu texto quinzenal no Extra Classe. O que aconteceria se alguém tentasse se apropriar de R$ 2,5 bilhões da Petrobras em nome do combate à corrupção? Com Deltan Dallagnol, um ano depois do escândalo, não aconteceu nada.

https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2020/01/um-lavajatista-impune/?fbclid=IwAR2IinB-aDD6WKrFeBCC0pzPP2RGH3cB932to6xeMnNRMgv7r8CzyMKn3_k

NÃO É O CHEFE

Não prosperou a intenção do Ministério Público Federal de Brasília de tomar as dores de Sergio Moro e tentar processar o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.
No ano passado, Moro telefonou para autoridades amigas para dizer que iria destruir as provas de conversas encontradas com os hackers que grampearam a Lava-Jato.
Que ficassem tranquilos, porque todos os citados nas conversas, e que não estavam sob investigação, seriam protegidos pela decisão do ex-juiz de eliminar as provas. Claro que o ex-juiz estava tentando fazer o que qualquer Weintraub sabe que ele não poderia, que aquilo era crime.
O presidente da OAB comentou o blefe do ex-juiz e disse que Sergio Moro usava o cargo para “aniquilar a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”.
O Ministério Público agiu por conta (imagina-se que sim), em defesa do ex-juiz, e acusou Santa Cruz de calúnia. Pois agora o juiz substituto Rodrigo Parente, da 15ª Vara Federal do Distrito Federal, rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
Não li ainda o argumento do juiz. Santa Cruz disse que Moro agia como chefe, e não que era chefe de quadrilha. É o que deve ter determinado o arquivamento do processo.
Na Lava-Jato, por exemplo, as mensagens vazadas mostram que Moro agia como chefe de Dallagnol, mas não era o chefe.
Mas não ficamos sabendo até hoje se o ministro (que não tinha nada com a investigação sobre os hackers) cometeu o delito de ouvir conversas que não deveria ter ouvido.