Os filhos da direita

Estão descobrindo tudo sobre Paulo Preto, o operador de José Serra. Mas só agora. Preto opera para Serra e os líderes tucanos desde o início de 2000.
Descobriram que, além de R$ 132 milhões na Suíça, ele tinha uma empresa só para administrar os imóveis conseguidos com os roubos.
Ele e duas filhas cuidavam dos negócios. A direita gosta de envolver os filhos em aquisições imobiliárias.
Uma família de pai e três filhos tem R$ 15 milhões em imóveis no Rio, muitos na Barra da Tijuca. Quando irão descobrir como os imóveis foram adquiridos?
Talvez daqui a uma década e meia, como aconteceu com Paulo Preto.

A CORRUPÇÃO TUCANA

Reportagem de Mario Cesar Carvalho na Folha. Eles também pedirão desculpas? Aguardemos a opinião de Sergio Moro.

CCR faz acordo e cita doação via caixa dois para Alckmin e Serra

Concessionária pagará R$ 81,5 milhões de multa

A CCR, que atua no mercado de concessões de estradas, metrôs e aeroportos, e o Ministério Público de São Paulo vão anunciar o fechamento de um acordo nesta quinta (29) , no qual a empresa relata ter doado R$ 44,6 milhões para o caixa dois de políticos de São Paulo, em valores corrigidos.

Praça de pedágio da concessionária CCR Nova Dutra, entre as cidade de São José dos Campos e São Paulo – Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress

Os nomes dos políticos estão sendo mantidos sob sigilo, mas a Folha apurou que fazem parte do grupo o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador José Serra (PSDB-SP) e o ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD) –futuro chefe da Casa Civil do governador João Doria (PSDB).

Por ser concessionária de serviço público, a CCR é proibida por lei de fazer doações a partidos.

Para se livrar de processos que teria de responder, a empresa pagará uma multa de R$ 81,5 milhões para o governo paulista, dos quais R$ 17 milhões serão usados para a reforma da biblioteca da Faculdade de Direito da USP.

A Folha revelou em maio que a CCR negociava um acordo no qual citaria Alckmin como um dos beneficiários de recursos de caixa dois da concessionária. O montante, de R$ 4,5 milhões, foi entregue, segundo a empresa, a um cunhado de Alckmin, Adhemar Ribeiro. A Odebrecht também citou o cunhado como operador de recursos ilícitos para campanhas do tucano.

O valor destinado a Serra teria sido intermediado pelo empresário Marcio Fortes, também citado pela Odebrecht como operador do tucano.

Alckmin e Kassab já negaram que tenham recebido recursos ilícitos na sua campanha.

A doação via caixa dois visava conquistar a simpatia dos políticos para os pleitos da CCR junto ao governo, segundo declarações de executivos da CCR feita ao promotor José Carlos Blat, que negociou o acordo.

Nenhum dos executivos falou em contrapartida do governo para as doações, o que poderia caracterizar corrupção, um crime muito mais grave do que o caixa dois.

Se a Promotoria encontrar provas de que houve corrupção, o acordo será desfeito.

A CCR começou a negociar o acordo em maio deste ano, depois de operador financeiro Adir Assad ter contado em acordo de delação que havia gerado R$ 46 milhões para o caixa dois da empresa.

Preso pela Operação Lava Jato em 2016, Assad disse que fornecia recursos para o caixa dois da CCR simulando a prestação de serviços ou por meio de contrato de patrocínio de uma equipe de corrida que ele mantinha, na categoria stock car. Em alguns casos, havia de fato prestação de serviços. Assad disse ter intermediado um contrato de merchandising da concessionária com a Rede Globo.

No acordo que assinou com procuradores da Lava Jato, Assad afirmou que tinha uma relação de amizade com o ex-presidente da CCR, Renato do Valle, e com um ex-executivo do grupo, José Roberto Meirelles. A prática de caixa dois ocorreu quando Valle ocupava a presidência da companhia.

Segundo Assad, foi o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que o apresentou a Renato do Valle.

Valle foi demitido por conta da revelação do caixa dois e da relação que mantinham com Paulo Preto. Meirelles havia deixado a companhia em 2012.

A CCR fez o acordo para evitar ter mais problemas no futuro, com repercussões no valor das ações negociadas na B3, a Bolsa paulista. Em fevereiro deste ano, quando o acordo de delação de Adir Assad se tornou público, as ações despencaram 10,1% e o valor da empresa caiu R$ 4,62 bilhões.

Foi para evitar que a sangria continuasse que a CCR criou um comitê independente para investigar o destino do dinheiro do caixa dois, formado, entre outros, pelo ex-ministro do Supremo Carlos Veloso. Um escritório de advocacia brasileiro e outro americano foram contratados para acompanhar a apuração. Inicialmente, a CCR estimava que o valor do caixa dois destinado aos políticos era de R$ 17 milhões.

Posteriormente, chegou ao valor de R$ 30 milhões que, corrigidos, chegam aos R$ 44 milhões que constam do trato.

Os advogados que negociaram o acordo, Sebastião Tojal, Celso Vilardi e Roberto Telhada, não quiseram se pronunciar.

A Folha ainda não conseguiu contato ainda com Alckmin, Serra e Kassab.

A CCR ainda não se pronunciou sobre o acordo que será assinado na tarde desta quinta (29).

Tucano livre

O grande operador de José Serra e dos tucanos paulistas está solto. Paulo Preto, o homem dos R$ 300 milhões em contas na Suíça, foi libertado por ordem de Gilmar Mendes.
Estava preso desde 6 de abril. As notícias desta semana anunciavam que Preto se preparava para fazer delações. Saiu na hora. Era o único tucano preso. Com o Supremo e com tudo.
Nem Geisel, o mandante dos assassinatos na ditadura, imaginaria um golpe tão perfeito, com um Judiciário tão prestativo.

LULA E DILMA

Não há uma sacola, uma bolsa, uma pochete com dinheiro nas tramas montadas para enquadrar Lula e Dilma. Nunca acharam malas, nunca grampearam telefonemas sobre negociações com propinas e nunca localizaram dinheiro no Exterior.

Nunca um delator disse em detalhes que participou de jantares, com Lula ou com Dilma, para acertar propinas. Nunca Lula ou Dilma ameaçaram matar parentes usados como mulas para buscar malas de dinheiro.

Não há um registro de conversas em que Lula ou Dilma tenham dito a um empreiteiro mafioso que o mafioso deveria manter um cúmplice em silêncio com mesadas.

Nunca uma autoridade Suíça encaminhou informações ao Brasil sobre contas secretas de Lula ou Dilma. Nenhum militante ou tesoureiro do PT (e vários foram presos) foi pego com malas com R$ 51 milhões num apartamento.

Tentaram achar a Fiat Elba de Dilma. Não encontraram nada. Ficaram admirando sua bicicleta, em busca de algum vestígio comprometedor. Nada. Quantos devem ter tentado plantar contas de Lula e Dilma no Exterior, sem sucesso.

Não há contra Lula e Dilma nenhum indício de nada que envolva dinheiro. Nada. Há a conversa fiada de Joesley Batista de que movimentava uma conta na Suíça em nome dos dois, como se cuidasse da poupança de incapazes.

É a fantasia de um delator sem provas, para que se diga que há pelo menos algo envolvendo dinheiro contra os dois. Não há dinheiro nos casos de Lula e Dilma. Não há nada contra Dilma.

Contra Lula, há as histórias do tríplex e do sítio de Atibaia. Com os R$ 10 milhões que ganharam de Marcelo Odebrecht, no famoso jantar de maio de 2014 no Palácio do Jaburu, o jaburu-da-mala e Padilha, beneficiados pela propina, segundo o próprio Marcelo, poderiam comprar 10 apartamentos tríplex e 10 sítios. E receberiam troco.

Esse é o drama do serviço incompleto dos golpistas e da Lava-Jato. Eles nunca conseguiram chegar a nada envolvendo dinheiro contra Lula e Dilma. Se existisse, eles encontrariam.

Como encontraram, inclusive fora da Lava-Jato, com Serra, com Aécio e com o jaburu. Malas aqui e contas na Suíça (só localizadas porque foram denunciadas pelos próprios suíços).

Todos os donos das contas, das malas e das mulas estão imunes e impunes. Mas Dilma foi condenada politicamente a perder o mandato, sem ter cometido nenhum crime, e Lula está sob a ameça de ser preso por causa do tríplex.

O Brasil da direita impune desmoralizou uma máxima do mundo do crime, segundo a qual os criminosos são localizados, identificados e denunciados pelos rastros do dinheiro. Sigam o caminho do dinheiro, dizem os investigadores.

Aqui, as provas dos rastros do dinheiro, das malas e das mulas não servem pra nada.

O GOLPE DE 31 DE AGOSTO FAZ ANIVERSÁRIO

Eu me antecipo e, um dia antes, ofereço um bolo infantil a Eduardo Cunha, ao jaburu-da-mala, a Aécio, Serra, Fufuca, Jucá, Padilha, Geddel, Alckmin, Fernando Henrique Cardoso, Bolsonaro, Caiado, Raul Jungmann, Roberto Freire, Moreira Franco, Rodrigo Maia, Cristovam Buarque, Aloysio Nunes Teixeira, Pauderney, Zé Agripino, aos juízes seletivos, ao pato da Fiesp, aos jornalistas golpistas, aos subalternos de todos os políticos do golpe e a todos os seus cúmplices. Lambuzem-se. E aguardem porque mais adiante a festa pode ter alguns imprevistos.

Controle total

Os jornais contam que Aécio Neves circula de novo com a desenvoltura e o charme de líder tucano em Brasília.

Padilha dá entrevista com a segurança e o humor de quem vai ganhar de goleada na quarta-feira na votação da denúncia na Câmara e ainda esnoba o apoio do PSDB.

O jaburu-rei diz que a economia está em franca recuperação e faz banquetes sobre os escombros e os cadáveres do Rio como um general americano em Bagdá.

Geddel passeia de bermuda floral e sem tornozeleira pelas praias de Salvador.

Serra parece quieto e esquecido de que tem o equivalente a R$ 23 milhões na Suíça, mas manda dizer por seus amigos da imprensa que será candidato em 2018.

Para todos eles, a Lava-Jato é apenas um gás de pimenta vencido. Arde um pouco, mas a vida segue, pois a Lava-Jato foi feita só para pegar Lula e Dilma.

Nunca, nem na ditadura, foi tão fácil, tão bom e tão rentável ser golpista e corrupto de direita.

Porque na ditadura ainda havia o medo da reação popular.

 

Vem aí o grande show da direita

Esqueçam o trio tucano que pretendia disputar a eleição de 2018, se é que teremos eleição. Dois deles, Serra e Aécio, foram definitivamente avariados pela Lava-Jato. Mesmo que continuem impunes, só conseguirão voar em trajetos curtos, nos espaço aéreo deles em São Paulo e Minas.

Aécio é delatado todas as semanas. Serra retirou-se do governo do Jaburu, logo depois da denúncia dos delatores de Odebrecht de que recebeu R$ 23 milhões de propina, a maior parte na Suíça.

O terceiro, Alckmin, é um tucano cansado, desgastado pelos escândalos do metrô e da merenda, que iria para sua segunda tentativa de eleição no pior momento. A hora é dos tucanos com bicos (ou dentes) reluzentes.

Saem os tucanos de arrabalde, entram os tucanos sorridentes e cheirosos da elite paulistana, que vestem camisa polo de grife e mocassim de camurça sem meia.

É a hora de João Dória Júnior ou Luciano Huck ou Roberto Justus. O primeiro, uma invenção de Alckmin, tem a antipatia dos tucanos mais antigos, como Fernando Henrique. Mas estes não mandam mais nada no ninho.

Os outros, Huck e Justus, podem até tentar concorrer por outros partidos, se perderem a disputa interna pela preferência, mas são tucanos de origem. A direita quer renovação. E o novo é representado por esses sorrisos de chapa de porcelana.

E dizer que alguns anos atrás chegou-se a temer que Sílvio Santos se elegesse presidente. Sílvio Santos seria um Kennedy perto desses três pretendentes saídos da TV.

O pesadelo do golpe não tem fim. As celebridades que pretendem governar o Brasil fazem ou fizeram o que há de pior na TV, a exploração comercial das demandas e dos sonhos da pobreza, a caridade patrocinada, a solidariedade que busca audiência, a competição que imbeciliza, o marketing do bom mocismo.

O Brasil resignado com o golpe pode estar pronto para a sua versão fajuta de um Trump. O verdadeiro é autêntico no seu reacionarismo. Os nossos são esses bons moços que todos conhecem… Vem aí a direita fofa e com berço.

O Bolsa Banqueiro e o Bolsa Família

parente

Pedro Parente, presidente da Petrobras, discorre hoje em longa entrevista na Folha sobre os desmandos na empresa. Fala dos atos criminosos dos diretores agora processados e condenados e também das virtudes das ações e propostas dos atuais administradores.

Pedro Parente também poderia passar por avaliações de conduta, mesmo que inconclusivas, a partir da análise de dois processos pesados que correm em Brasília.

O Ministério Público está insistindo, depois de quase perder a batalha, na condenação de Parente e outros membros do governo FH por danos bilionários ao erário.

Parente (como ministro da Casa Civil e interino da Fazenda), Pedro Malan (como ministro da Fazenda) e José Serra (planejamento) são réus em dois processos que pedem reparação de prejuízos ao setor público por improbidade administrativa.

Os processos se referem ao socorro do governo federal, calculado em R$ 2,8 bilhões na época, aos bancos quebrados Bamerindus e Econômico. O Ministério Público quer a reposição do dinheiro (que seria hoje quatro ou cinco vezes esse valor), porque o socorro do governo foi considerado uma ação criminosa.

Não está em questão se alguém do governo ficou com parte do dinheiro. Mas o MP se convenceu de que a operação favoreceu ilegalmente os acionistas dos bancos quebrados com a dinheirama saída dos cofres públicos.

A operação do Banco Central foi feita sob o pretexto de pagar correntistas com o dinheiro que é meu, seu, nosso. Os salvos mesmo foram os donos dos bancos. Por quê?

O Supremo mandou que as ações, que correm nas 20ª e 22ª varas federais do Distrito Federal, fossem desengavetadas este ano. Estavam arquivadas por decisão tomada em 2008 pelo ministro Gilmar Mendes (eu disse ontem aqui que as ações correm no Supremo, mas tramitam mesmo em varas federais do DF; o Supremo apenas interferiu para desengavetar as ações este ano, em atenção a pedido do MP).

Também são réus de uma das ações os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola, Francisco Lopes e Gustavo Franco e mais ex-diretores do BC.

Como você imagina que possa ser o desfecho deste caso em que o MP federal pede reparação ao erário, ou seja, que os que liberaram o dinheiro para os banqueiros arranjem um jeito de devolvê-lo ao setor público?

Ninguém sabe mais nada dos processos e de seus desdobramentos, porque correm em segredo de Justiça. Por que segredo de Justiça? Porque algumas coisas no Brasil devem ser mantidas em segredo.

Sabemos de detalhes do andamento de muitos outros casos judiciais, também em segredo, por vazamentos seletivos.  Desse caso do Bolsa Banqueiro não se sabe nada, não se fala nada, não se comenta nada.

Saberemos do que aconteceu com esses processos quanto tiverem um desfecho (há muitos outros rolos envolvendo bancos e banqueiros no governo FH, quase todos transformados em fumaça).

A desenvoltura dos réus dos processos sobre o Econômico e o Bamerindus, todos por aí falando de ética e moral no setor público, já é um indicativo de suas expectativas.

Os donos dos bancos e seus herdeiros, pelo que se sabe, não ficaram pobres.

E o pessoal envolvido nisso tudo é da mesma turma do interino que pretende “moralizar” o Bolsa Família.

 

Lula ameaçador

Conclusões, algumas óbvias demais, sobre a pesquisa do DataFolha com os possíveis pretendentes às eleições de 2018.

1 – Lula continua forte e ameaçador e melhorou o desempenho em relação à Marina num primeiro turno.

2 – Aécio foi pulverizado pelas delações e passa a ser um tucano em extinção (apesar de uma estranha simulação em que, depois de performance ridícula num primeiro turno, estaria em empate técnico com Lula num segundo turno…). Aécio perdeu metade das intenções de voto que detinha até o final de 2015. E como encostaria em Lula?

3 – Alckmin e Serra também perderam força, mas teriam condições de enfrentar um segundo turno. Mas levam uma goleada de Marina, que vence todos, inclusive Lula.

Então:

Se Lula é o melhor candidato num primeiro turno (segundo turno é outra eleição), é preciso que o golpismo invista logo em ações pesadas para neutralizá-lo. Vem mais coisa por aí além da volta dos pedalinhos e do tríplex.

Nessa linha, é preciso turbinar as notícias boas sobre o governo do interino Michel (o que já vem sendo feito de forma avassaladora pela imprensa), porque uma eleição antecipada não interessa à direita.

É preciso cassar Dilma no Senado, ou Lula pode sobreviver.

Também é preciso convencer o povo de que o Brasil caminha para a redenção com o interino.

Teremos meses ou anos terríveis pela frente, se não cairmos antes no penhasco.